5. ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS
6.7 DIMENSÃO AMBIENTAL GRUPOS DE INDICADORES CATEGORIZADOS
6.7.3 AGRUPAMENTO – DIVERSIDADE BIOLÓGICA (g_a3)
Neste agrupamento estão inclusos dois indicadores: (a7) diversidade de espécies vegetais exploradas comercialmente (nota média ponderada = 4,8 regular); e (a8) diversidade de raças animais exploradas comercialmente nas propriedades rurais (4,6 = regular). O agrupamento diversidade biológica obteve (nota = 4,7), conforme disposto na Tabela 6.12, que coloca o grupo na situação considerada com a mais crítica para a dimensão ambiental. Destaca-se que na UPR 5 – Alto Vale do Itajaí (nota = 4,2), estão os
avaliadores que determinaram as menores notas e, na outra ponta, na UPR 2 – Meio Oeste Catarinense (5,4), estão os avaliadores que consignaram a melhor avaliação para o item.
O Avaliador 127 considera que a exploração comercial do número proposto de espécies vegetais e animais, na prática, não existe. Pondera que o parâmetro descrito como “ideal” pode ser desejável, no entanto “não condiz com a nossa realidade”, pois considera que os recursos de produção são escassos e “que a diversidade de atividades é desejável somente quando são complementares”. Nesta linha, o Avaliador 297 argumenta que o ideal seria perguntar sobre o número de espécies. Argüi isto com base no conceito de sustentabilidade de que “quanto maior o número de espécies, mais fácil seria ciclar os resíduos de cada uma entre elas”.
6.7.3.1 Indicador (a7) - Diversidade de espécies vegetais exploradas comercialmente
Neste indicador, considera-se para efeito de avaliação o número médio de espécies vegetais plantadas nas propriedades rurais, cujo índice ideal seria a família rural cultivar no mínimo sete diferentes espécies vegetais e uma de leguminosa (soja, alfafa ou trevo), além de uma espécie pouco plantada ou em extinção na sua região ou comunidade.
O indicador está embasado no método dos indicadores de durabilidade das explorações agrícolas, desenvolvido por VILAIN et al. (2000). Ao apregoarem que este indicador, quando otimizado pelo agricultor, possibilita valorizar a biodiversidade doméstica, que implicitamente é uma atitude de coerência técnica e propícia à gestão da fertilidade dos solos no longo prazo, esta diversificação dos sistemas pode limitar as flutuações econômicas e propiciar a utilização dos restos culturais das culturas precedentes, o que facilita romper com os ciclos dos parasitos e proteger os solos da erosão.
A busca da diversidade vegetal foi abalada pela nova postura do Cimmyt (Centro Internacional de Melhoria de Milho e Trigo), localizado no México, um dos maiores arautos da Revolução Verde quando aderiu a política de propriedade intelectual. Os seus diretores alegam que a mudança de política, conforme DEPALMA (2000), constitui uma tática defensiva para bloquear tentativas de patentear descobertas, não impedindo assim, o uso pelos pequenos camponeses. No olhar dos críticos, a partir do momento em que patentes e lucros passam a ser a questão central do trabalho do Centro, fica difícil
determinar quais as prioridades de pesquisa. Para muitos, existe até um certo ceticismo de que o Cimmyt esteja enamorado das companhias que trabalham com transgênicos.
O indicador citado obteve o melhor desempenho na UPR 7 – Região Metropolitana (5,7 = regular), pois a mesma caracteriza-se pela diversidade dos cultivos, e sua principal atividade regional está focada no cultivo de hortaliças. Todavia, as menores notas foram inferidas pelos avaliadores da UPR 5 – Alto Vale do Itajaí (4,1 = sofrível), que se caracteriza por sistemas de cultivo que não valorizam a diversidade das espécies e está centrada no cultivo de fumo, cebola e arroz irrigado nas terras localizadas ao longo dos vales e dos rios. Na realidade, a exploração comercial de uma espécie expõe o agricultor, de modo diferenciado, a riscos climáticos e ataques fortuitos de pragas e doenças.
6.7.3.2 Indicador (a8) - Diversidade raças animais exploradas nas propriedades rurais
Este indicador considera, para efeito de avaliação, a diversidade de raças criadas nas propriedades rurais. Propunha-se, no questionário, que o parâmetro ideal para a análise deste indicador fosse a criação de no mínimo três raças diferentes de cada espécie animal, no caso dos bovinos (raça holandesa, jersey ou nelore) ou dos suínos (duroc, landrace ou large white), e uma raça característica da região, como o gado franqueiro ou o porco piau.
Estes parâmetros estão fundados no método dos indicadores de durabilidade das explorações agrícolas, desenvolvido por VILAIN et al. (2000), que constitui-se num esforço
para valorizar as raças ameaçadas de extinção, evitando a substituição progressiva da diversidade racial, que ocorre mediante a padronização e a seleção de qualquer característica. Esta busca pela uniformidade das formas de vida torna frágeis as espécies, porque reduz a base genética, em confronto com a busca de diversidade nos sistemas agrícolas e das condições de produção.
A maior pontuação para este indicador foi obtida na UPR 3 – Planalto Sul Catarinense (5,5 = regular). A interpretação provável fundamenta-se em duas vertentes. A primeira delas refere-se às tradições culturais ainda vivas na região dos campos de Lages, por meio das quais os proprietários procuram preservar as raças “crioulas” como uma forma de não deixar “morrer” algo que lhes é caro e importante. A outra explicação vincula-se às dificuldades econômicas e acaba orientando os agricultores a não seguirem os
ventos da “modernidade”, forçando-os implicitamente a manterem às suas tradições culturais.
A situação mais crítica foi atribuída pelos avaliadores da UPR 5 – Alto Vale do Itajaí (4,2 = sofrível). Todavia, na criação de suínos e aves, na UPR 1 – Oeste Catarinense (4,4 = sofrível), não existem mais diferenciais, mas híbridos de raças semi-adaptados às condições regionais, sendo que as raças “locais” foram abandonadas. Contrapondo-se a esta lógica dominante no Oeste Catarinense e, com o intuito de disponibilizar proteína de origem animal em bases agroecológicas, PINHEIRO MACHADO FILHO (2001) propõe
implementar a criação de suínos em pequenas propriedades rurais, usando raças e linhagens compatíveis com as condições ambientais. Deste modo, estimula-se a biodiversidade animal, na busca de sistemas agrícolas mais sustentáveis.