5.2 Regularizações e Rectificações de Contas
5.2.1 Ajustamentos
Na conta 218 – Clientes de Cobrança Duvidosa, consta um saldo de 105.537,28€. No final do exercício, a empresa tem de analisar essa conta de modo a verificar se existe a necessidade de proceder ao seu ajustamento.
Segundo o nº1 e nº2 do artigo 35º do CIRC:
“1 – Para efeitos da determinação das perdas por imparidade previstas na alínea a) do nº1 do artigo anterior, consideram-se créditos de cobrança duvidosa aqueles em que o risco de incobrabilidade esteja devidamente justificado, o que se verifica nos seguintes casos:
a) O devedor tenha pendente processo de insolvência e de recuperação de empresas ou processo de execução;
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 72
c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respectivo vencimento e existam provas objectivas de imparidade e de terem sido efectuadas diligências para o seu recebimento.
2 – O montante anual acumulado da perda por imparidade de créditos referidos na alínea c) do número anterior não pode ser superior às seguintes percentagens dos créditos em mora:
a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses; b) 50% para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses; c) 75% para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses; d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses.”
A Egimetal realizou um ajustamento de 24.725,71€ como consta do documento interno de lançamento na contabilidade (Anexo 27).
Debitou-se a conta 666 – Ajustamento de dividas a receber e creditou-se a conta 2813 – Ajustamentos de dividas a receber.
Na conta 24 – Estado e outros Entes Públicos, no fim do exercício corrente é calculada a estimativa de imposto com base na matéria colectável, creditando-se a conta 241 – Imposto sobre o Rendimento e debitando-se a conta 86 – Imposto sobre o Rendimento do Exercício.
5.2.2 Acréscimos e Diferimentos
O princípio contabilístico da especialização (ou acréscimo) é reflectido na conta 27 – Acréscimos e Diferimentos.
Segundo a alínea c) do Ponto 4 do POC:
“Os proveitos e custos são reconhecidos quando obtidos ou incorridos, independentemente do seu reconhecimento ou pagamento, devendo incluir-se nas demonstrações financeiras dos períodos a que respeitam.”
Acréscimo de Proveitos
Nesta conta, constam todos os proveitos do exercício corrente, mas que só serão liquidados ou recebidos no exercício seguinte.
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 73 A Egimetal não contém saldo nesta conta.
Custos Diferidos
Nesta conta, constam os custos do exercício seguinte, mas que foram liquidados no exercício corrente.
A Egimetal tem custos diferidos no valor de 2.822,98€, em que uma parte desse mesmo valor se refere a seguros já liquidados no exercício de 2009.
Exemplo do cálculo da divisão do custo do seguro:
Prémio do Seguro = 950,37€
Data do Seguro – 15/09/2009 a 14/09/2010
São considerados os 360 dias do ano comercial para o cálculo.
2009 – 108 dias = 285,11€ 2010 – 252 dias = 665,26€
O valor de 665,26€ vai para a conta 272 e o restante vai para custo do próprio ano para a conta 62223 – Seguros.
Em 2010 salda-se a conta 272 em contrapartida da conta de custos.
Acréscimos de Custos
A conta 273 – Acréscimos de custos, engloba todos os custos do exercício corrente que só irão ser pagos no exercício seguinte, como por exemplo as facturas do mês de Dezembro da Água, da EDP, Comunicação, Encargos Sociais, IRS, encargos com subsídio de férias dos funcionários, etc.
No Anexo 29,consta o valor de regularização de custos com subsídio de férias dos funcionários da Egimetal, subsídio esse que só vai ser pago no mês de Junho ou Julho de 2010.
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 74 Constam igualmente na 273, as facturas da EDP, de Comunicação, da água, que são recepcionadas no início de Janeiro de 2010, mas o seu custo é referente ao ano 2009.
Proveitos Diferidos
A conta 274 – Proveitos Diferidos, engloba todos os proveitos que devem ser reconhecidos no exercício seguinte mas são recebidos no exercício corrente.
A Egimetal, nesta conta tem subsídios ao investimento no valor de 5.161,93€.
5.2.3 Regularização de Existências
Com a realização do inventário (Anexo 28), abordado no ponto 5.1.1 Classe 3 – Existências, a empresa está em condições de calcular o custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas (CMVMC).
Fórmula de cálculo do CMVMC:
CMVMC = Existência Inicial + Compras +/- Regularizações de Existências – Existência Final CMVMC = 31.464,31€15 + 881.593,23€16 – 26.944,1017€
CMVMC = 886.113,44€
A Egimetal procedeu à regularização de existências (Anexo 30), no valor de 886.113,44€, sendo que esta regularização é efectuada no mês 14 juntamente com o apuramento de resultados como se pode verificar no anexo 29. Normalmente esta regularização é efectuada no mês 13, mês esse, específico para esse tipo de regularização.
Todos os saldos da conta 316 – Compras de Matérias-primas, subsidiárias e consumo, são transferidos para a conta 36 – Matérias-primas, subsidiárias e consumo, sendo depois o saldo da conta 36 transferido para a conta 616 – CMVMC.
15 Este valor foi retirado da nota 41 do ABDR anexado à IES. 16 Balancete de Dezembro, saldo conta 31 – Compras (Anexo 26). 17
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 75 A conta 35 – Produtos e trabalhos em curso, tem um saldo negativo como se pode verificar através da nota 42 do ABDR anexado à IES, tendo como existência inicial o valor de 1.654,00€ e existência final de 1.125,00€, calculando-se a variação da produção da seguinte forma:
Variação da produção = Existência Final – Existência Inicial Variação da Produção = (529,00€)
O saldo da conta 35 é transferido directamente para a conta 81 – Resultados Operacionais.
5.2.4 Regularização do Imobilizado
Em relação ao imobilizado, no final do exercício procede-se ao cálculo das amortizações e reintegrações.
Nas contas de imobilizado, só devem constar, o imobilizado que ainda está operacional na empresa, por isso se faz a inventariação descrita no ponto 5.1.2 Classe 4 – Imobilizado.
No cálculo das amortizações do ano 2009 ainda se utiliza como orientação o Decreto Regulamentar nº2/90 de 12 de Janeiro. Esse mesmo decreto regulamentar foi revogado pelo Decreto Regulamentar nº 25/2009 de 14 de Setembro, produzindo efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2010. Com a alteração ao CIRC por força do SNC, houve uma necessidade da actualização do Decreto Regulamentar nº2/90.
Segundo o artigo 4º do Decreto Regulamentar nº 2/90:
“1 – O cálculo das reintegrações e amortizações do exercício faz-se, em regra, pelo método das quotas constantes.
2- Poderá, no entanto, optar-se, para o cálculo das reintegrações do exercício, pelo método das quotas degressivas relativamente aos elementos do activo imobilizado corpóreos novos, adquiridos a terceiros ou fabricados ou construídos pela própria empresa, e que não sejam:
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 76
b) Viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, excepto quando afectas a empresas exploradoras de serviço publico de transportes ou destinadas a ser alugadas no exercício da actividade normal da empresa sua proprietária;
c) Mobiliário e equipamentos sociais;
3 – Poderão ser utilizados métodos de reintegração e amortização diferentes dos indicados nos números anteriores quando a natureza do deperecimento ou a actividade económica da empresa o justifique, após reconhecimento prévio da Direcção – Geral das Contribuições e Impostos.”
Através do Modelo 32.1 – Mapa de Reintegrações e Amortizações (Anexo 8), consulta-se o imobilizado da Egimetal e todas as amortizações calculadas para o ano 2009.
Visualizam-se igualmente neste mapa todos os imobilizados que já estão totalmente amortizados. Com um documento interno (Anexo 31), procede-se ao lançamento das amortizações na contabilidade.
Se a empresa tiver participações financeiras, que não é o caso da Egimetal, sempre que á data do Balanço o valor de mercado for inferior ao valor da sua aquisição, tem de se proceder á constituição de uma provisão.
5.3 Balancete Rectificado
Ao terminar os lançamentos de rectificação e regularização, retira-se o Balancete do mês 12 (Anexo 26), deixando aqui uma nota que neste balancete não consta a regularização das existências, pois essa regularização só está evidenciada no balancete do mês 14 (Anexo 32).
Com o Balancete do mês 12 estam reunidas as condições para se proceder ao Apuramento de Resultados.
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 77
5.4 Apuramento de Resultados
Os lançamentos do apuramento de resultados geralmente são efectuados no mês 14.
Todos os saldos das contas da classe 6 – Custos e perdas e da classe 7 – Proveitos e ganhos são transferidos para a classe 8 – Resultados, para assim se apurar o Resultado Liquido do Exercício. Sendo também transferido para a classe 8 os saldos da conta 35 no lançamento de regularização de existências e no apuramento das existências finais.
O apuramento de resultados pode ser consultado no Anexo 30, mas para melhor se perceber a movimentação das contas de resultados, vai-se proceder ao seu lançamento no razão:
Conta 81 – Resultados Operacionais
81 35 61 62 63 64 65 66 67 35 71 72 73 74 75 76 77 1.654,00€ 886.113,44€ 177.975,94€ 7.182,94€ 421.411,77€ 428,40€ 133.779,24€ 0€ 1.125,00€ 1.661.223,05€ 0€ 0€ 2.624,15€ 0€ 0€ 0€ Saldo credor = 36.426,47€
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 78 Conta 82 – Resultados Financeiros
Conta 83 – Resultados Correntes
Conta 84 – Resultados Extraordinários
82 68 78 15.432,32€ 16.232,76€ Saldo Credor = 800,44€ 83 81 82 36.426,47€ 800,44€ Saldo credor = 37.226,91€ 69 84 79 2.971,61€ 66.740,89€ Saldo credor = 63.769,28€
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 79 Conta 85 – Resultados antes de Impostos
Conta 86 – Imposto sobre o Rendimento do Exercício
O saldo da conta 86, é uma estimativa do imposto sobre o rendimento do exercício, calculando-se da seguinte forma:
Imposto Estimado = Colecta + Derrama + Tributações Autónomas
Para se obter o valor da colecta é necessário calcular o imposto sobre a matéria colectável:
Colecta = Matéria Colectável * Taxa de Imposto
Colecta = (12.500,00€ * 12,5%) + ( (72.827,58€ - 12.500,00€) * 25%) 85 83 84 37.226,91€ 63.769,28€ Saldo credor = 100.996,19€ 86 21.688,06€
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 80 Colecta = 16.644,40€
Com o cálculo da colecta, já se pode calcular o imposto estimado:
Imposto Estimado = 16.644,40€ + 613,30€ + 4.430,36€ Imposto Estimado = 21.688,06€
A conta 86 – Imposto sobre o Rendimento é debitada e credita-se a conta 241 – Imposto sobre o Rendimento.
Conta 88 – Resultado Líquido do Exercício
5.5 Prestação de Contas
Segundo o nº5 do artigo 65º do CSC, as empresas são obrigadas a:
“5 – O relatório de gestão, as contas do exercício e demais documentos de prestação de contas devem ser apresentados ao órgão competente e por este apreciados, salvo casos particulares previstos na lei, no prazo de três meses a contar da data do encerramento de cada exercício anual, (…).”
88
86 85
21.688,06€ 100.996,19€
Resultado Líquido do Exercício
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 81 Os documentos para a prestação de contas são os seguintes:
Balanço
Demonstração de Resultados por Natureza ou Funções Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados (ABDR) Relatório de Gestão (artigo 66º do CSC)
Certificação Legal de Contas (se ultrapassar 2 dos 3 limites do artigo 262º do CSC)
5.5.1 Balanço
Após o Apuramento de Resultados, com o Balancete de Apuramento já é possível a elaboração do Balanço (Anexo 33). O Balanço é uma das demonstrações financeiras que nos fornece a informação do Activo, do Passivo e do Capital Próprio da empresa.
5.5.2 Demonstração de Resultados
A situação patrimonial da empresa é demonstrada através da Demonstração de Resultados (Anexo 33), como variou durante um determinado período de tempo, pode avaliar a variação em trimestres, semestres ou num ano.
A Demonstração de Resultados evidência os proveitos e os custos ocorridos ao longo do exercício, e o resultado é a diferença entre eles.
Existem dois tipos de Demonstração de Resultados:
1. Demonstração de Resultados por Natureza – é a demonstração de resultados em que os custos e proveitos aparecem de acordo com a sua própria natureza, ou seja, o custo é imputado ao respectivo centro de custo;
2. Demonstração de Resultados por Funções – os resultados são apurados de acordo com as funções empresariais, sendo elas, a produção, a comercial, a administrativa, a financeira, etc.
Tânia Joana Paiva de Sá e Rainha Página 82