ANEXO H PROSOPOGRAFIAS (30)
3- Alcides De Bon
Nascimento: 29/12/ 1917 – Nascido em Bom Jesus Entrevista: agosto/1994
Idade: 77 anos Família.
Pai: Antônio De Boni (morreu de espanhola, foi um dos 1° a ser sepultado). Mãe: Joana Corso De Boni
Avô Paterno: Avó Paterna: Avô Materno: Avó Materna:
Teve 9 irmãos (perdeu 2 irmãos pequenos).
Irmão mais velho nascido em 1900 foi o 1° filho de imigrantes italianos nascidos em Bom Jesus.
Trabalho
Os pais vieram por que o pai era ferreiro, “engenheiro mecânico de hoje”. Primeira família de origem italiana. O pai morreu e um irmão assumiu a família. “O Mario assumiu a família, depois o Hugo. Todo mundo trabalhava [...] O Mario casou e continuou trabalhando na ferraria e sustentou tudo nós”.
Primeiro emprego: “Fui fazer tijolo, esses tijolo da Igreja tem uma porção de meus [...] trabalhei muitos anos com isso [...] até a pele da mão sai sangue”.
Seu Piazza foi o primeiro dono de Olaria e depois quem fez tijolo foi o Seu Vernier, veio da Itália, ele trabalhou com os dois. Trabalhava no verão, em Bom Jesus no inverno não dava pra fazer tijolos. Os titjolos quebravam por causa do frio.
Trabalhou co seu Inácio Maggem e Carlos Maggem carpinteiros que “criaram um estilo de fazer casa”
Teve uma revenda de carros em Bom Jesus, antes do seu irmão, que posteriormente teve uma sub agencia da Ford em Bom Jesus. Depois teve uma agencia da Chevrolet. Em 1933 trabalhou com táxi,depois trabalhou muitos anos com o Guerino Grazziotin. “[...] foi meu patrão muitos anos, foi onde eu aprendi a ser comerciante, foi muito amigo”.
Seu Guerino era uma pessoa muito conhecida na cidade por seu temperamento forte, era um comerciante próspero, a professora Lucila pergunta para Seu Alcides como era seu Guerino, que ela lembra dele sempre brigando, Seu Alcides responde “[...] era tipo daquele italiano que praguejava, e daqui pouquinho pronto. Aparecia na loja de pijama e o Juvenal (irmão do seu Guerino) dizia hoje tamo mal [...] era muito enérgico com os empregados, mas era muito boa pessoa, se visse a gente doente já perguntava se não precisava de dinheiro [...] era amigo [...] pra blasfema era assim, mais que os outros irmãos. O Luizinho é que tinha medo”.
“Quando eu sai da loja, comecei meu negócio ele me emprestava dinheiro”. Contou que não achava ruim os antigos empregados terem seu negocio. Seu Alcides era concorrente mas seu Guerino ia na loja dele, iam nas águas juntos, na Guarda.
A esposa do Seu Alcides comenta no meio da entrevista: “ele negociava uns retalhos bem baratinhos com a Irmã Branca para fazer acolchoados para os pobres, se alguém não tinha como enterrar ele achava um jeito de dar o caixão. “[...] ele dava as coisas, o Juvenal era mais seguro”.
Estudos
Comissão para construção do ginásio: “O Osvaldo Barcelos, Irmão Suzim, Antonio Tessari e Juvenal, nos reunimos, achando que precisava de um colégio. Eu mesmo tinha que ir embora como é que eu ia educar meus filhos?”
Compraram o terreno do Doutor Concelo. “A comunidade comprou o terreno e depois se prepararam para fazer o colégio.Quem construir o ginásio foi à população e depois vieram os Capuchinhos para assumir”.
“O dinheiro, a gente fazia uma festa, davam 20, 30 vacas, tudo davam e a gente ia construindo. Depois o Meneguethi, no governo dele, deu uma contribuição, não foi muito. Mas quem construiu mesmo foi o povo. A realidade é que quem fez mesmo foi a comunidade.”
“A situação financeira era outra o povo era mais abastado.”
“A situação foi a mesma pra construir o hospital, pra construir a igreja. A comunidade ajudava. E o colégio... Todo mundo precisava, se não tinha que tirar os filhos daqui faziam o primário no grupo escolar e tinham que ir embora.”
“O colégio era particular. Os capuchinhos receberam a construção da comunidade e depois a comunidade pagava pra eles. Ficaram de dono como Colégio Particular. Eles tiveram um grande mérito, trabalhavam muito.”
“A comunidade precisava da escola e eles contribuíram. O Frei Egídio, Padre Inácio, trabalharam muito a Dona Gilica nos deu as pedras todas do colégio”. “A Inauguração do Ginásio foi uma festa muito grande. 1956 - inaugurou-se o Ginásio Nossa Senhora das Graças, foram os capuchinhos que deram o nome.” “O Sr. Bispo não aceitou muito a idéia do ginásio. Achava que padre tinha que ser padre, tinha uns quantos padres”
Política Religião Curiosidades
“Os casamentos na família eram bem diversos, não eram somente entre pessoas de origem italiana.”
Os membros da comunidade, em caso de doenças mais graves e cururgias, iam buscar médico, Doutor Ampi, em Antônio Prado, que vinha para Bom Jesus para fazer a cirurgia. O “hospital” era a casa do Doutor Concelo. Depois as pessoas da família do doente iam levar o Doutor Ampi em Antônio Prado.
Primeiras empresas de Ônibus, De Boni e Baroni, que ia pra Vacaria. E tinha uma outra empresa que ia para Araranguá. Existiu na época da guerra por volta de 1940. Depois se estabeleceu a empresa “Regis” que ia até Porto Alegre.
Observação
Pararam a entrevista para o Seu Alcides tomar remédio, ele comenta “ela sabe o remédio eu não sei [...] ela me cuida muito”. (Se refere a professora Ilma sua segunda esposa).
Falou de Getulio Vargas: “Eles ‘insavam’ os italianos, [...] eu apanhei muito só por ser italiano, seu Luiz Vernier apanhava muito, era analfabeto, fazia valo nos campos, analfabetos, faziam uma passeata levando cartazes, de patriotismo, contra a Itália.”
“Os Aver que eram pedreiros perseguiam muito essas pessoas. Alguns italianos eram acusados de Quinta Coluna,[...] o que nós aqui tinha a ver com isso?”
autoridades superiores e perseguiam as pessoas “[...] isso né? Aqui, 1940, difícil de chegar, o que nós ia sabe?”
Seu Alcides participou da comissão para construir o hospital. Foi a comunidade quem fez a doação do terreno, seu Luiz Dutra tomou a frente dessa etapa.
Seu Juvenal e Seu Alcides eram da comissão das festas para angariar fundos. Ele conta que a comunidade colaborava muito, doava gado para as festas. Os fazendeiros em sua maioria colaboravam bastante.
Seu Luiz Dutra ficou muito tempo na direção do Hospital, posteriormente vieram as freiras de São Leopoldo. Seu Luiz Dutra era tinha relações em São Leopoldo e trouxe as freiras de lá. Eram Irmãs franciscanas.
Gênero
A entrevistadora junto com seu Alcides vai lembrando de algumas mulheres que determinavam a família: Dona Joana, Dona Tereza e Dona Joaninha entre outras “[...] essas mandavam mesmo [...]a Dona Jardelina casada com Seu Vernier, era ela que determinava [...] A minha mãe dominava tudo nóis”
“A mãe tinha autoridade com as noras. Ela dominava tudo, mandava mesmo. Até o Mario, que era mais velho, de vez em quando, ela acabava brigando, ela falava meio misturado italiano e brasileiro, mas ela sempre teve aquela autoridade.” “Pensão da Filomena era um hotel que tinha, a Dona Inês também teve pensão em Bom Jesus e depois a Dona Jardelina depois da Dona Tereza. A Dona Filomena era ela que mandava, vivia com o seu Brauer um alemão que era pedreiro.”
4- Alvina de Lima Gonçalves de Camargo