ANEXO H PROSOPOGRAFIAS (30)
11- Doli Geni Zanetti Ciotta Nascimento: 26/03/
Entrevista: junho/1997 Idade: 71 anos
Família
Pai: Luiz Zanetti (Carlos Barbosa) Mãe: Tereza Suzzin Zanetti (Caxias)
Avô Paterno: Pietro Zanetti (veio da Itália e casou-se no Brasil) Avó Paterna: Emília Guerra
Avô Materno: Luiz Suzim Avó Materna: Luiza Brasus Trabalho
“Trabalhavam com serraria, fundaram outras serrarias, mudavam-se quando terminavam os pinheiros.[... ]Seu Juvenal tinha parte na serraria. Se refere ao marido
Estudos
“As mães que ensinavam os filhos, ensinavam a ler, escrever, fazer continha, o pouco que eu sei foi minha mãe. Depois quando eu já era mocinha o papai justou uma mocinha para ensinar os outros mais novos. Professora Gessi Castilho ficou um ano lá em casa. Naquela época ensinavam a ler, escrever e matemática. O papai trouxe uns mapas do exército, ele serviu naquela época da revolta de 23, e ele explicava pra gente.”
“No Carauno (localidade onde morou) ia uma professora, a Julia e outro que foi professor do Carauno.”
“Foi morar na cidade para as crianças estudar, mas os guris não quiseram estudar, os dois mais velhos já foram trabalhar.”
Política Religião
“Naquela época as mães ensinavam, se reuniam duas ou três famílias rezavam o terço. Primeira comunhão, crisma. A mamãe ensinava a catecismo em casa. Depois a gente ia nas casa dos avós e o padre ia lá fazia revisão na gente e já se fazia a primeira comunhão.” “Não lembro de missa e padre em serraria, onde viu foi no Carauno, era a Paróquia da Igreja de Bom Jesus. Já na Capela de São Manuel, eu ensinava em casa.”
Curiosidades Casou em 1947.
Conta a história de seus avós.
“O pai do Luiz Suzim se chamava Mateus Suzzim, ele nasceu no mar, em águas brasileiras quando vieram da Itália. É naturalizado italiano e os filhos são naturalizados.
Nasceu e criou-se na Boca da Serra em Caxias, entre Vila Seco e Ana Recke. Tinha serraria. O avô materno fazia carretão de boi, era carpinteiro, tinha 3 filhos que ajudavam na serraria.”[...]Quando terminou a guerra meu pai ficou numa serraria em Cazuza Ferrera. Dona Doli se casou com Pedro Ciotta filho de João Ciotta e Joana Rizzon, e era de são Marcos, também trabalhava em serraria, também com o marido em vários lugares dependendo de onde tivesse pinheiro, seu pai sempre era sócio.
11 de julho de 1950 vieram morar em Bom Jesus. No final a entrevistadora agradece e ela diz:
“Eu que agradeço, agora bobagem saiu bastante aí.
Percebe-se a felicidade de ter participado e ter sido entrevistada Observação
As serrarias por serem comunidades pequenas se bastavam, se ajudavam, pouco saiam. “[...]não havia doença, eram casais novos, os homens eram fortes tinham saúde. Nem as crianças não adoeciam.”
vender nas serrarias, rapadura, barril de cana (cachaça), farinha de mandioca, polvilho, laranja, vergamota, banana, tudo da Serra.”
Apresenta algumas características específicas na oralidade em decorrência da descendência italiana.
Gênero
“Na serraria: as moças daquele tempo eram dedicadas a fazer crochê, macramé, algumas iam engradiar madeirinha, comparação, daquele cabinho de madeira, tinha poucos meninos, empregado de serraria era sempre casal novo. Mas a dona de casa tinha muito serviço no sítio você sabe, tinha que ter vaca de leite, porco, galinha, tem que fazer café pro patrão cedo, fazer almoço na hora certa, café da tarde, lavar roupa, naquele tempo era assim na tábua. Faziam costura em casa, tocava tudo pra ela fazer serviço, por que o patrão tinha que trabalhar na serraria.”
As pessoas de origem eram muito interessadas, faziam roça, lavravam. Seu marido era gerente da serraria
“Eu ensinava as Donas de Casa nova, que gostavam de se dedicar a esse serviço, que não sabiam fazer essas coisas eu ensinava corta uma peça de roupa, fazer um crochezinho, eu sempre tive uma vida muito comunicativa na serrana.
Os que moravam na serraria são tudo gente que são do bem. Saia nos domingos se enlotavam umas quantas, as crianças iam fazer sapecada, colher fruta no mato, mas moça era muito pouca, sempre moça era muito pouca.”
A professora Lucila pergunta como se divertiam
-Homens: “[...]iam caçar e no verão iam pescar ou iam jogar baralho, quatrilho, se ficavam por casa ajudavam na lavoura, ai arrumação na casa era só no domingo, trabalhavam sábado até 4 da tarde.”
-Mulheres: “[...]Saiam com as mães catar fruta, no verão tem muita fruta, guabiju, goiamum, amora, pitanga, aveia. Elas gostavam de fazer seu crochezinho, bordar ponto cruz.”
“Os namoros de uma vez não eram que nem os de agora. Os rapazes vinham posavam na casa, chegavam sábado e posavam, vinham de muito longe. Dali um mês voltavam. Beijo muito escondido.”
Conheceu o mando que trabalhava em outra serraria perto.
“Foi expedicionário, chegou a ir pro Rio de Janeiro, mas não embarcaram pra Itália. Ficou 3 anos fora. Fiquei esperando, chorando, rezando, como era triste, voltou em 1945. Em 1947 casamos. O importante o padre nos casou na igreja.” Descreve e faz gestos, desperta a curiosidade, alguns casos a professora traduz os gestos.
Quem é que mandava em casa? “Há era o homem.”
Como era isso?
“A gente era muito submissa ao pai, a mamãe dizia que tinha que falar com o pai, mas em casa não, se fazia o que era preciso, ela sabia o que tinha que fazer. Se fosse pra compra, ou pra sair, alguma coisa, tinha que falar com ele (marido). Não é como agora. Eu nunca fiz nada sem combinar com o Pedro . Até uma roupa pros filhos eu participava.
Naquela época acho era melhor do que agora, as pessoas querem ser muito independente, não tem dialogo, cada um quer fazer o que quê, e fazem as burradas que querem e depois não tem remédio. Eu achei bom aquela época não posso me queixar. Não me senti sacrificada.”
“Teve casos que se deixaram, [...] a culpa de ambos. Tudo muito cabeça ruim, me lembro de muito pouco casamento desfeito na serraria.[...] Na serraria não tive conhecimento que os casais se agredissem, que brigassem era tudo perto. Quem trabalhava com serraria eram casais selecionados, distintos que queriam progredir, trabalhar.”