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Alfaias do antigo Mosteiro e da Irmandade

3. Pela (Real) Irmandade de Santa Joana Princesa (desde 1877 até 2005) 62-

3.4 Alfaias do antigo Mosteiro e da Irmandade

Nacionalizados os bens do antigo Mosteiro, teve a Irmandade a necessidade de gerir com o Estado a forma de serem colocados os objetos litúrgicos à disposição para a realização das festividades de Santa Joana. Nem sempre foram amistosas tais relações, mas, aproximando-se o dia 12 de maio, nada foi faltando para a festividade.

Durante vários anos, aprimorou-se na armação dos altares, principalmente no dedicado à Princesa. Para as celebrações litúrgicas usavam-se os ricos paramentos da festa joanina.

Com o desaconselho da armação dos altares, pelas alterações litúrgicas introduzidas no II Concílio do Vaticano, paralelamente ao esmorecimento da atividade da Irmandade nos anos sessenta e setenta do século passado, a festa de Padroeira conheceu proporções modestas. Conforme as possibilidades, organizava-se a procissão ou se restringia o culto à Igreja.

Nos anos oitenta do século XX, uma direção mais rígida do Museu e uma ativa Comissão administrativa nem sempre conseguiram chegar a termos pacíficos de colaboração, sendo necessária a mediação, em várias ocasiões, do Bispo de Aveiro. Causaram grande pesar, sobretudo, a substituição dos mantos reais (vestes em seda bordadas a ouro que revestiam as imagens processionais), e recolha e substituição do Pálio (também em seda e bordado a ouro) e dos paramentos da festa, por razões de

conservação museológica101. Foi ainda proibida a utilização de paramentaria do Museu nas celebrações da Catedral.

Atualmente e ao abrigo do referido protocolo, pede a Irmandade que a Câmara Municipal confira autorização para que sejam colocados à disposição: bandeira de damasco branco, com as armas da Padroeira bordadas a ouro e cruz de prata, que dois ciriais de prata acompanham, uma naveta e um turíbulo, ambos em prata, com as armas de Santa Joana, cofre-relicário com correia e fragmento de hábito, em cristal e prata, relicário com madeixa de cabelo, em prata e cristal e relicário do Santo Lenho, em prata, Pálio e respetivas varas e remates em talha, oito vasos em talha para os ramos de flores em tecido, quatro deles para andor processional da Bem-aventurada Joana com respetiva escultura de roca, com os seus atributos em prata, coroa de espinhos e resplendor e crucifixo em madeira e prata, e quatro vasos para o andor processional de São Domingos, com respetiva escultura de roca, com os seus atributos em prata, resplendor, estrela de estigma e vara e cruz tríplice em prata com açucena entrelaçada.

Também nos anos Oitenta terminaram, como já referido, as celebrações dominicais na Igreja de Jesus e demais igrejas da Paróquia da Glória, existindo apenas na Igreja matriz, Igreja da Misericórdia e Igreja do lugar de Vilar.

O culto à Padroeira de Aveiro encontra na Irmandade, cremos nós, uma rica e variada realidade religiosa e cultural que tentámos explanar ao longo do tempo, e nos seus matizes humanos e materiais.

Esse mesmo culto, difundido e praticado por estruturas religiosas distintas (Diocese, Ordem dos Pregadores, Paróquias e Irmandade) pertencem a uma mesma realidade social, a Igreja Católica. Como referimos na introdução, optámos pelo estudo, tão fundamentado quanto possível, do filamento cultual a que se dedica a Irmandade de Santa Joana Princesa em Aveiro.

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A 20 de abril de 1989 a Irmandade expressou à Diretora do Museu o seu desagrado pelas vestes com que se revestiram os andores a partir da procissão do ano anterior, solicitando diligências, junto da Secretaria de Estado da Cultura, para restauro dos Mantos reais. Sem sucesso, dirigiram-se a 3 de abril de 1990 à mesma responsável, questionando se, tratando da efeméride dos 500 anos do falecimento da Padroeira, as imagens processionais iriam revestidas com os vestes novas ou com os Mantos reais. Obtiveram resposta, em 10 de abril, do Instituto Português do Património Cultural, na qual informam ser intenção da entidade governamental abrir uma exposição para mostra das tais peças já que, pelo seu deterioramento, era impossível revestirem as imagens processionais (Arquivo da Irmandade de Santa Joana Princesa).

Não sendo tão antiga quanto outras associações de fiéis, quer na cidade quer no País, assume contornos muito próprios e reconheceu momentos de grande projeção e outros de esmorecimento, como é natural. Tentámos, por isso, avaliar em que medida mutações políticas e sociais influíram na instituição e qual a sua resposta.

Assim, é de crer que a Irmandade de Santa Joana Princesa, não sendo a única instituição que intervém no culto à Padroeira de Aveiro, desempenha primordial, específico e singular papel num lastro de tempo com origem em 1877 até aos nossos dias.

Vejamos na dimensão material e normativa.

Associadas ao culto encontram-se diversas relíquias, de natureza distinta e adstritas a diferentes materiais102. Assim encontramos:

1.Túmulo: mármore, coro de baixo do antigo Mosteiro de Jesus, do século XVIII. Para ele concorreu o erário real103. Túmulo do arquiteto João Antunes, em mármore branco, policromo, esculpido e embutido. Tem de altura 2, 96 m, de largura 1, 37 m e de comprimento 2,14m A arca tumular em pedra mármore policroma em forma de paralelepípedo retangular, feito de embutidos de motivos vegetalistas, florais e geométricos, de cores vermelha, amarela, preta, cinzenta, branca, e azul, com duas pedras de armas, com o escudo de Portugal cada uma, encimados por uma coroa real, a decorá-lo na parte

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Todas as informações e imagens foram retiradas da página de Internet https//:www.matriz.dgcp.pt

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Ibidem n.º 5. P. 597, Cópia, do século XVIII, em Arquivo da Universidade de Coimbra, Convento de

Jesus de Aveiro, Tom. 51, fols. 514-515- Alvará de Filipe II, de Portugal, pelo qual concede 50$00 Reis

de esmola para restauração do: Visto as cousas que alegão e vossa informação e parecer acerca do que

pedem, ey por bem e vos mando que lhe entregueis e façaes entregar, logo, sem duvida nem embargo algum, os cincoenta mil Reis, que se tiraram no arrendamento das sisas da dita Vila, o anno passado do seis centos e hum, para refazimento da sepultura da Infante Sancta, de que na dicta petição fazia menção, não entrando nisso cousa alguma da minha fazenda. Para a construção do mausoléu

superior e assente em base de forma retangular também em mármore policromo. As quatro faces (semelhantes duas a duas e duas maiores a posterior e anterior, duas menores, a cabeceira e os pés), estão inseridas em molduras relevadas, com decoração vegetalista e floreada e de enrolamentos de folhas de acanto, em número de oito, nos quatro vértices do paralelepípedo da arca. As faces maiores apresentam ao centro uma reserva com a representação de uma cruz, de cor acastanhada, inserida numa coroa de espinhos doirada; a face da cabeceira apresenta ao centro uma reserva com uma palma verde que sai de uma coroa (diadema) de princesa, doirada; a face menor que lhe é oposta, apresenta ao centro uma reserva com três lírios brancos. O Túmulo é rematado na parte superior por um frontão interrompido, tendo ao centro, na posição inversa à da sua orientação, uma peanha de forma retangular, com embutidos em mármore policromo, assente em folhas de acanto brancas, sobre a qual poisam os dois escudos com as armas de Portugal (em mármore policromo, voltados cada um para o exterior, de costas lisas e sem decoração), ladeados, cada um por dois anjos querubins em pedra mármore branca, encimados, cada uma, por uma coroa real em pedra branca, com motivos em mármore policromo. Na parte inferior o retângulo tumular assenta numa base de rebordo saliente, (semelhante à superior que antecede o frontão), com motivos vegetalistas e geométricos policromos, segura por quatro anjos, em mármore branco, com as mãos levantadas sentados em mísulas redondas, com as pernas cruzadas, colocados sob os quatro vértices do Túmulo. Nas duas faces maiores (posterior e anterior), entre os anjos, em mármore branco, apresentam-se duas fénix renascidas (uma de cada lado), sob cada qual se lê a inscrição latina EX CINERE (A partir das cinzas). Todo o conjunto que constitui e decora esta arca tumular assenta numa base de forma retangular, com motivos embutidos em mármore policromo, preto, vermelho e branco, de feição geométrica.

2.Peça em prata e vidro, com 24,7 cm de altura, 14,1 cm de largura e 23,5 cm de comprimento. Guarda parte do hábito e da correia: no interior de cofre-relicário em prata e cristal, do século XVII 104. A correia é datável de 1472 a 1490, é constituída por couro e bronze e as suas dimensões são 3 cm de largura e 81 cm de comprimento. A apresenta uma das extremidades cortada, tendo apenas um orifício na ponta, e a outra, terminada em bico, apresenta uma aplicação em bronze, com forma de resplendor. O mesmo tipo de aplicação rodeia os 5 orifícios sequenciais do cinto que se concentram na metade do cinto correspondente à ponta da peça descrita.

Contém ainda fragmento do hábito: peça pertencente ao vestuário usado pela Infanta Aveiro. Algum tempo após a sua morte, nomeadamente em 1701, a então prioresa D.ª Isabel da Visitação, encomendou um cofre relicário em prata e vidro, destinado a receber parte do hábito (túnica e escapulário) e o cinto usados pela princesa.

3.Peça em prata e vidro, do séc. XVII, possui de altura 30,4 cm e de diâmetro da base 9 cm e tem no seu interior madeixa de cabelo. Existe uma placa circular de chumbo presa ao interior da base. Relicário de forma cilíndrica que contem uma madeixa de cabelo que a tradição diz haver pertencido à Infanta D.ª Joana. A base circular é alteada e apresenta decoração fitomórfica. O corpo divide- se em parte inferior, semiesférica, de superfície lisa e superior formado por um recipiente cilíndrico em vidro, onde se encontra a relíquia, ladeado por três tiras de contorno recortado. O relicário é

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Deste cofre-relicário foi retirado em 2015 um rosário, que a tradição atribui à pertença da Santa Joana, mas que estudos recentes dataram como posterior à centúria da Princesa. Deverá ter sido, pois, colocado junto aos seus restos mortais e exumações posteriores, ao encontraram-no, associaram ao uso pela Bem- aventurada. Não existem, na verdade, descrições da primeira nem da segunda exumação.

encimado por cúpula com o mesmo tipo de ornamentação da base e rematado por cruz latina sobre pequeno globo.

Sobre ambos os relicários, que saem em procissão a 12 de maio, escreveu Marques Gomes105:

Da mesma epocha do relicario é sem duvida o cofre como este pertencente à Real Irmandade de Santa Joanna Princeza e que como elle contém reliquias da sua santa padroeira. No cofre, do lado opposto às armas reaes portuguezas, veem-se as da Ordem Dominica como aquelas, abertas a buril, e no fundo está esta inscripção: “Sendo Prioreza-madre-sôr-Isabel-da-Visitação – 1701”. Não era necessario este testemunho para se conhecer que o cofre era obra do começo do seculo XVII, pois os ornatos de cercadilho que n’ elle se veem são caracteristicos d’esta epocha. Dentro do cofre está parte do habito e da camisa com que a Santa Princeza falleceu, uma correia e um rosario. Este ultimo é notavel pelos engastes de oiro que sustentam as contas e bem assim pela cruz que é de filigrana de oiro, de delicado lavor. Julga-se ter pertencido também á mesma Santa Princeza, não podendo ser argumento em contrario do que muitos pensam, é antiquissimo. Estas reliquias, incluindo o cabelo, estavam n’ um só cofre depositado no côro de cima e quando em junho de 1689 o bispo de Coimbra D. João de Mello veio examinar os restos mortaes da Princeza e proceder a um longo inquerito para o processo da beatificação, e foram tambem examinadas por este prelado que tirou uma pequena parte de cada uma d’ ellas para mandar para Roma. Na feitura do cofre procurou imitar-se o desenho do grandioso tumulo que jaz presentemente a Santa Princeza e que, ao tempo estava em construcção, pois foi começado em 1699.

4.Cristo crucificado, possivelmente coevo à estadia de D.ª Joana em Aveiro, e nas suas mãos à hora da morte, com engastamento de cabelo atribuído à Infanta. A cruz e a imagem de Cristo, em estilo gótico, são de madeira esculpida, com cabelo natural e coroa de espinhos em arame. Tem de altura 76 cm e de largura 37,3 cm. Este crucifixo,

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denominado de Santa Joana, princesa, porque a ela atribuído com Cristo crucificado morto numa cruz latina, com uma tabela com a inscrição "I. N. R. I." pregada à parte superior do braço vertical. A figura de Cristo tem a cabeça inclinada sobre o seu lado direito, com o rosto com os olhos fechados, com barba e bigode, apresentando-se com cabelo natural, levando sobre a cabeça uma coroa de espinhos feita em arame; à cintura tem atado um cendal dourado. Aberta no peito tem uma ferida da qual jorra sangue vermelho pintado, bem como nos braços e pulsos, presos, com cravos de metal, um de cada lado da cruz, nos braços laterais, e nos pés, sobrepostos o direito sobre o esquerdo, presos com um cravo de metal, na parte inferior da cruz do braço vertical. A cruz é bastante mais comprida do que a figura de Cristo.

5.Busto-relicário, é constituído por barro policromado, vidro e madeira e aparenta ser trabalho português. Possui de altura 24 cm, de largura 10 cm e de comprimento 19 cm. Representando a Infanta D.ª Joana em busto, de frente, com a cara inclinada sobre a sua direita, com o "olhar em alvo", coifa na cabeça até ao pescoço, sobreposta de um véu, do seu hábito de dominicana, de cor escura, com uma coroa de espinhos, por cima. O busto desenvolve-se pelo corpo, sem braços, até quase à cintura, policromado com motivos florais verdes, de folhas, em relevo; na frente, a meio do peito, tem o espaço para uma relíquia coberta por um vidro. O corpo alonga-se pousando numa peanha do mesmo material, barro policromado, verde escuro, e o conjunto constituído pelo busto e por esta peanha assenta numa base de secção retangular de barro pintado de vermelho, com a inscrição Santa Joana na face da frente.

6. Prisma-relicário: datado entre 1690 a 1700, com dimensão de 55,7 cm de altura, 16,5 cm de largura e 10,3 cm de profundida, é de lavra proto-barroca e é construído por madeira, vidro, elementos orgânicos tais como osso, plica, entre outros. A téc. ica aplicada é a policromias e entalhamento da madeira com aplicação de folha de ouro. Este relicário em madeira entalhada e dourada com pintura a preto no exterior e a vermelho no interior; peça definida por uma base, corpo intermédio e remate. Peça tridimensional em forma de prisma triangular com três faces fechadas e uma

envidraçada, assente em base ou plinto retangular. A base forma um pedestal com mostruário circular envidraçado colocado na face principal; o interior da base tem uma concavidade de secção circular envidraçada e emoldurada com filet dourado e quatro folhas em esquadria; no interior está exposto um fragmento de osso calcinado (texturado), e elemento esférico não identificado. O corpo intermédio da peça tem uma face envidraçada e o interior é vasado, pintado e subdividido em sete partes. Estão expostas as relíquias de santos, com legenda individual manuscrita a aparo e de cor sépia, sobre tiras finas de papel. Descrição das relíquias: canto inferior esquerdo – Santa

Sancha; canto inferior direito – Rainha Santa Isabel; intermédio esquerdo – Luva de Santa Joanna; intermédio direito – Capa de S. Domingos; médio esquerdo – Osso de Santa Joanna; médio direito – Osso de S. Domingos; vértice superior – Mártir. Remate

tridimensional em forma de pinha ladeada de duas folhas de acanto com a face posterior plana; composição de fecho entalhada e dourada.

7.Peanha-relicário: constituída por madeira e vidro contém relíquia de D.ª Joana, do século XVII. Esculpida e entalhado dourado e policromado possui de altura 22 cm, de largura 27,5 cm e de comprimento 36,5 cm esta peanha de secção rectangular tem decoração de "marmoreado" no tampo e na face frontal, esta sobredecorada com festão de flores e laçadas douradas. Estas laçadas rematam o vidro na face frontal, através do qual se podem ver três relíquias: de Santa Joana, de Santo Augusto e de Santa Teresa de Ávila. A parte inferior da peanha assenta em quatro pés dourados e decorados.

8. Retrato datável entre 1472-1475, em óleo sobre madeira de castanho. Tem de altura: 60 cm e de largura 40 cm. Apresenta busto da Infanta D.ª Joana, de frente, em traje de corte. Cabelo comprido de cor clara; cabeça cingida por crespina em ouro, com pedraria e pérolas. Vestido com decote rendado, pronunciado em bico. Mão direita sobre o colo, parcialmente coberta por uma madeixa de cabelo, apresentando um anel no dedo indicador. Provavelmente trazido por D. Filipa (filha do

Infante D. Pedro, Duque de Coimbra) para o Mosteiro de Jesus de Aveiro.

9. Esta imagem, originalmente feita para o altar da invocação de Santa Joana, na Igreja do Mosteiro de Jesus, foi usada nas celebrações da beatificação da Infanta, que decorreram em Aveiro, em 1695. O seu lugar de destaque, no altar lateral mais rico da Igreja de Jesus e diante da porta exterior, onde ainda hoje se encontra, completado pela riqueza da imagem, ficar-se-á a dever à expansão do culto e após a sua beatificação. Representação iconográfica de Santa Joana, nesta escultura de vulto. D.ª Joana veste o hábito da Ordem Dominicana, suporta um resplendor de prata símbolo da sua Beatificação, e, ainda, como seus atributos pessoais tem uma coroa de espinhos, em prata, sobre a cabeça e segura nos braços um Crucifixo, as suas armas assumidas (ou armas espirituais) pela vida religiosa que escolheu. A seus pés, na base estão representadas três coroas, que simbolizam os três casamentos reais que, segundo a lenda, lhe foram propostos e recusou, para abraçar a vida religiosa. A base, do século XVIII, ostenta as armas da Infanta: um escudo em forma de lisonja, ladeado por dois anjos-tenentes, com as suas armas reais do lado direito e vazio do lado esquerdo, reservado, nos escudos femininos, às armas do marido.

É uma escultura de vulto em madeira policromada, estofada e dourada, constituída por duas partes: a escultura e a base em que assenta, que lhe é posterior, do séc. XVIII. A Infanta apresenta-se de frente, vestindo o hábito de dominicana, com túnica, em madeira dourada estofada, com motivos vegetalistas, caindo em pregas até aos pés, tapando-os, decorada com uma barra a toda a volta, com relevos aplicados e pedrarias, que se repete nas mangas largas, do tipo das do séc. XVII, deixando ver o interior; por cima da túnica à frente tem o escapulário, também em madeira dourada, (sendo o forro, de que se vê a ponta direita à frente, dobrada, em madeira estofada, igual à túnica), decorado com relevos aplicados e pedrarias, formando uma decoração de

motivos vegetalistas, e alguns geométricos. Por cima tem uma capa, em madeira dourada e estofada, no exterior e no interior, pelas costas, apertando à frente, junto ao pescoço, onde fecha, decorada aí com pedrarias aplicadas, que cai atrás até meio das pernas; a capa vem à frente do lado direito, sendo segura pela mão da princesa junto ao corpo. Sobre a cabeça tem um véu até aos ombros, que tapa a coifa de senhora, característica do séc. XVII, encimada por uma coroa de espinhos, em prata, seu atributo pessoal. Apresenta cara e mãos com carnações e segura nos braços uma cruz de prata; Atrás da cabeça tem um resplendor de prata, radiado, com pedra preciosa ao meio. Base de secção trapezoidal, com a aplicação escudo de armas, em lisonja, na frente, encimada por coroa aberta, ao meio, ladeada por motivos vegetalistas em madeira dourada e policromada, segura por dois anjos tenentes, nus, com carnações, com tira de madeira dourada ao peito, no corpo, com uma coroa aberta junto da parte inferior do corpo de cada anjo, de cada lado. A lisonja assenta o vértice inferior noutra coroa, fechada, tendo mais duas, uma de cada lado, na parte superior da base, junto à(s) cabeça(s) respetivamente de cada anjo estão representadas as suas armas espirituais, a coroa de espinhos e a cruz.

10. Rosário de São Domingos Escreveu Marques Gomes106:

Do século XVII é do mesmo modo o rosario de filigrana d’ oiro da Real Irmandade de Santa Joanna Princeza, do qual se havia dito com cruz e pingente da

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