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Algoritmos e jun¸ c˜ ao dos resultados anteriores

Linguagens reconhecidas por

5.4 Algoritmos e jun¸ c˜ ao dos resultados anteriores

Nestas trˆes sec¸c˜oes, foram apresentados resultados que nos caracterizam as linguagens reconhecidas por aut´omatos revers´ıveis, ou seja, que pertencem `a classe C. Nesta sec¸c˜ao ser˜ao apresentados alguns algoritmos para verificar se uma determinada linguagem pertence a C, bem como um resultado que junta todas as caracteriza¸c˜oes dadas nas sec¸c˜oes anteriores num ´unico resultado. Terminamos com um resultado que nos relaciona C com a MO-variedade ECom.

Para serem dados os detalhes dos algoritmos, ´e necess´ario fixar nota¸c˜oes. Dado um aut´omato determinista A = (Q, A, ·, {i}, F ) e um inteiro positivo k, denotamos por Ak = (Qk, A, ·, {(i, . . . , i)}, Fk) o produto directo de k c´opias de A, onde a ac¸c˜ao de A em Qk ´e dada por (q1, . . . , qk) · a = (q1· a, . . . , qk· a) e (q1, . . . , qk) ∈ Fk se e s´o se qi ∈ F , para 1 6 i 6 k. Denotamos por Gk(A) o fecho transitivo do grafo definido por Ak. A figura abaixo ilustra a constru¸c˜ao. 1 2 a, b a b 1,1 2,2 1,2 2,1 a, b a b b a b a b 1,1 2,2 1,2 2,2

Figura 5.5: Um aut´omato A, o aut´omato A2 e o respectivo grafo G2(A)

Dado um aut´omato determinista A = (Q, A, ·, {i}, F ), o conjunto de todos os caminhos em A define um grafo legendado infinito G(A), onde Q ´e o conjunto dos v´ertices e os triplos da forma (q, w, q · w), com w ∈ A+ s˜ao as arestas. Um subgrafo legendado de G(A) ´e chamado uma configura¸c˜ao presente em A.

Temos ent˜ao os seguintes resultados, que nos d˜ao algoritmos para verificar quando ´e que uma determinada linguagem satisfaz cada uma das condi¸c˜oes do Teorema 5.10.

Teorema 5.18. Seja A o aut´omato minimal de uma linguagem L. Os idempotentes de M (L) comutam (ou seja, L satisfaz a condi¸c˜ao (1) do Teorema 5.10) se e s´o se n˜ao existe nenhuma configura¸c˜ao em A da forma

CAP´ITULO 5. LINGUAGENS RECONHECIDAS POR AUT ´OMATOS REVERS´IVEIS q4 q3 q0 q1 q2 u u v v u u v v

Figura 5.6: Configura¸c˜ao imposs´ıvel em A(= A(L)) para os idempotentes de L comutarem

com q2 6= q4.

Demonstra¸c˜ao. Sejam M = M (L) e η : A → M o morfismo natural. Suponhamos primeiro que os idempotentes de M comutam. Se A cont´em a configura¸c˜ao acima indicada, temos que, para qualquer n > 0, q0· unvn= q2 e q0· vnun= q4. Em particular, dado que M ´e um mon´oide finito, ´

e poss´ıvel escolher n tal que unη e vnη s˜ao idempotentes. Dado que os idempotentes comutam em M , conclu´ımos que q2= q4.

Reciprocamente, suponhamos que A n˜ao cont´em a configura¸c˜ao da figura, e sejam e, f idempotentes de M . Sejam u, v ∈ A tais que uη = e e vη = f . Afirmamos ent˜ao que, para qualquer estado q0∈ Q, qo· uv = q0· vu. De facto, tomemos q1 = q0· u, q2 = q1· v, q3= q0· v e q4 = q3· u. Ent˜ao, dado que uη e vη s˜ao idempotentes, temos que q1· u = q0· u2 = q0· u = q1 e, do mesmo modo, conclu´ımos que q2 · v = q2, q3· v = q3 e q4 · u = q4. Assim, temos uma configura¸c˜ao proibida, a n˜ao ser que q2 = q4, e nesse caso temos que q0· uv = q0· vu.

Com este resultado, obtemos o seguinte corol´ario.

Corol´ario 5.19. Existe um algoritmo em tempo polinomial para testar se os idempotentes de M (L(A)) comutam, para qualquer aut´omato A.

Demonstra¸c˜ao. Vendo a configura¸c˜ao imposs´ıvel apresentada no teorema anterior, basta compu-tar G4(A) e verificar se cont´em arestas da forma ((q0, q1, q3, q4), (q1, q1, q4, q4)) e ((q0, q1, q2, q3), (q3, q2, q2, q3)), com q26= q4.

Teorema 5.20. Seja A = (Q, A, E, {i}, F ) o aut´omato minimal de uma linguagem L. Ent˜ao, L satisfaz a condi¸c˜ao (2) do Teorema 5.10 se e s´o se n˜ao existe nenhuma configura¸c˜ao em A da forma

q2 y p u q q1

u

y

Figura 5.7: Configura¸c˜ao imposs´ıvel em A(= A(L)) para L satisfazer a condi¸c˜ao (2) do Teorema 5.10

com q1 ∈ F e q2∈ F ./

Demonstra¸c˜ao. Para esta demonstra¸c˜ao, vamos usar a condi¸c˜ao (2) da Proposi¸c˜ao 5.6, que pela Proposi¸c˜ao 5.7, ´e equivalente `a condi¸c˜ao (2) do Teorema 5.10.

Suponhamos que L satisfaz a condi¸c˜ao. Consideremos uma configura¸c˜ao em A da forma acima. Como A ´e minimal, existe um caminho entre o estado inicial e qualquer estado de A.

CAP´ITULO 5. LINGUAGENS RECONHECIDAS POR AUT ´OMATOS REVERS´IVEIS

Em particular, existe uma palavra x ∈ A tal que i · x = p. Temos ent˜ao que, para qualquer n > 0, i · xuny = p · uny = q · y = q1 ∈ F . Portanto, xy ∈ L, ou seja, i · xy = p · y = q2 ∈ F .

Reciprocamente, suponhamos que A n˜ao tem nenhuma configura¸c˜ao como a da figura. Suponhamos ainda que, para alguns x, y, u ∈ A, xu+y ⊆ L. Seja n um inteiro tal que unη ´e um idempotente. Escolhemos v = un, p = i · x, q = p · v e q1 = q · y. Ent˜ao, q · v = p · v2 = p · v = q. Para al´em disso, q1 = i · xvy, dado que xvy ∈ L. Ent˜ao, p · y ∈ F , caso contr´ario, A continha uma configura¸c˜ao proibida.

Temos ent˜ao o seguinte corol´ario.

Corol´ario 5.21. Existe um algoritmo em tempo polinomial para verificar se a linguagem re-conhecida por um aut´omato minimal A com n estados ´e fechada para a topologia profinita de grupo.

Demonstra¸c˜ao. Dado que, como foi visto na Sec¸c˜ao 5.3, uma linguagem ´e fechada para a topolo-gia profinita de grupo se e s´o se satisfizer a condi¸c˜ao (2) da Proposi¸c˜ao 5.6 (ou, equivalentemente, a condi¸c˜ao (2) do Teorema 5.10), temos que ´e suficiente computar o grafo G2(A) e verificar se cont´em arestas da forma ((p, q), (q2, q1)) e ((p, q), (q, q)), com q1 ∈ F e q2∈ F ./

Assim, usando estes dois corol´arios, ´e poss´ıvel enunciar o resultado seguinte.

Corol´ario 5.22. Existe um algoritmo em tempo polinomial para testar se a linguagem reco-nhecida por um aut´omato minimal com n estados ´e reconhecida por um aut´omato revers´ıvel.

Podemos agora juntar os resultados finais das Sec¸c˜oes 5.1, 5.2 e 5.3, para obter o seguinte teorema.

Teorema 5.23. Sejam L uma linguagem racional sobre um alfabeto A, M = M (L) o seu mon´oide sint´actico e P = Lη a sua imagem pelo morfismo sint´actico. As condi¸c˜oes seguintes s˜ao equivalentes.

(1) L ´e reconhecida por um aut´omato revers´ıvel;

(2) L = K ∩ A, onde K ´e um subconjunto do grupo livre F G(A) e que consiste de uni˜oes finit´arias de classes laterais esquerdas de subgrupos finitamente gerados de F G(A);

(3) Os idempotentes de M comutam e, para quaisquer x, u, y ∈ A, xu+y ∈ L implica que xy ∈ L;

(4) Os idempotentes de M comutam e, para quaisquer s, e, t ∈ M tais que e ´e um idempotente, set ∈ P implica que st ∈ P ;

(5) M ∈ ECom;

(6) L pertence `a ´algebra de Boole positiva gerada pelas linguagens da forma K e AaK, onde a ∈ A e K ´e uma linguagem de grupo;

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