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O produto semi-directo, o produto em coroa e o produto de MalcevMalcev

Cap´ıtulo 4

4.2 O produto semi-directo, o produto em coroa e o produto de MalcevMalcev

Σ = {x 6 y : y 6 x ∈ Σ} ∪ {x = y : x = y ∈ Σ} ´e o dual de Σ.

Temos ent˜ao o resultado seguinte.

Proposi¸c˜ao 4.7. Seja V = JΣK uma MO-variedade. Ent˜ao, V0 = JΣ˘K ´e igual a ˘V, a MO-variedade dual de V.

Sendo assim, ´e f´acil ver que a MO-variedade dual de ECom+ ´e ECom, ou que a MO-variedade dual de J+1 ´e J1, por exemplo.

4.2 O produto semi-directo, o produto em coroa e o produto de

Malcev

Para conseguirmos os pr´oximos resultados, ser˜ao necess´arias algumas defini¸c˜oes, nomea-damente a do produto semi-directo, a do produto em coroa e a do produto de Malcev.

Sejam M e N mon´oides ordenados. O produto em M ser´a escrito de forma aditiva, mas tal n˜ao quer dizer que este ´e comutativo, apenas serve para clarificar a nota¸c˜ao, e como tal denotamos a sua identidade por 0. Uma ac¸c˜ao esquerda de N em M ´e uma aplica¸c˜ao (n, m) 7→ n · m de N × M para M tal que, para quaisquer m, m1, m2∈ M e n, n1, n2 ∈ N , temos as seguintes propriedades: (1) (n1n2) · m = n1(n2· m); (2) n · (m1+ m2) = n · m1+ n · m2; (3) 1 · m = m; (4) Se m 6 m0, ent˜ao n · m 6 n · m0; (5) se n 6 n0, ent˜ao n · m 6 n0· m.

Dizemos que a ac¸c˜ao ´e unit´aria se satisfizer a condi¸c˜ao seguinte, para qualquer n ∈ N :

(6) n · 0 = 0

Consideremos uma ac¸c˜ao esquerda unit´aria de N em M . Definimos o produto semi-directo (com respeito a esta ac¸c˜ao) de M e N , representado por M ∗ N , como sendo o mon´oide ordenado definido em M × N pela multiplica¸c˜ao

(m, n)(m0, n0) = (m + n · m0, nn0) e pela ordem de produto, dada por

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

Dadas duas MO-variedades V e W, definimos o produto semi-directo V ∗ W como sendo a MO-variedade gerada por todos os produtos semi-directos da forma M ∗ N , onde M ∈ V e N ∈ W.

Sejam agora P um conjunto parcialmente ordenado e (M, 6) um mon´oide ordenado. Uma ac¸c˜ao direita de M em P ´e uma aplica¸c˜ao P × M → P , denotada (p, m) 7→ p · m, que satisfaz as seguintes condi¸c˜oes, para quaisquer m, n ∈ M e p, q ∈ P :

(1) Se p 6 q, ent˜ao p · m 6 q · m; (2) Se m 6 n, ent˜ao p · m 6 p · n; (3) p · (mn) = (p · m) · n;

(4) p · 1 = p.

A condi¸c˜ao (3) mostra-nos que podemos escrever p · mn, em vez de escrevermos (p · m) · n ou p · (mn), sem ambiguidade. Ser´a esta a nota¸c˜ao utilizada.

Note-se que esta defini¸c˜ao ´e semelhante `a defini¸c˜ao de ac¸c˜ao esquerda. No entanto, nesta defini¸c˜ao n˜ao estamos a trabalhar com dois mon´oides ordenados e sim com um mon´oide ordenado e um conjunto parcialmente ordenado, o que simplifica um pouco.

Dizemos que uma ac¸c˜ao direita de M em P ´e fiel se, dados m, n ∈ M , temos a implica¸c˜ao (∀p ∈ P, p · m 6 p · n) ⇒ m 6 n

Um mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes (P, M ) ´e um mon´oide M equipado com uma ac¸c˜ao fiel de M num conjunto parcialmente ordenado P . Em particular, cada mon´oide ordenado M define um mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes (M, M ), dado pela ac¸c˜ao fiel q · m = qm.

Sejam (P, M ) um mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes e M0 um mon´oide ordenado. Dizemos que um subconjunto L de M0 ´e reconhecido por (P, M ) se existirem um morfismo de mon´oides ordenados ϕ : M0 → M , um elemento p0 ∈ P e um ideal de ordem F de P tais que L = {m ∈ M0 : p0· (mϕ) ∈ F }.

Seja agora (Q, N ) outro mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes. Dizemos que (P, M ) divide (Q, N ) se existir uma fun¸c˜ao parcial sobrejectiva π : Q → P que preserva a ordem e, para qualquer m ∈ M , existir um elemento n ∈ N tal que, para cada q ∈ Dom(π), temos que (q · n) ∈ Dom(π) e (qπ) · m = (q · n)π.

Temos assim o seguinte resultado.

Proposi¸c˜ao 4.8. Seja A um alfabeto e sejam (P, M ), (Q, N ) mon´oides ordenados de trans-forma¸c˜oes. Se uma linguagem L ⊆ A ´e reconhecida por (P, M ) e (P, M ) divide (Q, N ), ent˜ao (Q, N ) tamb´em reconhece L.

Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que L ⊆ A ´e reconhecida por (P, M ) e que (P, M ) divide (Q, N ). Ent˜ao, existem um morfismo de mon´oides ordenados ϕ : A → M , um elemento p0 ∈ P e um ideal de ordem F de P tais que L = {u ∈ A: p0· (uϕ) ∈ F }. Para al´em disso, temos ainda que existe uma fun¸c˜ao parcial sobrejectiva π : Q → P que preserva a ordem e, para qualquer m ∈ M , existe um elemento n ∈ N tal que, para cada q ∈ Dom(π), (q · n) ∈ Dom(π) e (qπ) · m = (q · n)π. Queremos agora provar que L ´e reconhecida por (Q, N ), isto ´e, que existem um morfismo de mon´oides ordenados ψ : A → N , um elemento q0 ∈ Q e um ideal de ordem F0 de Q tais

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

que L = {u ∈ A : q0· (uψ) ∈ F0}. Dado que π : Q → P ´e sobrejectiva, temos que existe pelo menos um elemento q ∈ Dom(π) tal que qπ = p0. Escolhamos ent˜ao um desses elementos, e chamemos-lhe q0. Por defini¸c˜ao, temos que para cada m ∈ M existe pelo menos um n ∈ N tal que, para qualquer q ∈ Dom(π), (q · n) ∈ Dom(π) e (qπ) · m = (q · n)π. Tomemos ent˜ao u ∈ A, e escolhemos uψ como sendo um elemento n ∈ N tal que, para qualquer q ∈ Dom(π), (q · n) ∈ Dom(π) e (qπ) · (uϕ) = (q · n)π. Definimos agora F0 como sendo o menor ideal de ordem de Q que cont´em F π−1.

Resta agora provar que ψ ´e um morfismo de mon´oides ordenados e que L = {u ∈ A : q0· (uψ) ∈ F0}. Sejam ent˜ao u, v ∈ A. Temos que provar que, para qualquer q ∈ Dom(π), (qπ) · (uv)ϕ = (q · (uψ)(vψ))π. Como ϕ ´e um morfismo de mon´oides ordenados, temos que (qπ) · (uv)ϕ = (qπ) · (uϕ)(vϕ) = ((qπ) · (uϕ)) · (vϕ) = ((q · (uψ))π) · (vϕ) = ((q · (uψ)) · (vψ))π = (q ·(uψ)(vψ))π. Logo, (uv)ψ = (uψ)(vψ). Como a ordem em A´e a igualdade, vemos claramente que preserva a ordem. Para al´em disso, vemos ainda que 1ψ = 1N, pois para todo q ∈ Dom(π) temos (qπ) · (1ϕ) = (qπ) · 1M = qπ = (q · 1N)π.

Provemos agora que L = {u ∈ A : q0 · (uψ) ∈ F0}. Seja u ∈ L. Ent˜ao, temos que p0· (uϕ) ∈ F . Mas p0 = q0π, logo, (q0π) · (uϕ) ∈ F . Pela forma como ψ foi definido, temos ent˜ao que (q0· (uψ))π ∈ F π−1 ⊆ F0. Portanto, temos que L ⊆ {u ∈ A : q0· (uψ) ∈ F0}. Provemos agora a outra inclus˜ao. Seja u ∈ A tal que q0· (uψ) ∈ F0. Temos ent˜ao que (q0· (uψ))π ∈ F0π, ou seja, que (q0π) · (uϕ) ∈ F0π, e portanto p0· (uϕ) ∈ F0π. Pela forma como F0 foi definido, e como π preserva a ordem, temos que F0π ´e um ideal de ordem de P , e como tal tem que ser exactamente F , donde temos que L ⊇ {u ∈ A : q0· (uψ) ∈ F0}, o que nos prova a igualdade e conclui a nossa demonstra¸c˜ao.

Podemos ent˜ao definir o produto em coroa. Sejam X = (P, M ) e Y = (Q, N ) dois mon´oides ordenados de transforma¸c˜oes. Para facilitar a nota¸c˜ao, e tal como j´a foi feito na defini¸c˜ao do produto semi-directo, vamos representar o mon´oide M e a sua ac¸c˜ao em P aditiva-mente, e o mon´oide N e a sua ac¸c˜ao em Q multiplicativamente.

Definimos W como o conjunto de todos os pares (f, n), onde f : Q → M ´e uma fun¸c˜ao que preserva a ordem e n ∈ N . Definimos em W uma ordem por (f, n) 6 (f0, n0) se e s´o se n 6 n0 e, para qualquer q ∈ Q, qf 6 qf0, e um produto por

(f, n)(f0, n0) = (g, nn0) onde g ´e definido por, para cada q ∈ Q,

qg = qf + (q · n)f0.

Notamos que W ´e de facto um mon´oide ordenado. Sejam (f1, n1), (f2, n2), (f3, n3) ∈ W e suponhamos que (f1, n1) 6 (f2, n2), isto ´e, que n1 6 n2 e que, para qualquer q ∈ Q, qf1 6 qf2. Ent˜ao, (f1, n1)(f3, n3) = (g, n1n3), e (f2, n2)(f3, n3) = (g0, n2n3), onde g e g0 s˜ao definidos como acima. Como (f1, n1) 6 (f2, n2) e N ´e um mon´oide ordenado, temos que n1n3 6 n2n3. Basta ent˜ao provar que, para qualquer q ∈ Q, qg 6 qg0. Seja ent˜ao q ∈ Q. Temos que qg = qf1+ (q · n1)f3, e que qg0 = qf2+ (q · n2)f3. Como (f1, n1) 6 (f2, n2), temos que qf1 6 qf2. Para al´em disso, como n1 6 n2, temos que q · n16 q · n2, e como f3 preserva a ordem, temos que (q · n1)f36 (q · n2)f3. Logo, qg = qf1+ (q · n1)f3 6 qf2+ (q · n1)f3 6 qf2+ (q · n2)f3 = qg0, donde se conclui que (f1, n1)(f3, n3) 6 (f2, n2)(f3, n3). A prova da outra desigualdade ´e an´aloga, e podemos concluir que W ´e um mon´oide ordenado.

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

Definimos uma ordem parcial em P × Q, definida por (p, q) 6 (p0, q0) se e s´o se p 6 p0 e q 6 q0, e uma ac¸c˜ao direita de W em P × Q, dada por

(p, q) · (f, n) = (p + qf, q · n)

Vamos verificar que deste modo temos, de facto, uma ac¸c˜ao fiel. Suponhamos que (p, q) 6 (p0, q0) ∈ P × Q. Seja (f, n) ∈ W . Ent˜ao, temos que qf 6 q0f , dado que f preserva a ordem. Assim,

(p, q) · (f, n) = (p + qf, q · n) 6 (p0+ qf, q0· n) 6 (p0+ q0f, q0· n) = (p0, q0) · (f, n) Agora, suponhamos que (f, n) 6 (f0, n0) ∈ W . Ent˜ao,

(p, q) · (f, n) = (p + qf, q · n) 6 (p + qf0, q · n0) = (p, q) · (f0, n0)

Se (f, n), (f0, n0) ∈ W , temos que ((p, q) · (f, n)) · (f0, n0) = (p + qf, q · n) · (f0, n0) = (p + qf + (q · n)f0, (q · n) · n0) = (p + qf + (q · n)f0, q · (nn0)) = (p, q) · ((f, n)(f0, n0)).

Finalmente, ´e poss´ıvel ver que a identidade de W ´e exactamente (1Q→M, 1N), onde defini-mos a fun¸c˜ao 1Q→M como sendo a fun¸c˜ao definida por q1Q→M = 0M, para qualquer q ∈ Q. Po-demos verificar que, para qualquer (f, n) ∈ W , (f, n)(1Q→M, 1N) = (1Q→M, 1N)(f, n) = (f, n), pois (f, n)(1Q→M, 1N) = (g, 1Nn) = (g, n). Pela defini¸c˜ao de g, temos que, para qualquer q ∈ Q, qg = qf + (q · n)(1Q→M, 1N) = qf + 0M = qf , donde temos que g = f . A de-monstra¸c˜ao da outra igualdade ´e an´aloga. Seja ent˜ao (p, q) ∈ P × Q. Temos agora que (p, q) · (1Q→M, 1N) = (p + q1Q→M, q · 1N) = (p + 0M, q) = (p, q), donde temos que esta aplica¸c˜ao ´

e uma ac¸c˜ao.

Vejamos agora que esta ac¸c˜ao ´e fiel. Suponhamos que (p, q) · (f, n) 6 (p, q) · (f0, n0), para quaisquer (p, q) ∈ P × Q. Ent˜ao, q · n 6 q · n0, para qualquer q ∈ Q, e portanto n 6 n0, dado que a ac¸c˜ao de N em Q ´e fiel. Vemos tamb´em que p + qf 6 p + qf0 para quaisquer p ∈ P, q ∈ Q, donde conclu´ımos que qf 6 qf0, para qualquer q ∈ Q, dado que a ac¸c˜ao de M em P ´e fiel. Assim, vemos que f 6 f0, o que nos prova que a ac¸c˜ao ´e fiel.

O produto em coroa de X e Y , denotado X ◦ Y , ´e o mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes (P × Q, W ).

Dados dois mon´oides ordenados M e N , consideremos o produto em coroa (M, M ) ◦ (N, N ) = (M × N, W ). O mon´oide ordenado W ´e chamado o produto em coroa de M e N , e ´e denotado por M ◦ N . Podemos reparar que o produto em coroa destes dois mon´oides ordenados pode ser escrito como o produto semi-directo OP (N, M ) ∗ N , onde OP (N, M ) ´e o mon´oide das transforma¸c˜oes N → M que preservam a ordem. Definindo a ac¸c˜ao esquerda (n, f ) 7→ n · f de N em OP (N, M ), com a propriedade n0· (n · f ) = (n0n) · f , para quaisquer n, n0 ∈ N , temos que o produto semidirecto dado por esta ac¸c˜ao ´e isomorfo a M ◦ N .

Para dois mon´oides ordenados (M, 6) e (N, 6), um morfismo relacional de M em N ´e uma rela¸c˜ao τ : (M, 6) → (N, 6) tal que

(1) (mτ )(m0τ ) ⊆ (mm0)τ , para quaisquer m, m0 ∈ M ; (2) mτ ´e n˜ao-vazio, para qualquer m ∈ M ;

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

Observamos que o morfismo relacional τ : M → N ´e um subconjunto de M × N e que

(x, y) ∈ τ ⇔ y ∈ xτ

Sejam α : τ → M e β : τ → N as projec¸c˜oes na primeira e segunda coordenadas, respectiva-mente.

Vemos ent˜ao que τ ´e um morfismo relacional se e s´o se τ for um submon´oide de M × N e α for sobrejectiva. Podemos ent˜ao ver que τ = α−1β. Ent˜ao, qualquer morfismo relacional pode ser escrito como a composi¸c˜ao do inverso de um morfismo sobrejectivo com um morfismo. A factoriza¸c˜ao τ = α−1β ´e chamada a factoriza¸c˜ao can´onica de τ .

Verificamos que, se ϕ : M → N for um morfismo sobrejectivo, ent˜ao ϕ−1 ´e um morfismo relacional. Sejam n, n0 ∈ N . Ent˜ao, temos que existem m ∈ nϕ−1 e m0 ∈ n0ϕ−1. Provando que mm0 ∈ (nn0−1, provamos a propriedade (1). Mas, como ϕ ´e um morfismo, temos que (mm0)ϕ = (mϕ)(m0ϕ) = nn0, e portanto mm0 ∈ (nn0−1. Como ϕ ´e sobrejectivo, temos que nϕ−1 ´e n˜ao-vazio, para qualquer n ∈ N , o que nos prova a propriedade (2), e como ´e um morfismo de mon´oides ordenados, temos que 1Mϕ = 1N, donde conclu´ımos que 1M ∈ 1Nϕ−1, o que nos prova a propriedade (3).

Verificamos tamb´em que a composi¸c˜ao de dois morfismos relacionais tamb´em ´e um mor-fismo relacional. Sejam τ1 : M → M0 e τ2 : M0 → N dois morfismos relacionais, e sejam m, m0 ∈ M . Ent˜ao, temos que (mτ1τ2)(m0τ1τ2) ⊆ ((mτ1)(m0τ1))τ2 ⊆ (mm01τ2, o que nos prova a propriedade (1). Temos tamb´em que m(τ1τ2) = (mτ12, e como τ1 ´e um morfismo relacional, mτ1 ´e n˜ao-vazio. Como τ2 ´e um morfismo relacional, temos que (mτ12´e n˜ao-vazio, o que nos prova a propriedade (2). Finalmente, temos que 1M1τ2) = (1Mτ12. Como τ1 ´e um morfismo relacional, temos que 10M ∈ 1Mτ1, e portanto que 1N ∈ (1Mτ12, pois τ2 ´e um morfismo relacional.

Dizemos que um morfismo relacional τ : (M, 6) → (N, 6) ´e uma divis˜ao se, para quais-quer m1, m2 ∈ M , n1 ∈ m1τ e n2 ∈ m2τ , n1 6 n2⇒ m16 m2. Isto implica que τ ´e uma rela¸c˜ao injectiva, isto ´e, se m1τ ∩ m2τ 6= ∅, ent˜ao m1 = m2. A denomina¸c˜ao “divis˜ao” ´e explicada pelo resultado seguinte.

Proposi¸c˜ao 4.9. Sejam M e N dois mon´oides ordenados. Ent˜ao, M divide N se e s´o se existir uma divis˜ao de M em N .

Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que M ´e um quociente ordenado de um submon´oide ordenado N0 de N . Seja α : N0 → M um morfismo sobrejectivo de mon´oides ordenados. Ent˜ao, a rela¸c˜ao α−1 ´e um morfismo relacional de M em N . Sejam m1, m2 ∈ M , n1 ∈ m1α−1 e n2∈ m2α−1 tais que n16 n2. Ent˜ao, m1 = n1α 6 n2α = m2, pois α preserva a ordem. Logo, α−1´e uma divis˜ao. Reciprocamente, seja τ : M → N uma divis˜ao, e consideremos a rela¸c˜ao τ como um subconjunto de M × N . Sejam α : τ → M e β : τ → N as projec¸c˜oes na primeira e segunda coordenada, respectivamente. Ent˜ao, temos que α ´e sobrejectiva, e como tal M ´e um quociente de τ . Vejamos que τ ´e isomorfo a um submon´oide ordenado de N . Sejam (m1, n1), (m2, n2) ∈ τ e suponhamos que (m1, n1)β 6 (m2, n2)β, isto ´e, que n1 6 n2. Ent˜ao, temos que n1 ∈ m1τ e n2 ∈ m2τ , pela defini¸c˜ao de τ , e como τ ´e uma divis˜ao, temos que m1 6 m2. Portanto, (m1, n1) 6 (m2, n2), o que prova a nossa afirma¸c˜ao. Temos ent˜ao que M divide N .

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

Proposi¸c˜ao 4.10. Sejam M1, N1, M2 e N2 mon´oides. Temos que, se M1 e N1 dividirem M2 e N2, respectivamente, ent˜ao M1◦ N1 divide M2◦ N2.

Demonstra¸c˜ao. Pela Proposi¸c˜ao 4.9, temos que existem divis˜oes ϕ1: M1 → M2 e ϕ2 : N1 → N2. Definimos ent˜ao a rela¸c˜ao ϕ : M1◦ N1→ M2◦ N2, dada por

(f, n)ϕ = {(g, k) : k ∈ nϕ2 e ∀x ∈ N1, y ∈ xϕ2, (yg ∈ (xf )ϕ1)}. Provando que ϕ ´e uma divis˜ao, obtemos o resultado.

Provemos primeiro que ϕ ´e um morfismo relacional. Sejam ent˜ao (f, n), (f0, n0) ∈ M1◦N1, (g, k) ∈ (f, n)ϕ e (g0, k0) ∈ (f0, n0)ϕ. Temos que

(1) k ∈ nϕ e ∀x ∈ N1, y ∈ xϕ2, (yg ∈ (xf )ϕ1); (2) k0 ∈ n0ϕ2 e ∀x ∈ N1, y ∈ xϕ2, (yg0 ∈ (xf01).

Para isso, temos que mostrar que (g, k)(g0, k0) ∈ ((f, n)(f0, n0))ϕ. Por defini¸c˜ao, temos que (g, k)(g0, k0) = (h0, kk0), onde h0 ´e definida por bh0= bg + (b · k)g0, para cada b ∈ N2. Temos ainda que (f, n)(f0, n0) = (h, nn0), onde h ´e definida por ah = af + (a · n)f0, para cada a ∈ N1. Logo,

((f, n), (f0, n0))ϕ = (h, nn0)ϕ = {(g, k) : k ∈ (nn02 e ∀x ∈ N1, y ∈ xϕ2, (yg ∈ (xh)ϕ1)}. Temos que k ∈ nϕ2 e que k0 ∈ n0ϕ2, logo kk0∈ (nϕ2)(n0ϕ2) ⊆ (nn02. Sejam x ∈ N1e y ∈ xϕ2. Temos ent˜ao que yh0 = yg + (y · k)g0. Por (1), temos que yg ∈ (xf )ϕ1. Temos ainda que y · k ∈ (xϕ2)(nϕ2) ⊆ (x · n)ϕ2. Logo, por (2), temos que (y · k)g0∈ ((x · n)f )ϕ1. Logo, temos que yh0 ∈ (xf )ϕ1+ ((x · n)f )ϕ1 ⊆ (xf + (x · n)f )ϕ1 = (xh)ϕ1. Logo, (g, k)(g0, k0) ∈ ((f, n)(f0, n0))ϕ. Mostremos agora que (f, n)ϕ ´e n˜ao-vazio. Dado que ϕ2 ´e um morfismo relacional, temos que existe k ∈ nϕ2. Dado x ∈ N1, temos que (xf )ϕ1 ´e n˜ao-vazio, e escolhamos um elemento de (xf )ϕ1, que denominamos por xα. Fixemos um elemento z ∈ M2 Defina-se ent˜ao uma fun¸c˜ao g : N2 → M2 do seguinte modo. Para y ∈ N2, existe no m´aximo um x ∈ N1 tal que y ∈ xϕ2, pois ϕ2 ´e uma divis˜ao. Se existir x, definimos ent˜ao yg = xα. Caso contr´ario, definimos yg = z. Basta ent˜ao ver que g est´a bem definida. Suponhamos que yg = x1α e que yg = x2α. Ent˜ao, temos que y ∈ x1ϕ2 e que y ∈ x2ϕ2. Mas como ϕ2´e uma divis˜ao, temos que x1 = x2, e portanto x1α = x2α. Logo, g est´a bem definida, donde temos que (g, k) ∈ (f, n)ϕ, o que nos prova que este conjunto ´e n˜ao-vazio.

Para terminar a prova que ϕ ´e um morfismo relacional, basta mostrar que 1M2◦N2 ∈ (1M1◦M2)ϕ. Tal como foi visto anteriormente, temos que 1M1◦N1 = (1N1→M1, 1N1), onde 1N1→M1

´

e definida por a1N1→M1 = 0M1. Analogamente, 1M2◦N2 = (1N2→M2, 1N2). Como ϕ2 ´e um morfismo relacional, temos que 1N2 ∈ 1N1ϕ2. Basta ent˜ao mostrar que, para quaisquer x ∈ N1, y ∈ xϕ2, temos que y1N2→M2 ∈ (x1N1→M11. Temos ent˜ao que y1N2→M2 = 0M2 e x1N1→M1 = 0M1, e como ϕ1´e um morfismo relacional, temos que 0M2 ∈ (0M11, e portanto, para quaisquer x ∈ N1, y ∈ xϕ2, temos que y1N2→M2 ∈ (x1N1→M11.

Provemos agora que ϕ ´e injectiva. Suponhamos que (f, n), (f0, n0) ∈ M1 ◦ N1, e que (g, k) ∈ (f, n)ϕ ∩ (f0, n0)ϕ. Ent˜ao, k ∈ nϕ2 ∩ n0ϕ2. Mas ϕ2 ´e uma divis˜ao, donde temos que n = n0, e portanto ϕ ´e uma divis˜ao. Ent˜ao, temos que M1◦ N1 divide M2◦ N2.

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

O resultado anterior tamb´em pode ser demonstrado para mon´oides ordenados, de uma forma diferente, como visto em [15].

Podemos ainda ver que este resultado n˜ao ´e incompat´ıvel com a defini¸c˜ao de divis˜ao de mon´oides ordenados de transforma¸c˜oes, isto ´e, um mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes (M, M ) divide um mon´oide ordenado de transforma¸c˜oes (N, N ) se e s´o se existir uma divis˜ao de M em N .

Seja V uma MO-variedade, e sejam M um mon´oide ordenado e G um grupo ordenado. Um morfismo relacional τ : M → G ´e chamado um V-morfismo relacional se 1τ−1= {m ∈ M : 1 ∈ mτ } pertencer a V.

Proposi¸c˜ao 4.11. Sejam V uma MO-variedade e W uma MO-variedade constitu´ıda por grupos. Ent˜ao, a classe VMW, definida como a classe de todos os mon´oides ordenados M tais que existe um V-morfismo relacional de M num mon´oide de W, ´e uma MO-variedade.

Demonstra¸c˜ao. Sejam M1, M2∈ VMW. Ent˜ao, existem V-morfismos relacionais τ1 : M1 → G1 e τ2 : M2 → G2, onde G1, G2 ∈ W. Temos tamb´em que G1× G2 ∈ W. Provemos ent˜ao que τ : M1× M2 → G1× G2, dado por (m1, m2)τ = m1τ1 × m2τ2 ´e um V-morfismo relacional de M1× M2 em G1× G2.

Sejam (m1, m2), (m01, m02) ∈ M1× M2. Ent˜ao, ((m1, m2)τ )((m01, m02)τ ) = (m1τ1× m2τ2) (m01τ1 × m0

2τ2) = ((m1τ1)(m01τ1)) × ((m2τ2)(m02τ2)) ⊆ (m1m011 × (m2m022 = ((m1, m2) (m01, m02))τ . Para al´em disso, temos que (m1, m2)τ ´e claramente n˜ao-vazio, pois ´e igual a m1τ1 × m2τ2, que ´e n˜ao-vazio, por defini¸c˜ao, e que 1G1×G2 = (1G1, 1G2) ∈ 1M1τ1 × 1M2τ2 = 1M1×M2τ . Portanto, τ ´e um morfismo relacional.

Basta agora provar que 1G1×G2τ−1 pertence a V. Ent˜ao, temos que 1G1×G2τ−1 = (1G1, 1G2−1 = 1G1τ1−1× 1G2τ2−1. Como τ1 e τ2 s˜ao V-morfismos relacionais, temos que 1G1τ1−1 e 1G2τ2−1 pertencem a V. Logo, 1G1×G2τ−1 tamb´em pertence a V, o que prova que τ ´e um V-morfismo relacional. Assim, M1× M2∈ VMW.

Para qualquer submon´oide ordenado M10 de M1, provemos que a restri¸c˜ao τ10 de τ1 a M10 ´e um V-morfismo relacional de M10 em G1. Claramente, τ10 ´e um morfismo relacional, pois τ1 ´e um morfismo relacional. Basta ent˜ao ver que 1G1τ10−1pertence a V. Temos 1G1τ10−1= 1G1τ1−1∩ M10, pelo que 1G1τ10−1´e um submon´oide de 1G1τ1−1. Como 1G1τ1−1∈ V, temos tamb´em que 1G1τ10−1∈ V, o que prova que τ10 ´e um V-morfismo relacional, e, consequentemente, que M10 ∈ VMW.

Seja agora M um quociente ordenado de M1. Ent˜ao, existe um morfismo sobrejectivo de mon´oides ordenados ϕ : M1 → M . Seja ainda τ1 = α−1β a factoriza¸c˜ao can´onica de τ1. Dado que α e ϕ s˜ao sobrejectivas, temos que a composi¸c˜ao αϕ : τ1 → M ´e sobrejectiva, e portanto podemos tomar a rela¸c˜ao τ = (αϕ)−1β : M → G1, que ´e um morfismo relacional. Ent˜ao, 1G1τ−1 = 1G1((αϕ)−1β)−1 = 1G1−1α−1β)−1 = 1G1−1τ1)−1 = (1G1τ1−1)ϕ. Como τ1 ´e um V-morfismo relacional, temos que 1G1τ1−1 ∈ V, e como V ´e fechado para quocientes, temos que (1G1τ1−1)ϕ ∈ V. Logo, τ ´e um V-morfismo relacional, e por isso M ∈ VMW.

Portanto, VMW ´e fechada para produtos directos finit´arios, submon´oides ordenados e quocientes ordenados, o que nos prova que esta classe ´e de facto uma MO-variedade.

Chamamos `a MO-variedade VMW o produto de Malcev de V e W.

As defini¸c˜oes de produto semi-directo, produto em coroa e produto de Malcev foram dadas para mon´oides ordenados, mas tamb´em podem ser dadas para mon´oides, retirando das

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defini¸c˜oes as partes referentes a ordens parciais. Como tal, os resultados seguintes que envolvem estes trˆes produtos podem ser enunciados para mon´oides. Estas defini¸c˜oes e os consequentes resultados s˜ao ´uteis para provar o Teorema 4.29.

Definimos agora os mon´oides ordenados U1+, U1 e U1 como sendo o mon´oide ordenado {0, 1}, com o produto habitual nos inteiros e com a ordem 0 6 1, no caso de U1+, 1 6 0, no caso de U1, e com a igualdade, no caso de U1.

Proposi¸c˜ao 4.12. Sejam V e W MO-variedades. O produto semi-directo V ∗ W ´e a classe de todos os divisores de

(1) Mon´oides da forma M ∗ N , com M ∈ V e N ∈ W;

(2) Mon´oides de produtos em coroa da forma (P, M ) ◦ (Q, N ), com M ∈ V e N ∈ W; (3) Produtos em coroa da forma M ◦ N , com M ∈ V e N ∈ W.

Demonstra¸c˜ao. Para facilitar esta demonstra¸c˜ao, vamos tomar trˆes classes de mon´oides finitos ordenados a que iremos chamar U1, U2 e U3, que ser˜ao as classes dos divisores de (1), (2) e (3), respectivamente. Provando que U3 ⊆ U2 ⊆ U1 ⊆ U3, e que U1 = V ∗ W, obtemos o resultado.

U3 ⊆ U2: Dado que qualquer mon´oide da forma (3) pode ser escrito como um mon´oide da forma (2), temos que qualquer mon´oide que divide um mon´oide da forma (3) divide um mon´oide da forma (2), o que nos prova a inclus˜ao.

U2 ⊆ U1: Sejam ent˜ao (P, M ) e (Q, N ) mon´oides ordenados de transforma¸c˜oes, com M ∈ V e N ∈ W. Como j´a foi visto anteriormente, temos que o mon´oide ordenado associado ao produto em coroa ´e OP (Q, M ) ∗ N , com a ac¸c˜ao esquerda (q, f ) 7→ q · f e com a propriedade q0· (q · f ) = (q0q) · f , para quaisquer q, q0 ∈ Q. Verificando que OP (Q, M ) ∈ V, podemos obter o resultado. Seja ent˜ao MQ o mon´oide ordenado das aplica¸c˜oes parciais de Q em M , com a ordem habitual definida por

f 6 g se Dom(f ) ⊆ Dom(g) e, para qualquer q ∈ Q, qf 6 qg, e o produto definido por

q(f g) = (qf )(qg), para qualquer q ∈ Q.

Podemos ver que ´e poss´ıvel definir um morfismo sobrejectivo de mon´oides ordenados entre M × · · · × M (|Q| vezes) e MQ, o que nos prova que MQ ∈ V. ´E tamb´em poss´ıvel ver que OP (Q, M ) ´e um submon´oide ordenado de MQcom a mesma ordem e o mesmo produto definido em MQ, o que nos prova que OP (Q, M ) ∈ V. Como tal, temos que OP (Q, M ) ∗ N ∈ V ∗ W, o que nos prova a segunda inclus˜ao.

U1 ⊆ U3: Tomemos ent˜ao mon´oides ordenados M ∈ V e N ∈ W. Dado um produto semi-directo M ∗ N , podemos definir, para cada m ∈ M , a aplica¸c˜ao fm : N → M , dada por n 7→ nm. Ent˜ao, temos que a aplica¸c˜ao de M ∗ N em OP (N, M ) ∗ N , que a cada par (m, n) nos associa o par (fm, n), ´e um morfismo injectivo de mon´oides ordenados de M ∗ N no mon´oide ordenado associado ao produto em coroa (M, M ) ◦ (N, N ). Podemos ver que 1fm = 1m = m e que, para quaisquer m1, m2 ∈ M , n1, n2 ∈ N , temos que

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o que nos prova que esta aplica¸c˜ao ´e um morfismo de mon´oides. Vemos tamb´em que, se (m1, n1) 6 (m2, n2), ent˜ao m1 6 m2 e n1 6 n2, e como tal nfm1 = nm1 6 nm2 = nfm2, para qualquer n ∈ N , o que nos prova que ´e um morfismo de mon´oides ordenados. Pela forma como fm foi definida, temos claramente que este morfismo ´e injectivo, o que nos prova a ´ultima inclus˜ao.

Finalmente, provemos a igualdade U1 = V ∗ W. Dado que V ∗ W ´e gerada pelos mon´oides da forma M ∗ N , com M ∈ V e N ∈ W, temos que ´e fechada para divisores, o que nos prova uma das inclus˜oes. Para provar a outra inclus˜ao, basta provar que o pro-duto semi-directo ´e fechado para o produto directo. Sejam ent˜ao M1, M2 ∈ V e N1, N2 ∈ W. Provando que (M1 ∗ N1) × (M2 ∗ N2) ∈ V ∗ W, obtemos o resultado. Podemos ent˜ao definir uma aplica¸c˜ao ϕ de (M1 × M2) ∗ (N1 × N2) em (M1 ∗ N1) × (M2 ∗ N2), dada por ((m, m0), (n, n0))ϕ = ((m, n), (m0, n0)). Notamos que (M1×M2)∗(N1×N2) ∈ V∗W, pois V e W s˜ao MO-variedades, e por isso fechadas para o produto directo. Provando que ´e um morfismo sobrejectivo de mon´oides ordenados, obtemos o resultado. Sejam ent˜ao (m1, m01), (m2, m02) ∈ M1 × M2 e (n1, n01), (n2, n02) ∈ N1 × N2. Ent˜ao, ((m1, m01), (n1, n01))ϕ((m2, m02), (n2, n02))ϕ = ((m1, n1), (m01, n01))((m2, n2), (m02, n02)) = ((m1, n1)(m2, n2), (m01, n01)(m02, n02)) = ((m1+ n1· m2, n1n2), (m01 + n01 · m02, n01n02)). Temos ainda que (((m1, m01), (n1, n01))((m2, m02), (n2, n02)))ϕ = (((m1, m01)+(n1, n2)·(m2, m02)), (n1, n01)(n2, n02))ϕ = ((m1+n1·m2, m01+n2·m20), (n1n2, n01n02))ϕ = ((m1 + n1 · m2, n1n2), (m01 + n01 · m0

2, n01n02)). Dado que a ordem no produto semi-directo e no produto directo ´e exactamente a mesma, vemos facilmente que ϕ preserva a ordem. Para al´em disso, ϕ ´e claramente sobrejectivo. Portanto, temos que ϕ ´e um morfismo sobrejectivo de mon´oides ordenados, o que nos prova que (M1∗ N1) × (M2 ∗ N2) ∈ V ∗ W, e assim conclui a demonstra¸c˜ao.

Proposi¸c˜ao 4.13. Seja V uma MO-variedade e G a MO-variedade dos grupos. Ent˜ao, V ∗ G ⊆ VMG.

Demonstra¸c˜ao. Seja N um produto semi-directo M ∗ G de algum mon´oide ordenado M ∈ V por algum grupo G. Seja π : N → G o morfismo de mon´oides ordenados dado por (m, g)π = g. Ent˜ao, 1π−1' M ∈ V, donde conclu´ımos que N ∈ VMG. Logo, V ∗ G ⊆ VMG.

Em IX, podemos definir uma ordem, dada por f 6 g se e s´o se Dom(f ) ⊆ Dom(g) e a restri¸c˜ao de g a Dom(f ) for exactamente f .

Dado que qualquer morfismo de mon´oides inversos preserva a ordem, o Teorema 1.7 mostra-nos que qualquer mon´oide ordenado M ´e isomorfo a um submon´oide ordenado de (IM, 6).

Seja Q um conjunto finito. Podemos ent˜ao definir (2Q, 6) como sendo o mon´oide ordenado cujos elementos s˜ao os subconjuntos de Q, o produto ´e a intersec¸c˜ao e a ordem ´e a inclus˜ao. Note-se que (2Q, 6) ´e um mon´oide idempotente e comutativo, e que (2Q, 6) ∈ J+1. Vemos ainda que (2Q, >) ∈ J1 e que 2Q∈ J1.

Definimos agora uma ac¸c˜ao esquerda unit´aria de GQ, o grupo sim´etrico de Q, em (2Q, 6), tomando, para quaisquer σ ∈ GQ e P ⊆ Q, σ · P = P σ−1. Esta ac¸c˜ao define um produto semi-directo, e obtemos o resultado seguinte.

Proposi¸c˜ao 4.14. O mon´oide ordenado (IQ, 6) ´e um quociente ordenado do mon´oide ordenado (2Q, 6) ∗ (GQ, =).

CAP´ITULO 4. LINGUAGENS ASSOCIADAS A MON ´OIDES INVERSOS

Demonstra¸c˜ao. Sejam P ⊆ Q e σ ∈ GQ. Definimos σP como sendo a restri¸c˜ao de σ a P .

Ent˜ao, definimos uma fun¸c˜ao sobrejectiva Θ : (2Q, 6) ∗ (GQ, =) → (IQ, 6), dada por (P, σ)Θ = σP. Sejam (P, σ) e (P0, σ0) elementos de 2Q× GQ. Ent˜ao, o dom´ınio de σPσ0P0 ´e P ∩ P0σ−1, e portanto ((P, σ)(P0, σ0))Θ = (P, σ)Θ(P0, σ0)Θ. Temos ent˜ao que Θ ´e um morfismo de mon´oides.

Para provar que (IQ, 6) ´e um quociente ordenado de (2Q, 6) ∗ (GQ, =), ´e necess´ario verificar que este morfismo preserva a ordem, isto ´e, se (P, σ) 6 (P0, σ0) em (2Q, 6) ∗ (GQ, =), temos que σP 6 σP0 0 em (IQ, 6). Suponhamos que (P, σ) 6 (P0, σ0). Ent˜ao, pela ordem definida em 2Q e em GQ, temos que P ⊆ P0 e que σ = σ0. Temos ent˜ao que σP 6 σP0 = σ0P0 em IQ, dado que dom(σP) = P ⊆ P0 =dom(σP0) e temos que a restri¸c˜ao de σP0 a P ´e exactamente σP.

Portanto, conclu´ımos que (IQ, 6) ´e um quociente ordenado de (2Q, 6) ∗ (GQ, =).