• Nenhum resultado encontrado

2 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

2.2 ALGUMAS AÇÕES VOLTADAS PARA O EDUCADOR DA EJA

A necessidade de ações políticas que privilegiem o educador da EJA, sendo ele da disciplina Arte ou não, é urgente levando em consideração a carência de ofertas, por parte de instituições de ensino superior, de cursos que formem educadores específicos para a EJA.

Essa necessidade se deve a importância do educador da EJA estar preparado para lecionar em uma realidade tão adversa. O preparo do docente

voltado para a EJA deve atingir as necessidades dos alunos que a compõem.

Alunos dos mais diversos, formando uma sala de aula repleta de diversidade, sendo ela de faixa etária, cultural, econômica, social, etc.

Assim, o educador da EJA precisa ter uma formação específica para lecionar nessa modalidade de ensino. O Parecer CNE/CEN nº11/2000 explica que essa formação específica "[...] trata-se de uma formação em vista de uma relação pedagógica com sujeitos, trabalhadores ou não, com marcadas experiências vitais que não podem ser ignoradas" (BRASIL, 2000b, p.58).

Baseado na necessidade do educador da EJA estar mais bem preparado para lecionar e no reconhecimento, por parte do Ministério da Educação, de que a qualidade de ensino na EJA "[...] nem sempre tem se mostrado adequada, o que se justifica pela falta de formação específica de boa parte dos profissionais que atuam na EJA” (BRASIL, 2008, p.2), o governo federal criou a Resolução FNDE/CD nº 48/2008 que visa promover apoio financeiro a projetos que almejam a formação continuada através de cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização.

Com essa ação, busca-se propiciar uma educação de maior qualidade aos adultos da EJA, promovendo sua "[...] permanência na escola via ensino com conteúdos trabalhados de modo diferenciado com métodos e tempos intencionados ao perfil deste estudante" (BRASIL, 2000b, p.58, grifo do autor).

Essa maneira diferenciada de ensinar está associada a metodologia que o professor for utilizar em suas aulas, como também na fonte de suas pesquisas. Baseado nesse aspecto é pertinente colocar que "[...] não são muitos os subsídios escritos destinados a responder às necessidades pedagógicas dos educadores que atuam nas salas de aula da educação de jovens e adultos" (BRASIL, 2006a, p.4).

Por considerar que os educadores da EJA precisam de material didático como fonte de pesquisa para elaboração de suas aulas, o MEC acaba desenvolvendo o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), que “[...] tem como principal objetivo subsidiar o trabalho pedagógico dos professores por meio da distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica”11.

11 Disponível em:

http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=668id=12391option=com_contentview=article

Para a EJA, o PNLD teve início em 2009. Com a denominação PNLD-EJA, teve início

Com o intuito de garantir livros didáticos de qualidade para escolas do sistema público de ensino, o Ministério da Educação tem desenvolvido uma política para sua avaliação, aquisição e distribuição. No âmbito dessa política, em 2009, foi lançado o Programa Nacional do Livro Didático para Educação de Jovens e Adultos (PNLD EJA), objetivando avaliar, adquirir e distribuir boas obras para todos os alunos do ensino fundamental do sistema educacional público e do Programa Brasil Alfabetizado (PBA) (BRASIL, 2010, p.8).

Porém, o PNLD-EJA foi ampliado, não atendendo somente ao Programa Brasil Alfabetizado. O PNLDEJA substituiu o PNLA (Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos) que foi executado durante 3 anos, ou seja, em 2007, 2008 e 2009.

Dessa maneira, esse programa

[...] ampliou o atendimento, incluindo o primeiro e o segundo segmentos de EJA, que correspondem aos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Seu objetivo é distribuir obras e coleções de qualidade para alfabetizandos do Programa Brasil Alfabetizado e estudantes da EJA das redes públicas de ensino.12

Assim, o governo federal visa contribuir para que a prática docente do professor que leciona na EJA seja mais qualificada. Como é colocado em Brasil (2010, p.98), texto direcionado ao professor de EJA:

Você que trabalha com a Educação de Jovens e Adultos (EJA) sabe como são importantes materiais didáticos orientados especificamente para esse público e que respeitem sua diversidade e heterogeneidade. Sabe também que o livro didático, um dos recursos mais significativos do cotidiano escolar, nem sempre atende às particularidades da EJA (BRASIL, 2010, p.8).

O MEC, dessa forma, busca possibilitar ao professor material didático de qualidade, e que possa permitir a ele um embasamento mais direcionado ao público de EJA.

Já no estado do Paraná são destacáveis algumas ações da Secretaria de Educação. A primeira refere-se à criação das Diretrizes Curriculares para a

12 Disponível em: http://pnld.mec.gov.br/

EJA, comentada anteriormente. As outras ações estão associadas à criação do livro didático público da disciplina Arte e os cursos de capacitação oferecidos pelo Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro.

O livro didático é disponibilizado somente para o Ensino Médio e ele é destinado a Educação Básica, ou seja, não é específico para a EJA. Porém, ele é utilizado pelas professoras dos CEEBJAs, como será visto em capítulo posterior.

Assim, como é explicado na obra,

Este Livro Didático Público chega às escolas da rede como resultado do trabalho coletivo de nossos educadores. Foi elaborado para atender à carência histórica de material didático no Ensino Médio, como uma iniciativa sem precedentes de valorização da prática pedagógica e dos saberes da professora e do professor, para criar um livro público, acessível, uma fonte densa e credenciada de acesso ao conhecimento (PARANÁ, SEED, 2006, p.4).

Esse material é resultado de uma ação coletiva, tendo vinte capítulos escritos por diferentes autores, tendo cada um desses capítulos, ou melhor dizendo textos, são denominados “Folhas” (ibid, p.6).

Dessa forma, como é explicado nesse livro didático,

[...] os Folhas que o compõem foram escritos por professores da rede estadual de ensino, que trabalharam em interação constante com os professores do Departamento de Ensino Médio, que também escreveram Folhas para o livro, e com a consultoria dos professores da rede de ensino superior que acreditaram nesse projeto (PARANÁ, SEED, 2006, p.7).

Esse livro didático possui textos sobre as quatro áreas da Arte, ou seja, Artes Visuais, Dança, Música e Teatro e visa ser para o professor uma importante ferramenta auxiliar para o processo de ensino da arte.

Outra ação que merece destaque são os cursos oferecidos por meio do Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro. Esse centro oferece cursos de Arte para professores da Rede Estadual do Ensino Fundamental, Ensino Médio, da Rede Municipal, Educação Infantil, Ensino Especial e para alunos dos Cursos de Pedagogia, Magistério Superior e Formação de

Docentes, em Artes Visuais, Dança, Literatura Infanto-Juvenil, Música e Teatro.13

Por meio desses cursos de capacitação os professores recebem a oportunidade de adquirirem conhecimentos em alguma área que não seja vinculada a sua formação inicial.

Por fim, percebe-se que tanto o livro didático como o centro Guido Viaro não são ações exclusivas para o educador da EJA, apesar de que essas ações são voltadas para a Educação Básica.

13 Informação disponível no site do Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro http://centrodeartesguidoviaro.com.br/