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3. O LEITOR É ATIVO

3.2 Abordagem Sense-Making

3.2.2 Algumas técnicas

Boa parte dos esforços de pesquisas do Sense-Making têm sido dirigidos para a criação de alternativas de entrevistas e de observação, constituindo os métodos , através dos quais foram criadas uma variedade de técn icas de coleta de dados. Dervin (1983) desenvolveu quatro técnicas de entrevistas: Micro -moment Time-Line Interview, Helps/Hunts Interview, Close-Ended, Sense-Making e Message Questioning Interview (MQI), inspirada no método conhecido por "signaled stopping” (CARTER, 1974). Todas estas técnicas priorizam a observação do ator exatamente durante seu comportamento informacional e do movimento de produção de sentido, uma limitação do campo de pesquisas tradicionais com usuários, em que

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Ease of answering, reasons for ease of answering difficulty, question connectedness, nature of question connectedness, who would ask, importance of answering, reasons for importance, asking out loud or silently, reasons for not asking out loud, answering success, reasons for lack of answering success, answer completeness, reasons for completeness/particialness, answer sources, gap -bridging strategies.

boa parte de suas conclus ões seja obtida a partir de suas declarações e não do comportamento efetivamente observado. Costa (2000, p. 49) acrescenta que a coleta de dados e a conceituação sejam focados em verbos e processos, não em nomes (substantivos) ou substâncias.

3.2.2.1 Micro-moment Time-Line Interview

O micro-momento é a técnica principal do Sense -Making e a seqüência da entrevista é o ponto central da técnica da abordagem, destacando a necessidade de práticas comunicativas para a coleta de dados. Em resumo,

envolve questionar ao entrevistado, detalhadamente, o que aconteceu passo a passo em uma situação em termos do que aconteceu primeiro, segundo, depois e assim por diante. Na seqüência, em cada etapa, o entrevistado é perguntado sobre quais questões ele ou ela teve, qu ais as coisas que esperava ou necessitava encontrar, o que aprendeu, o que entendeu, se ficou confuso ou mais claro” (DERVIN, 1983, p. 10)41(tradução nossa).

A metodologia do Sense-Making recomenda que para entrevistas em grupo e individuais sejam formuladas questões simples e universais tais como: o que aconteceu? O que você pensou, sentiu, concluiu sobre o que aconteceu? O que o te confundiu? Como esses pensamentos, sentimentos, conclusões se relacionam com sua vida até aqui? O que espera para adiante? O que empurra ou limita seu mundo? (DWORKIN ET AL., 1999, p. 4).

Apesar da variedade de técnicas, todos os métodos de coleta de dados têm algumas características comuns, dentre as quais: uso de estruturas livres de roteiro de entrevistas, estrutura de audiência baseada na compreensão d o outro e a construção (ou não) de sentido (DERVIN, 1983, p.13-14).

A entrevista Sense-Making estimula os entrevistados a investigar seu mundo, a fazer conexões entre experiências passadas e presentes ( DERVIN, 2001). O processo de interpretação de leitura e posterior tentativa de recuperação de mensagens, a evocação, por intermédio da investigação de “como” e das circunstâncias de evocação contemplam es sa dimensão.

3.2.2.2 Message Questioning Interview

O Message Questioning Interview (MQI), que utilizamos no presente estudo, objetiva o controle da construção de sentido pelo leitor durante o acesso ao texto, observando -se o

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It involves asking a respondent to detail what happened in a situation step -by-step in terms of what happened first, second, and so on. Then, for each step (called a Time -Line step), the respondent is asked what questions he or she had, what things he -she needed to find out, learn, come to understand, unconfused, or make sense of.

efetivo comportamento do usuário, identificando chaves de leitura para posterior investigação em profundidade. Uma das vantagens des sa técnica, que pode ser combinada com outras, é observar a situação e o deslocamento em busca de informação (questão central para o Sense- Making) exatamente no momento em que ocorre .

Giopato (2004) explica que os entrevistado s lêem uma mensagem, parando e inserindo

uma marca (“/”) onde “surge um questionamento ou um desejo de aprender, encontrar,

esclarecer ou fazer sentido. Para cada questão levantada é realizada uma análise em

profundidade” (2004, p. 28).

Dervin (1983) descreveu uma pesquisa sobre hábito de leitura do caderno de entretenimento do jornal Seattle Times, utilizando a MQI. Aplicada a estudantes universitários, eles deveriam:

(a) marcar com a barra “/” nos trechos em que tinham dúvidas ou questões;

(b) pontuar em escala de 1 a 7 o grau de importância daquela determinada questão; (c) indicar como esperava que a resposta os auxiliaria e

(d) responder se conseguiram resposta parcial, incompleta ou completa às questões. Ao final da leitura, formou -se um banco de dados cuja análise serviu para interpretar o comportamento. A técnica MQI pode ser adaptada a pesquisas que envolvam todos os tipos de mídia e deve ser ajustada a cada tipo de situação, como propomos para a presente pesquisa.

Um importante estudo sobre a inf luência da mídia foi feito a respeito dos debates que antecederam as eleições estadunidenses de 1992. Utilizando a metodologia Sense-Making, um grupo de estudantes de Comunicação assistiu ao programa televisivo tentando descobrir qual dos três candidatos teve melhor performance. Os usuários registravam pontualmente cada momento do debate, fornecendo para cada tópico uma palavra, que era depois distribuída entre categorias de análise. Descobri ram-se, entre outras variáveis, as diferenças do grau de afetividade e racionalidade que os candidatos despertavam nos telespectadores, influindo assim na avaliação de sua performance , televisiva e eleitoral (Dervin, 2001).

Dervin (2001) relata um experimento de utilização de MQI em investigação sobre motivação em um grupo de 146 estudantes de Comunicação Social. Divididos em grupos menores, os estudantes assistiram a um trecho de 20 minutos de um documentário que fazia graves alertas sobre o perigo de radiação ambiental pela usina nuclear de Rocky Flat, em Denver (EUA).

Antes de assistir ao vídeo, eles receberam instruções sobre a técnica adaptada para computadores na qual se mede on line a compreensão das mensagens. Des se modo, foram orientados a acionar um botão através do mouse toda vez que parassem de assistir ao ví deo

para pensar sobre algo. O computador registraria o tempo e o número de paradas. Mais interrupções indicariam processamento mais profundo. Imediatamente após a exposição, os usuários responderam a um pós -teste averiguando seu estímulo emocional, estraté gias preferidas de codificação e envolvimento com o tema (Rocky Flats public membership). Utilizando escalas de cinco pontos referentes a várias opções oferecidas, os pesquisadores

investigaram as variáveis “resistência”, “ações preliminares não esperadas” , “ação cometida”, “processo cognitivo” e “estímulo emocional”. Igualmente através de pontuação em escala, o

envolvimento foi medido com a resposta à pergunta "até que ponto vê uma conexão entre

você mesmo e Rocky Flat?”.

O modelo sugere que pessoas já at ivamente envolvidas com tópicos relacionados respondem mais emocionalmente a informações sobre um novo tópico. Surpreendentemente, porém, estão menos motivad as para pensar sobre as informações do que aqueles que eram previamente desavisados e não envolvido s. Em relatos pós-sessão, alguns usuários declararam

ter apertado o botão simplesmente por terem “ficado tristes”. Os autores sugerem que aos

entrevistados seja diferenciada a parada por razões sentimentais e racionais a fim de mensurar melhor os motivos da interrupção, pois uma mensagem com alta carga de medo, de impacto foi efetiva com um público de baixo envolvimento por gerar altos estímulos afetivos na audiência. Em outras palavras, os usuários não envolvidos com determinados temas serão mais estimulados por mensagens que gerem maior impacto emocional. O que nos leva a concluir ser adequada para nossa pesquisa a escolha de textos jornalísticos sem escopo sensacionalista.