Nem sempre é fácil separar a relação pessoal do profissional e os limites da relação ACS/família. Isso pode determinar ou reorganizar o processo de trabalho do ACS e a forma como se vincula à família. Recomenda-se que o ACS estabeleça um bom vínculo com a família, mas saiba dissociar a sua relação pessoal do seu papel como agente comunitário de saúde;
Para o desenvolvimento de um bom trabalho em equipe, é fundamental que tanto o ACS quanto os demais profissionais interajam com a comunidade, sem fazer julgamentos quanto à cultura, crenças religiosas, situação socioeconômica, etnia, orientação sexual, deficiência física etc;
Todos os membros da equipe devem respeitar as diferenças entre as pessoas, adotando uma postura de escuta, tolerância aos princípios e às distintas crenças e valores que não sejam os seus próprios, além de atitudes imparciais;
A visita domiciliar requer, contudo, um saber-fazer que se aprende no cotidiano, mas pode e deve se basear em algumas condutas que demonstrem respeito, atenção, valorização, compromisso e ética;
Para ser bem feita, a visita domiciliar deve ser planejada. Ao planejar, utiliza-se melhor o tempo e respeita-se também o tempo das pessoas visitadas;
Para auxiliar no dia a dia do trabalho, é importante que o ACS tenha um roteiro de visita domiciliar, o que vai ajudar muito no acompanhamento das famílias da sua área de trabalho;
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Também é recomendável definir o tempo de duração da visita, devendo ser adaptada à realidade do momento.
Por meio da visita domiciliar, é possível:
Identificar os moradores, por faixa etária, sexo e raça, ressaltando situações como gravidez, desnutrição, pessoas com deficiência etc.;
Conhecer as condições de moradia e de seu entorno, de trabalho, os hábitos, as crenças e os costumes;
Conhecer os principais problemas de saúde dos moradores da comunidade; Perceber quais as orientações que as pessoas mais precisam ter para
cuidar melhor da sua saúde e melhorar sua qualidade de vida; Ajudar as pessoas a refletir sobre os hábitos prejudiciais à saúde;
Identificar as famílias em situação de maior vulnerabilidade e risco e que necessitam de acompanhamento mais freqüente ou especial;
Divulgar e explicar o funcionamento do serviço de saúde e quais as atividades disponíveis;
Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população do território de abrangência da unidade de saúde;
Orientar medidas de prevenção de doenças e promoção à saúde, como os cuidados de higiene com o corpo, no preparo dos alimentos, com a água de beber e com a casa, incluindo o seu entorno;
Orientar a população quanto ao uso correto dos medicamentos e a verificação da validade deles;
Alertar quanto aos cuidados especiais com puérperas, recém-nascidos, idosos, acamados e pessoas portadoras de deficiências;
Registrar adequadamente as atividades realizadas, assim como outros dados relevantes, para os sistemas nacionais de informação disponíveis para o âmbito da Atenção Primária à Saúde ( SIAB).
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 36 ACS entrega relatório até o dia 18 de cada mês à enfermeira
Relatório consolidado pela Enfermeira
Encaminhada a produção da ESF (Ficha A, PMA2 e SSA2) para o DS
DS Digita a informação, consolida e encaminha a informação DISTRITAL para a Gerência de Atenção Básica( GAB)
A GAB recebe a informação de TODOS os 6 DS , consolida e encaminha a informação para SES
SES consolida a informação e envia ao Ministério da Saúde Fluxo da informação do SIAB
Então a minha informação é importante dentro desse
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 37 SIM! É MUITO IMPORTANTE!!!!
Se aplica ao planejamento, à organização, à operação e à avaliação de ações e serviços;
É essencial à tomada de decisões: estabelecer prioridades, alocar e gerir recursos de forma direcionada para a modificação positiva das condições de saúde da população;
Orientam a implantação dos modelos de atenção, de proteção e promoção da saúde e as ações de prevenção e controle.
Portaria 648/06:
“São atribuições do enfermeiro :
...planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS...”
Mensalmente, durante a reunião de equipe, o enfermeiro deverá realizar em conjunto com TODA Equipe a consolidação, análise e discussões das informações contidas na produção do ACS;
SIAB: Instrumentos de coleta e consolidação dos dados
São instrumentos de coleta de dados:
Cadastramento das famílias - Ficha A;
Acompanhamento de gestantes - Ficha B-GES;
Acompanhamento de hipertensos - Ficha B-HA;
Acompanhamento de diabéticos - Ficha B-DIA;
Acompanhamento de pacientes com tuberculose - Ficha B-TB;
Acompanhamento de pacientes com hanseníase - Ficha B-HAN;
Acompanhamento de crianças - Ficha C (Cartão da Criança);
Registro de atividades, procedimentos e notificações - Ficha D
FICHA A: Cadastramento das Famílias
É preenchida nas primeiras visitas do ACS;
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As informações recolhidas permitem à equipe de saúde conhecer as condições de vida das pessoas de sua área de abrangência e melhor planejar suas intervenções;
Todos os dados devem ser atualizados sempre que houver alterações (nascimentos, mortes, mudança de ocupação...).
FICHA B – GES, HA, DIA, TB, HAN: Fichas para acompanhamento familiar
São utilizadas para o monitoramento dos grupos prioritários; A cada visita mensal estes dados devem ser atualizados;
O ACS deve guardar consigo estas fichas, sendo discutida mensalmente com o enfermeiro instrutor/supervisor
Sempre que cadastrar um caso novo o ACS deve discutir com o instrutor/supervisor o seu acompanhamento.
FICHA C: Ficha para acompanhamento da criança
É uma cópia do cartão da criança, padronizado pelo MS;
Toda a família que tiver uma criança menor de 5 anos, acompanhada por uma unidade de saúde, deve possuir o cartão;
Ele servirá como fonte básica dos dados coletados pelo ACS;
O ACS deve usar como base para a coleta de dados o Cartão da Criança que está de posse da família transcrevendo os dados para o cartão sombra (cópia do cartão da criança que fica com o ACS).
FICHA D: Ficha para registro de atividades, procedimentos e notificações
É utilizada por todos os profissionais da ESF para o registro diário dos procedimentos, atividades e notificações de algumas doenças ou condições que são alvo de acompanhamento sistemático;
Cada profissional entrega uma ficha D preenchida no final do mês;
Alguns campos dessa ficha são específicos para determinadas categorias e apenas os profissionais dessa categoria devem preenchê-la.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 39 São instrumentos de consolidação dos dados:
Relatório de situação de saúde e acompanhamento das famílias – Relatório SSA2:
Consolida as informações da situação de saúde das famílias acompanhadas em cada área;
Os dados para seu preenchimento são provenientes das fichas A, B, C e D
Relatórios de produção e marcadores* para avaliação - Relatório PMA2; Consolida mensalmente a produção de serviços e a ocorrência de
doenças e/ou situações consideradas como marcadoras, por área; Os dados necessários ao seu preenchimento são constantes da ficha A
e do relatório SSA2
Erros no SIAB => revelam fragilidade no registro, consolidação, análise e discussões das informações
Número de acompanhados maior que cadastrados; Existência de RN‟s sem informação sobre aleitamento;
Número de crianças de 0 a 3 meses maior que de 0 a 11 meses; Número de crianças de 0 a 11 meses somado com de 12 a 23 meses
menor que de menores de 2 anos;
Número de desnutridos maior do que o número de pesados; Número dos que usaram TRO maior que os que tiveram diarréia.
*Marcadores são eventos mórbidos ou situações indesejáveis que devem ser notificadas com o objetivo de, a médio prazo, avaliar as mudanças no
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Cada pessoa, durante a sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar.
Os Construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param, e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba. Mas existem os que plantam. Estes, às vezes sofrem com as tempestades, as estações e raramente descansam. Mas , ao contrário de um edifício , o jardim nunca pára de crescer. E, ao mesmo tempo exige a atenção do jardineiro, também permite que para ele, a vida seja uma grande aventura.
(Frase de Paulo Coelho no livro Brida) SER ACS é ser um jardineiro, está sempre plantando, mudando, crescendo... A importância de rever os objetivos, meios de execução, conteúdos,
monitoramento e avaliação da VD;
Em que medida a visita domiciliar tem contribuído para a reorientação dos processos de trabalho da ESF?
Bibliografia:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. departamento de Atenção Básica. O trabalho do agente comunitário de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009 84 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação em Saúde)
PARA PENSAR
Qual a importância da visita domiciliar na organização do cuidado pelo ACS?
Quais procedimentos mínimos uma visita domiciliar requere? O que caracterizaria uma boa visita domiciliar?