CURSO TÉCNICO EM AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE
CADERNO DE TEXTO FASÍCULOII
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 1
EMENTA DO EIXO III
EIXO III Gestão do processo de trabalho
PERFIL
DOCENTES/PRECEPTOR/MONITOR
Profissionais de saúde de nível superior inseridos na rede de saúde do Recife
CARGA HORÁRIA 80 horas teóricas 12 horas prática
EMENTA
Desenvolver saberes e práticas com relação aos dispositivos e instrumentos que norteiam o processo de trabalho.
OBJETIVO GERAL
Instrumentalizar o educando com relação aos dispositivos que norteiam o trabalho do agente comunitário de saúde.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Trabalho em saúde e divisão social do trabalho. Processo de trabalho do Agente Comunitário de
Saúde.
Informação em saúde Visita domiciliar Trabalho em equipe
Dispositivos de Modelos de Atenção á saúde: Recife em defesa da vida
Acolhimento, Clinica Ampliada/Matriciamento, Co-gestão
Articulação intersetorial;
Gestão da educação no cotidiano das Equipes de Saúde (Educação permanente e Educação popular em saúde)
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 2 COMPETÊNCIAS
Gerenciar de forma qualificada seu processo de trabalho.
Fazer uma escuta qualificada das necessidades de cuidado dos sujeitos e coletivos.
Manter alimentado e atualizado os instrumentos de informação em saúde, bem como fazer os mesmos presentes no planejamento e na avaliação de sua prática.
Participar ativamente do acolhimento dos usuários do serviço, qualificando o acesso ao cuidado. Operar junto à equipe de saúde da família os
projetos terapêuticos singulares.
Participar dos espaços de planejamento e avaliação das ações junto a sua equipe.
Desenvolver ações qualificadas de educação em saúde e promoção da saúde junto a indivíduos e coletivos.
METODOLOGIA DE ENSINO
O processo metodológico estará ligado a aspectos significativos da realidade do educando, imprimindo discussões e instrumentalizações de cunho dialógico e problematizador. O ensino será desenvolvido em forma de aulas teóricas e práticas onde serão abordados os assuntos atuais no contexto ensino-serviço.
RECURSOS DIDÁTICOS
Caderno do Aluno;
Quadro branco e pincel piloto; Projetor multimídia e retroprojetor; Cartolina, tesoura, cola e papel madeira; SISTEMA DE AVALIAÇÃO
A avaliação será contínua e processual através de: debates, estudo dirigido, estudo de caso, relatórios e os fatores globais e as competências específicas previstas no Diário de Classe
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 3 CALENDÁRIO DO CURSO
SEGUNDA ETAPA FORMATIVA EIXO 3
JANEIRO E FEVEREIRO / 2012
DATA GRUPO 1 GRUPO 2
TERÇA QUINTA QUARTA SEXTA
31/01 02/02 01/02 03/02 AULA TEÓRICA REPACTUAÇÕES DA VOLTA ÀS AULAS / PROCESSO DE TRABALHO TRABALHO EM EQUIPE REPACTUAÇÕES DA VOLTA ÀS AULAS / PROCESSO DE TRABALHO TRABALHO EM EQUIPE DATA 07/02 09/02 08/02 10/02 AULA TEÓRICA DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO E TRABALHO EM SAÚDE ORIENTAÇÃO DE TCC DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO E TRABALHO EM SAÚDE ORIENTAÇÃO DE TCC DATA 14/02 16/02 15/02 17/02 AULA TEÓRICA DISPOSITIVOS DO MODELO DE SAÚDE DO RECIFE / ACOLHIMENTO
Ñ TEM AULA DISPOSITIVOS DO MODELO DE SAÚDE DO RECIFE / ACOLHIMENTO Ñ TEM AULA DATA 21/02 23/02 22/02 24/02 AULA TEÓRICA
FERIADO Ñ TEM AULA FERIADO Ñ TEM AULA
DATA 28/02 29/02 AULA TEÓRICA PTS / CLÍNICA AMPLIADA PTS / CLÍNICA AMPLIADA MARÇO E ABRIL / 2012
DATA GRUPO 1 GRUPO 2
TERÇA QUINTA QUARTA SEXTA
01/03 02/03 AULA TEÓRICA CO GESTÃO CO GESTÃO DATA 06/03 08/03 07/03 09/03 AULA TEÓRICA
AGENDA AGENDA AGENDA AGENDA
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 4 AULA
TEÓRICA
VISITA DOMICILIAR VISITA DOMICILIAR VISITA DOMICILIAR VISITA DOMICILIAR DATA 20/03 22/03 21/03 23/03 AULA TEÓRICA INFORMAÇÃO E INSTRUMENTO GESTÃO DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE INFORMAÇÃO E INSTRUMENTO GESTÃO DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE DATA 27/03 29/03 28/03 30/03 AULA TEÓRICA INTERSETORIALIDA DE EM SAÚDE ORIENTAÇÃ O TCC INTERSETORIAL IDADE EM SAÚDE ORIENTAÇÃO TCC DATA 03/04 04/04 AULA TEÓRICA AVALIAÇÃO DO EIXO AVALIAÇÃO DO EIXO
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 5
AULA 5: Dispositivos do modelo de saúde do
Recife/Acolhimento
Texto I
O modelo de Atenção e Gestão Recife em Defesa da Vida
O modelo Recife em defesa da Vida vem na perspectiva de repensar a forma de organizar a atenção e gestão da saúde no município do Recife. Atenção e gestão realizadas de modo indissociável, no qual os processos de produção de saúde e fortalecimento dos sujeitos implicados ocorram concomitantemente. Para tanto, elegeu-se como diretrizes do Modelo a clínica ampliada, o acolhimento e a co-gestão e como dispositivos o acolhimento, o apoio matricial e o projeto terapêutico singular.
Acolhimento Definição
O acolhimento é um modo de organizar o trabalho das equipes de forma a atender a todos os que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos, analisando as demandas/necessidades e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários e sua rede social.
Co Gestão Definição
A co gestão é um modo de gerenciar que envolve o pensar e o fazer coletivo visando a democratização das relações no campo da saúde.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 6 Projeto Terapêutico Singular:
Definição
O projeto terapêutico singular é um instrumento de organização e sistematização do cuidado construído entre equipe de saúde e usuário que deve considerar a singularidade do sujeito e a complexidade de cada caso.
Apoio Matricial Definição
O apoio matricial é forma de organizar e ampliar a oferta de ações em saúde, que lança mão de saberes e práticas especializadas, sem que o usuário deixe de ser vinculado à equipe de Saúde da Família.
Referências bibliográficas
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Equipe de referência e apoio matricial. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização. Gestão participativa: co-gestão 2. ed. rev. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2008a.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. 2. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008b.
Recife. Secretaria de Saúde. Gerência de Atenção Básica. Atenção Básica a saúde: Recife em defesa da Vida. 2010a.
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Recife. Secretaria de Saúde. Gerência de Atenção Básica. Acolhimento: o atendimento no posto mudou para melhor. 2010b.
Santos Filho SB. Avaliação e Humanização em Saúde: aproximações metodológicas. Ijuí. Ed: Unijuí, 2009.
TEXTO II
Trecho retirado do TextoFormas de pensar e organizar o sistema de saúde: os modelos assistenciais em saúde
Ivan Batista Coelho*
Em defesa da vida
Esta proposta teve sua origem em Campinas, na Universidade Estadual e foi implementada na Secretaria Municipal de Saúde de Campinas (SP), em Betim (MG) e alguns outros municípios. Em suas linhas gerais, em termos de organização de serviços e de sua articulação interna, assemelha-se em muito ao que foi preconizado por Dawson no Reino Unido no começo do século XX. Aqui, no entanto, merece atenção a ênfase dada em termos de reformar a atividade clínica, o processo de trabalho do conjunto dos trabalhadores da saúde e a mudança nas relações entre gestão e trabalhadores e entre estes e os usuários dos serviços. Gastão Wagner em sua crítica seja ao formato tradicional de organização dos serviços de saúde - que tinha como centros do sistema o médico e o hospital -, seja em relação às diversas propostas de reforma pautadas pela medicina comunitária, o fato das mesmas não promoverem uma reforma do trabalho médico, como de resto de toda a clínica.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 8
Em sua concepção, alterar o formato das organizações de saúde e as inter-relações entre estas organizações sem alterar de forma substantiva o modo fragmentado e desumanizado como o trabalho em saúde vem se dando, seria de pouco impacto.
Para alterar o trabalho da clínica é preciso alargar o seu escopo. A clínica em seu formato atual reduziu seu objeto e vê apenas a doença e seus impactos biológicos. Para alargá-la é necessário que também passe a abarcar os aspectos subjetivos e sociais. Não ter como objeto apenas a doença, mas o doente. Em sua crítica à saúde pública e suas propostas de produção de saúde que negligenciam a doença, Campos vai perguntar: “como produzir saúde para aqueles Sujeitos portadores de qualquer enfermidade sem considerar também o combate a esta enfermidade?”. Em sua opinião será preciso construir uma outra alternativa que não passa pela “antidialética positivista da medicina que fica com a doença descartando-se de qualquer responsabilidade pela história dos Sujeitos concretos, nem a revolta ao outro extremo: a doença entre parênteses, como se não existisse, quando, na verdade, ela está lá, no corpo, todo o tempo, fazendo barulho, desmanchando o silêncio dos órgãos”. Assim, é necessário rever a medicina, mas também as outras clínicas, de enfermeiros, odontólogos, psicólogos, etc.. É necessário superar o apagamento das outras dimensões do sujeito (existencial, subjetiva e social) operado pela clínica em seu contexto contemporâneo. “Sugere-se, portanto, uma ampliação do objeto de saber e de intervenção da Clínica. Da enfermidade como objeto de conhecimento e de intervenção, pretende-se também incluir o Sujeito e seu Contexto como objeto de estudo e de práticas da Clínica”.
Os principais aspectos operativos e filosóficos da clínica ampliada incluem os seguintes
pontos:
a) Equipes de referencia: A equipe ou profissional de referência são aqueles aos quais se vinculam um certo número de cidadãos ou famílias pelos quais a equipe se responsabiliza, acompanhando-os ao longo do tempo, seja nos aspectos que
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envolvem o controle de suas doenças, seja em relação à promoção de sua saúde. Estas equipes podem ter diferentes formatos, que vão desde o formato tradicional das equipes de saúde da família até outros
arranjos com diferentes profissionais. Na atenção básica, o leque de profissionais que compõe a equipe deverá ser capaz de dar conta de resolver a maior parte dos problemas clínicos dos usuários a ela vinculados. Equipes de referência podem ser organizadas também em hospitais, policlínicas, unidades de saúde mental, etc. Nesta situação, se encarregariam da condução de casos. Em um centro de apoio psico-social (CAPS), o psiquiatra, a psicóloga e uma assistente social poderiam se constituir na equipe de referência. Em uma unidade de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS esta equipe poderia ser constituída por um infectologista, uma enfermeira e um assistente social. Para as situações onde o conjunto de conhecimentos e instrumentos da equipe de referência não se
mostrem suficientes para a solução de um determinado caso deve-se lançar mão de outros conhecimentos, em geral especializados, organizados sob a forma de apoio matricial. Utilizar o apoio de especialistas não isenta a equipe de referência de continuar se responsabilizando pela condução e acompanhamento dos casos. b) Apoio especializado matricial: A finalidade do apoio matricial é assegurar retaguarda especializada a equipes e profissionais encarregados da atenção a problemas de saúde. Esta retaguarda pode se referir tanto a questões assistenciais quanto a suporte técnico-pedagógico às equipes de referência. Para o seu bom funcionamento é importante que a construção de diretrizes clínicas e sanitárias se dê de comum acordo entre os componentes de uma equipe de referência e os especialistas que oferecem apoio matricial. Essas diretrizes devem prever critérios para acionar o apoio e definir o espectro de responsabilidade tanto dos diferentes integrantes da equipe de referência quanto dos apoiadores matriciais. Desta forma, apoio matricial e equipe de referência são, ao mesmo tempo, arranjos organizacionais e uma metodologia para a gestão do trabalho em saúde, objetivando ampliar as possibilidades de realizar-se clínica ampliada e integração dialógica entre distintas especialidades e profissões.
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c) Formação de vínculo entre usuário e equipe: a clínica em seu formato atual foi degradada pela lógica do pronto-atendimento que possibilitou relações do tipo queixa-conduta, onde não nenhum tipo de relação mais duradoura entre o usuário e o trabalhador da saúde. Para que se altere este quadro é necessário que o trabalhador da saúde se vincule ao usuário em um processo de co-responsabilização pela saúde do mesmo, fazendo-o ao longo do tempo. Esta responsabilização não se dá apenas nos períodos em que o usuário se encontra doente, mas tem também a finalidade de apoiá-lo nos processo de produção da sua própria saúde. Para isto é necessário que o usuário seja adscrito a uma equipe de saúde, que pode ter os mais variados formatos, de acordo com a realidade local.
d) Responsabilização clínica e sanitária: uma equipe deve assumir a responsabilidade clínica, mas também sanitária sobre uma determinada população sob sua responsabilidade. As questões ambientais, epidemiológicas e que dizem respeito à população por ela assistida também fazem parte de seu escopo de responsabilidades. Para ser mais preciso, falarse- ia aqui também em corresponsabilidade, pois os usuários também são responsáveis por estas condições devendo se mobilizar das mais variadas formas para melhorar suas próprias vidas e a dos outros.
e) Identificação de risco e vulnerabilidade: Riscos e vulnerabilidades tanto individuais como coletivos deverão ser identificados pela equipe e traçadas diretrizes para sua abordagem. Indivíduos ou coletividades sujeitas à maior probabilidade de danos à sua saúde deverão receber abordagem diferenciada. Aqui, trabalhar com o conceito de equidade é fundamental. Deverão ser ofertados mais serviços aos que estão sujeitos a mais riscos.
f) Utilização de múltiplos paradigmas: O paradigma biomédico é insuficiente, embora necessário, para que os problemas dos usuários sejam abordados em sua complexidade. Assim, lançar mão do que é produzido em outros campos do conhecimento, como as ciências humanas e sociais deverá ser uma rotina no trabalho em saúde. É preciso alargar os campos de conhecimento para dar conta da abordagem de um objeto que foi ampliado.
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Quando passamos da abordagem da doença à abordagem do doente é necessário incorporar outro arsenal de conhecimentos e técnicas
g) Trabalho em equipe: Produzir saúde é uma tarefa complexa demandando o intercurso de vários campos de conhecimento. Desta forma não apenas o médico, mas um variado leque de trabalhadores de saúde necessita ser organizado de forma a aumentar a capacidade dos serviços de resolver problemas e produzir saúde. Organizar o trabalho de forma que estas equipes de saúde efetivamente atuem como equipe, encontrando campos de atuação que possam ser implementados por todos os membros de forma interdisciplinar ao lado de núcleos de práticas específicas de cada categoria de trabalhadores é de extrema relevância para o sistema de saúde.
h) Construção de autonomias: Um dos principais objetivos do trabalho em saúde é ampliar autonomia dos usuários do sistema de forma que possam cuidar melhor de si e também dos outros. Aumentar o poder de cada usuário, individual ou coletivamente, ampliando sua capacidade de interferir nos determinantes e nas conseqüências de seu processo de saúde e doença é tarefa de todos os trabalhadores e gestores do sistema de saúde.
i) Elaboração de projetos terapêuticos singulares: Uma vez que os processos de adoecer são diferentes de sujeito para sujeito, onde temos situações que vão desde aquelas nas quais o adoecimento é passageiro, até aquelas onde o sujeito vai ter que conviver com um determinado problema pelo resto da vida, as abordagens precisam ser singularizadas. Além do mais, uma mesmo problema pode ter impactos diferentes na vida de diferentes sujeitos. Assim, encontrar estratégias singulares para cada sujeito e seu contexto é aspecto relevante da prática clínica e da organização dos serviços.
j) Elaboração de projetos de intervenção na comunidade: Problemas comuns ao contexto da vida dos usuários sob a responsabilidade de uma determinada equipe de referencia necessitam ser abordados pela equipe e pela comunidade em diferentes projetos refiram-se estes projetos a situações na comunidade que afetam a vida de muitas pessoas ou à necessidade da comunidade utilizar seus recursos para apoiar seus membros na solução de
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problemas.
Uma outra vertente deste movimento mantendo ainda a ênfase na reorganização do trabalho em saúde desenvolveu o que vem sendo conhecido em vários locais no Brasil como acolhimento. Trata-se de um processo de recepção e escuta do usuário, procurando identificar que recursos do sistema ou que pontos da linha de cuidado poderiam ser utilizados para melhor equacionar suas demandas. Entre as principais críticas feitas a este
procedimento, muitas vezes erigido à categoria de modelo assistencial por seus defensores, se encontra a de constituir-se, em grande parte das situações, em um mecanismo de triagem, recepção feita com simpatia porém sem resolutividade (recepção receptiva!) e até mesmo pronto-atendimento, em especial quando feito por profissionais de nível superior. A avassaladora maioria dos resultados de um acolhimento tem entre seus encaminhamentos a marcação de uma consulta, motivo pelo qual é muitas vezes tratado como uma intermediação desnecessária.
PARA PENSAR
1. Qual a relação entre acolhimento e humanização do atendimento?
2. Que profissionais são responsáveis pelo acolhimento em sua equipe?
3. Que principais problemas sua equipe enfrenta com a relação ao acolhimento?
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AULA 6: PTS/Clínica Ampliada
Texto I
PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR – PTS (RESUMO)
O que é?
É um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial se necessário.
Geralmente é dedicado a situações mais complexas. No fundo é uma variação da discussão de “caso clínico”.
“Contrato de projetos com os usuários e os familiares, para além de um elenco de procedimentos”.
Como é feito?
Em uma reunião com toda a equipe em que todas as opiniões são importantes para ajudar a entender o Sujeito com alguma demanda de cuidado em saúde e, conseqüentemente, para definição de propostas de ações.
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O projeto pode ser feito para grupos ou famílias e não só para indivíduos, além de frisar que busca a singularidade (a diferença) como elemento central de articulação.
Contém quatro momentos:
1) O diagnóstico: que deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário;
2) Definição de metas: a equipe faz propostas de curto, médio e longo prazo, que serão negociadas com o Sujeito doente pelo membro da equipe que tiver um vínculo melhor;
3) Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de cada um com clareza;
4) Reavaliação: momento em que se discutirá a evolução e se farão as devidas correções de rumo.
Alguns aspectos precisam ser observados:
a) A escolha dos casos para reuniões de PTS: a proposta é de que sejam escolhidos usuários ou famílias em situações mais graves ou difíceis.
b) As reuniões para discussão de PTS: Cada membro da equipe trará para a reunião aspectos diferentes e poderá também receber tarefas diferentes, de acordo com a intensidade e a qualidade desse vínculo. Uma estratégia é reservar um tempo fixo, semanal ou quinzenal, para reuniões exclusivas do PTS.
c) O tempo de um PTS: Muitas informações essenciais surgem no decorrer do seguimento e a partir do(s) vínculo(s) com o usuário.
A história, em geral, vai se construindo aos poucos, embora, obviamente, não se possa falar de regras fixas para um processo que é relacional e complexo.
d) PTS e Mudança: quando ainda existem possibilidades de tratamento para uma doença, não é muito difícil provar que o investimento da equipe de saúde faz
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diferença no resultado. O encorajamento e o apoio podem contribuir para evitar uma atitude passiva por parte do usuário.
CO-PRODUÇÃO DA PROBLEMATIZAÇÃO/DIAGNÓSTICO
É importante no PTS uma certa crença de que a pessoa tem grande poder de mudar a sua relação com a vida e com a própria doença. À equipe cabe exercitar uma abertura para o imprevisível e para o novo
e lidar com a possível ansiedade que essa proposta traz.
Então ...
Fazer junto e não pelo outro;
Buscar resoluções com e não para o outro;
Ofertar contatos, encontros, momentos de conversa, seja nos espaços do serviços, na rua ou no domicílio das pessoas;
O significado desses encontros não se dá apenas pela necessidade da equipe de coletar informações, mas, além disso, será o de oportunizar o vínculo e a formação de algo em comum.
Assim ...
Nas situações em que só se enxergava certezas, podem-se ver possibilidades.
Nas situações em que se enxergava apenas igualdades, podem-se encontrar, grandes diferenças.
Nas situações em que se imaginava haver pouco o que fazer, pode-se encontrar muito trabalho.
O caminho do usuário ou do coletivo é somente dele, e é ele que dirá se e quando quer ir, negociando ou rejeitando as ofertas da equipe de saúde.
Bibliografia:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Humanização (PNH). Cartilha da PNH: Clínica Ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular, 2004.
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PARA PENSAR
Qual a importância da clínica ampliada na garantia do integralidade da atenção à saúde?
Qual a importância da equipe na discussão dos casos do território?
Nas reuniões de equipe em sua unidade, há espaço para discussão de casos? Como é feita a divisão de
responsabilidades em relação aos casos?
Texto II
A história de Fabíola e sua mãe
Fabíola é uma adolescente de 17 anos que todo final de semana vai com garotas e garotos de sua comunidade para a praia de Boa Viagem jogar vôlei. Num final de semana destes Fabíola saiu cedo e demorou a voltar, sua mãe, D. Lourdes, ficou preocupada e foi até a casa da vizinha para saber se ela tinha alguma notícia, pois a sua filha também tinha ido. Nada. A preocupação aumentou, pois D. Lourdes tinha escutado, na comunidade, que Fabíola estava andando com meninas e meninos que usavam drogas. Fabíola, já tinha dado outras preocupações a sua mãe, no ano passado quando falou que estava grávida e depois disse que tinha perdido o bebê. D. Lourdes procurou a Agente de Saúde para conversar e ela aconselhou que Fabíola fosse até o PSF para uma consulta com a enfermeira. Ela nunca foi.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 17
No outro dia D. Lourdes recebeu uma ligação do GPCA informando que Fabíola estava detida lá e precisava de um responsável para tirá-la de lá. Ela estava muito machucada, tinha se metido numa briga e apanhou bastante. D. Lourdes ficou muito revoltada, já havia perdido um filho paras as drogas e disse que iria expulsar Fabíola de casa. Fabíola chorou muito e disse que nunca mais faria aquilo de novo e as duas voltaram para casa.
Um mês depois Fabíola sumiu de novo, desta vez D. Lourdes não foi a sua procura, estava muito deprimida com toda aquela situação, se trancou em casa, não falava com mais ninguém. As vizinhas estavam muito preocupadas, pois sabiam que ela é hipertensa e não estava indo ao PSF para pegar a medicação. Avisaram a Agente de Saúde que avisou a enfermeira do posto. A enfermeira solicitou que a Agente de Saúde pedisse que D. Lourdes fosse ao posto, mas ela não foi. Cada vez mais deprimida se trancou cada vez mais em casa. Certo dia as vizinhas escutaram um grito e correram e encontraram D. Lourdes caída no chão. Chamaram a Agente de Saúde que avisou ao médico imediatamente, este foi até a casa de D. Lourdes e constatou que a mesma tinha tido um ataque cardíaco e chamou o SAMU. Ela foi internada e passou 15 dias.
Durante este tempo de internação de D. Lourdes, Fabíola apareceu e pareceu preocupada com a mãe, foi até o hospital, mas não pode ficar com ela porque era menor de idade. Voltou para casa e ia visitar a mãe todos os dias.
Fabíola já tinha abandonado a escola e vivia muito tempo na rua. Depois da internação de D. Lourdes não ficava muito tempo fora, mas saia à noite e só voltava no outro dia, andava bem vestida e certa vez achou que estava grávida novamente. D. Lourdes, durante sua consulta no PSF falou de sua suspeita para a enfermeira que solicitou que Fabíola fosse até o posto para uma consulta, mas Fabíola não foi.
A Agente de Saúde até discutiu o caso na reunião de equipe e foi pedido que a gente de saúde fizesse uma visita na casa de D. Lourdes e solicitasse que Fabíola fosse ao posto. A Agente de Saúde foi, mas Fabíola não estava em casa, ela deu o recado, mas Fabíola mais uma vez não foi. D. Lourdes estava muito preocupada, pois a gestação estava muito avançada e ela não tinha feito
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nenhuma consulta. A vizinha falou que tinha escutado uma conversa de Fabíola com a sua filha e ela tinha dito que iria dar a criança para uma família. Com essa história D. Lourdes ficou muito preocupada e falou para a Agente de Saúde que orientou que ela procurasse o Conselho Tutelar. D. Lourdes ficou com medo e não foi, queria falar com algum profissional que pudesse orientá-la e perguntou a Agente de Saúde que falou na Assistente Social do NASF.
A Assistente Social orientou que D. Lourdes procurasse o Conselho Tutelar, mas ela não foi. Com tudo isso voltou novamente a depressão e o confinamento em casa. D. Lourdes não estava indo ao posto para as suas consultas de rotina e parou novamente de tomar a medicação. Sua falta foi sentida no posto e num final de semana D. Lourdes passou mal e foi levada as pressas para a emergência. Desta vez foi um AVC, muito forte e D. Lourdes ficou mais uma vez internada e na UTI.
Na segunda-feira a equipe do PSF foi avisada, a Agente de Saúde procurou por Fabíola que não estava em casa. Dias depois ela soube que o bebê tinha nascido, mas Fabíola disse que tinha morrido e voltou para casa sozinha.
D. Lourdes voltou para casa, mas muito comprometida, não falava nem andava direito, precisava de cuidados, mas de quem?
Orientação para discussão:
1. Fazer uma análise da situação de D. Lourdes e Fabíola construindo um itinerário dos fatos.
2. Analisem a atuação da Agente de Saúde neste caso; 3. Analisem a atuação dos outros profissionais do PSF; 4. Analisem a atuação do NASF;
5. A partir do que vocês já leram e discutiram sobre PTS, vocês acham que esse caso precisaria de um projeto terapêutico?
6. Construam um PTS da história de Fabíola e sua mãe; 7. Discutam as questões com o grande grupo.
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Texto III
A saga de Marina
Marina é uma jovem senhora de 24 anos, 03 filhos. Reside no bairro de Casa Amarela do município o Recife. A primeira filha foi Camila, agora com 09 anos, de sua relação com Samuel, depois veio Laura, 04 anos e por fim Pedro. Os dois últimos do casamento com Carlos, 30 anos. Todas as gestações foram acompanhadas pelo PSF dos Pinheiros com consultas alternadas pela enfermeira e do médico, mais consultas com o médico, pois Marina apresentava pressão alta e precisava ter um acompanhamento mais de perto. Durante as duas primeiras gestações a pressão se normalizava após o parto que tiveram que ser cesariana devido ao perigo de eclampsia. Na gestação de Pedro as coisas se complicaram mais, a pressão sempre muito alta, mesmo com medicamentos. O médico a encaminhou para a referência, o Hospital Agamenon Magalhães. Marina conseguiu a vaga, mas não ia para todas as consultas por ser mais longe de sua casa, precisava tomas duas conduções e as vezes não tinha com quem deixar as outras duas filhas, a sua mãe sempre presente, trabalha em casa de família e não podia ficar com as meninas para Marina ir as consultas, quando conseguia consulta no horário da manhã enquanto as meninas estavam na escola, tudo bem, mas quando tinha que ir à tarde quase sempre faltava, então decidiu ficar apenas no acompanhamento do PSF, porém a pressão estava sempre alta e a equipe monitorava a paciente e a tomada dos medicamentos. Por ser uma gestação de alto risco, caminhando para uma terceira cesariana a enfermeira a encaminhou para Maternidade Barros Lima para participar do planejamento familiar e fazer a laqueadura no momento do parto. Marina participou do planejamento familiar e já estava de posse de toda documentação para laqueadura. O parto não foi agendado, visto que o PSF não tem a rotina de agendamento com a referência
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para realização da cesariana, o parto aconteceria quando a paciente estivesse sentindo as dores e chegasse à maternidade para internamento. O médico orientou que Marina procurasse o Hospital Agamenon Magalhães por atender pacientes de alto risco e ter mais condições de acompanhamento caso necessitasse.
No sétimo mês de gravidez, num sábado à noite, Marina começou a sentir muita dor de cabeça e os membros inferiores ficaram dormentes com dificuldades para andar. A mãe de Marina foi a até a casa da Agente Comunitária de Saúde - ACS Sandra que orientou que a levasse à Maternidade Barros Lima para a emergência obstétrica. A família chamou o SAMU que a levou. Chegando à Maternidade Barros Lima ela foi atendida e imediatamente encaminhada para o IMIP. Marina ficou três dias internada e voltou para casa com orientações para procurar a referência de alto risco, o Hospital Agamenon Magalhães. Desta vez Marina não procurou o Hospital e sim o PSF. O médico e a enfermeira ficaram muito preocupados com a situação de Marina e conseguiram através de referências pessoais uma consulta para Marina na mesma semana. Marina ficou sendo acompanhada semanalmente pelo Hospital e pela ESF. Sua pressão foi controlada e ela não sentiu mais os sintomas que a levou à internação. Novamente, num sábado à noite, Marina começou a sentir muitas contrações e muita dor de cabeça, toda a família se preocupou, foram até a casa de Sandra – ACS que chamou o SAMU e a levaram para Maternidade Barros Lima com senha através da central de leitos, mesmo a família informando que deveria levar ao Hospital Agamenon Magalhães, pois era lá que ela era atendida. Os profissionais do SAMU disseram que a orientação da central de leitos era levar para a Maternidade Barros Lima por não haver disponibilidade de vagas no Hospital Agamenon Magalhães.
Chegando à Maternidade Barros Lima, de posse de toda a documentação do pré natal e depoimento da família, Marina foi encaminhada com urgência para cesariana, pois sua pressão estava muito alta. Ainda na noite do sábado nasceu Pedro, a pressão de Marina ainda continuava alta, mas estava sendo monitorada pelos profissionais da maternidade. Na terça-feira pela manhã, com a pressão
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normalizada Marina teve alta junto com Pedro. A laqueadura não foi feita porque os médicos disseram que o parto tinha sido muito complicado e inviabilizou o procedimento. Marina saiu com a receita de medicação para hipertensão.
Assim que voltou para casa Marina recebeu a visita da enfermeira e do médico do PSF e diariamente a técnica de enfermagem ia a sua residência para aferir sua pressão. Na sexta-feira a técnica de enfermagem informou ao médico que a pressão de Marina estava um pouco alta e o mesmo orientou quanto a medicação que ela precisava continuar tomando e que qualquer alteração deveria procurar a emergência.
Na segunda-feira a mãe de Marina procurou a USF para comunicar ao médico que Marina estava com muita dor de cabeça e ele foi com a família para a emergência da Maternidade Barros Lima onde ficou internada junto com Pedro para garantir a amamentação. No sábado, ainda na maternidade, Marina começou a sentir fortes enjôos, dormência nos membros inferiores, tonturas, língua grossa e perda da visão. Os médicos foram chamados e após alguns procedimentos conseguiram transferir para a UTI do IMIP onde ficou internada por dez dias. Neste período, Pedro ficou tomando leite artificial, prescrito pela pediatra da Maternidade Barros Lima e o marido, Carlos foi orientado a procurar o Serviço Social para realizar a vasectomia.
Após 15 dias Marina voltou para casa orientada a procurar um cardiologista e neurologista. A ESF solicitou a marcação destas consultas e continua acompanhando a paciente.
Orientação para discussão:
1. Fazer uma análise da situação de Marina construindo um itinerário dos fatos.
2. Analisem a atuação da Agente de Saúde neste caso; 3. Analisem a atuação dos outros profissionais do PSF;
4. A partir do que vocês já leram e discutiram sobre PTS, vocês acham que esse caso precisaria de um projeto terapêutico?
5. Construam um PTS da história Marina; 6. Discutam as questões com o grande grupo.
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AULA 7: Co – Gestão
Texto I
A CO- GESTÃO NO TRABALHO COMO UMA DIRETRIZ DA POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO
Gestão Participativa e Co-Gestão
O que é Gestão?
Campo de ação, de saberes, práticas e relações de poder. Identificada com a finalidade da organização.
Gestão é sempre de processos de trabalho e…com pessoas. Gestão é um lugar?
É um posto de trabalho? É uma nova especialidade?
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 23 Para a Gestão clássica:
• Gestão como um lugar a ser ocupado;
• Propósitos pouco revelados, do domínio de poucos. • Ênfase no controle, nos meios e na eficiência.
• Separação entre os que planejam e os que trabalham; • Fragmentação dos processos de produção e gestão; • Trabalho serial, alienação dos resultados;
• Centrada no Trabalho individual e competitivo; • Sujeitos são Recursos Humanos;
• Conflitos são corrigidos pela autoridade;
Que efeitos produz uma concepção de gestão que separa quem pensa de quem faz?
O que se quer com esta concepção de gestão? Afinal, para que serve a gestão? A que se presta ?
Qual o sentido de gestão tem sido potencializado pela Política Nacional de Humanização (PNH)? E como isto acontece nas práticas de saúde?
Uma nova proposta de gestão do trabalho precisa lidar com suas múltiplas faces: criação e repetição; exercício da vontade e constrangimento; trabalho para si e trabalho demandado;
A esta forma de gestão adiciona o participativo e o prefixo “co”. Que sentidos de participativo? (re) partir; (com) partir>>>>poder
Que sentidos se operam quando se introduz o prefixo “co”? • Adição e ampliação das funções da gestão:
- Espaço de análise da instituição; - Espaço de formulação;
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 24
- Espaço pedagógico
- Inclusão de novos sujeitos (método da PNH) Co-gestão como espaços coletivos...
...Onde a fala circula, questões/ problemas são colocados em discussão, reflexões se realizam, pedidos são apreciados e acordados, possibilitando processos de co-análise, co-decisão, co-operacionalização, co-avaliação, enfim co-responsabilização, uma rede de compromissos (contratualização)
Como se faz a inclusão? Como se opera os princípios? Como se implementa estas diretrizes?
Dispositivos: agenciamentos concretos de intervenção
O primeiro grupo de dispositivos:
• Organização do espaço coletivo de gestão que permita o acordo entre desejos e interesses tanto dos usuários, quanto dos trabalhadores e gestores;
• Conselhos de Gestão Participativa;
• Colegiado gestor de Hospital, de Distritos Sanitários e Secretarias de Saúde; • Colegiado gestor da Unidade de Saúde\Contratos de Gestão;
• Mesa de Negociação Permanente.
O segundo grupo de dispositivos incentivado pela PNH refere-se aos mecanismos que garantam a participação ativa de usuários e familiares no cotidiano das unidades de saúde.:
• Visita aberta e direito de acompanhante;
• Equipe de referência e gerência com horários abertos; • Ouvidoria;
• Família Participante;
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 25
• Trabalho e saúde são experiências humanas decisivas, é necessário colocar a afirmação da vida e a luta pela saúde a partir dos locais de trabalho como prioridade.
• Saúde é assunto que diz respeito a todos, capazes que somos de falar de nossa experiência de prazer e sofrimento, não sendo tema exclusivo de especialistas. • Portanto, estamos nos referindo a um conceito de saúde como possibilidade de produzir novas normas, novas formas de vida/trabalho.
• Os modos de trabalhar são indissociáveis dos modos de subjetivar, pois os trabalhadores são gestores de si e da realidade de trabalho que criam.
• O trabalho gestionário, por definição, é um trabalho que se move, que é elaborado coletivamente no tempo e muda ao durar.
• A atividade como o ponto de partida para pensar a saúde, o que significa a valoração (dar valor à ação) do trabalhador.
• As atividades do trabalho humano, além dos modos operatórios definidos pelas normas prescritas para as diferentes tarefas, implicam, também, improviso, antecipação. Trabalhar é gerir, é co-gerir.
• Princípio de que as mudanças nas formas como o trabalho está organizado, que podem promover saúde ou doença, não ocorrem ou não se mantêm „de cima para baixo, efeito de normas externas ao grupo de trabalhadores, ações exclusivas dos profissionais das disciplinas científicas ou dos dirigentes.
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Fonte: Secretaria de Atenção a Saúde/Ministério da Saúde.
Texto II
Quadro de Gestão Clássica e Co-gestão
GESTÃO CLÁSSICA CO-GESTÃO OU GESTÃO COMPARTILHADA • Gestão como um lugar a ser ocupado;
• Propósitos pouco revelados, do domínio de poucos.
• Ênfase no controle, nos meios e na eficiência. • Separação entre os que planejam e os que
GESTÃO: espaço pedagógico, de criação, de tomada de decisão, de problematização dos modelos de operar e agir institucional. Não é um lugar de
ação exclusiva de especialistas: TODOS FAZEM
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 27 trabalham;
• Fragmentação dos processos de produção e gestão;
• Trabalho serial, alienação dos resultados;
• Centrada no Trabalho individual e competitivo; • Sujeitos são Recursos Humanos;
• Conflitos são corrigidos pela autoridade;
PARA PENSAR
Que diferenças podem ser apontadas entre a co-gestão e a gestão clássica?
Baseado no texto, como você qualificaria a gestão de sua unidade de saúde?
Analise o que facilita e o que dificulta a produção de mudanças em sua equipe?
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AULA 8 E 9: AGENDA
Texto I
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE SECRETARIA DE SAÚDE DO RECIFE
DIRETORIA GERAL DE GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO NA SAÚDE SISTEMA INTEGRADO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E INCENTIVO À
QUALIDADE
Metas individuais
Categoria profissional: Agente Comunitário de Saúde
Lotação: Unidades de Saúde da Família a) Grade horária semanal padrão básica
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta
Manhã Visita Domiciliar Visita Domiciliar Visita Domiciliar Posso Ajudar/acolhimento Visita Domiciliar Tarde Visita Domiciliar Educação em Saúde Tarde de estudo (De 15/15 dias) Visita domiciliar (De 15/15 dias) Reunião de micro(por representante) Reunião Técnica de ESF Visita Domiciliar
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 29 Observações importantes:
1 – Esta é uma grade horaria padrão geral que pode ser modificada de acordo com os pactos estabelecidos no contrato singular de gestão do cuidado. A tarde de estudo comum a todas as categorias, deverá ser em horário diferentes, respeitando a quinzena
2 – Durante as reuniões técnicas da ESF, a Unidade não poderá estar totalmente fechada aos usuários, devendo manter serviços tais como Acolhimento à casos agudos e vacinação.
b) Total de Turnos no MÊS (4 semanas):
Atenção Básica - Saúde da Família Total de turnos no mês – ACS
Turnos – Manhã Turnos - Tarde Turnos -Total MÊS Visita domiciliar 16 10 26
Atividade de Educação em Saúde 0 4 4
Posso ajudar/acolhimento 4 0 4
Tarde de estudo 0 2 2
Reunião técnica ESF 0 4 4
Reunião de Microrregião 0 1 1
c) Metas
Atenção Básica - Saúde da Família Metas - Agentes Comunitários de Saúde
Indicador Meta Semanal 80% da meta Visitas domiciliares planejadas 34 (por semana) 28
Visitas domiciliares manhã 6 5
Visitas domiciliares tarde 4 4
Tempo médio de visitas domiciliares manhã (minutos)
45,0 56,3
Tempo médio de visitas domiciliares tarde (minutos)
52,5 52,5
Posso ajudar/acolhimento 01 turno por semana
01 turno por semana
Ficha A e Ficha B Atualizado mensalmente
Atualizado mensalmente
Acompanhamento Bolsa Família Atualizado semestralmente
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 30 Atividade Educação em Saúde 04 atividades por
mês
04 atividades por mês
Assiduidade em espaço de co-gestão 100% de presença no mês
75% de presença no mês
Reuniões de equipe / USF 4 3
Reuniões com comunidade 1 1
Reuniões de microrregião * 1 1
*ACS terá rodizio por equipe , garantindo representatividade nas reuniões de micro.
PARA PENSAR
Que critérios você usa para organizar sua agenda?
Dentre as diversas atribuições do ACS colocadas na grade padrão básica, que nós críticos você identifica para cada uma delas? Aponte estratégias de enfrentamento para cada nó crítico.
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AULA 10 e 11: Visita Domiciliar
Texto I
Visita Domiciliar Conceito:
Visita domiciliar (VD) é um instrumento de intervenção fundamental da estratégia de Saúde da Família, utilizado pelos integrantes das equipes de saúde para conhecer as condições de vida e saúde das famílias sob sua responsabilidade, permitindo atuar preventivamente de forma mais eficaz. Para isso, devem utilizar suas habilidades e competências não apenas para o cadastramento dessas famílias, mas, também, e principalmente, para a identificação de suas características sociais (condições de vida e trabalho) e epidemiológicas, seus problemas de saúde e sua vulnerabilidade aos agravos de saúde.
Objetivos da Visita Domiciliar
Interagir com as pessoas de forma a contribuir para que adquiram o controle sobre a sua própria saúde, isto é, aumentar a sua autonomia e co-responsabilidade em relação a saúde;
Conhecer as condições de vida, de moradia, de trabalho, os hábitos, as crenças, os costumes, os valores;
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 32
Realizar ações de promoção, prevenção, educação e busca ativa (vigilância em saúde) e registrar as informações em impresso padronizado pela SMS e do SIAB;
Conhecer os principais problemas de saúde das pessoas;
Identificar situações de risco, direcionando maior atenção através de um acompanhamento mais próximo e mais freqüente;
Identificar situações-problema que impliquem um encaminhamento para a unidade de saúde ou especialistas.
IMPORTANTE
Nem toda ida ao domicílio do usuário pode ser considerada uma VD. Para ser considerada uma VD, tal atividade deve compreender um conjunto de ações sistematizadas, que se iniciam antes e continuam após o ato de visitar o usuário no domicílio. A sua execução pressupõe o uso das técnicas de entrevista e de observação sistematizada.
ETAPAS DO PLANEJAMENTO DA VISITA DOMICILIAR:
1a Etapa
PLANEJAMENTO
- O planejamento inicia-se com a seleção das visitas, segundo os critérios estabelecidos pela equipe de saúde, considerando os fatores de risco ambientais, sócio culturais, e familiares.
- Atentar para as seguintes situações: Puérpera, crianças prematuras e de baixo peso, família onde o número de filhos é numeroso, a mãe é solteira, pais com baixa escolaridade, pais ausentes, alcoolismo, pessoas com distúrbio mental, idosos, acamados, pessoas que
passaram por processos de internamento e pós-cirurgia, portadores de doenças transmissíveis, soropositivos, entre outras condições de vulnerabilidade e risco avaliadas.
- É importante considerar o itinerário, o tempo a ser gasto em cada casa e o horário disponível do técnico e do usuário. Colocar em primeiro lugar as VDs em que se gastará menos tempo e deixar por último aquelas que demandam um contato mais prolongado.
- Em seguida, deve-se estabelecer os objetivos da VD, que irão orientar a revisão de conhecimentos.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 33 2a Etapa
EXECUÇÃO
- Na chegada ao domicílio o profissional deve identificar-se e expressar de maneira informal, mas com clareza, sobre os objetivos da visita;
- Ser cordial no relacionamento, evitando os extremos da formalidade e da intimidade no contato com os usuários. Após esse contato
preliminar, iniciar a entrevista ou executar os procedimentos previstos. Deve-se explicar o motivo da anotação das informações e destacar o caráter sigiloso do registro;
- Durante a VD, realizar a observação sistematizada da dinâmica da família e, ao término, o profissional deve resgatar os seus objetivos e fazer uma síntese do que foi realizado (se houve algum tipo de intervenção: procedimento, orientação, encaminhamento, etc) para a família ou necessidade de visitas mais sistematicas aquela familia
3a Etapa REGISTRO DE DADOS
- Ao retornar à Unidade, o profissional deverá elaborar um relatório sobre a VD e anotar no prontuário do usuário/família.
- O relatório deve ser claro, objetivo, sintético, ter uma seqüência lógica, ser iniciado com as informações colhidas, seguido das observações feitas e, por fim, as intervenções realizadas.
- Ainda deve-se informar as necessidades da família, que ela própria expressa ou que foram detectadas pelo profissional, e registrar, se houver, aspectos que precisam ser explorados no próximo contato com a família. O relatório deve ser apresentado à equipe, que tomará as providências necessárias para dar continuidade à assistência à família.
Modelo para registro no prontuário da VD: Data de realização da VD;
Nome do profissional técnico que realizou a visita; Nome do usuário a ser visitado;
Registrar com objetividade o(s) motivo(s) da visita; Registrar as observações feitas no domicílio e os dados
coletados por informações verbais.
4a Etapa
AVALIAÇÃO DO PROCESSO
- A avaliação é necessária para que a equipe estabeleça o "passo seguinte" na assistência à família visitada e também, para que o profissional possa fazer a auto-avaliação na realização da VD:
Os objetivos propostos foram atingidos?
O preparo para a realização da atividade foi adequado? O tempo estimado foi cumprido?
Os pressupostos da VD foram contemplados?
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A Visita Domiciliar e o ACS
A visita domiciliar é a atividade mais importante do processo de trabalho do Agente Comunitário
de Saúde
ALGUNS PONTOS IMPORTANTES...
Nem sempre é fácil separar a relação pessoal do profissional e os limites da relação ACS/família. Isso pode determinar ou reorganizar o processo de trabalho do ACS e a forma como se vincula à família. Recomenda-se que o ACS estabeleça um bom vínculo com a família, mas saiba dissociar a sua relação pessoal do seu papel como agente comunitário de saúde;
Para o desenvolvimento de um bom trabalho em equipe, é fundamental que tanto o ACS quanto os demais profissionais interajam com a comunidade, sem fazer julgamentos quanto à cultura, crenças religiosas, situação socioeconômica, etnia, orientação sexual, deficiência física etc;
Todos os membros da equipe devem respeitar as diferenças entre as pessoas, adotando uma postura de escuta, tolerância aos princípios e às distintas crenças e valores que não sejam os seus próprios, além de atitudes imparciais;
A visita domiciliar requer, contudo, um saber-fazer que se aprende no cotidiano, mas pode e deve se basear em algumas condutas que demonstrem respeito, atenção, valorização, compromisso e ética;
Para ser bem feita, a visita domiciliar deve ser planejada. Ao planejar, utiliza-se melhor o tempo e respeita-se também o tempo das pessoas visitadas;
Para auxiliar no dia a dia do trabalho, é importante que o ACS tenha um roteiro de visita domiciliar, o que vai ajudar muito no acompanhamento das famílias da sua área de trabalho;
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 35
Também é recomendável definir o tempo de duração da visita, devendo ser adaptada à realidade do momento.
Por meio da visita domiciliar, é possível:
Identificar os moradores, por faixa etária, sexo e raça, ressaltando situações como gravidez, desnutrição, pessoas com deficiência etc.;
Conhecer as condições de moradia e de seu entorno, de trabalho, os hábitos, as crenças e os costumes;
Conhecer os principais problemas de saúde dos moradores da comunidade; Perceber quais as orientações que as pessoas mais precisam ter para
cuidar melhor da sua saúde e melhorar sua qualidade de vida; Ajudar as pessoas a refletir sobre os hábitos prejudiciais à saúde;
Identificar as famílias em situação de maior vulnerabilidade e risco e que necessitam de acompanhamento mais freqüente ou especial;
Divulgar e explicar o funcionamento do serviço de saúde e quais as atividades disponíveis;
Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população do território de abrangência da unidade de saúde;
Orientar medidas de prevenção de doenças e promoção à saúde, como os cuidados de higiene com o corpo, no preparo dos alimentos, com a água de beber e com a casa, incluindo o seu entorno;
Orientar a população quanto ao uso correto dos medicamentos e a verificação da validade deles;
Alertar quanto aos cuidados especiais com puérperas, recém-nascidos, idosos, acamados e pessoas portadoras de deficiências;
Registrar adequadamente as atividades realizadas, assim como outros dados relevantes, para os sistemas nacionais de informação disponíveis para o âmbito da Atenção Primária à Saúde ( SIAB).
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 36 ACS entrega relatório até o dia 18 de cada mês à enfermeira
Relatório consolidado pela Enfermeira
Encaminhada a produção da ESF (Ficha A, PMA2 e SSA2) para o DS
DS Digita a informação, consolida e encaminha a informação DISTRITAL para a Gerência de Atenção Básica( GAB)
A GAB recebe a informação de TODOS os 6 DS , consolida e encaminha a informação para SES
SES consolida a informação e envia ao Ministério da Saúde Fluxo da informação do SIAB
Então a minha informação é importante dentro desse
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 37 SIM! É MUITO IMPORTANTE!!!!
Se aplica ao planejamento, à organização, à operação e à avaliação de ações e serviços;
É essencial à tomada de decisões: estabelecer prioridades, alocar e gerir recursos de forma direcionada para a modificação positiva das condições de saúde da população;
Orientam a implantação dos modelos de atenção, de proteção e promoção da saúde e as ações de prevenção e controle.
Portaria 648/06:
“São atribuições do enfermeiro :
...planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS...”
Mensalmente, durante a reunião de equipe, o enfermeiro deverá realizar em conjunto com TODA Equipe a consolidação, análise e discussões das informações contidas na produção do ACS;
SIAB: Instrumentos de coleta e consolidação dos dados
São instrumentos de coleta de dados:
Cadastramento das famílias - Ficha A;
Acompanhamento de gestantes - Ficha B-GES;
Acompanhamento de hipertensos - Ficha B-HA;
Acompanhamento de diabéticos - Ficha B-DIA;
Acompanhamento de pacientes com tuberculose - Ficha B-TB;
Acompanhamento de pacientes com hanseníase - Ficha B-HAN;
Acompanhamento de crianças - Ficha C (Cartão da Criança);
Registro de atividades, procedimentos e notificações - Ficha D
FICHA A: Cadastramento das Famílias
É preenchida nas primeiras visitas do ACS;
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 38
As informações recolhidas permitem à equipe de saúde conhecer as condições de vida das pessoas de sua área de abrangência e melhor planejar suas intervenções;
Todos os dados devem ser atualizados sempre que houver alterações (nascimentos, mortes, mudança de ocupação...).
FICHA B – GES, HA, DIA, TB, HAN: Fichas para acompanhamento familiar
São utilizadas para o monitoramento dos grupos prioritários; A cada visita mensal estes dados devem ser atualizados;
O ACS deve guardar consigo estas fichas, sendo discutida mensalmente com o enfermeiro instrutor/supervisor
Sempre que cadastrar um caso novo o ACS deve discutir com o instrutor/supervisor o seu acompanhamento.
FICHA C: Ficha para acompanhamento da criança
É uma cópia do cartão da criança, padronizado pelo MS;
Toda a família que tiver uma criança menor de 5 anos, acompanhada por uma unidade de saúde, deve possuir o cartão;
Ele servirá como fonte básica dos dados coletados pelo ACS;
O ACS deve usar como base para a coleta de dados o Cartão da Criança que está de posse da família transcrevendo os dados para o cartão sombra (cópia do cartão da criança que fica com o ACS).
FICHA D: Ficha para registro de atividades, procedimentos e notificações
É utilizada por todos os profissionais da ESF para o registro diário dos procedimentos, atividades e notificações de algumas doenças ou condições que são alvo de acompanhamento sistemático;
Cada profissional entrega uma ficha D preenchida no final do mês;
Alguns campos dessa ficha são específicos para determinadas categorias e apenas os profissionais dessa categoria devem preenchê-la.
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 39 São instrumentos de consolidação dos dados:
Relatório de situação de saúde e acompanhamento das famílias – Relatório SSA2:
Consolida as informações da situação de saúde das famílias acompanhadas em cada área;
Os dados para seu preenchimento são provenientes das fichas A, B, C e D
Relatórios de produção e marcadores* para avaliação - Relatório PMA2; Consolida mensalmente a produção de serviços e a ocorrência de
doenças e/ou situações consideradas como marcadoras, por área; Os dados necessários ao seu preenchimento são constantes da ficha A
e do relatório SSA2
Erros no SIAB => revelam fragilidade no registro, consolidação, análise e discussões das informações
Número de acompanhados maior que cadastrados; Existência de RN‟s sem informação sobre aleitamento;
Número de crianças de 0 a 3 meses maior que de 0 a 11 meses; Número de crianças de 0 a 11 meses somado com de 12 a 23 meses
menor que de menores de 2 anos;
Número de desnutridos maior do que o número de pesados; Número dos que usaram TRO maior que os que tiveram diarréia.
*Marcadores são eventos mórbidos ou situações indesejáveis que devem ser notificadas com o objetivo de, a médio prazo, avaliar as mudanças no
Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde 40
Cada pessoa, durante a sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar.
Os Construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param, e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba. Mas existem os que plantam. Estes, às vezes sofrem com as tempestades, as estações e raramente descansam. Mas , ao contrário de um edifício , o jardim nunca pára de crescer. E, ao mesmo tempo exige a atenção do jardineiro, também permite que para ele, a vida seja uma grande aventura.
(Frase de Paulo Coelho no livro Brida) SER ACS é ser um jardineiro, está sempre plantando, mudando, crescendo... A importância de rever os objetivos, meios de execução, conteúdos,
monitoramento e avaliação da VD;
Em que medida a visita domiciliar tem contribuído para a reorientação dos processos de trabalho da ESF?
Bibliografia:
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. departamento de Atenção Básica. O trabalho do agente comunitário de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009 84 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação em Saúde)
PARA PENSAR
Qual a importância da visita domiciliar na organização do cuidado pelo ACS?
Quais procedimentos mínimos uma visita domiciliar requere? O que caracterizaria uma boa visita domiciliar?