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4 EFEITOS E POSSIBILIDADES DE RECONHECIMENTO DA

4.3 EFEITOS DO RECONHECIMENTO DA MULTIPARENTELIDADE

4.3.2 Alimentos na parentalidade socioafetiva

Os cônjuges que estiverem separados ou divorciados possuem o dever de prestar assistência financeira aos filhos na proporção de seus recursos, para que o filho não fique desamparado e que esse valor ajude na sua manutenção. Frisa-se que o dever de prestar alimentos cabe ao genitor que não estiver exercendo a guarda do filho. 213

Demonstrando a finalidade e importância da prestação de alimentos, Carlos Roberto Gonçalves afirma:

O voc bulo “alimentos” tem, todavia, conotação muito mais ampla do que na linguagem comum, não se limitando ao necess rio para o sustento de uma pessoa. Nele se compreende não s a obrigação de prest -los, como também o conte do da obrigação a ser prestada. A aludida expressão tem, no campo do direito, uma acepção técnica de larga abrangência, compreendendo não s o indispens vel ao sustento, como também o necess rio manutenção da condição social e moral do alimentando. 214

Dessa forma, tendo em vista a importância da prestação de alimentos, o artigo 1.694 do Código Civil disp e que; “podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender s necessidades de sua educação”. 215

Ainda, o C digo Civil determina em seu artigo 1.695 que; “são devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necess rio ao seu sustento” 216, demonstrando que somente será fixado alimentos para aqueles que não possuem condições de prover seu próprio sustento, que, um dos casos é quando a pessoa é menor de idade.

Dessa forma, quanto à paternidade socioafetiva, levando em consideração que essa modalidade de filiação se estende de tal forma que, inclusive, é possível dar novos ascendentes, descendentes e colaterais entre os envolvidos, a prestação alimentar irá fazer parte da obrigação entre as partes. 217

213 LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p 197. 214 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p 497. Disponível em: < https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547213060/cfi/497!/4/[email protected]:62.1>. Acesso em: 05 out. 2017. Acesso restrito via minha biblioteca.

215 BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 05 out. 2017. 216 BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 05 out. 2017.

217 CASSETTARI, Christiano. Multiparentalidade e Parentalidade Socioafetiva: Efeitos Jurídicos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. p 116. Disponível em: <https://rateiogratis.com.br/wp-

Ainda, cumpre salientar que o Enunciado 341 do CJF estabelece; “para os fins do art. 1.696, a relação socioafetiva pode ser elemento gerador de obrigação alimentar” 218, restando claro que, inclusive quando há a ocorrência da paternidade socioafetiva, é possível que o menor envolvido receba prestação alimentar do pai ou mãe socioafetivo.

A possibilidade dessa questão se dá pelo fato da Carta Magna estabelecer que os filhos devem ser tratados de maneira igualitária, sem nenhuma distinção ou discriminação, conforme disp em o artigo 227, §6° “os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminat rias relativas filiação” 219, cujo texto é idêntico ao que preleciona o artigo 1.596 do Código Civil de 2002. 220

Ainda, a Constituição Federal de 1988 determina em seu artigo 227 caput que: “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização [...]” 221, restando evidente que o dever de prestar alimentos aos filhos cabe à família.

Nesse sentido, colaciona-se o seguinte julgado:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO E DE EXONERAÇÃO DA VERBA ALIMENTAR. AUSÊNCIA DE PROVA DO ALEGADO VÍCIO DE CONSENTIMENTO. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA CONFIGURADA. PRECEDENTES. 1) Inexistindo demonstração do vício de consentimento quando do reconhecimento da paternidade por meio de registro do nascimento da menina, não há falar em anulação, tampouco retificação registral. 2) Caso concreto em que a instrução processual cabalmente demonstrou que o autor estabeleceu com a infante paternidade socioafetiva, acordando, em sede judicial, a regulamentação de visitas e alimentos. 3) Evidenciado o vínculo afetivo formado durante a criação da

menor, deve o demandante arcar com todos os deveres oriundos da paternidade, no que se inclui o de prestar alimentos. APELAÇÃO

DESPROVIDA, POR MAIORIA. 222

content/uploads/wpforo/attachments/3967/10-Multiparentalidade-e-Parentalidade-Socioafetiva-Christiano- Cassettari-2015.pdf>. Acesso em: 05 out.2017.

218 JORNADA DE DIREITO CIVIL, 4, 2006, Brasília. Enunciado n. 341 do CJF/SJ. Disponível em: <http://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/383>. Acesso em: 05 out. 2017.

219 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 05 out. 2017. 220 BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 05 out. 2017.

221 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 05 out. 2017. 222 RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Apelação cível n° 70042363432. Relator: Des. Ricardo Moreira Lins Pastl, Lajeado, 09 de Junho de 2011. Disponível em:

<http://www.tjrs.jus.br/busca/search?q=cache:www1.tjrs.jus.br/site_php/consulta/consulta_processo.php%3Fno me_comarca%3DTribunal%2Bde%2BJusti%25E7a%26versao%3D%26versao_fonetica%3D1%26tipo%3D1%2 6id_comarca%3D700%26num_processo_mask%3D70042363432%26num_processo%3D70042363432%26cod Ementa%3D4190075+A%C3%87%C3%83O+DE+REGULAMENTA%C3%87%C3%83O+DE+VISITAS+SO

No entanto, levando em consideração que os alimentos devem ser fixados através da observância da possibilidade de quem presta e a necessidade de quem recebe, o mais justo seria que cada um dos pais contribua com o valor que tem condições de pagar, buscando preservar a proporcionalidade almejada nesses casos. 223

Desse modo, considerando que a paternidade ou maternidade socioafetiva gera um vinculo entre pais e filhos, consequentemente terá a pessoa nesta condição os mesmos direitos de um filho biológico, para que não haja nenhuma violação aos princípios constitucionais. 224