5 O INSTITUTO SENAI DE INOVAÇÃO (ISI): UMA ANÁLISE DE UMA PROPOSTA
5.3 ALINHAMENTO DA ESTRATÉGIA OFICIAL E INTERNA DO ISI
Nessa seção serão avaliadas as propostas oficiais do ISI, e a prática estratégica. O objetivo é ver o alinhamento que elas apresentam. A comparação é feita através das informações disponíveis pelo Senai quanto aos seus objetivos, e o valor dado a cada um dos itens das diretrizes internas, como feito no gráfico 4. Foi feita uma simulação do valor de cada item, quando ele oferece o melhor resultado para o ISI, a partir desses resultados, conseguiu-se dimensionar o valor percentual de importância que cada item oferece.
Comparando as premissas públicas do ISI com as diretrizes internas, percebe-se que há alguns desalinhamentos. Enquanto promove-se uma política para tecnologias complexas “serviços tecnológicos de alta complexidade e alto valor agregado, que contam no site institucional do Senai (SENAI, 2015), dentro da diretriz interna, evitam-se tecnologias complexas ou que o grupo não detenha conhecimento, ou seja, conforme o Gráfico 4, o melhor projeto é com baixo grau de complexidade de execução.
Outro item que está em desacordo com a política institucional oficial, é o item pesquisa aplicada e projetos de inovação tecnológica. Esse item, de acordo com o que o Gráfico 4 mostra, é um dos itens com menor valor de decisão. Nessa categoria, os itens “há impacto no mercado ao lançar o produto” e “o produto é novidade no mercado nacional”, juntos não correspondem a 3% do valor total.
Quanto à “conexão com os principais atores do Sistema Nacional de Inovação”, conforme publicado como uma de suas diretrizes, nas diretrizes internas, sua importância é de aproximadamente 10%. Já o item transferência tecnológica, aumento de performance, redução de riscos tecnológicos, podem ser comparados com o item “compartilhamento da rota tecnológica”. Trata-se de um item ao qual é dada muita importância, alinhando-se com a diretriz oficial.
Outro ponto relevante é que os objetivos estão pautados nas indústrias: “o atendimento dos institutos abrange todo o território nacional, focando no suporte para inovação das empresas de base tecnológica”. Contudo, quando se avalia o item das diretrizes internas, “há demanda da indústria”, a pontuação desse item tem relevância de menos de 1%.
Essas observações não servem para indicar se o ISI terá sucesso ou fracassará. É importante levar em conta que as diretrizes nacionais que foram
apontadas são para as 29 unidades espalhadas pelo país. O ISI de Eletroquímica tem uma postura que diverge da nacional, como foi observado, mas cabe indicar que há a necessidade de manter a estrutura funcionando, dar ao instituto primeiramente uma estrutura sólida, como marca e confiança às empresas, para então ser a instituição cuja inovação vem à frente. Um instituto que tem que alavancar recursos para funcionar deve ter prioridades para manter-se funcionando. Quando ele dá prioridade para baixa complexidade, ele quer esgotar a venda de uma tecnologia dominada que demanda pouca mão de obra, e mesmo assim, pode ter como alvo o valor comercial. Isso não significa que nenhum dos dados apontem no sentido de que o ISI ficará estagnado nas tecnologias que já domina, mas sim que ele venderá essa tecnologia para o maior número de compradores.
Como trata-se de uma estrutura diferente para ampliar a inovação às indústrias, e que deve aproximar as empresas e as universidades, fica subentendido que talvez essas prioridades estejam em um segundo plano, pois o ISI tem seus compromissos financeiros, e suas estratégias internas passarão a estar mais alinhadas com as oficiais/nacionais quando ele honrar as dívidas de sua construção e compras de equipamentos.
Quanto aos riscos do ISI Eletroquímica não estarem completamente alinhados com as diretrizes nacionais/oficiais, não há iminência de que comprometerão a aproximação entre UE, ou que prejudicarãoos estímulosàs tecnologias complexas.Talvez, temporariamente, comprometam alguns projetos, mas como tem sido observado, o andamento de projetos e pesquisas tem sido continuado e constante, contando com muitos pesquisadores que tiveram formação em diferentes universidades, o que amplia a rede de instituições que é construída em volta do ISI.
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Esse capítulo ofereceu os primeiros dados de como é o funcionamento do ISI e em que se baseiam suas decisões e estratégias. O instituto trabalha com uma matriz de prospecção de projetos, uma das formas de dar início a seus projetos e negócios.
Em um primeiro momento, o instituto pode ter uma ideia ou ver algo sendo desenvolvido numa universidade, ou, até mesmo, uma prévia reunião com alguma
indústria. Diante desses primeiros dados, em decorrência de sua mão de obra ser insuficiente para atender a todos, os projetos passam por uma avaliação, e então é verificado quais projetos devem ser levados à frente, ou seja, se eles devem ser oferecidos à uma indústria e se haverá a continuidade de investigação. Vários elementos são considerados nessa avalição, e entre eles, o mais importante é a capacidade que o projeto tem de conseguir pagar parte da folha de pagamento de recursos humanos, ou seja, contratar bolsistas.
Após a análise dos dados, podemos observar que o Instituto, mais que buscar inovação, ou promover a relação universidade-empresa, ou atender as indústrias, busca atender seus princípios. Isso quer dizer que se houver indústrias com um projeto muito inovador, mas com pouca capacidade de retorno econômico-financeiro, ele pode ser preterido em relação a um outro projeto feito com outra instituição cujo teor inovativo não seja tão alto. O instituto, dentro desse método de decisão, demonstra sua consciência de sustentabilidade financeira, mas revela suas fraquezas, como a necessidade que tem de projetos que contribuam com mão de obra, e para isso, passa por cima de critérios de alta relevância.
Esses métodos de decisão também contrariam a principal justificativa para sua existência, como apoiar a indústria e desenvolver inovação. Por umtempo, até pode fazer sentido o ISI se guiar por essas decisões, dada suas restrições, mas ele, atuando dessa forma, não correria o risco de ser mais uma empresa de soluções industriais que um apoio efetivo à inovação na indústria? Dependendo do tempo que essa matriz de decisão ficar em pauta, poderia comprometer a missão para qual o instituto existe. A partir do momento em que as prioridades de suas decisões contradizem a proposta original, pode haver a possibilidade de mais esse instrumento de promoção da interação UE e do avanço da inovação no Brasil serem comprometidos. Com os altos custos envolvidos, é necessário uma instituição de controle de sua eficiência em inovação, não somente do seu estabelecimento de independência financeira do governo.
A análise que é feita pela ISI não significa que ele já tem um início onde se prevê falhas, ou vícios, mas que sua condição de resposta rápida ao pedido da empresa o leva a tomar decisões mais baseadas na situação econômico-financeira, e não somente voltado à inovação.
Se, por um lado, isso parece comprometedor, pelo ponto de vista da inovação, por outro,isso o diferencia de inúmeros laboratórios públicos, que tem sua
situação sempre alterada por questões políticas ou crises econômicas, sendo um dos setores afetados pelo corte de verba do setor público em momentos turbulentos.
Sendo assim, essa perspectiva do ISI de buscar o capital privado em detrimento do público, oferece a ele condições de manter-se saudável, independente das condições políticas. Nesse sentido, ele também poderá desenvolver outras atividades mais voltadas à inovação tecnológica, e antes de negociá-las, ele faz projetos de prateleira, ou seja, trabalha em projetos com potencial de comercialização, mas que ainda não foram oferecidos à nenhuma indústria.
Por se tratar de uma instituição privada de interesse público, é um dever o cumprimento da transparência, mas também do dever de sua missão. Ser uma instituição de alta rentabilidade, importante para o Senai, mas que não atende ao principal objetivo, de empreender inovações no mercado nacional, não é uma ferramenta de política industrial de inovação eficiente. Portanto, a vigilância sobre as estratégias dos ISI’s, principalmente nesse momento inicial do instituto, deve ser feita por um grupo misto de especialistas no assunto. Deixar que essas decisões sejam tomadas apenas pelo Senai, tratando-se de um instrumento de política industrial, poderá ter seus inconvenientes no futuro, instrumento que, aliás,se utiliza também demecanismos como faturamento. O inverso também deve ser evitado, pois poderia se tornar os convencionais laboratórios públicos, onde há mais preocupação com invenções, e pouca preocupação em lançar o produto no mercado, o que caracteriza a inovação.
O ISI tem a meta de se tornar EMBRAPII, a partir do momento em que se tornar uma instituição de apoio.Como membro efetivo, espera-se que essa vigilância pelo governo, em prol da inovação tecnológica brasileira, fique mais intensa, assumindo um papel mais contundente de política industrial de inovação, ainda que cumpra seu papel de interesse esperado pelos Senai e pelas indústrias, sem perder sua missão.
6 ANÁLISE DA PERSPECTIVA DOS ATORES ENVOLVIDOS COM O ISI