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3. POLÍTICAS INDUSTRIAIS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NO BRASIL

3.2 PARTE 2: A POLÍTICA INDUSTRIAL DE INOVAÇÃO A PARTIR DOS ANOS 2000

3.2.4 O Desenho da Política Industrial transfere poder e responsabilidades para as

A EMBRAPII é qualificada como uma Organização Social pelo Poder Público Federal desde setembro de 2013. A assinatura do Contrato de Gestão com o MCTI ocorreu em 2 de dezembro de 2013, tendo o MEC como instituição interveniente. Os dois órgãos federais repartem igualmente a responsabilidade pelo seu financiamento (EMBRAPII, 2013).

Ela foi criada a partir das propostas da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), movimento liderado pela CNI visando contribuir para uma maior articulação institucional entre os setores público e privado, entre universidades, centros de pesquisa e empresas no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, de modo a complementar a atuação das agências de fomento existentes e as ações em curso.

Seu objetivo principal é a ampliação da articulação entre universidades, centros de pesquisa e empresas no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, com ênfase na fase final do desenvolvimento de produtos, em atividades como escalonamento, prova de conceito e planta demonstração. A EMBRAPII tem como característica principal o balizamento de seus programas pelo atendimento às demandas dos setores associados, não constituindo-se de laboratórios próprios, fazendo uso intensivo das redes de institutos e centros de pesquisa já existentes, com capilaridade e competência comprovada em projetos com empresas (BRASIL, 2012).

Ela também irá fomentar projetos de cooperação envolvendo empresas nacionais, instituições tecnológicas ou instituições de direito privado sem fins lucrativos, voltadas para atividades de pesquisa e desenvolvimento, que objetivem a geração de produtos e processos inovadores, viabilizando o investimento nas fases intermediárias da inovação.

As agências brasileiras de fomento têm apoiado principalmente recursos para investimentos nas instituições de pesquisa, mas há dificuldades para financiar o custeio das atividades realizadas em colaboração com as empresas para a inovação, principalmente em tarefas relacionadas ao escalonamento de processos e provas de conceito de produtos. Entende-se que este é um importante gargalo do SNI brasileiro e também o elo da cadeia de inovação que apresenta maior risco.

Outros países estão investindo em modelos de atuação que permitam suprir essas deficiências, como é o caso dos institutos da organização de pesquisa Fraunhofer, da Alemanha, ou do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) (BRASIL, 2012).

Em 2011, por meio da Portaria nº 593/2011, foi instituído o Grupo de Trabalho com vistas a implementar uma experiência piloto cuja finalidade era apresentar subsídios e propostas para o modelo jurídico e de governança do EMBRAPII (BRASIL, 2012).Foram selecionadas três instituições caracterizadas por excelência em inovação tecnológica em suas áreas estratégicas:

 Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT): empresa pública, sendo o Estado de SP o maior acionista.Instituto caracterizado como um dos maiores centros tecnológicos do país e excelência em bionanotecnologia;

 Instituto Nacional de Tecnologia (INT): órgão da administração pública direta, é a unidade de pesquisa vinculada ao MCTI que apresenta maior vocação

para atender demandas tecnológicas empresariais, refletindo sua orientação estratégica para a eficiência e competitividade da indústria brasileira;

 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial/Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (SENAI-CIMATEC/BA): entre unidades.

Nas Diretrizes Estratégicas do MCTI paraa EMBRAPII, consta que a EMBRAPII deverá atuar em sinergia e potencializar outras iniciativas públicas e privadas que já vêm sendo desenvolvidas (SIBRATEC, IES, IFEs e SENAI) para a promoção de maior esforço inovador no País.

Quanto aos princípios gerais para o credenciamento de unidades EMBRAPII e polos de inovação, serão necessariamente gerados de:

 Um segmento ou agrupamento de uma instituição pública (federal, estadual ou municipal) de pesquisa tecnológica para o setor industrial; ou

 Um segmento ou agrupamento de uma instituição privada sem fins lucrativos de pesquisa tecnológica que não seja cativa de uma empresa ou grupo empresarial; ou

 Um grupo ou núcleo de pesquisa de universidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, que tenham comprovada experiência em inovação tecnológica na área em que pretendam o credenciamento, recursos humanos qualificados e histórico de trabalho com empresas do setor industrial; ou

 Um segmento ou agrupamento de alguma unidade do SENAI, que tenha comprovada experiência com desenvolvimento tecnológico empresarial e recursos humanos qualificados; ou

 Um grupo ou núcleo de pesquisa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do MEC, que tenha comprovada competência para inovação tecnológica e recursos humanos qualificados; ou

 Uma unidade ou agrupamento de polos de inovação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia autorizados pelo MEC (BRASIL, 2012).

A EMBRAPII atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação. Ao compartilhar riscos de projetos com as empresas, tem por objetivo estimular o setor industrial a inovar mais e com maior intensidade tecnológica para,

assim, potencializar a força competitiva das empresas tanto no mercado interno como no mercado internacional (EMBRAPII, 2013).

As unidades EMBRAPII são: CEEI/UFCG; CNPEM; COPPE; CPqD;

Fundação CERTI; INT; IPT; ITA; Lactec; Senai – Cimatec; Senai – Polímeros;

UFRGS- LAMEF; UFSC- Polo.

Quanto àgovernança, o conselho de administração é formado da seguinte forma: membros natos: 5 membros do poder público (MCTI, MEC, MDIC, BNDES e FINEP) e 4 membros da indústria (CNI); membros eleitos: 4 da sociedade civil e parceiros (CONIF, SEBRAE, ANPEI e ANDIFES); e 1 membro da academia (ABC/SBPC);

De acordo com a CNI, “A EMBRAPII vai ser uma estrutura ágil para fazer o casamento entre os institutos de pesquisa e empresas. Ela vai mobilizar toda a infraestrutura existente no Brasil de laboratórios para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores” (Brasil, 2014).

Na opinião do ministro do MDIC, Fernando Pimentel, a EMBRAPII complementa os três pilares da competitividade elencados no PBM. “O primeiro pilar é redução dos custos de trabalho no Brasil, o segundo é o adensamento das cadeias produtivas focando em conteúdo local e o terceiro é a inovação tecnológica.

A escala de investimento em inovação no Brasil hoje é inferior ao que precisamos para consolidar o desenvolvimento”.

Essa seção teve como objetivo apresentar a estrutura da EMBRAPII, e na sequência, apresenta-se a MEI, sua introdutora.