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CAPÍTULO I PARADIGMAS ATUAIS DA EAD

1.5 A interatividade e a Autonomia do Aluno

1.5.2 Aluno na EAD: interativo e autônomo

Na modalidade de ensino a distância, permeada pelas TICs com os recursos virtuais, o aluno se insere num processo interativo de relacionamentos pessoais e não pessoais. Faz-se necessário que esse aluno conheça o processo metodológico definido pelo curso, saiba como se aprende, seja autônomo e responsável, para que tenha maior êxito no curso.

O aluno a distância se insere no processo metodológico distinto da modalidade presencial, especificamente na conjuntura atual que a EAD se faz através das TICs, e se enfatiza a interatividade.

Cada curso a distância possui sua configuração própria, muitos enfatizam os recursos interativos, outros não. Para que o aluno atue de forma coerente com as exigências, faz-se necessário ser conhecedor da metodologia delineada pelo curso. Os Referenciais de Qualidade para o Ensino a Distância (MEC, 2003), no tópico 4, ao considerar a “Comunicação/Interatividade entre Professor e Aluno”, cita a necessidade da instituição de ensino “apresentar como se dará a interação entre alunos e professores, ao longo do curso a distância e a forma de apoio logístico a ambos” (p. 9). Portanto, conhecer o processo metodológico se faz necessário para que o aluno responda com eficiência às mediações pedagógicas.

Outro aspecto fundamental ao aluno, nesta modalidade educacional, é saber como se aprende. Atualmente não mais se concebe o conhecimento transmitido, mas construído através das ações do indivíduo com o meio, processo em que o conhecimento de interioriza de forma construída-desconstruída-reconstruída até chegar ao conhecimento consolidado, num constante movimento de assimilação-acomodação-equilibração (PIAGET, 1983). Nesta perspectiva, Silva (2006) chama à atenção, do aluno, para que o mesmo venha agir de forma ativa, posicionando-se, ao considerar que “o aluno só conhece se atuar, dialogar no sentido da imersão, navegação, exploração, conversação e modificação” (p. 191).

No processo educacional a distância, a ação do aluno direciona-se à interatividade com: os recursos tecnológicos, os conteúdos de ensino, as relações com colegas e professores. Logo, as ações interativas são desafiantes, mas, fundamentais.

A interatividade nas relações humanas que ocorre entre professor e aluno, no processo metodológico da EAD, deve ser permeada de afetividade, sendo reconhecido por Rodrigues

(1998) como “toque humano” que “estimula” e “motiva” o aluno. Faz-se necessário alargar os espaços das redes das relações com colegas e professores, nas atividades cooperativas e colaborativas. Esta atividade Cruz (2006) conceitua como: “engajamento mútuo dos participantes num esforço coordenado para resolver um problema em conjunto” (p. 129). Portanto, o aluno deve agir pensando não apenas em si, mas também no colega, sendo afetuoso e contribuindo com a construção do conhecimento de todos que participam do processo educacional, numa relação de parceria, de colaboração, de ajuda mútua, pois, à medida que participa com o outro, também constrói e reconstrói seus conhecimentos.

Segundo Silva (2006), o aluno no ambiente on-line deve ser instigado a interagir com o conteúdo, isto é, “à ‘contemplação’ dos significados propostos, à co-criação com o professor. E se expressa de algum modo, urdindo a teia de conhecimento com o professor. Navega pelos caminhos dispostos, associando elementos, dialogando com eles, explorando possibilidades de interpretação” (p. 192). Exemplificamos como ações interativas: ler um conteúdo e estudá-lo, assistir filme e discutir pontos de vistas, elaborar um texto e apresentá- lo ao professor, etc. Tais procedimentos conduzirão à construção do conhecimento, portanto, vê-se a necessidade do aluno agir sobre o conteúdo, debruçar-se de forma intensiva e efetiva.

Na relação da interatividade com o outro, o aluno em EAD insere-se num nível de comunicação através das plataformas virtuais de forma síncrona (em tempo real) e assíncrona (não em tempo real). Segundo Vygotsky, a relação de comunicação conduz à transformação de estruturas pessoais, as quais são interiorizadas, passando a fazer parte do indivíduo (apud CUBERO; LUQUE, 2004, p. 143), conduzindo-o às novas construções psicológicas. A comunicação abrange os aspectos intrapsicológicos do indivíduo e permite novos conhecimentos. Assim, aluno a distância deve aproveitar os recursos interativos disponibilizados na metodologia educacional dos chats, fóruns, e-mails para dialogar, comunicar-se, discutir, e direcionar a construção de seus conhecimentos.

Para Landim (1997), a Internet carregada de alto grau de interatividade traz consigo a possibilidade de ampliar as relações sociais comunicacionais. Para a autora, a interatividade dá-se pelo: número de contatos e da profundidade (podendo ser mais ou menos intensiva), nível de relação desenvolvida (mais ou menos profunda), diante da cultura do grupo (com aspectos positivos ou negativos). A interatividade negativa refere-se a “mensagens duplas, paradoxais, falsas, contraditórias ou incompreensíveis” (ibid, p. 1). Como EAD é um processo educativo, evidentemente, a interatividade deve ser convergida para as posturas: intensiva, profunda e positiva. Ao vivenciar a interatividade, o aluno a distância necessita desenvolver

posturas afetivas, éticas, e de caráter, atuando, inclusive, com honestidade, respeito, franqueza e flexibilidade (PALLOFF; PRATT, 2002).

No processo de ensino e de aprendizagem a distância, torna-se fundamental que o aluno seja autônomo. A autonomia indica concebê-lo com capacidade de direcionar-se, sozinho, na construção do seu conhecimento. Segundo Tonieto e Machado (2005), a autonomia “concede aos estudantes a possibilidade de tomarem iniciativas no planejamento e organização do seu espaço físico, tempo e métodos de estudo que irão seguir para pesquisar conhecimentos correlatos de seu interesse, acompanhar o programa proposto, seguir o roteiro e cronograma pré-determinados pelo curso” (p. 3). Logo, o aluno on-line não se insere no perfil de um receptor de conteúdos prontos, mas hábil em: “saber buscar, usar e socializar a informação; saber classificar, discriminar, selecionar e recuperar essa informação” (JOBIM, 2006, p. 93). É, pois, um aluno capaz de se organizar e traça seus passos diante da metodologia definida pelo curso.

O aluno a distância não basta ser autônomo, torna-se necessário que seja responsável na construção do seu conhecimento. A responsabilidade implica: ir em busca do conhecimento; comprometer-se com o estudo; inserir-se na cultura de ampliar seus conhecimentos; agir como pesquisador, na postura de investigador, de escolhas e tomadas de decisões e se esmera na realização das atividades no tempo solicitado. É preciso que o aluno seja consciente de não se limitar em “olhar, ouvir, copiar e prestar contas”, mas que “cria modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se co-autor” (SILVA, 2006, p. 191). Isto é, um aluno que age em direção ao desempenho das suas atribuições, exercendo eficazmente seu papel; preocupado em executar as atividades em tempo hábil, procurando cumprir o calendário do curso, considerando o desenvolvimento de todo processo educacional.

O aluno on-line se insere diante dos novos conhecimentos. Assim, deve procurar criar estratégias para construir seus conhecimentos. Isto é, ao ler um texto, por exemplo, deve identificar os pontos fundamentais do que se está estudando, refletir sobre os mesmos e criticá-los. Ao criticar torna-se importante verificar outros pontos de vista, compará-los e identificar os mais coerentes. Para tal empreendimento, pode-se utilizar os recursos interativos nos: chats, fóruns, trocas de e-mails, pesquisa na Internet, e expor pontos de vistas, estabelece relações de trocas de experiências, etc. Um aluno não se limita ao conteúdo pronto, mas vai em busca do conhecimento.

O aluno on-line, na conjuntura atual da EAD, apresenta-se como conhecedor do processo metodológico, autônomo, responsável, que interage com colega(s) e professor(es) (de forma efetiva e afetiva), e, busca ampliar e construir seu conhecimento e de outros.