Seleta de cartas endereçadas a Plínio Barreto, assinadas por escritores brasileiros
1. AMADO, Genolino [post 20 jan 1940] p 4 2 AZEVEDO, Fernando de 16 dez 1929 p
3. AZEVEDO, Fernando de. 17 set. 1937. ... p. 7 4. BARBOSA, Francisco de Assis. [post. a 1952]. ... p. 8 5. BROCA, Brito. 7 jan. 1956. ... p. 9 6. CALMON, Pedro. 8 maio 1935. ... p. 10 7. CALMON, Pedro. 27 out. 1937. ... p. 12 8. CALMON, Pedro. 24 jun. 1938. ... p. 13 9. CALMON, Pedro. 18 dez. 1939. ... p. 14 10. CALMON, Pedro. 9 fev. 1940. ... p. 15 11. CAMPOS, Flávio de. 17 jan. 1944. ... p. 16 12. CARVALHO, Vicente de. 4 jun. 1911. ... p. 21 13. CARVALHO, Vicente de. 28 dez. 1913. ... p. 22 14. CASTRO, Josué de. 1937. ... p. 23 15. COARACY, Vivaldo. 14 dez. 1924. ... p. 24 16. CAVALHEIRO, Edgar. 28 nov. 1955. ... p. 25 17. CRULS, Gastão. 28 abr. 1929. ... p. 27 18. FIGUEIREDO, Jackson de. 25 set. 1925. ... p. 28 19. FIGUEIREDO, Jackson de. 20 mar. 1928. ... p. 30 20. FIGUEIREDO, Jackson de. 22/23 mar. 1928. ... p. 32 21. GUASTINI, Mário. 9 mar. 1940. ... p. 33 22. GUASTINI, Mário. 21 maio 1941. ... p. 35 23. JUNOT, Jaime Franco Rodrigues. 27 nov. 1942. ... p. 36
2 24. LEÃO, Antonio Carneiro. 15 mar. 1929. ... p. 37 25. LIMA, Alceu Amoroso. 26 dez. [1928]. ... p. 40 26. LIMA, Alceu Amoroso. 25 mar. [1929]. ... p. 42 27. LIMA, Alceu Amoroso. 25 abr. [1929]. ... p. 45 28. LIMA, Alceu Amoroso. 20 jun. 1936. ... p. 47 29. LIMA, Manuel de Oliveira. 13 jun. 1927. ... p. 49 30. MONTEIRO, Tobias do Rego. 27 abr. 1927. ... p. 50 31. MONTEIRO, Tobias do Rego. 13 jun. 1927. ... p. 51 32. MONTEIRO, Tobias do Rego. 2 out. 1928. ... p. 52 33. MONTEIRO, Tobias do Rego. 17 jun. 1932. ... p. 54 34. MONTEIRO, Tobias do Rego. 8 set. 1939. ... p. 55 35. MONTEIRO, Tobias do Rego. 27 jan. 1947. ... p. 57 36. MOTA, Artur. 30 ago. 1930. ... p. 58 37. MURICY, José de Andrade. 24 fev. 1936. ... p. 61 38. PRADO JÚNIOR, Caio. 4 dez. 1946. ... p. 62 39. RANGEL, Godofredo. 27 mar. 1930. ... p. 63 40. SETÚBAL, Paulo. 12 jul. 1935. ... p. 64 41. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. ant. 17 jul. 1926. ... p. 65 42. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. 17 jul. 1926. ... p. 68 43. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. 12 set. 1926. ... p. 69 44. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. 23 out. 1933. ... p. 70 45. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. 27 fev. 1937. ... p. 71 46. TAUNAY, Afonso d’ Escragnolle. 5 jun. 1955. ... p. 72 47. VARELA, Alfredo. 20 abr. 1936. ... p. 74 48. VARELA, Alfredo. 24 abr. 1938. ... p. 76 49. VAZ, Léo. 21 jan. 1920. ... p. 78 50. VAZ, Léo. 24 out. 1951. ... p. 79
3 51. VIANA, Hélio. 4 set. 1955. ... p. 80 52. VIANA, Oliveira. [1920]. ... p. 81 53. VIANA, Oliveira. 23 ago. 1927. ... p. 82 54. VIANA, Oliveira. 10 mar. 1930. ... p. 83 55. VIEIRA, José de Araújo. 27 fev. 1939. ... p. 84
4 1. AMADO, Genolino1. [post. a 20 jan. 1940].
Eminente mestre Plínio Barreto.
Escrevo-lhe ainda sob a emoção que me causou o seu rodapé no Estado de S. Paulo e por isso mesmo nem sei como agradecer as altas e desvanecedoras referências com que me honrou e ao meu pequeno Um olhar sobre a vida2.
Velho apreciador dessas páginas em que a crítica brasileira se eleva ao plano dos mais ilustres modelos europeus, muitas delas tenho guardado como preciosos exemplos de cultura, de penetração intelectual e de peregrina honradez de julgamento. A última, porém, guardo-a comigo como expressão de generosidade.
Devo-lhe muito em estímulo. E, se mais não lhe devo, é porque reconheço que os seus aplausos se dirigiram menos a mim, pessoalmente, do que a um gênero de literatura que precisa de apoio, precisamente por ter sido até muito desdenhado pelos nossos críticos.
O pequeno ensaio facilmente se confunde com a crônica. E esta já tomou no Brasil um sentido quase pejorativo, como sinal de futilidade e até mesmo de leviandade de espírito. Não se compreende aqui um homem como Gilbert Chesterton3, sempre mais profundo e admirável nos seus artiguetes sobre o mundo, as ideias e as figuras da vida, do que nas obras volumosas de ficção, de biografia ou de debate religioso e político. A tendência indígena para a facilidade intelectual, para as generalizações apressadas e inconsequentes, para ligeiros voos sobre assuntos que exigem lento e árduo caminho, determinou uma natural suspeita contra o ensaio conciso, sem citações ilustrativas, etc. E o resultado é que a vocação que se afirma em tal gênero sempre padece da confusão desdenhosa com os ―cronistas‖, não sendo levados muito a sério, num julgamento feito a priori.
1 Genolino Amado (1903-1989), escritor sergipano. Formado em Direito no Rio de Janeiro, transfere-se a São Paulo
para atuar como cronista no Correio Paulistano; assume, entre 1928 e 1930, o posto de Chefe da Censura Teatral e Cinematográfica; liga-se ao Suplemento Literário do Diário de São Paulo e ao Diário da Noite. No Rio de Janeiro, em 1933, torna-se redator-editorialista de O Jornal. Em 1937 publica o primeiro livro, Vozes do mundo, no qual estuda grandes figuras das letras estrangeiras. O êxito da estreia levou-o a reunir outros ensaios, lançados em suplementos dominicais, em Um olhar sobre a vida, em 1939. Eleito em 1973 para a Academia Brasileira de Letras. Publicou também, entre outros livros: Os inocentes do Leblon, crônicas (1946); O pássaro ferido, crônicas (1948);
O reino perdido, memórias (1971); Um menino sergipano, memórias (1977).
2 BARRETO, Plínio. ―Genolino Amado: Um olhar sobre a vida; Nelson Romero: Os grandes problemas do
espírito‖ [Seção Livros Novos]. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 jan. 1940, p. 3. No artigo, Plínio assinala o ―olhar agudo e penetrante‖ de Genolino Amado, sinalizando o ―jogo dos paradoxos‖ que caracteriza os textos do livro. Apresenta fragmentos de ensaios nos quais o autor discute aspectos do mundo moderno, em contraponto com o passado; o preconceito do povo brasileiro em relação aos homens de inteligência e a vergonha que os brasileiros têm de suas virtudes.
5 O seu rodapé, quase todo devotado ao meu livro, constitui, portanto, a redenção do pequeno ensaio. E só um mestre da sua autoridade e do seu alto prestígio poderia fazê-la.
Grato por tudo que lhe devo, peço licença para, ao fim desta carta, não só [o] considerar como um mestre, mas também como um amigo de
Genolino Amado.
Carta assinada “Genolino Amado”; sem local e sem datada; datiloscrito original, fita preta; papel branco; 2 folhas; 20,7 x 16 cm.
6 2. AZEVEDO, Fernando de4. 16 dez. 1929.
DIRETOR GERAL DE INSTRUÇÃO RIO-BRASIL
Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1929. Meu caro Dr. Plínio Barreto.
Não me surpreendeu, mas me cativou profundamente a belíssima crônica que consagrou aos Ensaios no O Estado de S. Paulo5. Tem tanto de delicada e elegante, quanto tem de generosa. O grande Plínio Barreto atribui-me as qualidades que possui no mais alto grau e em conjunto de admirável equilíbrio. Compreendo, porém, que os meus trabalhos de crítica apresentam alguma cousa que lembre essas qualidades... Leio e releio tudo o que meu ilustre amigo escreve e, a poder de o admirar, é natural que tenha vindo o desejo e tomado o gosto de imitá-lo.
Abraça-o afetuosamente com essa veneração que se tem pelos homens, cuja grandeza de coração se mede pelo espírito.
Amigo certo e grato Fernando de Azevedo.
Carta assinada “Fernando de Azevedo”; datada “Rio, 16 de Dezembro de 1929”; autógrafo a tinta preta; papel branco, filigrana; timbrado: “DIRECTOR GERAL DE INSTRUÇÃO/ RIO-BRASIL”; 2 folhas; 20,0 x 16,4 cm.
4 Fernando de Azevedo (1894-1974), educador, crítico e sociólogo mineiro, formou-se em Direito, em São Paulo.
Foi redator e crítico literário de O Estado de S. Paulo (1923-26), jornal em que organizou e dirigiu, em 1926, dois inquéritos, um sobre a arquitetura colonial e outro sobre Educação Pública em São Paulo, abordando os problemas fundamentais do ensino, e iniciando uma campanha por uma nova política de educação e pela criação de universidades no Brasil. Atuou como Diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal [Rio de Janeiro], entre 1926 e 1930; Diretor Geral da Instrução Pública do Estado de São Paulo (1933) e Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1941-1942). Atuou como Secretário da Educação e Saúde do Estado de São Paulo (1947); Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, que ele instalou e organizou (1956-61); Eleito em 1967 para a Academia Brasileira de Letras. Publicou, entre outros livros: Ensaios (1924);
Páginas latinas, ensaios (1927); A reconstrução educacional no Brasil (1932); Novos caminhos e novos fins: a nova política da educação no Brasil (1935); A educação e seus problemas, 2 vols. (1937); A cultura brasileira, 3 vols.
(1943); História da minha vida, memórias (1971) (http://www.academia.org.br/ Consulta em 16 jun. 2009).
5BARRETO, Plínio. ―Fernando de Azevedo: Ensaios; J. Capistrano de Abreu: O descobrimento do Brasil‖ [Seção
Livros Novos]. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 14 dez. 1929, p. 3. Neste artigo dedicado parcialmente à ―obra de um gentil-homem das letras‖, Plínio Barreto define o método crítico de Fernando de Azevedo: postura generosa e linguagem marcada pela construção de imagens. Plínio mostra também que muitas das qualidades que o crítico encontra nos livros servem para constituir o seu autorretrato.
7 3. AZEVEDO, Fernando de. 17 set. 1937.
BIBLIOTECA PEDAGÓGICA BRASILEIRA DIREÇÃO DE FERNANDO DE AZEVEDO COMPANHIA EDITORA NACIONAL RUA DOS GUSMÕES 118 – SÃO PAULO
São Paulo, 17 de setembro de 1937. Meu caro Dr. Plínio.
A Comp. Editora Nacional6 enviou-lhe há tempos a carta de que junto cópia, solicitando- lhe a opinião, em algumas linhas, sobre a ―Brasiliana‖, da B.P.B, coleção fundada e dirigida por mim e editada por esta companhia. Com a publicação da História econômica do Brasil, em três tomos, completará a Brasiliana, cujo primeiro volume foi lançado em fins de 1931, a primeira centúria de volumes. Ser-lhe-ão remetidos, logo que saírem, em outubro, os dois 1os tomos do 100° volume dessa coleção7.
Ficar-lhe-ei muito grato se nos mandar a sua opinião sobre a Brasiliana. A Comp. tem o maior empenho em saber o que pensa, sobre sua iniciativa o eminente escritor e jurista brasileiro.
Afetuosamente
Fernando de Azevedo.
Carta assinada “Fernando Azevedo”; datada “S. Paulo, 17, Setembro, 37”; autógrafo a tinta preta; papel creme, filigrana; timbrado: “BIBLIOTECA PEDAGOGICA BRASILEIRA/ DIREÇÃO DE FERNANDO DE AZEVEDO/ COMPANHIA EDITORA NACIONAL/ RUA DOS GUSMÕES 118 – SÃO PAULO”; 2 folhas; 21,4 x 15,7 cm.
6 A Companhia Editora Nacional foi fundada em 1925 pelo escritor Monteiro Lobato e por Octalles Marcondes
Ferreira; representou uma revolução no mercado editorial da época, em um país pouco alfabetizado.
7 BARRETO, Plínio. ―Roberto C. Simonsen: História econômica do Brasil, 1500 – 1820, 2 vols.‖ [Seção Livros
Novos]. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 29 jan. 1938, p. 3. Da mesma maneira que faz a outros livros dedicados à ―compreensão do Brasil‖ e ao ―ensino da mocidade‖, Plínio enaltece o livro. Sintetiza a obra que defende a preponderância do fator econômico na história. O crítico focaliza os principais ciclos econômicos brasileiros; o problema da escravidão; do bandeirante e da dependência portuguesa à colônia para demonstrar que foram estes fatores econômicos que permitiram a unidade do país e que foi da autonomia econômica que logramos a autonomia política.
8 4. BARBOSA, Francisco de Assis8. [post. 1952].
Caro amigo Dr. Plínio,
nesta maravilhosa estância, onde vim para uma cura de repouso, tive a satisfação de ler o seu belo artigo no Estado sobre meu Lima Barreto9. Muito obrigado pelas suas generosas palavras. Vale a pena escrever-se um livro para ter um elogio daquele, e de um homem como o senhor, modelo de virtudes cívicas e honestidade intelectual. Sempre seu amigo, sou o
Chico Barbosa
Cartão postal “Chico Barbosa”; sem data; autógrafo a tinta preta; papel branco, borda irregular; 1 folha; 8,9 x 13,5 cm.
8 Francisco de Assis Barbosa (1914-1991), jornalista, biógrafo e historiador paulista. Atuou em diversos periódicos,
entre os quais A Noite (1934), O Imparcial (1935), A Noite Ilustrada, Vamos Ler, Carioca, Diretrizes (1936 a 1942),
Correio da Manhã (1944), Diário Carioca, Folha da Manhã (de São Paulo) e Última Hora (1951 a 1956). Ao lado
de sua atividade no jornalismo, exerceu cargos administrativos, técnicos e de assessoria editorial. Fundador da Associação Brasileira de Escritores (ABDE); teve destacada atuação ao organizar, com Aníbal Machado, o I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo (1945). Foi assessor do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, junto ao Ministério das Relações Exteriores (1946 a 1948); eleito em 1970 para a Academia Brasileira de Letras. Publicou, entre outros livros: Brasileiro tipo 7, ensaio (1934); A vida de Lima Barreto, biografia (1952); Testamento de Mário de Andrade e outras reportagens (1954); Retratos de família, ensaios (1954); Machado de Assis em miniatura, biografia (1957); Achados do vento, ensaio (1958); Juscelino Kubitschek:
uma revisão na política brasileira, biografia (1962).
9BARRETO, Plínio. ―Um grande romancista‖ [Seção Bilhetes Avulsos]. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 out.
1952, p. 6. Neste artigo, Plínio Barreto apresenta aspectos do estilo literário de Lima Barreto, assinalando a ―habilidade com que [o romancista] se utilizava do ridículo e da zombaria‖. Rememora os principais dramas da vida do escritor: o alcoolismo e a loucura do pai. O crítico aplaude a obra de Assis Barbosa, definida como ―um ensaio crítico-biográfico em que se evocam episódios tanto da vida política como da sua vida literária‖. Ao concluir a resenha, compara a biografia de Lima Barreto àquela de Johnson, realizada por Boswell, considerada modelo de ―trabalho fundado na verdade‖.
9 5. BROCA, Brito10. 7 jan. 1957.
Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 195[7]11. Exmo. Sr. Dr. Plínio Barreto.
Só ontem, folheando os recortes da Lux, na editora José Olympio, encontrei o seu generoso artigo sobre o meu livro A Vida Literária no Brasil/190012. Foi para mim uma grande honra ter merecido a atenção de quem admiro e respeito desde os meus primeiros tempos de jornalismo, em São Paulo. Seu artigo valeu-me como uma recompensa e um estímulo. Aqui ficam, pois, as expressões de minha profunda gratidão.
Brito Broca.
Carta assinada “Brito Broca”; datada: “Rio, 7 de janeiro de 1956”; autógrafo a tinta azul; papel branco, pautado; 2 folhas; 18,3 x 13 cm.
10 José Brito Broca (1903 - 1961), jornalista, ensaísta e crítico paulista. Em 1927, ingressa como repórter de A
Gazeta de São Paulo, respondendo pela crônica social, sob o pseudônimo de Lauro Rosas; em 1935, nesse
periódico, foi responsável pela seção literária, assinando seus textos como Alceste. Em 1937, a convite de Genolino Amado, transfere para o Rio de Janeiro, ligando-se profissionalmente ao DIP, embora sem qualquer vinculação ideológica à política de Getúlio Vargas. Ao mesmo tempo continuou a colaborar em A Gazeta, como redator da Sucursal. Em 1946, torna-se diretor do suplemento ―Letras & Artes‖, de A Manhã. Em 1956 publica A Vida
Literária no Brasil – 1900, em edição ilustrada do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura,
livro quatro vezes premiado – pela Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (Prêmio Paula Brito); pela Academia Brasileira de Letras (Prêmio Sílvio Romero); pela sociedade Paulista de Escritores (Prêmio Fábio Prado); e pelo Pen Club do Brasil (Prêmio Luísa Cláudio de Sousa). Publicou entre outros livros: Americanos (1944); Raul Pompeia (1956); Horas de leitura (1957).
11 No original, 1956.
12 BARRETO, Plínio. ―O Brasil em 1900‖ [Seção Bilhetes Avulsos]. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 16 dez.
1956, p. 8. Em crítica favorável, em tom nostálgico, Plínio cita os principais temas abordados por Brito Broca em seu livro para concluir que mesmo não sendo o objetivo da obra, ela mostra que ―a decadência dos nossos dias, no plano intelectual, é desoladora‖.
10 6. CALMON, Pedro13. 8 maio 1935.
PEDRO CALMON ADVOGADO
AV. RIO BRANCO, 103 1°, S.4 RIO DE JANEIRO
Rio de Janeiro, 8 de maio de 1935. Eminente Dr. Plínio Barreto,
acabo de ler o admirável folhetim que ao meu livro Espírito da sociedade colonial dedicou Plínio Barreto14. Desvaneceu-me a sua aprovação; confortou-me a ampla amabilidade do seu acolhimento. Já me habituara a receber, a propósito de cada um dos meus trabalhos, o estímulo da sua crítica. É razão de sobra para que lha agradeça, com sincera emoção, tanto me considero premiado e pago do meu esforço pela compreensão generosa que dele teve o maravilhoso juiz que é Plínio Barreto. Muito Obrigado.
Tenho ultimamente acentuado a minha atividade nesse campo todo novo da história da nossa civilização, a ver se cuidamos mais de civilização que de história. Já reparou que não possuímos ainda um livro equilibrado de história social? E de evolução de costumes? E de história do trabalho? E de história da família? E de história das ideias? Mandei para o prelo a 2ª edição da minha humilde História da Civilização Brasileira com esta intenção mais fixada: de interessar sobretudo o estudo universitário da história do Brasil nessa orientação mais útil e mais científica da pesquisa, a fim de deixarmos de vez, na escola secundária, o compêndio cronológico, em proveito dos quadros reais do passado, no sentido em que Dewey encarava a sua
13 Pedro Calmon Moniz de Bittencourt (1902-1985), professor, político, historiador baiano. Em 1925 ingressa no
Museu Histórico Nacional, onde criou a cadeira de História da Civilização Brasileira. Ingressa na política, como deputado estadual da Bahia de 1927 a 1930. Em 1934 torna-se professor de Direito Público Constitucional na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, instituição na qual atuará como diretor de 1938 a 1948. Eleito deputado federal em 1935, ligou o seu nome à primeira lei protetora, na Bahia, do patrimônio cultural. Nesse mesmo ano, assume a cadeira de História da Civilização Brasileira na Universidade do Distrito Federal, publicando o primeiro tomo da História social do Brasil. Eleito em 1936 para a Academia Brasileira de Letras. Publicou, entre outros livros: Pedras d’armas, contos (1923): O tesouro de Belchior, novela (1929); Anchieta, o santo do Brasil
(1930); O crime de Antonio Vieira (1931); Por Brasil e Portugal. Sermões do Padre Vieira, anotados (1933); O rei
cavaleiro: Vida de D. Pedro I (1933); O rei do Brasil: Vida de D. João VI (1935); O rei filósofo: A vida de D. Pedro II (1938); História da literatura baiana (1949); Castro Alves: o homem e a obra (1973).
(http://www.academia.org.br/ consulta em 16 jun. 2009)
14 BARRETO, Plínio. ―Pedro Calmon: Espírito da sociedade colonial; Prof. E. Vampré e Carlos Gama: Tumores
cerebrais; D. Amaro Van Emelen O.S.B.: Cartilha do apicultor brasileiro‖ [Seção Livros Novos]. O Estado de S.
Paulo, São Paulo, 13 abr. 1935, p. 3. Neste artigo, Plínio apresenta uma síntese da obra de Pedro Calmon,
demonstrando os principais assuntos abordados neste primeiro tomo de uma série dedicada à História do Brasil. O único momento em que o crítico expressa a sua opinião, relaciona-se à afirmação do autor de que na fusão das raças no Brasil o que dominou foi o ―espírito branco‖: ―[Para Calmon] a uniformização fez-se por cima na orientação dos seus elementos nobres, não por baixo, de acordo com os seus elementos inferiores. Acho que neste ponto, o ilustre historiador se apressa um pouco. A uniformização ainda não se fez, está se fazendo‖.
11 pedagogia da espécie: história, sociologia de antanho... Procurando concretizar este plano, que julgo altamente patriótico, publiquei, além daquele volume da Col. Brasiliana, uma História da
Civilização Brasileira para a escola primária, que desejaria fosse benevolamente examinada por
Plínio Barreto.
Brevemente tomarei a liberdade de oferecer-lhe outro livro, sobre D. João VI, que espero nestes dias do prelo, ―made in José Olympio‖15.
Peço outrossim que me releve a impertinência de escrever-lhe quando o tempo lhe é tão escasso e precioso, acreditando na minha imensa gratidão, com que me confesso seu admirador e amigo ex corde, e
leitor entusiasta Pedro Calmon
S/c Rua Xavier da Silva n. 22 (Copacabana).
Carta assinada “Pedro Calmon”; datada “Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1935”; datiloscrito original, fita preta e autógrafo a tinta preta; papel branco, filigrana; timbrado: “PEDRO CALMON/ADVOGADO/ AV. RIO BRANCO, 103 1°, S.4/ RIO DE JANEIRO”; 1 folha; 27,5 x 21,3 cm.
15 O livro O rei do Brasil de Pedro Calmon foi focalizado por Plínio Barreto na Seção Livros Novos do O Estado de