2 CONCEITO E FORMAS DE AVALIAÇÃO DA COMPETITIVIDADE NA
2.4 Direcionadores de competitividade 27
2.4.1 Ambiente institucional 29
O ambiente institucional constitui-se de regras impostas pela legislação, pela sociedade e pela política que cercam as firmas (NORTH, 1994). Essas regras impostas à firma podem favorecer ou não a competitividade. Para analisar o ambiente institucional como direcionador de competitividade, deve-se dividi-lo em alguns subfatores (BATALHA, SOUZA FILHO, 2009). Estes subfatores incluem as condições macroeconômicas, os programas e políticas setoriais, a tributação e a segurança dos alimentos, demanda doméstica e políticas de comércio internacional.
Esses subfatores do ambiente institucional são apresentados nas seções seguintes.
2.4.1.1 Condições macroeconômicas
As condições macroeconômicas são definidas pelas políticas do Governo Federal. Essas políticas incluem as taxas de juros, as taxas de câmbio e as metas de inflação (BATALHA, SOUZA FILHO, 2009).
Políticas monetária e fiscal expansionistas podem aumentar tanto o preço como a produção; por outro lado, a política para reduzir empregos pode aumentar a inflação (DORNBUSH; FISCHER, 1991). Bergamini Junior (2010) expõe que a inflação tem efeito negativo para quase todos os agentes econômicos e sugere que tributos como o Imposto de Renda Pessoa Jurídica fossem instrumentos de redução do impacto inflacionário nos resultados das empresas.
A taxa de juros tem forte influência na determinação dos investimentos. Quanto maior a taxa de juros, menor o nível de investimentos. Aquisições de maquinário, construção, entre outros, são grandemente facilitados com taxas de juros mais baixas. Isso acontece quando a expectativa de lucros é maior do que a taxa paga para financiar novos investimentos (DORNBUSCH; FISCHER, 1991). Segundo a FIESP (2010), a taxa de juros real no Brasil representa, aproximadamente, 30% do capital de giro das empresas. No longo
prazo, a taxa de juros pode afetar negativamente a capacidade de investimento e de crescimento, pois, afeta diretamente a lucratividade das empresas (FIESP, 2010).
A taxa de câmbio influencia diretamente a decisão de compra do consumidor. Kenen (1998) conceitua taxa de câmbio como “o poder relativo de compra da produção nacional”. Quando a taxa de câmbio é baixa, o consumidor tende a adquirir produtos de outros países, ao contrário, quando a taxa de câmbio é alta, o consumo de produtos nacionais tende a ser maior. Esse movimento de preferências do consumidor pode afetar a produção de bens e, por conseqüência, afetar a renda, o nível de emprego, os investimentos estrangeiros no país (KENEN, 1998). Nassar (2010) aponta que o Brasil vem perdendo competitividade no mercado internacional do agronegócio por conta da valorização do Real frente ao Dólar. Contudo o Brasil continua sendo competitivo, pois, possui grande capacidade de expansão para produtos intensivos em uso de terras (NASSAR, 2010).
As decisões dos gestores das firmas dependem, portanto, das condições macroeconômicas. A inflação controlada, por exemplo, permite que decisões de longo prazo sejam tomadas com maior segurança. O câmbio afeta o comércio de produtos entre os países e, portanto, a competitividade de uma nação em relação à outra. A competitividade de uma cadeia pode ser favorecida ou prejudicada pelas políticas macroeconômicas adotadas.
2.4.1.2 Programas e políticas setoriais
Os programas setoriais podem fornecer a proteção que o produtor necessita para superar o impacto negativo de ambiente macroeconômico hostil, como taxas de juros elevadas. O estado pode prover financiamentos com juros menores para incentivar o aumento da produtividade e, conseqüentemente, da competitividade (SILVA; ONOYAMA, 2008).
As políticas e programas podem ser específicos para uma determinada cadeia que tenha importância estratégica para o governo. Podem, também, ser transversais, elaborados para um determinado setor da economia, o agropecuário, por exemplo. O objetivo dessas políticas e programas pode ser de reduzir os impactos negativos causados por outras políticas como, por exemplo, a política monetária (SILVA; SOUZA FILHO, 2007).
A disponibilidade de crédito com juros baixos permite que empresas acessem recursos para construção, ampliação, investimento em tecnologia para aumento da
produtividade, expansão da oferta de novos produtos ou, ainda, obter economias de escala (BATALHA; SOUZA FILHO, 2009). A previsão orçamentária garante que os recursos estarão disponíveis e o desembolso efetivo de recursos pode indicar que as empresas estão conseguindo acesso aos mesmos.
A existência de programas e políticas setoriais específicas para uma cadeia, bem como a disponibilidade de recursos, com juros baratos e acesso facilitado, favorece sua competitividade.
2.4.1.3 Tributação
A tributação é outro subfator importante de análise da competitividade, na medida em que altos tributos, tanto sobre o produto, quanto sobre a propriedade e insumos, aumentam demasiadamente o preço final ao consumidor. Reduções ou isenções na tributação incentivam a colocação de produtos em outros mercados internos ou externos e tornam o produto mais competitivo.
O tributo pode ser classificado como imposto, taxa ou contribuição de melhoria, conforme sua finalidade (BRASIL, 2010). Cada esfera de Governo, Federal, Estadual ou Municipal, possui sua autonomia sobre determinados tipos de operações.
A matéria tributária inclui uma série de particularidades. Noble, Souza e Almeida (2010) afirmam que o sistema tributário do Brasil é complexo e ainda possui dispositivos que afetam o desenvolvimento e expansão de determinadas atividades produtivas, sobretudo taxando os bens de capital, aumentando o chamado “custo Brasil”.
A CNI (2009) propõe a reformulação do sistema tributário brasileiro como ação sistêmica para assegurar a competitividade e futura retomada do crescimento econômico. Algumas ações relacionadas à tributação seriam: utilização automática do crédito de ICMS, a desoneração de bens de capital. Segundo CNI (2008), os tributos apontados como os que mais afetam a competitividade foram a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), já extinta, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI), além do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
A existência de impostos cumulativos é apontada, também, como fator que aumenta o custo final dos produtos (CNI, 2009). Impostos cumulativos são aqueles cuja base de cálculo inclui o mesmo imposto em operação anterior, é o caso do PIS e da Cofins.
Os tributos devem ser analisados com relação ao mercado interno e mercado externo. A existência de impostos cumulativos pode elevar o custo final do produto tornando- o menos competitivo. A tributação diferenciada para exportação altera a competitividade em diferentes países (BATALHA; SOUZA FILHO, 2009). Portanto, menos tributos pagos podem favorecer a competitividade, ao passo que, altos tributos desfavorecem a mesma (SILVA; SOUZA FILHO, 2007).
2.4.1.4 Segurança dos alimentos
Outra questão que tem influenciado a adoção de novos padrões tecnológicos é a segurança do alimento. Doenças e contaminações relacionadas ao consumo de certo produto podem trazer sérios prejuízos ao produtor e impedir sua comercialização. A segurança dos alimentos também é um fator que influencia fortemente a decisão de compra do consumidor (ASP, 1999).
Uma preocupação que permeia o mercado para todos os produtos alimentares é a qualidade do produto. Consumidores cada vez mais informados passam a exigir maior qualidade e as empresas precisam utilizar de tecnologia que atenda a essa necessidade. A segurança dos alimentos é um elemento fundamental para acessar os mercados mais exigentes. As barreiras sanitárias e fito-sanitárias têm crescido, deixando de fora dos mercados os players que não atendem aos padrões estabelecidos em acordos internacionais e legislações dos países importadores (BATALHA; SOUZA FILHO, 2009).
Para melhorar o acesso aos mercados mais exigentes, os serviços de inspeção e as legislações internas devem acompanhar as exigências internacionais. A efetividade do serviço de inspeção faz com que as empresas invistam mais em sanidade, aumentando a competitividade potencial da cadeia (BATALHA; SOUZA FILHO, 2009).
2.4.1.5 Políticas de comércio exterior
A análise deste subfator tem por objetivo verificar a existência de barreiras comerciais. As barreiras podem ser tarifárias ou não tarifárias. Barreiras tarifárias incluem sobretaxas de determinados produtos vindos de outros países. Barreiras não tarifárias são exigências sanitárias e técnicas. Estas, muito comuns nos países europeus, podem ser usadas como desculpa para protecionismo de determinados produtos.
No intuito de reduzir os problemas relacionados com o estabelecimento de barreiras protecionistas, foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC), com o objetivo de mediar negociações internacionais (WTO, 2010). Acordos comerciais podem ser negociados entre países, com vistas à integração econômica. O acordo internacional pode dar preferência ao comércio de determinados produtos entre os países envolvidos (BRASIL, 2003).
Outra iniciativa para integração econômica entre países é a criação blocos econômicos. O Brasil faz parte Mercado Comum do Sul (Mercosul) desde 1991. A criação do Mercosul tem como objetivos: a livre circulação de bens, serviços e fatores de produção entre os países membros; estabelecimento de uma tarifa externa comum; coordenar as políticas macroeconômicas e setoriais entre os membros; harmonizar as legislações para fortalecer o processo de integração entre os estados membros (BRASIL, 2010).
“O protecionismo reduz a competitividade potencial” (BATALHA, SOUZA FILHO, 2009). No sentido de reduzir os efeitos das barreiras para determinados produtos de determinados países são negociados acordos comerciais. Os acordos comerciais e criação de blocos econômicos podem facilitar o acesso dos produtos aos mercados estrangeiros.