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Ambientes conservativos ou transcorrentes

Ambientes tectônicos conservativos ou margem de placa conservativa é aquela onde não há a formação nem o consumo por subducção da litosfera onde a movimenta- ção das placas se dá por meio da formação de sistemas de falhas em que o movimento é paralelo à direção da falha principal (Moores; Twiss, 1995). Geralmente, essas zonas de transcorrência estão associadas a zonas convergentes ou divergentes, para permitir a movimentação diferenciada de blocos subductantes ou, no caso da zona divergente, permitir diferentes taxas de expansão oceânica. Em junções tríplices, um ou mais braços podem sofrer movimentação transcorrente.

Portanto, as zonas de falhas transcorrentes geralmente possuem terminação em uma zona de subducção e/ou de expansão oceânica. Associada aos sistemas transcorrentes existe uma gama de estruturas que são desenvolvidas e que geram basicamente áreas compressivas com soerguimen- to e áreas distensivas e subsidentes. Assim sendo, zonas transcorrentes se tornam importantes áreas de geração de relevo.

Em geral, as zonas transcorrentes são compostas por falhas principais de grande rejeito nas quais desenvolvem-se estruturas secundárias. Em termos de campo de tensões, a tectônica transcorrente é caracterizada por um arranjo dos tensores principais com as componentes máxima (1) e mí- nima (3) horizontais, enquanto a componente intermediária está contida no plano de falha, que é, portanto, vertical. A deformação produzida é do tipo cisalhamento simples (rotacional), uma vez que, com o movimento progressivo, os elementos previamente formados vão sendo rotacio- nados e têm sua posição original alterada. Se tomarmos o diagrama de Riedel como referência (Wilcox et al., 1973), as principais estruturas associadas, importantes de serem

destacadas, são as falhas de tensão relacionadas à extensão do elipsoide de strain (perpendiculares ao maior eixo do elipsoide) e as dobras em echelon (dobras com eixo paralelo ao maior eixo do elipsoide). De acordo com o sentido de movimento e disposição entre as falhas principais, áreas compressivas ou distensivas irão se formar, como mostra a Figura 14.

Figura 14 – (A) Com o sentido de movimento dextral, a sobreposição das falhas à esquerda faz que se forme uma zona de compressão resul- tando em soerguimento. (B) Com o sentido de movimento dextral, a sobreposição das falhas à direita faz que se forme uma zona de tensão resultando em abatimento e formação de bacia.

A facilidade de geração de estruturas secundárias de transtensão associadas à falha transcorrente principal faz que zonas de transcorrência sejam importantes áreas de geração de áreas subsidentes, consequentemente locais de formação de bacias sedimentares. No geral, bacias formadas em zonas de transcorrência são chamadas de

pull-apart, porém essa denominação é dada quando as

bacias são formadas por um processo de falhamento nor- mal perpendicular às duas falhas principais paralelas com um segmento superposto, ou ainda quando uma zona de falha transcorrente apresenta uma curvatura em sua di- reção. Porém, outros padrões estruturais transcorrentes

também geram áreas subsidentes, como, por exemplo, falhas que convergem ou divergem mostrando padrões anastomosados ou ainda quando cruzam diversas vezes dando origem a formas romboédricas.

Da mesma forma que associada a grandes falhas trans- correntes, há a formação de zonas transtensivas que formam bacias, zonas transpressivas também são geradas, formando áreas soerguidas. No geral, em um sistema transcorrente há a alternância entre áreas bacinais e áreas soerguidas, gerando um padrão de relevo peculiar onde essas áreas soerguidas acabam por sofrer proeminente erosão, forne- cendo sedimentos para as bacias adjacentes.

Lançando mão novamente neste ponto dos concei- tos térmicos e dos modelos de isotermas de Stüwe et al. (1994) e Braun (2002; 2005) discutidos anteriormente, percebe-se que esse ambiente tectônico e as formas de relevo geradas podem provocar uma grande mudança na forma das isotermas rasas, consequentemente podendo ser bem descritas por meio dos métodos termocronológicos discutidos neste livro.

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NA