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AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: FORMATOS E POSSIBILIDADES

2 TECNOLOGIAS DIGITAIS NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

2.3 AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: FORMATOS E POSSIBILIDADES

DE CUSTOMIZAÇÃO

Nesta seção, tratamos sobre AVA e tomaremos como base espaços virtuais em apoio à educação criados no âmbito do Ministério da Educação (MEC) ou em parceria. Nessa perspectiva, adotamos conceitos tratados por alguns autores, como o que foi definido por Valentini e Soares (2010, p. 15) que compreendem AVA como

[..] um espaço social, constituindo-se de interações cognitivo-sociais sobre, ou em torno, de um objeto de conhecimento: um lugar na Web, “cenários onde as pessoas interagem”, mediadas pela linguagem da hipermídia, cujos fluxos de comunicação entre os interagentes são possibilitados pela interface gráfica. O fundamental não é a interface em si mesma, mas o que os interagentes fazem com essa interface (2010, p.15).

Entendemos que AVA são espaços digitais destinados a promover a relação de agentes educacionais com o meio virtual e entre si por meio deste, para apoio ao processo de ensino e de aprendizagem. Nesse sentido, estão distribuídos nos espaços virtuais munidos de recursos educacionais que subsidiam a aprendizagem desde que interligados à internet. Para Pereira (2007, p. 8),

[...] os AVAs utilizam a Internet para possibilitar de maneira integrada e virtual (1) o acesso à informação por meio de materiais didáticos, assim como o armazenamento e disponibilização de documentos (arquivos); (2) a comunicação síncrona e assíncrona; (3) o gerenciamento dos processos administrativos e pedagógicos; (4) a produção de atividades individuais ou em grupo.

De acordo com o autor, os AVA apresentam múltiplas possibilidades de uso, e no que se refere a “materiais didáticos”, entendemos que estes podem estar armazenados ou hospedados

nesses espaços virtuais, em qualquer formato digital.

Nesse sentido, as plataformas digitais se assemelham aos AVA porque possibilitam também que determinadas ações acima evidenciadas se efetivem. Dentre as quais estão possibilitar o acesso online de usuários aos recursos disponíveis, gerenciar os ambientes administrativos-pedagógicos, permitir realização de atividades diversas e troca de experiências pela formação de grupos. A plataforma Escolas na Rede e as demais que constituem a Rede de Liderança Escola Digital (RLED) estão nesse contexto e integradas entre si a partir da

internet, importam/exportam conteúdos e recursos educacionais.

Sob outra perspectiva, chamamos a atenção sobre alguns questionamentos levantados por Alonso, Silva e Maciel (2012, p. 98-99) acerca do uso de AVA no contexto educacional. Para os autores,

O acompanhamento da implantação de projetos inovadores com utilização de AVA indica a necessidade de aprofundamento de diversas questões: Quais as políticas institucionais apoiam essa ação? Como esses projetos serão incorporados aos trabalhos pedagógicos nos cotidianos de alunos e professores? Que reflexões sobre seu uso estão implicadas nos conteúdos trabalhados? Que recursos e instrumentos poderiam subsidiar um trabalho pedagógico participativo e interativo? Dentre tantas outras questões. Esses são pontos cruciais que devem ser considerados no tocante à organização de um AVA. Para tanto, entendemos que, para além do acompanhamento que deve haver em uma implantação de AVA e/ou de uma plataforma digital para uso educativo, é necessário suscitar também, no âmbito de um projeto inovador educativo, o monitoramento e a avaliação de ações pedagógicas para buscar promover a eficácia de sua implementação.

A priori, apontamos diversos espaços virtuais no bojo do MEC que estão em diferentes formatos com materiais didáticos gratuitos disponíveis na rede mundial de computadores. Eles são nominados de programa, repositório, canal da educação e sistema - ambiente colaborativo de aprendizagem, dentre os quais estão a Rede Internacional Virtual de Educação (RIVED), o Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE), o Portal do Professor, o Domínio Público, a TV Escola, o E-proinfo e, por fim, a plataforma MECRED que juntou em um único espaço digital todas as plataformas citadas. Esses foram desenvolvidos ou personalizados com fins educacionais para mediar a comunicação, apoiar a gestão e o aprendizado, assim como para integrar mídias aos conteúdos e criar novas estratégias de ensino-aprendizagem (ANJOS, 2012).

Destacamos, então, o E-proinfo - um sistema desenvolvido no formato de ambiente colaborativo de aprendizagem para gerenciamento de cursos de formação continuada na

modalidade de Educação a Distância (EaD), intercalados com encontros presenciais. Esta é uma plataforma digital customizável em que,

Cada usuário pode moldar seu espaço, no sistema, de acordo com suas preferências e necessidades, além de manter uma lista de contatos e comunicar de forma instantânea com seus contatos, colegas de curso ou turma e participantes de comunidades (MEC?). Assim, a customização de um AVA é possível por permitir aos administradores locais mudarem a interface gráfica ao adaptarem esse espaço virtual na criação de curso ou módulo, na liberação de upload de fotos, vídeos e arquivos em PDF - Portable Document Format (Formato Portátil de Documento). Dessa forma, o administrador pode fazer a interface gráfica. Para Marcondes et al., (2005, p. 204),

Interface Gráfica com o Usuário (Graphical User Interface – GUI) é usado para descrever uma interface homem/máquina quando imagens gráficas e analogias de gestos humanos formam linguagem básica de interação entre o usuário e o computador.

Entendemos que a interface gráfica acima descrita é passível de customização em plataformas digitais diversas. A figura 1 representa o modelo do E-proinfo MEC.

Figura 1 - Interfaces gráficas do E-proinfo

Fonte: BRASIL, MEC 2018.

Esse exemplo foi para identificar uma plataforma digital pública que permite customização, assim com a plataforma Escolas na Rede (PER), que por meio da interface, possibilita que os recursos disponíveis possam ser adaptados. Com isso, visualizamos existir uma relação entre si, evidenciada neste trabalho acadêmico.

De acordo com Bonsiepe (1997, p.144), “[...] o conceito de interface surgiu no campo da informática. Ele tem importância central para a computação gráfica, multimídia, realidade virtual e telepresença e fornece uma base sólida para o design industrial e design gráfico.”

Silva (2010, Apud GARRET, 2003) acrescenta que: interface de software preocupa-se com tarefas – os passos envolvidos em um processo e como as pessoas pensam para completá- las. E as interfaces bem-sucedidas são aquelas nas quais os usuários percebem imediatamente as coisas mais importantes. Associado a isso está a ergonomia que aplicada aos sistemas informatizados estuda como se dá a interação entre os diferentes componentes do sistema, a fim de elaborar parâmetros a serem inseridos na concepção de aplicativos que orientem os usuários e que contribuam para a execução da tarefa. (ABRAHÃO et al. 2005).

Seguindo esse entendimento, podemos inferir que a ergonomia de em um AVA refere-se a atividades realizadas pelo administrador de uma plataforma digital, visando à melhoria da interação do usuário por meio recursos disponíveis, a partir de determinadas orientações. A interação homem-computador é descrita por Preece et al. (1994) e se remete à usabilidade por estar “preocupado em tornar os sistemas fáceis de aprender e fáceis de usar”. Nesse sentido, Nielsen e Loranger (2007, p. 16) afirmam que

A usabilidade é um atributo de qualidade relacionado à facilidade do uso de algo. Mais especificamente, refere-se à rapidez com que os usuários podem aprender a usar algo, a eficiência ao usá-la, o que lembram daquilo, seu grau de propensão a erros e o quanto gostam de utilizá-la.

Esta, portanto, torna-se prioritária no que tange a interação homem-máquina para aprimorar a qualidade de sistemas informacionais.