• Nenhum resultado encontrado

2 TECNOLOGIAS DIGITAIS NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

2.4 OBJETOS DE APRENDIZAGEM E OBJETOS DIGITAIS DE APRENDIZAGEM

Diversas são as nomenclaturas dadas aos recursos educacionais disponíveis em uma plataforma digital, mas damos destaque aos Objetos de Aprendizagem (OA) na proposição de Willey (2000), como tecnologia instrucional. Para o autor,

Os objetos de aprendizagem são elementos de um novo tipo de instrução baseada em computador apoiada no paradigma da orientação a objetos da informática. A orientação a objetos valoriza a criação de componentes (chamados "objetos") que podem ser reutilizados em múltiplos contextos (2000, p. 3).

Nesta perspectiva, os objetos de aprendizagem propostos pelo autor podem ser revisitados e “reutilizados” de acordo com a necessidade. O que nos permite perceber que podem ser (re) utilizados no contexto pedagógico, estabelecendo, dessa forma, uma relação direta do ensino com a aprendizagem, qualquer que seja o seu formato, desde o livro digital, o vídeo, o simulador, o áudio, o infográfico, entre outros.

Aguiar e Flores (2014) concordam que um OA, enquanto uma ferramenta instrucional, pode ter diversas finalidades, desde a apresentação de conceitos à revisão destes. Vão de uma simples imagem que sirva como introdução de uma aula a um simulador que reproduza uma determinada situação.

Para além da perspectiva da tecnologia instrucional apresentada pelos autores acima referenciados, Schwarzelmüller e Ornellas (2006, p.9) discutem sobre os Objetos Digitais de Aprendizagem (ODA) identificando-os como: “[...] conteúdos pedagógicos digitais reutilizáveis desenvolvidos para apoiar o processo de aprendizagem que estimulam o raciocínio e o pensamento crítico associando em novas abordagens pedagógicas as tecnologias digitais e os princípios epistemológicos da cibercultura” (2006, p. 9).

Isso posto, identificamos que os acrônimos OA e ODA são denominações dadas por diferentes autores, cujas definições se complementam. Para tanto, ambos permearão este trabalho acadêmico. No entanto, esclarecemos que ODA é o utilizado pela Rede de Liderança Escola Digital (RLED), em que a plataforma Escolas na Rede se insere. Logo, fizemos a apropriação desses termos para construir a lógica conceitual que seguiremos neste estudo.

Diante do exposto, podemos inferir que os OA/ODA são recursos digitais que circulam por meios virtuais, sobretudo a partir do uso da internet que facilita o acesso, uso e reuso. Esses se configuram como recursos digitais de formatos diversificados, conforme já especificados anteriormente, e como elementos disponíveis para fins educacionais e/ou educativos dependendo da intencionalidade de uso. Tais objetos, uma vez acessados, podem potencializar o trabalho pedagógico escolar.

Dessa maneira, convém observar que os recursos digitais devem apresentar critérios que os caracterizem como um OA/ODA, para que possam ser selecionados e adequados a determinado objetivo de aprendizagem. Braga e Menezes (2015) tratam sobre OA e apresentam um conjunto de características que qualificam sua definição como recursos digitais a serem utilizados com fins educativos. Dentre as quais estão as características pedagógicas e as técnicas.

No tocante às características pedagógicas, as autoras relacionam as definidas por Dias et al., (2009) como uma forma de facilitar o trabalho dos professores e ajudar os alunos na aquisição do conhecimento. Essas devem ter por base os seguintes aspectos, de acordo com Galafassi et al., (2014).

Quadro 1 - Características pedagógicas de um OA

CARACTERÍSTICAS

PEDAGÓGICAS DESCRIÇÃO

Afetividade Refere-se aos sentimentos e motivações do aluno com sua

aprendizagem e durante a interação com o OA.

Autonomia Indica se os objetos de aprendizagem apoiam a iniciativa e tomada de

decisão.

Cognição Refere-se às sobrecargas cognitivas alocadas na memória do aluno

durante o processo de ensino-aprendizagem.

Cooperação Indica se há suporte para os alunos trocarem opiniões e trabalhar coletivamente sobre o conceito apresentado.

Interatividade Indica se há suporte às consolidações e ações mentais, requerendo que o aluno interaja com o conteúdo do OA de alguma forma, podendo ver, escutar ou responder algo.

Fonte: elaborado pela autora, 2018 - com base em Braga e Menezes, 2015.

As características pedagógicas acima descritas podem ser acrescidas a outra que entendemos ser pertinentes na prática pedagógica como, por exemplo, a Intencionalidade (grifo nosso), que se refere a seleção de um determinado OA/ODA pelo professor, para que o aluno atinja determinado objetivo de aprendizagem.

Ademais, as autoras apontam ainda características técnicas definidas por Braga e et al., (2012), a partir de critérios evidenciados nas normas de qualidade de software ISSO/IEC 9126; nos aspectos de avaliação do Learning Object Review Instrument (LORI) e nos indicadores da

Computer Education Management Association (CEdMA, 2001), conforme o quadro a seguir:

Quadro 2 - Características técnicas de um OA

CARACTERÍSTICAS

TÉCNICAS DESCRIÇÃO

Acessibilidade O objeto pode ser acessado por diferentes tipos de usuários, em diferentes lugares e por diferentes tipos de dispositivos.

Agregação Indica se os componentes do OA (grãos) podem ser agrupados

Confiabilidade Não apresenta defeitos técnicos ou problemas no conteúdo

pedagógico.

Disponibilidade O objeto está disponível para ser utilizado.

Durabilidade Durabilidade: indica se o OA se mantém intacto quando o repositório

em que ele está armazenado muda ou sofre problemas técnicos. Facilidade de instalação Indica se o OA pode ser facilmente instalado caso

Granularidade De maneira geral, a palavra granularidade origina-se da palavra grão,

[...]. Trazendo este conceito para o âmbito dos objetos de aprendizagem, a granularidade é a extensão à qual um OA é composto

por componentes menores e reutilizáveis.

Interoperabilidade: Medida de esforço necessário para que os dados dos OAs possam ser integrados a vários sistemas.

Manutenibilidade É a medida de esforço necessária para alterações do OA..

Portabilidade Indica se o OA pode ser transferido (ou instalado) para diferentes ambientes, como, por exemplo, diferentes tipos de AVAs ou sistemas operacionais.

Reusabilidade Indica as possibilidades de reutilizar os OAs em diferentes.

Usabilidade: Indica a facilidade de utilização dos Oas por alunos e professores. Fonte: produzido pela autora, 2018 - com base em Braga e Menezes, 2015.

Pelas características técnicas observadas, OA podem ser selecionados com segurança e disponibilizados AVA, como recursos para dar suporte à ação pedagógica.

Observamos que um OA/ODA pode reunir uma ou mais características conforme as suas particularidades. Assim, a equipe da plataforma Escolas na Rede, no ato da customização, deve levar em consideração alguns desses critérios para os que estiverem nele hospedados e os que forem inseridos e recategorizados nesse ato possam ser (re)utilizados na execução do currículo, como um recurso de aprendizagem que favoreça a aprendizagem, o que dependerá, também, do interesse do usuário e dos objetivos propostos.