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Amostra, material e métodos

No documento Relatório de Estágio Profissional (páginas 68-71)

4. Realização da Prática Profissional

4.1. Área 1 – Organização e gestão do ensino e aprendizagem

4.1.3 Melhorar a capacidade de observar

4.1.3.2 Projecto de Estudo

4.1.3.2.1 Amostra, material e métodos

Para continuar a estudar o tema da observação e dar seguimento ao meu projecto de ensaio decidi conduzir uma experiência de observação. Como ficou bem marcado na revisão da literatura a observação de um fenómeno é algo muito subjectivo uma vez que cada pessoa vê as coisas à sua maneira, segundo as suas próprias subjectividades (Sarmento, 2004). Para que uma observação produza resultados fiáveis o processo que deve ser levado a cabo obedece a várias regras. Sullivan & Glanz (2000) sugerem uma lista de passos fundamentais para que os resultados de uma observação possam ser tidos em consideração e produzam dados reais, fiáveis.

No entanto dentro deste mundo da observação o meu ímpeto não foi produzir mais um estudo acerca de como fazer uma boa observação ou testar instrumentos de observação. Procurei saber o que fazer numa observação cuidada e procurei nos livros a sabedoria que outros deixaram escrita acerca desta temática, já que isso era incontornável, sendo que o objectivo era estudar, com base numa experiência simples, as diferenças encontradas em observações realizadas por pessoas diferentes.

O primeiro passo foi traçar um contorno daquilo que iria ser a experiência. Dois ou mais Professores iriam observar uma mesma aula, ao mesmo tempo e registar as suas observações. A partir daí seria necessário decidir quantas e quais as pessoas que iriam participar na experiência, quantas observações iriam realizar e como se iria registar as observações.

Os intervenientes foi a questão mais fácil de resolver. O grupo de estágio, comigo incluído iria fazer as observações e registá-las. Uma vez que passamos uma boa parte do ano a observar aulas estávamos todos bem

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acostumados à observação. O nº de observações gerou um pouco mais de dúvida, mas uma vez que não encontrei nenhuma experiência parecida decidi fazer 3 observações de aulas diferentes para não ficar limitado apenas a uma observação isolada. A parte mais complexa foi decidir o meio para registar as observações e decidir o que observar. A condição essencial para que a experiência fosse pertinente era que os observadores analisassem a mesma aula ao mesmo tempo e fizessem um registo das observações sobre os mesmos pontos, utilizando um mesmo instrumento ou meio de registo. O que observar e como registar essa observação poderia ser ajustado.

Uma vez que o objectivo fulcral seria apenas comparar as observações dos diferentes professores eu não me vi forçado a utilizar instrumentos de observação previamente utilizados e analisados. Optei por elaborar uma lista de itens que traduzissem diversos factores, dentro da realidade de uma aula, que podem interferir na qualidade da mesma. Factores que ao longo deste ano foram repetidamente analisados e reflectidos pelo grupo de estágio. Factores que podem ser muito importantes para um professor e menos para outro, ou ainda decisivos, para o sucesso de uma aula, e indiferentes para outra. Factores que podem ser entendidos e utilizados pelos Professores de formas diferentes. Cada Professor observador, no final da observação da aula atribui, numa escala de 1 a 7, um valor a cada factor, sabendo que “1” significa o valor mais negativo, a ideia que aquele factor naquela aula, segundo o entendimento do observador, não poderia ter sido pior. Por exemplo, se um observador atribuir 1 ao factor “Motivação (Professor)” significa que, no seu entender, o Professor estava altamente desmotivado para a aula, ao passo que se o valor atribuído ao mesmo item for 7 o significado é o oposto. O valor 4 representa um valor neutro, um valor “normal”.

Os factores foram organizados em 4 categorias diferentes, sendo que cada uma das categorias tinha 4 subcategorias (ou factores), com a excepção da primeira, que englobava 7 subcategorias. Estas categorias e subcategorias foram, como já disse, escolhidas tendo em conta as nossas próprias observações prévias das aulas uns dos outros e dos Professores da escola. Todos os observadores estavam já habituados a lidar com elas, a pensar sobre

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elas, e todos têm uma forma diferente de olhar para cada uma, atribuindo a cada uma delas uma importância diferente, sendo que todas são importantes para a condução de uma aula de Educação Física. As nossas reflexões e correcções ao longo do ano lectivo foram também muito baseadas nestes factores, pelo que me pareceu pertinente utilizá-los nesta experiência

A primeira categoria que implementei foi a “organização da aula.” Dentro dela optei pelos factores “nº de exercícios”, “tempo de transição entre exercícios”, “tempo para exercitação dos exercícios”, “organização espacial dos exercícios”, “sequência de exercícios”, “rotinas organizativas”, “dinâmica da aula” e ainda “Tempo de Empenhamento Motor total”.

A segunda categoria intitulava-se “clima da aula” e englobava as subcategorias “proximidade afectiva Professor - alunos”, “motivação (Professor)”, “motivação (alunos) ” e “respeito e disciplina”.

“Intervenções do Professor” foi a escolhida para ser a terceira categoria e abrangia as subcategorias “quantidade”, “qualidade”, “postura (voz, tipo de feedback, controlo da aula…) ” e ainda “segurança na transmissão dos conteúdos”.

Por último escolhi o “comportamento dos alunos” para análise. Esta categoria abarcava as subcategorias “empenho”, “desempenho”, “comportamentos não apropriados” e ainda “comportamentos de ajuda ao Professor”.

Desta forma podemos facilmente comparar as observações elaboradas pelos observadores e perceber se, no entender de cada um, a aula em causa teve mais factores positivos ou mais negativos, dentro dos factores pré - estabelecidos.

Os factores foram elaborados, propositadamente, de forma muito abrangente, para que cada Observador possa entendê-lo à luz da sua experiência. Se os factores fossem demasiado específicos as observações tenderiam a ser menos pessoais e mais sistemáticas.

Antes da observação todos os Observadores lêem a ficha de registo e tiram todas as dúvidas possíveis. Durante a aula registam as suas observações. Podem fazer algum registo extra se assim acharem pertinente.

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A última categoria decidi deixar em branco para que cada um dos observadores a preencha com uma subcategoria, não mencionada na lista, que lhe pareça importante salientar. Assim cada observador vai registar um factor da aula que para ele é mais importante, de forma a tentar perceber o que é mais importante para cada um dos observadores numa aula de Educação Física.

No documento Relatório de Estágio Profissional (páginas 68-71)