4. Realização da Prática Profissional
4.1. Área 1 – Organização e gestão do ensino e aprendizagem
4.1.2 Sentir e perceber as dificuldades do Professor na aula
A aula de apresentação não pode ser considerada uma aula normal, uma vez que não passou de um diálogo com os alunos, mas assim que comecei com a primeira aula, propriamente dita, com conteúdos a transmitir e comportamentos a gerir, os problemas profissionais da docência começaram a
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surgir. A primeira dificuldade que senti foi a complexidade de acontecimentos e situações que precedem a parte fundamental da aula. Antes das preocupações lectivas à uma diversidade enorme de aspectos a ter em consideração para dar início à aula, que, da perspectiva de aluno, não me pareciam nada difíceis de controlar. Quando essa perspectiva mudou para o “modo Professor” percebi que, apesar de serem tarefas fáceis de levar a cabo, tornam-se difíceis quando aparecem todas ao mesmo tempo, num curto espaço de tempo. Essas tarefas não foram problema durante muito tempo, no entanto foram um grande primeiro obstáculo inesperado a ultrapassar. “Antes de estar sozinho frente a
frente com uma turma não me tinha apercebido da quantidade de coisas que um professor deve ter em conta para conduzir uma aula. E não estou a falar em termos de planeamento. Coisas como: quantos alunos estão; quantos estão a faltar; quem tem brincos; quem está a mascar chiclete; quem não faz aula; tarefas para quem não faz aula; quem tem cabelo comprido utiliza-o preso na aula; quem está a fazer aulas sem calçado próprio; espaço de aula a utilizar; quem está a dar aula ao lado; hora de início da aula… Estes aspectos que hoje já começam a ser mais „automáticos‟ no início eram um grande entrave ao bom decorrer da aula. Agora basta olhar para a turma e estes aspectos saltam à vista” (reflexão final 1º Período, p.1).
A aula começa e os problemas desdobram-se. Parece tão fácil conduzir uma aula, mas no entanto não é. As dúvidas que surgiam quanto à minha capacidade docente nunca foram maiores do que neste início de estágio. A gestão do espaço começou por ser dos primeiros problemas a ser resolvidos, e a gestão dos comportamentos seguiu-se. Ainda não tinha tido tempo, até aqui, de pensar em problemas como metodologias de ensino. Para já o esforço ia em grande parte para a distribuição dos alunos pelos exercícios, pela escolha correcta das palavras nas transmissões de informação, pela organização geral da aula, entre outros aspectos organizativos. A preocupação com a matéria desportiva ficava essencialmente pelo plano de aula. Assim que a aula começava, começavam os problemas mais gerais, problemas que eu sabia iriam ser ultrapassados sem grande dificuldade, apesar de me estarem a fazer reflectir muito naquele momento. Aqui a ajuda do grupo de estágio e da
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Professora Cooperante foi mais próxima que nunca. Eram erros de fácil correcção, que se iam compondo de aula para aula de forma claramente visível. A observação das aulas dos meus colegas de estágio também contribuía imenso para melhorar os meus próprios erros uma vez que o erro de um foi, quase sempre, o desacerto dos outros, e as reflexões de um influenciavam directamente as dos outros.
Após a superação deste tipo de problemas pude começar a pensar nos problemas mais importantes e complexos de resolver. O plano de aula começou a ser corrigido desde o primeiro mas só agora conseguia dedicar a maior parte da minha atenção para este elemento. Penso que não tive dificuldades em dominar a feitura dos planos de aula, e utilizá-los correctamente também não foi grande problema. No entanto nasceu aqui um problema que se foi prolongando ao longo do ano. Aquando da realização do plano de aula eu devia ponderar bem nos exercícios escolhidos e esses exercícios deveriam agradar a vários intervenientes da aula. Por um lado cada objectivo reclama um tipo de exercício diferente, tendo já aqui muitas opções a tomar. Por outro lado, o tipo de exercício que eu escolheria para dada aula não coincidia sempre com a opção que a Professora Cooperante tomaria na mesma situação, e o mesmo se pode aplicar ao Orientador da Faculdade. Então para um plano de aula eu vi-me sempre obrigado a ser cauteloso nesta escolha tentando sempre não fugir muito da perspectiva de nenhum dos Professores nem da minha, nem das expectativas dos alunos. Por vezes alterei planos de aula repetidas vezes devido a estas pequenas escolhas. Assim pondero sempre várias perspectivas, olhando para cada situação de vários ângulos possíveis. Sei que daqui para a frente não tenho que agradar se não a mim ou aos alunos na escolha dos exercícios, no entanto, é muito importante que mantenha a visão aberta a outras escolhas possíveis, pois nem sempre a minha é a mais acertada.
Além destas dificuldades duas houve que me marcaram profundamente o estágio. A mais constante foi sem dúvida a minha voz. Tenho uma voz pouco audível, pouco colocada, o que não ajuda nada um Professor, muito menos se a disciplina em causa for a Educação Física. A outra terá sido
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a observação. Senti grandes dificuldades no início do ano lectivo, e fui tentando ultrapassá-las a cada aula. No entanto desenvolverei mais estes dois aspectos adiante neste relatório.
As dificuldades sentidas não ficam por aqui, no entanto, não alongarei mais este ponto uma vez que decidi ficar pelas mais pertinentes. Poderia eventualmente enumerar mais algumas dificuldades encontradas no acto de leccionar, no entanto essas não seriam tão pertinentes para este documento uma vez que não me fizeram perder muito tempo. Considero-as normais, e parece-me que não me causaram grandes entraves nem me fizeram reflectir muito sobre como ultrapassá-las.