1 O PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA DE MINAS GERAIS: UM
1.5 A AMPLIAÇÃO DO PROGRAMA
Inicialmente, o Programa de Intervenção Pedagógica teve como foco principal as turmas do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos), porém a partir de 2009, o direcionamento foi estendido para o Ciclo Complementar (4º e 5º anos), no intuito de consolidar a alfabetização e o letramento desses alunos. Esta ação significou incluir mais 18.500 professores nas 2.458 escolas estaduais de Minas Gerais, sem, contudo, ampliar o número de integrantes das Equipes Central e das Regionais.
Para atender a esta expansão a SEE promoveu encontros para a capacitação de todos os atores, incluindo diretores, especialistas e professores do Ciclo Complementar. Durante esses momentos, foram realizados estudos sobre a metodologia proposta, bem como análises e reflexões sobre os resultados alcançados no PROEB10, tendo em vista a elaboração do Plano de Intervenção Pedagógica destinado aos alunos do 4º e 5º anos.
Além disso, a SEE/MG, em parceria com Universidade Federal de Viçosa, ofereceu um curso de formação continuada, o PRÓ-CIÊNCIAS, a uma equipe de professores do Ciclo Complementar e analistas das superintendências, com o foco no desenvolvimento de aulas práticas de Ciências e Matemática. Para alicerçar o trabalho dos professores em sala de aula, foram desenvolvidos materiais instrucionais com foco em Língua Portuguesa e Matemática bem como as matrizes curriculares de todas as disciplinas, contemplando habilidades a serem introduzidas, trabalhadas e consolidadas pelos alunos do Ciclo Complementar.
É importante destacar que, apesar do foco principal do Programa ser a alfabetização no tempo certo, a SEE/MG desenvolveu também algumas ações
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O PROEB é o Programa de Avaliação da Educação Básica de Minas Gerais que avalia os alunos do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática anualmente.
voltadas para a implementação do Currículo Básico Comum (CBC) nos anos finais do EF e Ensino Médio, com o objetivo de desenvolver nos alunos as capacidades de Língua Portuguesa e Matemática, o que exigiu o acompanhamento destas turmas pela ER. Diante disso, a partir de 2009, observa-se que o Programa, antes desenhado para atender a um problema relacionado à alfabetização, assume uma perspectiva mais ampla, direcionando-se para a escola como um todo.
1.5.1 A Expansão para os Anos Finais do Ensino Fundamental
Considerando os resultados positivos alcançados nas turmas do 3º e 5º anos, o Programa de Intervenção Pedagógica, em 2011, continuou sua expansão visando a atender, oficialmente, as turmas dos anos finais do EF. Tal fato ocasionou a ampliação das equipes central e regionais envolvidas na implementação das ações e a elaboração de material didático-pedagógico, com a respectiva capacitação, para a utilização dos professores em sala de aula.
O objetivo dessa expansão foi elevar os índices educacionais dos alunos de 6º ao 9º ano, promovendo uma educação capaz de minimizar as dificuldades encontradas, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática. É importante ressaltar que essa decisão da SEE/MG se justificou tendo em vista os resultados insatisfatórios no desempenho dos alunos do 9º ano do EF nas avaliações externas, PROEB e IDEB11.
Assim, o PIP/ATC passou a ser considerado como PIP I e o PIP/ Anos Finais, como PIP II. Neste momento, então, a decisão político pedagógica da SEE/MG voltou-se para a consolidação do PIP I e a expansão de suas ações para o PIP II, ocasionando a ampliação dos membros das equipes central e regionais.
A Equipe Central passou a contar, então, com 40 (quarenta) professores selecionados mediante análise de currículo e entrevista e nomeados pelo Governador do Estado para cargos comissionados, DAD4. Para atuarem nas
11 IDEB é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) em 2007, a fim de reunir em um só indicador dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações em larga escala. Este indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar e médias de desempenho nas avaliações do INEP, o Saeb – para unidades da federação e para o país, e a Prova Brasil – para os municípios. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb
superintendências regionais foram contratados 480 (quatrocentos e oitenta) profissionais das áreas especializadas: Linguagens (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física), Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas (História e Geografia). Vale destacar que, segundo o resumo elaborado pela SEE/MG acerca do Programa de Intervenção Pedagógica (2012), para integrar as equipes central e regionais, os candidatos comprovaram habilitação específica (licenciatura plena) na área do conhecimento ou conteúdo da organização curricular dos anos finais do EF, com experiência de sala de aula nestes anos e disponibilidade para viajar com frequência.
Além das questões relatadas, os candidatos precisaram comprovar “capacidade de comunicação oral e escrita, liderança e relacionamento interpessoal, habilidade na estruturação e resolução de problemas, criatividade e conhecimento do conteúdo curricular de sua área de competência.” (MINAS GERAIS, 2012). As ações desenvolvidas por esses especialistas basearam-se na elaboração de materiais didáticos, capacitação de professores, visitas periódicas às escolas e salas de aula com a elaboração de relatórios específicos e análises de dados e informações educacionais para posterior orientação pedagógica. (MINAS GERAIS, 2012).
1.5.2 A Expansão para a Rede Municipal de Ensino
Dando continuidade ao histórico do PIP/ATC, a SEE/MG considerou que um marco na trajetória do Programa foi a adesão, em 2013, de 100% dos municípios mineiros às ações de intervenção. Conforme apresentado na cartilha Programa de Intervenção Pedagógica/Alfabetização no Tempo Certo Municipal (2013), Estado e Municípios tornaram-se parceiros, oficialmente, com o objetivo de unificar a promoção de uma educação pública de qualidade a todos os alunos das respectivas redes, o que já vinha acontecendo, informalmente, desde 2007.
Nesse documento, a SEE/MG reconheceu a importância de expandir o PIP para os anos iniciais das redes municipais de ensino, tendo em vista o número elevado de alunos que os municípios atendem, sendo muitos desses, futuros alunos da rede estadual. Dessa forma, tornou-se imprescindível potencializar os resultados de alfabetização em Minas Gerais, a fim de garantir que todas as crianças,
atendidas pela educação pública do estado ou dos municípios , estivessem lendo e escrevendo até os oito anos de idade.
Inicialmente, para a implementação do PIP/ATC nos municípios, a SEE/MG realizou uma análise criteriosa dos indicadores educacionais das redes municipais, especialmente os referentes ao PROALFA. A partir dessa análise, foram sugeridas metas a serem pactuadas com cada instituição de ensino, podendo as Secretarias Municipais alterá-las conforme suas realidades. Além disso, para garantir a efetiva implantação do Programa em cada rede de ensino municipal, as SMEs, com o apoio da SEE/MG, comprometeram-se a:
1) Formar uma Equipe Pedagógica do PIP Municipal, composta de professores ou pedagogos com experiência e conhecimento em alfabetização, com o objetivo de apoiar o professor e transformar a prática em sala de aula.; 2) Garantir, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, a formação continuada de diretores escolares, especialistas e professores; 3) Viabilizar a infraestrutura necessária para a realização das avaliações externas (PROALFA, PROEB e Prova Brasil) e, posteriormente, coordenar o processo de análise dos resultados e a elaboração do Plano de Intervenção Pedagógica em cada escola; 4) Garantir o apoio necessário à transformação das práticas pedagógicas nas escolas. (MINAS GERAIS, 2013, p.13)
A partir daí, para o devido funcionamento do PIP/ATC na rede municipal, a EC, ER e EM uniram forças numa cadeia de apoio pedagógico, com o objetivo de melhorar o desempenho dos alunos das escolas municipais. A Figura 3 a seguir apresenta as atribuições de cada equipe, conforme as orientações da SEE/MG.
Equipe Central
Orienta e capacita Equipe Regional.
Compila, analisa e distribui resultados das avaliações externas PROALFA/PROEB.
Equipe Regional
Apoia e orienta Equipe Municipal.
Realiza formação continuada com apoio da Equipe Regional do PIP. Identifica e difunde melhores práticas.
Visita as SMEs e escolas estratégicas, em conjunto com a Equipe Municipal.
Equipe Municipal
Apoia e orienta o trabalho dos diretores, especialistas e professores (incluindo formação continuada). Visita às escolas com foco na sala de aula.
Figura 3 - As atribuições das Equipes do PIP/RM
Fonte: elaboração própria a partir do documento da SEE/MG: Programa de Intervenção Pedagógica Alfabetização no Tempo Certo Municipal, 2013, p.8.