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Ampliando e aprofundando a proficiência: a leitura programada

6.2 De que maneira a Escola pode Organizar o seu Trabalho com Leitura,

6.2.3 As Modalidades Didáticas de Trabalho com Leitura

6.2.3.3 Ampliando e aprofundando a proficiência: a leitura programada

Outra modalidade didática de organização do trabalho com leitura refere-se à leitura programada. Trata-se de um tipo de atividade cuja finalidade é trabalhar com a ampliação da proficiência dos alunos no que se refere à leitura de textos mais extensos e/ou complexos, programando a leitura do material (livro de contos, romance, conto mais extenso, por exemplo), parte a parte.

Procedimentos do Professor:

a) Ler o material selecionado e dividi-lo em partes, semanticamente co- erentes, para serem lidas, sequenciadamente, pelos alunos, em prazos previamente combinados. A leitura deve ser realizada fora da sala de aula,

e não na classe; nesta, apenas a tematização da leitura acontecerá. b) A partir da leitura prévia de cada parte do material, levantar aspectos que

precisam ser tratados, no que se refere à materialidade linguística: recur- sos gráficos utilizados pelo autor e os efeitos de sentidos produzidos pela sua utilização (utilizar itálico, por exemplo, quando a fala é de um determi- nado personagem e fonte regular quando a fala é do narrador); recursos de pontuação; recursos textuais e discursivos (uso do discurso indireto livre, por exemplo; ou nomeação dos capítulos nada convencional). c) Elaborar questões a serem apresentadas aos alunos para tematização dos

aspectos focados.

d) Na data prevista, promover a discussão coletiva dos aspectos priorizados, explicitando procedimentos de leitura utilizados, assim como pistas lin- guísticas que permitiram a mobilização das habilidades de leitura utilizadas pelos diferentes alunos.

RECOMENDAçõES FINAIS

Finalizando a reflexão aqui realizada, é importante que a escola tenha claros todos os aspectos implicados tanto no processo de leitura, em si, quanto na or- ganização das atividades de leitura que desenvolverá junto aos alunos, os quais procuramos apontar, focalizando:

a) conteúdos do ensino de leitura;

b) conteúdos que a avaliação do SAEB e da PROVA BRASIL não tomam como foco, mas que são constitutivos da proficiência do aluno;

c) conteúdos efetivamente avaliados por tais instrumentos; d) aspectos constitutivos da ação pedagógica da escola:

i. saberes relativos à natureza do objeto – linguagem verbal;

ii. aspectos concernentes ao processo de aprendizado: sua natureza e características fundamentais;

iii. aspectos que decorrem da compreensão que se tem tanto do ob- jeto de ensino quanto do processo de conhecimento, e que têm implicações diretas na organização didática do trabalho;

iv. modalidades didáticas que podem ser utilizadas na organização do trabalho com leitura;

e) critérios que precisam ser utilizados na organização da progressão do trabalho com leitura.

Este material procurou descrever e discutir cada um desses aspectos, buscando oferecer à escola um referencial objetivo e claro que possa contribuir – efetivamente – para a organização do trabalho peda-

gógico.

No entanto, documentos organizados podem ser uma boa referência apenas se forem estudados e discutidos em espaços efetivamente criados na escola para tanto. De nada adianta que materiais desta na-

tureza componham o acervo da biblioteca de estudo da escola, se não sair das prateleiras. Tampouco é suficiente uma ação eventual que busque essa

finalidade.

Todos sabemos que a ação educativa precisa ser reiterativa, fre- quente, colaborativa para que pos- sa ser consistente. Assim, o espaço

de estudo semanal é indispensá- vel. Sugerimos que esse material

replicado; que atividades de leitura sejam planejadas, desenvolvidas, discutidas, analisadas pelo conjunto de professores, em um processo franco e honesto de esclarecimentos de dúvidas, de análise de encaminhamentos dados que surtiram – ou não – o efeito desejado junto aos alunos; que as propostas elaboradas sejam revistas e novas sejam encaminhadas a partir da reflexão realizada, de modo que a escola possa organizar “bancos de atividades de leitura”, com registros reflexivos sobre o seu desenvolvimento, que possam ser disponibilizados para todo o corpo docente.

Além disso, a escola também pode selecionar acervo, analisando a qualidade dos textos e a sua adequação para o trabalho com tais ou quais capacidades de leitura, agrupando-os por gêneros, pela complexidade dos textos, por exemplo. Pode, ainda, promover uma efetiva análise da rotina de trabalho desenvolvida em classe, focalizando os espaços reservados para o trabalho com leitura, e realizando os ajustes que forem necessários e adequados. Experimentar diferentes rotinas, criteriosamente, com sustentação, é fundamental para o aperfeiçoamento da ação didática.

Para aprofundamento de estudos dos professores sugerimos, ainda, a consulta à bibliografia de referência desse documento.

Coordenadores Pedagógicos, junto aos Diretores, podem organizar planos de estudos a serem desenvolvidos, discutindo-os com seus pares e com assessoria das Equipes Técnicas das Diretorias de Ensino e das Secretarias de Educação.

Para finalizar estas considerações, é importante ressaltar a necessidade de or- ganizar uma ação que permita que a escola se constitua como uma verdadeira co- munidade de leitores, de modo que, a cada dia, possa colaborar com a ampliação da proficiência leitora de seus integrantes.

Nessa perspectiva, é fundamental levar em conta que a constituição, a amplia- ção e o aprofundamento da proficiência leitora do aluno requerem investimento cotidiano, realizado a partir do esforço e da ação da escola como um todo.

Embora a competência técnica dos profissionais da educação seja indispen- sável para o desenvolvimento de um trabalho educativo de qualidade, de nada adiantará se, ao seu lado, não estiver presente um efetivo compromisso de todos os membros da comunidade escolar com a formação efetiva do cidadão, de modo a garantir-lhe um direito inalienável: o de participar de um processo educativo de qualidade.

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