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Análise comparativa da quantificação geral

4.1 Análise Quantitativa

4.1.1 Análise comparativa da quantificação geral

Nesta subseção, faz-se uma análise comparativa entre Luisburgo e Belo Horizonte, a fim de observar se há diferenças ou não entre os dados rurais e os dados urbanos em relação ao uso de graduadores na quantificação geral. Conforme já exposto, os graduadores possuem um total geral de 1.122 ocorrências distribuídas nas duas localidades. São 642 ocorrências em Luisburgo, o que equivale a 57% do total, e 480 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 43% do total. Nessa distribuição dos dados, podemos observar que não há uma grande discrepância quantitativa entre os dados rurais e os dados urbanos. Dessa forma, podemos notar que essa quantificação geral traz valores bastante aproximados nessas duas localidades, embora pequenas diferenças vão ser percebidas, à medida que é feito um maior refinamento dos dados.

Esses 1.122 graduadores estão divididos em duas classes: intensificadores e atenuadores. A maioria esmagadora dos dados é de intensificadores, com 1.068 ocorrências, o que corresponde a 95% desse total. Os atenuadores possuem um percentual pouco expressivo com apenas 54 ocorrências, totalizando 5% desse total.

Os 1.068 intensificadores estão distribuídos da seguinte forma nas duas localidades: Luisburgo apresenta 607 ocorrências, o que equivale a 57% do total, e Belo Horizonte possui 461 ocorrências, o que corresponde a 43% do total. A distribuição dos 54 atenuadores se deu da seguinte maneira: 35 ocorrências foram registradas em Luisburgo, perfazendo 65% dos casos, e 19 ocorrências foram identificadas em Belo Horizonte, o que corresponde a 35% dos casos. Como se vê, a distribuição dos intensificadores é bastante aproximada nas duas amostras de fala, ao passo que a distribuição dos atenuadores apresenta maior representatividade nos dados rurais.

Quanto aos itens que compõem a classe dos graduadores, os intensificadores apresentam um número maior de itens variados, com 6 lexias diferentes: muito, mais, bem, tão, demais e bastante. Já a classe dos atenuadores apresenta 3 lexias apenas: quase, meio e pouco. Como ambos os corpora utilizam os mesmos itens, não parece que essa distribuição geral vá caracterizar a diferença entre o rural e o urbano. Este é o quadro geral, porém, se focalizarmos a frequência de ocorrência dessas lexias por localidade, podemos encontrar distintos padrões de uso, como veremos a seguir.

Dentre os intensificadores, o item muito é o mais recorrente com 724 ocorrências. Sozinho, corresponde a mais da metade das ocorrências, com 68% do total de intensificadores: 407 ocorrências em Luisburgo, o equivalente a 56% do total, e 317 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 44% do total. Nos dados rurais e nos urbanos, é o intensificador por excelência, ou seja, muito é o intensificador preferencial em ambas as localidades, pois possui um percentual bastante aproximado nas duas amostras de fala.

O intensificador mais, segundo mais recorrente, possui um total 225 de ocorrências: 121 ocorrências em Luisburgo, perfazendo 54% dos casos, e 104 ocorrências em Belo Horizonte, o que equivale a 46% do total. Como se observa, assim como o item muito, o percentual desse intensificador também é bastante similar nas duas amostras de fala.

Na quantificação do intensificador bem, vamos notar que há diferenças de uso nas duas localidades. Esse intensificador possui um total de 48 ocorrências: 36 ocorrências em Luisburgo, o que equivale a 75% dos casos, e 12 ocorrências em Belo Horizonte, o equivalente a 25% do total, que corresponde a um terço dos dados rurais. Conforme se pode verificar, o percentual desse intensificador vai sinalizar uma diferença significativa no padrão de uso nos dados rurais e urbanos, uma vez que esse item ocorre com maior frequência de ocorrência nos dados rurais, com 75% das ocorrências.

Outro intensificador que também possui um padrão diferente é tão. Com um total de 33 ocorrências, esse intensificador vai indicar uma diferença entre a fala rural e a urbana. São 11 ocorrências em Luisburgo, o que equivale a 33% do total, e 22 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 67% do total, isto é, os dados urbanos possuem o dobro de ocorrências em relação aos rurais.

Assim como o intensificador bem, o intensificador demais, com 31 casos, também vai indicar um uso mais rural desse item. São 28 ocorrências em Luisburgo, perfazendo 90% dos casos, e 3 ocorrências em Belo Horizonte, o que equivale a 10% do total. Esse percentual revela que o uso desse intensificador está centrado quase que totalmente nos dados rurais.

Quanto ao intensificador bastante, o menos recorrente, segue o padrão de muito e de mais. Com apenas 7 ocorrências, esse intensificador possui um padrão de distribuição bem aproximado em ambos os dados: 4 ocorrências em Luisburgo, o que equivalente a 57% do total, e 3 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 43% desse total.

Em relação aos atenuadores, que ocorrem com maior frequência nos dados rurais, a distribuição se dá da seguinte forma: quase possui 24 ocorrências: 15 ocorrências em Luisburgo, o que equivale a 62% dos casos, e 9 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 38% do total. Meio possui 17 ocorrências: 12 ocorrências em Luisburgo, o equivalente a 70% do total, e 5 ocorrências em Belo Horizonte, o que corresponde a 30% do total. Pouco possui 13 ocorrências: 8 ocorrências em Luisburgo, o que corresponde a 62% do total, e 5 ocorrências em Belo Horizonte, o que equivale a 38% desse total. Embora a concentração de atenuadores seja maior nos dados rurais, em termos percentuais, o número de lexias é o mesmo nas duas localidades, conforme já foi mencionado.

Feita essa análise, podemos perceber que essa diferença qualitativa, apontada pela frequência dos graduadores, vai ajudar na caracterização de cada uma das falas. De modo peculiar, dentre os intensificadores, o tão é mais frequente em Belo Horizonte, o bem e o demais em Luisburgo; já os itens atenuadores demonstram-se mais recorrentes nos dados rurais.

Essa visão geral fornecida pela quantificação dos itens graduadores, embora revele a particularidades de alguns itens, como o tão , o bem e o demais, não é suficiente para estabelecer uma completa descrição dos graduadores na fala rural e na fala urbana. Dessa forma, na seção seguinte, acrescentaremos a análise dos graduadores com referência à classe sobre a qual eles incidem, isto é, seus escopos. A ordem de preferência dos intensificadores nos dados analisados é adjetivo, verbo e advérbio. Já para os atenuadores, a ordem de preferência é verbo, adjetivo e advérbio. Assim, os dados serão dispostos nessas duas sequências, uma para os intensificadores e outra para os atenuadores, como veremos a seguir. Embora saibamos que adjetivos e advérbios possuam maior proximidade quanto à posição dos graduadores na sentença em comparação aos verbos, a organização dos dados não vai pautar-se nessa questão.