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5.6. Alinhamento de imagens de um mesmo doente
5.6.4. Análise comparativa dos resultados
As experiências anteriores realizaram‐se alinhando cada conjunto de imagem (designados de (1) a (6)) com todos os algoritmos seleccionados, o que totaliza 36 combinações distintas. Sobressai a opção por quatro técnicas que possibilitam o alinhamento baseando‐se numa transformação rígida e por outras duas que o permitem através de meios não‐rígidos. Assim, nesta secção são analisadas e discutidas as figuras e as tabelas apresentadas na anterior, de acordo com os objectivos definidos e por comparação entre os diversos algoritmos da biblioteca ITK seleccionados para este estudo experimental, procurando interpretar e comentar as situações excepcionais e justificar as diferenças encontradas. De salientar que, todos os algoritmos deste estudo experimental foram todos ensaiados com os parâmetros definidos em 5.6.2.
Na Tabela 5.9 podem ser vistos os resultados finais dos parâmetros produzidos aquando do alinhamento do grupo de imagem (1), respectivamente, com os algoritmos (A) a (F). Observa‐se que existem entre estes, variações significativas nos valores do tempo de processamento e nos da quantidade de iterações, variam entre 29 para o (B) e 3919 para o (F), ao invés das grandezas das translações e rotações que são muito similares.
Examinando os gráficos das Figuras 5.9 a 5.14, verifica‐se que o valor da métrica varia à medida que o optimizador avança e que após um determinado número de iterações, quase não oscila. O comportamento revelado por estas parcelas normalmente permite identificar melhorias na configuração dos parâmetros associados ao alinhamento (Ibánez, Schroeder et al. 2005). Deste modo, se a métrica possibilita medir quantitativamente o quão bem a imagem móvel transformada se encaixa na imagem fixa original, comparando a intensidade das imagens, então o valor óptimo da classe:
itk::MeanSquaresImageToImageMetric, presente nos algoritmos (A), (B), (C) e (E), deve idealmente ser zero, sendo que baixas correspondências entre as imagens, resultam em altos valores do critério de similaridade;
itk::MattesMutualInformationImageToImageMetric, existente em (D) e (F), atinge o seu máximo na condição de alinhamento das imagens; assim, se tender para zero indica que a métrica não encontra a melhor correspondência possível.
Disto observa‐se que apenas os algoritmos (D) e (F) empregam uma métrica baseada na teoria da informação. Contudo, no capítulo IV, indica‐se que os algoritmos que utilizam estes critérios de similaridade são mais populares no alinhamento não‐rígido de imagens (Zagorchev and Goshtasby 2006), ora, verifica‐se que o algoritmo (D) assenta em transformações lineares. Assim, é bastante permutável e adaptável às diversas transformações.
Observando na Tabela 5.9 o campo que contém o valor da métrica no final do alinhamento, percebe‐se que os valores são distintos dos óptimos, indicando que não foi possível encontrar a melhor correspondência possível, o que resulta nas discrepâncias observáveis na coluna da direita da Tabela 5.8.
Nas Figuras 5.9 a 5.12 verifica‐se ainda que, as curvas de rotação e de translação podem ser mais ou menos suave, dependo do algoritmo em estudo. Nesses gráficos, observa‐se ainda
que o comportamento bastante suave, indica que um maior comprimento do passo pode facilmente ser suportado pelo optimizador.
Nas Figuras 5.13 e 5.14, o campo de deformação, que contém informação respeitante às desigualdades entre as duas imagens e é empregue para quantificar a deslocação do tecido, apresenta dados em concordância com os alcançados pelos outros algoritmos, isto é, de forma mais ou menos acentuada, uma rotação conjuntamente com translações segundo e .
Tendo por base somente os valores finais das medidas de similaridade presentes na Tabela 5.9, no caso do primeiro conjunto de imagens o melhor alinhamento é alcançado pelo algoritmo (E). Contudo, observa‐se que o tempo de processamento é em muito superior ao dos algoritmos que têm por base transformações lineares.
Sendo que o principal objectivo do alinhamento de imagens consiste em “rectificar” uma imagem de modo a que a resultante possua o mesmo sistema de coordenadas da de referência, observa‐se na coluna da esquerda da Tabela 5.10, que o algoritmo (E) originou imensas disparidades no desfecho esperado. Neste segundo conjunto de imagens, na Tabela 5.11 é também possível notar que o algoritmo (D) produziu, relativamente às translações e à rotação, informação bastante distinta da fornecida pelas técnicas (A), (B) e (C). Assim, nesta discussão de resultados não se consideram os resultados gerados pelos algoritmos (D) e (E).
Comparativamente com o conjunto (1), na Tabela 5.11 verifica‐se que, à excepção do algoritmo (F), foi necessário ao segundo grupo de imagens um tempo de processamento superior. Em sentido inverso, observa‐se que os valores da métrica foram melhores para estas imagens, mas ainda muito longe da importância óptima. Analogamente com o que sucedeu no primeiro grupo de imagens, o alinhamento resultante apresentou discrepâncias, conforme observável na coluna da direita da Tabela 5.10. Estas divergências são algo inferiores às verificadas anteriormente com o conjunto (1), porque o valor obtido pela medida de similaridade, encontra‐se mais próximo do que é considerado como óptimo.
Conforme se verifica pelos gráficos das Figuras 5.15 e 5.16, a partir de uma determinada iteração não há modificações significativas no comportamento da métrica e do ângulo, mas numa fase inicial, esses parâmetros apresentam bastantes irregularidades. Ao invés, nas Figuras 5.17 e 5.20, esses factores, neste caso, apenas a medida de similaridade, apresentam um comportamento algo suave desde as primeiras iterações.
Pode ser visto nos gráficos (c) das Figuras 5.15 e 5.16 que o comprimento do passo é reduzido progressivamente à medida que o optimizador se aproxima do valor extremo do critério de similaridade.
Baseando‐se exclusivamente nos valores finais da métrica da Tabela 5.11, no caso do conjunto (2) de dados, o melhor alinhamento é obtido pelo algoritmo (C). Contudo, observa‐se que o tempo de processamento é muito elevado, quando comparado com os tempos dos outros algoritmos baseados em transformações lineares.
As imagens presentes no segundo e no terceiro conjunto pertencem ao mesmo doente. Observando as figuras da Tabela 5.7, constata‐se que a diferença inicial entre as imagens fixa e móvel é quase idêntica entre os dois lotes. Confrontando os dados da Tabela 5.11 (para o
conjunto (2)) com os da Tabela 5.13 (para o conjunto (3)), verifica‐se que nesta última, à excepção do algoritmo (E), os tempos de processamento e o valor final da métrica são parecidos ou substancialmente superiores. Constata‐se ainda que é novamente impossível encontrar uma correspondência perfeita, o que resulta nas discrepâncias observáveis na coluna da direita da Tabela 5.12.
Na Tabela 5.13, os valores obtidos para as translações em e divergem significativamente entre algoritmos. Tendo por base os valores finais da métrica considerada, depreende‐se que os algoritmos (B) e (C) estão mais próximos dos valores óptimos, assim, as translações estimadas mais correctas, são as associadas a estes algoritmos.
Tal como sucede com o conjunto (2) de imagens, nos gráficos dos algoritmos (A) e (B) das Figuras 5.21 e 5.22, verifica‐se que a partir de uma determinada iteração não houve alterações significantes no comportamento da métrica e do ângulo, mas numa fase inicial eles apresentaram variações significativas. Nos restantes algoritmos verifica‐se um percurso suave ao longo das iterações efectuadas.
Para o conjunto (3), nas figuras das diferenças entre as imagens após o alinhamento, coluna direita da Tabela 5.12, pode ser visto que não foi obtida uma correspondência perfeita, contudo, as discrepâncias verificadas foram relativamente baixas.
Considerando exclusivamente os valores finais da métrica apresentados na Tabela 5.13, no caso do conjunto (3) de imagens o melhor alinhamento é obtido pelo algoritmo (E). Contudo, observa‐se que o tempo de CPU exigido foi muito elevado quando comparado com o dos algoritmos que assentam transformações lineares.
Observando‐se as Tabelas 5.14 e 5.15, pode‐se afirmar‐se que a amostra (4) exibe resultados insatisfatórios, pois:
Nas imagens das diferenças entre as imagens original e após o alinhamento, coluna da direita da Tabela 5.14, repara‐se que somente a técnica (B) aparentou uma correspondência satisfatória; Os valores numéricos das métricas foram bastante mais afastados dos óptimos do que nos conjuntos anteriores; O número máximo de iterações possíveis foi atingido no algoritmo (C); No algoritmo (E) apenas foram executadas duas iterações antes de ser alcançada a tolerância do optimizador.
Provavelmente os factos anteriores surgem pelo facto das imagens deste conjunto apresentarem intensidades muito distintas entre si. Ora as imagens do lote (5) pertencem ao mesmo doente que estas e observando a Tabela 5.16, pode‐se concluir que somente no algoritmo (B) aparentou um alinhamento suficiente porque, por exemplo, nos algoritmos (E) e (F) a imagem móvel após o alinhamento, apresentou‐se bastante distorcida. Assim, com este tipo de resultados e para estas duas amostras do estudo experimental, apenas é viável concluir que estes seis algoritmos, com os parâmetros atribuídos inicialmente, não retornaram as
correspondências desejadas ou qualquer resultado próximo disso. A classe itk::MeanSquaresImageToImageMetric calcula as similaridades entre os píxeis das imagens numa região definida pelo utilizador. Deste modo, a delimitação dessa área não especificamente para estes conjuntos de imagens, provavelmente provocou alterações significativas no resultado da medida de similaridade e desta forma também no optimizador.
O conjunto (6) compõe‐se de uma imagem extraída de uma base de imagens médicas simuladas e de outra propositadamente desalinhada segundo uma rotação de ‐90º para este estudo experimental. Das Tabelas 5.18 e 5.19 observa‐se que os algoritmos não foram suficientemente maleáveis para o cálculo de rotações com grandes diferenças, retornando resultados distantes dos óptimos. Assim, tal como aconteceu com os conjuntos (4) e (5) de imagens e como os resultados obtidos não corresponderam ao desalinhamento intencionalmente inserido, pode‐se apontar ao facto de que a definição dos parâmetros dos algoritmos de alinhamento não foi a mais indicada para este tipo de situação.
Analisados os resultados obtidos nos ensaios realizados para as diversas imagens e algoritmos considerados, não se denotou um equilíbrio entre as técnicas aplicadas, de tal forma que, o tempo de execução dispendido para determinar o alinhamento de imagens pelos algoritmos com base em transformações não‐rígidas foi bastante alto, o que se deve provavelmente à necessidade de resolver o problema associado a uma elevada quantidade de
parâmetros. Nos algoritmos que utilizam a métrica
itk::MattesMutualInformationImageToImageMetric, verificou‐se que o tempo de CPU é influenciado pelo número de amostras (NumberOfSpatialSamples) usadas. Na biblioteca ITK, a implementação da transformação itk::BSplineDeformableTransform, que é empregue nos algoritmos (E) e (F), aparentou não ser óptima pois não se mostrou suficientemente flexível para o cálculo de grandes rotações, translações ou diferenças de escala, tal como foi verificado em (Ibánez, Schroeder et al. 2005).
Como salientado anteriormente, os valores numéricos dos parâmetros dos algoritmos de alinhamento foram usados em todos os conjuntos de imagens analisados neste estudo experimental. Assim, provavelmente os parâmetros carecem de ajuste específico aos tipos de estruturas a alinhar e aos géneros de desalinhamentos esperados, como sucede por exemplo:
No algoritmo ImageRegistration9.cxx, onde os parâmetros da matriz de rotação, que não foram modificados no código fonte, para certos conjuntos de imagens aparentam ser diferentes, em alguns casos maiores noutros menores, dos existentes;
No algoritmo (D), onde o NumberOfHistogramBins e o NumberOfSpatialSamples, que foram alterados no código fonte, devem ser insuficientes para produzir diferenciação clara de todos os tecidos importantes para a aplicação.
Assim, para a resolução do alinhamento monomodal e intra‐paciente de estruturas em imagens de doentes com esclerose múltipla, os algoritmos da biblioteca ITK baseados em transformações lineares, apresentaram resultados razoáveis, podendo ser substancialmente melhorados desde que todos os parâmetros sejam ajustados a cada conjunto de imagens. A colocação em correspondência com base em técnicas não‐lineares, devido ao elevado número
de graus de liberdade e à sua complexidade computacional, careceu também deste ajuste para que este tipo de algoritmo fosse melhor a alinhar as estruturas de cérebros dos doentes.
De modo geral, nas várias experiências realizadas neste estudo, verificou‐se a colocação em correspondência das imagens é muito dependente do problema a resolver, sendo que há factores fundamentais para a qualidade dos alinhamentos obtidos; isto é, as imagens disponíveis e os parâmetros seleccionados, nomeadamente, os associados ao método de optimização e ao critério de similaridade. A métrica é talvez o elemento mais crítico de todo o processo, porque algumas têm uma grande gama enquanto outras requerem uma inicialização próxima da posição ideal e, infelizmente, não existem regras claras sobre como escolhê‐la (Ibánez, Schroeder et al. 2005), sendo que a sensibilidade de todas estas configurações, apenas experimentalmente consegue ser correctamente ajustada.