4 ANÁLISE DE DADOS
4.3 Análise da Conversa Reflexiva sobre o Material Complementar de
Nesta subseção, destacamos os dados gerados durante uma reunião realizada com professores de inglês da Diretoria de Ensino da região de Guarulhos, SP, com o propósito de apresentar a análise e discussão do material complementar de apoio à oralidade desenvolvido pela pesquisadora.
Prosseguimos, realizando novamente uma análise de conteúdo temático (BRONCKART, [1997] 1999), com o objetivo de responder a pergunta de pesquisa: Quais os sentidos-e-significados atribuídos por professores ao avaliar uma proposta de complementação dos Cadernos, com atividades orais?
Para tanto, selecionamos os excertos que acreditamos serem mais relevantes para esta pesquisa, iniciando com a seção Carta ao Professor.
4.3.1 Análise da Carta ao Professor
Nesta seção, discutimos as respostas dadas pelos professores sobre o material de complementação oral, realizando uma análise de conteúdo temático (BRONCKART, [1997] 1999). Selecionamos os itens lexicais que melhor exemplificam as representações dos professores e, com base nessa seleção, prosseguimos as discussões acerca do material apresentado.
Os dados seguintes foram gerados durante uma reunião com 8 (oito) professores de Inglês de uma Diretoria de Ensino, que concordaram em colaborar com esta pesquisa.
Com o propósito de responder a pergunta de pesquisa: “Como os professores avaliam uma proposta de complementação dos Cadernos com atividades orais”, iniciamos a conversa fornecendo uma cópia do material produzido, além de utilizarmos apresentação em datashow para uma melhor visualização e discussão do mesmo.
Iniciei explicando que o material de complementação oral segue o mesmo design gráfico dos Cadernos regulares, por ser um material que vem apenas complementar os já existentes.
Os professores tiveram um tempo para manusear o material, verificar o design e fazer uma breve observação das atividades. Começamos pela seção “Carta ao Professor”, uma pequena apresentação, antes das atividades, assim como propõem todos os outros Cadernos.
Observando o grupo de professores, percebi que todos eles pularam a primeira página, a qual trazia a Carta ao Professor, indo diretamente ao exercício 1. Quando comecei a conversa, chamei a atenção para a apresentação gráfica e para a “Carta ao Professor”. Nesse momento, voltaram-se para a primeira página e leram as instruções.
Tal atitude pode indicar que os professores, na maioria das vezes, não leem as instruções dos diversos materiais, focando apenas na instrução do exercício a ser indicado ao aluno. Nesse sentido, a seção “Carta ao Professor” pode não atender aos objetivos a que se propõe, tais como minimizar a deficiência na formação docente e dificuldades que o professor encontra em relação à oralidade, uma vez que o grupo docente ainda não se mostra consciente da importância de realizar uma leitura completa do material.
O quadro a seguir apresenta o Excerto 1, em que a professora pesquisadora introduz a seção Carta ao Professor.
Quadro 8: Excerto 1 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade – seção Carta ao Professor
Realização Linguística14 Conteúdo Temático
(1) PP: Ó, tá vendo que tem a mesma carinha que a dos Cadernos mesmo?
(2) PG: ahã.
(3) PP: Eu fiz até nos mesmos moldes. Uma carta ao professor. Não dá para diminuir aqui? Tá muito grande, não tá não? (falando da projeção da imagem)
(4) PG: Não, tá não. Tá bom (Professores falando da projeção da imagem)
(5) PP: Então, eu coloquei aqui uma instrução para o professor, no começo, caso não se sinta confiante suficiente em relação à pronúncia das palavras, Há diversos sites da internet, aí eu dou algumas dicas de onde ele pode pegar a pronúncia. Vocês acham que cabe colocar?
(6) Mary: Sim (7) Gis: Sim
(8) Denia- Sim, sim é bom, mas tem vezes que tem o link e você não consegue acessar.
(9) Paty – Mas tem a data. (falando da data do acesso e apontando)
(10) PP - Então, eu coloquei a data do acesso.
(11) Ivete: O dia que você acessou, é correto você colocar desse jeito?
(12) Paty: É!
(13) PP - Vocês acham que o professor vai olhar esses links? (14) PG - Sim
(15) Paty: Sim. Se ele se interessar por oralidade... sim (16) PP - Se ele tiver dificuldade, por exemplo?
(17) Paty: Se ele se interessar, porque tem professor que sabe que não fala inglês, mas tem vontade de aprender, de repente fala: Não, agora vou tentar comigo, depois eu conto para os alunos.
(18) Ivete: o que pode fazer é trabalhar oralidade, o simples, pegar em sala de aula, mesmo que seja simples.
(19) PP: Ahã
(20) Ivete: Junto com o que você tá colocando, em alguns materiais, coisas que ele pode ele mesmo fazer e passar para os alunos, uma forma de treinamento.
(21) Nathy: A sugestão dos sites é exatamente para treinamento para o professor, para tirar as dúvidas e consultar se eu realmente entendi.
É importante que o
material tenha
instruções aos
professores.
Links de internet para auxílio ao professor são importantes desde que estejam atualizados.
Links de internet para auxílio ao professor são utilizados quando há interesse do docente.
É importante que o professor se forme para depois formar o aluno
O professor deve treinar
autonomamente.
Fonte: elaboração da autora.
Vemos, nesse excerto, que a preocupação principal é a questão da autonomia do professor em sua formação continuada. Dessa maneira, o material sugere links de internet, onde os professores têm a possibilidade de pesquisar aspectos fonológicos da língua e aperfeiçoar a própria pronúncia.
Com base no quadro, destacamos os seguintes conteúdos temáticos revelados pelos professores:
a) É importante que o material tenha instruções aos professores;
b) Links de internet para auxílio ao professor são importantes, desde que estejam atualizados;
c) Links de internet para auxílio ao professor são utilizados quando há interesse do docente;
d) É importante que o professor se forme para depois formar o aluno; e) O professor deve treinar autonomamente.
Muito embora o grupo tenha iniciado a conversa demonstrando não se atentar às instruções destinadas aos professores, este reconhece a importância de recorrer a recursos que contribuam para uma formação autônoma: “(20) Ivete: “coisas que ele pode, ele mesmo fazer”, 21(Rosa) “para treinamento para o professor, para tirar as dúvidas e consultar se eu realmente entendi”. Além disso, o pronome “eu”, em destaque, mostra que o próprio participante se inclui nessa fala, revelando sua preocupação com a própria formação. Por outro lado, percebemos que a professora revela uma concepção behaviorista de ensino-aprendizagem, que utiliza treinamento e um ensino mecânico e repetitivo, nos remetendo às concepções defendidas por Skinner.
Percebemos que as sugestões apresentadas no Caderno do Professor podem contribuir para a formação autônoma, muito embora, conforme (15) “Paty: “Se ele se interessar”, a professora tenha mostrado que para que isso ocorra é necessário que o docente tenha consciência da importância dessa constante busca formativa e interesse em buscar sempre mais conhecimento.
[...] o ensino de LE que os professores receberam no âmbito da graduação foi tão geral ou acadêmico que não preparou os alunos quanto à competência discursiva ou pragmática, necessárias para enfrentar a comunicação de sala de aula (ELDER, 2001, p.152).
Tal fato reforça a importância da formação continuada após a graduação, e pode justificar a fala de (15) Paty: “Se ele se interessar, porque tem professor que sabe que não fala inglês, mas tem vontade de aprender”, revelando que há professores que não tiveram uma formação adequada e/ou suficiente para lecionar Língua Inglesa.
[...] A educação contínua deve ter como objetivo a formação de um profissional autocrítico e reflexivo de sua prática (Shön, 1983), autônomo, capaz de “educar-se a si mesmo, à medida que caminha em sua tarefa de educador (CELANI, 2003, p.22).
Considerando as reflexões acerca dessa primeira seção: “Carta ao Professor”, é possível notar que os professores nem sempre leem as instruções iniciais e preferem ir diretamente aos enunciados dos exercícios propostos aos alunos. Quando leem as instruções, nem sempre dão prosseguimento às sugestões. Verificamos também que, muito embora o grupo de professores declare entender a importância de uma formação autônoma, de busca, leitura e constante aperfeiçoamento, nem todos se interessam e atuam como profissionais críticos de seu processo formativo, o que pode desencadear aulas menos produtivas, em que o material didático não seja utilizado de maneira plena e eficiente.
4.3.2 Análise das Atividades
Nesta seção, daremos continuidade à análise da conversa reflexiva realizada junto a um grupo de professores sobre as atividades que constam do material de complementação, para, então, desvelar como os professores avaliam tal proposta.
Visando organizar os dados coletados, subdividimos esta seção em 4 partes: primeira atividade, atividade com música, atividade de compreensão oral e Enunciados do Material. Passamos, a seguir, para a discussão da primeira atividade.
4.3.2.1 Primeira atividade
No excerto a seguir, a professora pesquisadora começa explicando o objetivo da primeira atividade e fomenta uma discussão a respeito da primeira aula e da pertinência de uma atividade de apresentação nesse primeiro momento.
Quadro 9: Excerto 2 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade – Primeira atividade
Realização linguística Conteúdo Temático
(22) PP: É. Essa versão aqui, que eu to mostrando pra vocês, é a versão que eu fiz para o professor, né? Com o caderno do professor teria também um caderno do aluno, que eu até montei, então, nesse primeiro exercício, na situação de aprendizagem: Greetings. “Introduce yourself and one of your classmates”, vocês acham que um exercício para se apresentar na primeira aula, tá de acordo?
(23) Gis: É o que eu faço. (24) PP: É o que você faz? (25) Ivete: 5ª série funciona.
(26) PP: O que vocês costumam fazer na 1ª aula? (27) Ivete: Falar sobre: Apresentação mesmo. (28) PP: Apresentação?.
(29) Ivete: Apresentação, principalmente os cumprimentos
Greetings.
(30) Nathy: Elaborar uma situação né? de comunicação pra eles.
(31) Ivete: Introdução de diálogos geralmente, eu dou diálogos.
Utilização de atividades de apresentação (Greetings) na primeira aula. Utilização de situação de comunicação na primeira aula.
Fonte: elaboração da autora.
Os professores concordam em trabalhar os cumprimentos (greetings) na primeira aula, demonstrando uma preocupação em favorecer uma situação de comunicação efetiva com o uso de diálogos.
A professora pesquisadora aproveita o momento e explica a proposta da primeira atividade do caderno complementar que, conforme descrito anteriormente, sugere 2 (duas) opções de atividades de interação que promovem a oportunidade dos alunos se apresentarem e cumprimentarem o colega, utilizando disposições espaciais diferentes, mas com a utilização do mesmo vocabulário referente às apresentações.
Após a leitura das instruções, os professores discutem a proposta, como vemos no quadro a seguir, que apresenta o Excerto 3:
Quadro 10: Excerto 3 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade
Realização Linguística Conteúdo Temático
(33) Ivete: Só que a 5ª série já vem um dialogozinho para o aluno falar, geralmente eu trabalho dialogo e logo na 1ª aula eles já falam isso.
(34) PP: Então, essa aqui é a 1ª aula.
(35) PG: Para se apresentar né? É a primeira aula... (professores falam ao mesmo tempo)
(36) Ivete: É que já tem um diálogo para preencher. (37) Paty: Primeira aula assim, acho difícil! (38) Rosa: é...
(39) Paty: Ah! É como você disse antes, quando os alunos estiverem confortáveis né?
(40) Ivete: Então você trabalha os Greetings para depois ele trabalhar, é, os itens principais, aí você trabalha com eles, para eles repetirem, eles gostam de falar, ai você fala eles ficam repetindo, porque é a sonoridade. Eles gostam muito.
(41) Gis: Nessa, do círculo, nessa atividade, eles vão dizer quem eles são, ou só my name is?
(42) PP completa o pensamento da professora - ... E apresentar o colega.
(43) PG. Ok. (44) Denia: Só ?
(45) PP: Só isso, se apresentar e apresentar o colega. Porque aqui na 1ª, na 1ª aqui ô tá falando ”my name is” ...e apresentar alguém , só isso!
(46) Gis: Aqui eu acho que dá para fazer na 1ª aula (47) PP: Aqui gente, a sugestão... É uma sugestão de
exercício complementar, mas não tem necessidade de ser na 1ª aula! é da situação de aprendizagem 1 e 2, mas não necessariamente na primeira aula.
(48) Paty: Depende do número de aluno da sala, até eles começarem a entender para ver a atividade, as vezes não vai ter tempo hábil para todo mundo participar. (49) Rosa: Isso.
(50) Paty: É, também tem isso! (51) PP: Também tem isso!
Utilização de diálogos simples na primeira aula.
Trabalhar um diálogo na primeira aula é difícil, pois alunos podem não estar confortáveis.
Alunos gostam de realizar exercícios de repetição oral. A realização da primeira atividade proposta depende da quantidade de alunos em sala.
Fonte: elaboração da autora.
Nesse excerto, podemos observar como os professores avaliam a primeira atividade do caderno complementar e como costumam realizar a primeira aula de inglês de uma turma de 6º ano. O conteúdo temático que emerge do excerto em questão, pode ser resumido em:
a) Utilização de diálogos simples na primeira aula possível;
b) Trabalhar um diálogo na primeira aula é difícil;
d) A realização da primeira atividade proposta para o caderno complementar depende da quantidade de alunos em sala.
Os professores parecem defender a utilização de diálogos simples na primeira aula, sentido que pode ser revelado pela escolha lexical da professora quando esta utiliza o substantivo “diálogo” no grau diminutivo: “(33) Ivete: Só que a 5ª série já vem um dialogozinho para o aluno falar, geralmente eu trabalho dialogo e logo na 1ª aula eles já falam isso”. A professora Paty, em contrapartida, alega ser difícil trabalhar com diálogos na primeira aula, mas, no turno 39, concorda: “Ah! É como você disse antes, quando os alunos estiverem confortáveis né?”, parecendo repensar, apoiando o parecer dos colegas, desde que respeitado o ritmo da turma.
No turno 42, a professora Ivete revela utilizar repetições mecânicas: “... aí você trabalha com eles, para eles repetirem, eles gostam de falar, ai você fala eles ficam repetindo, porque é a sonoridade. Eles gostam muito”. Tal estratégia de ensino é parte da abordagem comportamentalista fortemente defendida por Skinner (1904-1990), em que há o incentivo à repetição mecânica, que leva à memorização e, assim, ao aprendizado. Mas, conforme já discutido anteriormente na seção teórica deste trabalho, para os PCN-LEM (BRASIL, 2008, p.54), a compreensão oral é parte de um todo complexo, em que o aluno tem a possibilidade de “compreender e expressar opiniões, valores, sentimentos e informações” também oralmente, num contexto de prática social e não através de repetições mecânicas que não promovem uma reflexão significativa.
Ainda no que diz respeito à primeira atividade proposta, a professora Paty apresenta um possível obstáculo para a realização da mesma, apontando a questão da quantidade de alunos por turma como sendo um item que pode impossibilitar sua realização. Percebemos que, nesse caso, a professor poderia utilizar estratégias de gerenciamento de sala de aula, pois, apesar da quantidade de alunos dificultar um acompanhamento mais individualizado, gera, ao mesmo tempo, oportunidades para que outros alunos também assumam o papel de par mais experiente. Afinal, conforme Vygotsky (1995), o aluno se desenvolve na interação com o outro, sendo que a apropriação é um processo de uso social dos objetos e da linguagem, requerendo a mediação de um parceiro mais experiente que demonstre o uso social dos objetos num processo de educação socialmente mediado.
Apesar de a professora ter, inicialmente, ponderado sobre a realização da atividade, no excerto a seguir, em que os professores discutem a melhor maneira de realizar a primeira atividade proposta, percebemos que a professora reflete sobre as condições e busca alternativas para que a mesma seja realizada.
Quadro 11: Excerto 4 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade
Realização Linguística Conteúdo Temático
(54) Paty: Os alunos que estão de costas para lousa e os que estão de frente para lousa, como eu conheço o aluno eu digo: fulano vem pra cá, vai pra porta! Eu poderia falar assim, né??
(55) PP: Tá. Vocês usariam essa atividade? (56) PG: Sim, usaria. Sim, sim. (em coro)
A primeira atividade do material pode ser utilizada.
Fonte: elaborção da autora.
Nesse quadro, é possível observar que após ter entendido a proposta da atividade, por meio da discussão com os colegas, a professora percebe ser possível realizá-la mesmo dentro de condições adversas e passa a pensar, inclusive, na melhor maneira de colocá-la em prática.
Os professores seguiram discutindo a primeira atividade, apontando elementos dificultadores e possíveis estratégias que poderiam ser utilizadas para realizar a atividade com sucesso e alcançar os objetivos propostos, concluindo que utilizariam a primeira atividade do material e alegando ser possível, inclusive, a realização das variações, conforme excerto 5, a seguir.
Quadro 12: Excerto 5 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade
Realização Linguística Conteúdo Temático
(70) PP: Tá. Vocês usariam essa atividade? (71) PG: Sim, usaria. Sim, sim. (em coro)
(72) PP: É, em relação a sugestão , tem a sugestão 1 e 2, qual vocês acham que seria melhor utilizar?
(73) Ivete: Ah! As duas dá para utilizar.
As duas sugestões propostas na primeira atividade são viáveis.
Fonte: elaboração da autora.
Passamos, agora, à análise da segunda atividade proposta, que diz respeito à utilização de música como estratégia de ensino.
4.3.2.2 Atividade com música
Quadro 13 - Excerto 6 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade - Atividade com música
Realização Linguística Conteúdo Temático
(93) PP: Listen to the song – Hello Good bye já é uma indicação do próprio caderno, só que não tinha esse trecho da música, aí eu achei importante a gente colocar.
(94) Denia: bom, porque tem que ser alguma coisa que atraia.
(95) PP: Então!!
(96) Ivete: Eu acho, colocar letra de música sem precisar colocar ela toda, eu acho interessante, por exemplo: aí você pode, quando o aluno lembrar, você cantar um pouquinho que... você lembra tal?
(97) PP: Muito bom! Legal!Então, essa é uma atividade que vocês fariam?
(98) PG: Sim. (todos)
Utilizar música atrai a atenção do aluno.
Utilizar trechos de música é interessante.
Fonte: elaboração da autora.
A partir desse quadro, é possível perceber que os professores participantes concordam com a utilização de música como estratégia de ensino, independentemente do trabalho com a letra que pode ser total ou parcial, acompanhando os PCN–LEM (BRASIL, 1998, p.54) quando estes defendem que
As atividades orais podem ser propostas como forma de ampliar a consciência dos alunos sobre os sons da língua estrangeira, por meio do uso, por exemplo, de expressões de saudação, de polidez, do trabalho com letras de música, com poemas e diálogos.
O trabalho com música é algo que atrai a atenção dos alunos e torna a aula interessante, dizem os professores participantes, apontando o fato de que o material complementar deveria oferecer mais de uma opção de música, revelando uma preocupação em atender às expectativas dos alunos e considerar suas preferências.
Quadro 14 - Excerto 7 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à oralidade
Realização Linguística Conteúdo Temático
(121) PP: É importante. Vocês acham que uma atividade de música, assim, mostrando vídeo, trabalhando essa parte cultural também, que vocês vão dar fotos, contar história e tal, a gente vai conseguir atingir a oralidade?
(122) Gis: Sim.
(123) Ivete: Não sei... Eu gostaria que fosse mais, não uma serteó, né? Porque o pessoal pode não gostar, mais de uma opção seria muito bom!
(124) PP: Como assim mais de uma opção?
(125) Paty: Você colocou uma música só uma, só o Hello good bye, pôr outra.
(126) Nathy. Isso, colocar uma outra (127) Paty: Colocava outra
(128) PP: Colocava uma outra?
(129) Nathy: Isso colocava uma outra para comparar também a pronúncia. Por que, por exemplo... (130) Nathy: Inglês Britânico e americano... (sugerindo) (131) Paty: 5ª serie , 6ª serie aí você pode colocar
músicas diferentes. O professor teria mais opções.
O material deveria conter mais de uma opção de música.
O material deveria conter mais de uma opção de música, considerando os sotaques regionais.
Fonte: elaboração da autora.
Nesse excerto, podemos perceber que os professores entendem ser importante considerar as preferências dos alunos, oferecendo opções que respeitem seu direito de escolha, além de ampliar o repertório cultural ao discutir a regionalidade e sotaques das diferentes canções.
Para Gobbi (2001, p.40), “O uso da música em sala de aula é uma estratégia que pode ajudar o professor nas tarefas de ensino e de aprendizagem. Além de ser um instrumento afetivo”. Os professores revelam concordar que o uso da música em sala de aula seria uma estratégia a ser adotada para o desenvolvimento das habilidades comunicativas, sendo um importante elo comunicativo.
4.3.2.3 Atividade de compreensão oral
A segunda situação de aprendizagem proposta pelo material complementar propõe uma atividade de compreensão oral com o auxílio de uma faixa de áudio. No excerto 8, os professores discutem como essa mídia seria apresentada aos alunos.
Quadro 15: Excerto 8 da conversa reflexiva sobre o material complementar de apoio à