4.1 Cineteatro Alba 20
4.1.3 Análise da programação do Cineteatro Alba (2012-‐2014) 23
Para analisar a programação do CTA há que ter em consideração que em 2012 o
mapa de acções é referente a cerca de 8 meses.
72Outro dado indispensável de ser
mencionado tem que ver com a estratégia de programação adoptada pela instituição, que
segundo Pedro Teixeira é delineada especificamente para cada uma das áreas.
73A leitura dos gráficos 1 e 1.2 (Fig. 4 e Fig. 5) indicam que a programação do CTA, no
intervalo de tempo 2012-‐2014, abrange todas as tipologias definidas, embora se denote um
desequilíbrio acentuado entre algumas das áreas. Os gráficos retratam uma disparidade na
programação entre a área da música e as restantes disciplinas.
insuficiente, e que é com o público do distrito e da região que conseguem encher a sala principal.
71
No entanto, Pedro Teixeira assume que a programação não se tem destinado ao público adolescente e universitário, revelando-‐se por isso um público ausente.
72 Em 2012 o CTA iniciou a actividade no final do mês de Abril pelo facto de ter sido inaugurado a 27 desse mês. 73 Note-‐se o exemplo do Ciclo de Fado, resultado de uma estratégia definida para a área da música.
Fig. 4 -‐ Valor absoluto de acções para cada tipologia para o intervalo de tempo 2012-‐2014. (Dados recolhidos e tratados por Rafael Vieira, 2015)
Fig. 5 -‐ Distribuição em percentagem de acções para cada tipologia para o intervalo de tempo 2012-‐2014. (Dados recolhidos e tratados por Rafael Vieira, 2015)
As acções de música correspondem a cerca de 40% da actividade do CTA. A área
multidisciplinar surge como a segunda tipologia com maior número de acções, seguida do
cinema e do teatro, formando um grupo com valores percentuais próximos, desde os 12,3%
-‐ para o teatro -‐ e 17,3% -‐ para a área multidisciplinar. As restantes tipologias formam um
segundo grupo que corresponde às áreas com menor representatividade na programação,
no qual se contempla a dança, que representa apenas 3,5% da programação do CTA e as
exposições com os mesmos valores. As oficinas, o circo, a literatura e o stand-‐up
correspondem, cada uma das áreas, a cerca de 2% da programação.
As artes do espectáculo de maior relevância na programação -‐ a música, o teatro e a
dança – assumem-‐se como mais de metade da programação da instituição, cerca de 56%. O
cinema surge como a terceira aposta da instituição. Os mesmos gráficos permitem verificar
que as oficinas assumem uma relevância ténue na programação, pelo menos no que diz
respeito ao número de acções distintas. Por outro lado, as exposições apesar de não
corresponderem a mais de 3,5% do total da programação, são a quinta tipologia mais
7 54 5 12 12 6 59 138 7 42 0 20 40 60 80 100 120 140 2.0 15.8 1.5 3.5 3.5 1.8 17.3 40.4 2.0 12.3 Ateliers/Workshops/O;icinas Cinema Circo/Novo Circo Dança Exposições Literatura Multidisciplinar Música Stand-‐up Teatro
representada nos gráficos.
O quadro 2 (Anexo 1.1) remete para um crescente número de acções do CTA desde
2012 a 2014, com especial destaque para a subida registada em 2013. Em 2014, apesar de
uma escalada menor, o número absoluto volta a aumentar. A música, o cinema, a dança, as
exposições e a literatura acompanham proporcionalmente a tendência, o que não acontece
com o teatro.
Os gráficos 13 e 13.1 (Anexo 1.9) esclarecem o crescimento da área de música, que
no ano de 2014 corresponde a quase metade da actividade -‐ cerca de 46% da programação.
Pedro Teixeira assume que a música é a área “mais forte” e com “mais público”, um facto
que não difere da realidade do “resto do país” (Anexo 5.2). A predominância da tipologia
música deve-‐se, para além da maior oferta e de maior número de público, dos diversos
protocolos celebrados com entidades locais e regionais, que o programador do CTA
considera uma forma de programar. No caso da d’Orfeu Associação Cultural
74o acordo
75permite que haja um conjunto de propostas para o ciclo Outonalidades, em que a equipa do
CTA escolhe os artistas e datas consoante os seus critérios, embora no âmbito do Festim,
apesar do CTA definir as datas, as propostas da associação são menos negociáveis. Os
projectos apresentados pelo CMJ e pelo DeCa são, por norma, de componente formativa e o
programador do CTA considera que não seria correcto interferir no plano de actividades das
entidades referidas, para além de assumir que o Teatro somente consegue programar
semanalmente o Café-‐Concerto devido a estas parcerias. Tome-‐se em atenção que o valor
contabilizado de acções de música é, em grande parte, resultante das iniciativas
concretizadas semanalmente no Café-‐concerto. O envolvimento da comunidade em
projectos de música é intenção do CTA. Pedro Teixeira alude para um exemplo:
“(...) uma espécie de concerto comunitário (...) onde se fazem inscrições e depois são
chamados um ou dois músicos, coreógrafos, maestros, encenadores, digamos assim,
para produzir ou criar o espectáculo”, embora haja consciência de que “o nível que
tem sido menos trabalhado é o que recebe a comunidade, trabalha e faz um
espectáculo.” (Anexo 5.2)
Através dos gráficos 17 e 17.1 (Anexo 1.13) constata-‐se que a programação de
música do CTA apresenta uma distribuição equilibrada pelos diferentes sub-‐géneros. Não
obstante, denota-‐se que a música pop/rock constitui a maior aposta da área musical,
74
Associação do concelho de Águeda que promove espectáculos (sobretudo na área da música) protocolados com os três Teatros em estudo, através da apresentação de um conjunto de artistas ou bandas que depois são escolhidos e distribuídos para integrarem a programação dos Teatros.
correspondendo a cerca de ¼ da programação de música. Pedro Teixeira revela que a
programação de música do CTA inclui, pelo menos, uma vez por mês um “grande concerto”
de pop/rock, isto é, um nome de “referência”. Depois o destaque vai para a música
clássica/erudita, com percentagem de 18%, para a qual contribuem os concertos anuais
protocolados com a Orquestra Filarmonia das Beiras e as acções sob responsabilidade do
DeCa e do CMJ. Com a d’Orfeu Associação Cultural também estão protocolados espectáculos
no âmbito do Festim
76que colocam a música do mundo como o terceiro sub-‐género mais
programado pelo Teatro. Com menor incidência, mas com um número de actuações
próximo, surge a música jazz, a música de bandas filarmónicas, que se distribui por todos os
trimestres com actuações de bandas filarmónicas do concelho, e a música fado.
77A música
infantil/juvenil, tradicional/popular e coral revelam-‐se os sub-‐géneros com menor
incidência.
78A dança (Gráficos 9 e 9.1, Anexo 1.5) também apresenta uma evolução ascendente,
sobretudo de 2013 para 2014. Porém, a representação em 2013 é regressiva relativamente a
2012, para depois atingir mais de 5% em 2014. O programador do CTA esclarece que na área
da dança promove-‐se um a dois espectáculos por trimestre. Os dados apresentados revelam
uma realidade coerente com a perspectiva descrita, na medida em que se verifica que o CTA
programa em média um espectáculo por trimestre.
79A primeira aposta incide numa
“companhia de referência a nível nacional” e no caso de haver possibilidade de programar
dois espectáculos abre-‐se espaço a “uma companhia da região ou da comunidade” (Anexo
5.2). Os critérios para a menor aposta na dança são o público e a oferta.
“Também tem a ver com a oferta e da região onde estás, porque todos os Teatros
fazem uma criação de dança também por trimestre (...) Agora imagina eu fazer três,
não tenho público na região para isso (...).” (Anexo 5.2)
O teatro (Gráficos 15 e 15.1, Anexo 1.11) apresenta uma tendência distinta,
denotando-‐se que a percentagem das acções decresce abruptamente em comparação com
outras áreas -‐ de 20,7% em 2012 passa apenas a representar 8,8% da programação no ano
de 2014.
80Segundo o programador do CTA, a instituição intenta programar três projectos de
76 Concertos de projectos de música do mundo de iniciativa da associação mas organizado pelo CTA. 77
Os espectáculos de música fado estão concentrados no primeiro trimestre num ciclo de fado.
78 De notar que não foi possível catalogar algumas acções contempladas na programação fornecida, que
equivalem à tipologia “Música (não especificada)”.
79
Não significa integralmente um espectáculo por trimestre; corresponde a uma estimativa média tendo em conta o número total de acções de dança dividido por trimestres.
80 Não foi possível descortinar as razões por que se assiste a uma queda da percentagem de acções de Teatro.
teatro por trimestre de âmbitos distintos, em que um deles baseia-‐se num texto de autor de
relevo, outro é protagonizado por um actor ou companhia de valor artístico ou reconhecido
do público, e outro com agentes de criação -‐ do concelho, distrito ou região (Anexo 5.2). O
decréscimo da percentagem de acções não significa uma representação de teatro menor
que a indicada pelo programador, pelo contrário, em 2013 o CTA apresenta, em média,
quatro espectáculos por trimestre. De realçar que o género revista não integra, consciente e
voluntariamente, a programação do CTA.
O cinema (Gráficos 7 e 7.1, Anexo 1.3) apresenta um cenário semelhante à área da
música, embora com valores menores e uma subida menos acentuada, sobretudo de 2013
para 2014, em que é mínima. Duas sessões por mês, por norma de filmes que estrearam há
três ou quatro semanas, é a estratégia de cinema que o programador tem para o CTA. No
entanto, apenas no ano de 2014 os números de sessões correspondem à ideia enunciada,
pois nos anos anteriores esse número é menor -‐ com grande discrepância no ano inaugural.
A subida do número e percentagem de acções explica-‐se por o cinema revelar-‐se a área que
“acaba por se pagar a ela própria” (Anexo 5.2), sobretudo as sessões de cinema infantil.
“Para promover a vinda ao CTA das famílias e também porque é rentável, é dos mais
rentáveis, temos aí sessões que esgotam, 500 lugares vendáveis. (...).” (Anexo 5.2). Os
critérios na programação de cinema assentam em filmes de cartaz na maioria das salas do
país, sem espaço para cinema de autor dirigido a um público cinéfilo.
“(...) nós não nos podemos dar ao luxo de abrir uma sala destas para quatro pessoas
ou para cinco; o que não quer dizer que não possamos fazer -‐ inserido em
determinado ciclo ou festival (...).”, que no intervalo de tempo estudado não se
verifica. (Anexo 5.2)
As oficinas (Gráficos 6 e 6.1, Anexo 1.2) revelam-‐se uma aposta intermitente e com
um número diminuto de acções contabilizadas. O ano de 2014 é o que apresenta mais
actividades distintas, que correspondem a cerca de 3,2% da programação no respectivo
ano.
81Pedro Teixeira informa que o teatro e a dança são as áreas privilegiadas na
programação de oficinas, visto que na área da música há muita oferta no concelho.
82De
referir que não foi possível esclarecer como o CTA envolve a comunidade nos projectos de
criação artística com o número reduzido de oficinas que apresenta.
83Mas realce-‐se que o
programador do CTA considera que há diversas formas de motivar a comunidade a
81
De notar que grande parte destas iniciativas dinamizadas pelo CTA são planeadas no âmbito do SAC e que somente estão contabilizadas as que se concretizam no Teatro.
82 Sobretudo através do CMJ.
participar, através de iniciativas como por exemplo: assistir a sound-‐checks, visitas aos
bastidores, participação na concepção de guarda-‐roupa, e ainda a apresentação de
espectáculos ou obras criados por agentes locais.
“No âmbito de SAC há sempre um a dois espectáculos que fazemos para a infância e
famílias, ou pelo menos que criem hábitos do público mais jovem vir ao Teatro (...)
ou seja, que potencie já hábitos de crítica artística, nem que seja em família; os
workshops e as oficinas no âmbito da programação; mediação do que está
programado, como seja o caso das visitas-‐guiadas, visitas-‐jogo ou visitas-‐dançadas
(...).“ (Anexo 5.2)
Os gráficos da área multidisciplinar (Gráficos 12 e 12.1, Anexo 1.8) remetem para um
decréscimo relevante da referida tipologia em 2013 e 2014 em comparação com 2012. Com
uma representação de 37,5% de toda a programação da instituição no ano inaugural passa-‐
se a cerca de 10% em 2014. Esta tipologia remete, essencialmente, para iniciativas
promovidas por outras entidades que requerem a cedência de espaço, e que Pedro Teixeira
confirma: “há várias situações em que algumas instituições (...) requisitam a sala, com o
apoio municipal, para realizar as suas actividades, e pelo menos a cedência da sala é gratuita
(...).” (Anexo 5.2).
84A diminuição das actividades multidisciplinares no mapa programático
do CTA é consequente da crescente aposta nas iniciativas de música, dança e cinema.
A tipologia exposições (gráficos 10 e 10.1, Anexo 1.6) descreve uma linha
ascendente, que em 2014 representa mais de 5% da actividade do CTA.
“Começámos por fazer três por trimestre, mas o horário em que o Cineteatro está
aberto a exposição nem respira, quase não se tem conhecimento, e estamos numa
periodicidade de duas por trimestre.” (Anexo 5.2)
Das duas exposições apresentadas uma aposta no âmbito documental e outra nas
artes plásticas, embora seja assumida a dificuldade em expor arte contemporânea,
sobretudo escultura.
Sobre os espectáculos de índole internacional o programador informa que o CTA não
tem agendado acções nesse âmbito, com excepção dos projectos inseridos em iniciativas
específicas, como é o caso do Festim.
Os dados de acções apresentados contemplam a programação em rede da RUCI que
se concretizou através da CIRA e que criou a oportunidade do CTA programar projectos a
partir de uma bolsa de programação que de outro modo não seria possível.
Relativamente à escolha dos artistas, grupos ou companhias que integram a
84
O programador esclarece ainda que o município de Albergaria-‐a-‐Velha destaca verbas suficientes para o orçamento do CTA para que nunca tenham recorrido a alugueres de sala como modo de programar o Teatro e integrar a agenda municipal.