4.2 Cineteatro de Estarreja 30
4.2.3 Análise da programação do Cineteatro Estarreja (2005-‐2014) 33
O intervalo de tempo em estudo para a programação do CTE, 2005-‐2014,
corresponde a cerca de 9 anos e meio.
101Outro aspecto relevante a ter em consideração
tem que ver com a estratégia adoptada pelo CTE para a programação. Segundo Luís
Portugal, apesar de as acções serem pensadas por trimestres, a lógica de programação das
disciplinas artísticas é global.
102A observação dos gráficos 19 e 19.2 (Fig. 6; Fig. 7) permite concluir que a
programação do CTE no intervalo de tempo 2005-‐2014 é diversificada, apesar de não
abranger duas das tipologias definidas no estudo -‐ exposições e literatura. De entre a
diversidade de áreas que integram a programação denota-‐se um desequilíbrio no que
concerne à distribuição, nomeadamente entre o cinema e as restantes tipologias.
101
O CTE foi reinaugurado a 18 de Junho de 2005.
102 Mas é importante realçar que a perspectiva do programador entrevistado não é garantia de que
Fig. 6 -‐ Valor absoluto de acções para cada tipologia para o intervalo de tempo 2005-‐2014. (Dados recolhidos e tratados por Rafael Vieira, 2015)
Fig. 7 -‐ Distribuição em percentagem de acções para cada tipologia para o intervalo de tempo 2005-‐2014. (Dados recolhidos e tratados por Rafael Vieira, 2015)
As artes do espectáculo – música, teatro e dança – apesar de isoladamente não se
revelarem, em comparação com o cinema, a aposta principal, correspondem a cerca de 40%
de toda a programação. De entre as artes do espectáculo destaca-‐se, claramente, a música,
que ocupa lugar privilegiado na programação do CTE, correspondendo à área artística com o
segundo maior número de acções. O teatro apresenta um valor superior a metade da área
da música. A dança concretiza-‐se em número reduzido na programação do CTE, sendo uma
das áreas com menos apresentações junto do público.
O cinema é a área de maior destaque na programação do CTE, correspondendo a
quase metade das acções desenvolvidas na instituição. A área multidisciplinar surge com
menor destaque apenas em relação ao cinema e à música. As oficinas apresentam um
reduzido número de acções, que representa menos de 4% da programação total. O circo e o
stand-‐up são as áreas mais discretas da programação, não ultrapassando 1,5% do total de
acções. Tendo em consideração os dados recolhidos e tratados não se detecta espaço na
65 755 10 74 244 447 15 198 0 100 200 300 400 500 600 700 800 3.6 41.8 0.6 4.1 13.5 24.7 0.8 11.0 Ateliers/Workshops/O;icinas Cinema Circo/Novo Circo Dança Exposições Literatura Multidisciplinar Música Stand-‐up Teatro
programação do CTE para qualquer acção na área da literatura e exposições
103no intervalo
de tempo estudado.
O quadro 19 (Anexo 2.1) remete para uma oscilação do número total de acções do
CTE entre 2005 e 2014. Em primeiro lugar assinala-‐se um crescimento entre 2005 e 2007,
depois denota-‐se um decréscimo de 2007 até 2010, novamente uma escalada até 2012 e por
fim um novo decréscimo até 2014, ano em que o número de acções aproxima-‐se do valor de
2005
104. De notar que o cinema é a única tipologia que acompanha directamente esta
tendência, o que significa que o número total de acções apresentado no estudo em cada ano
está rigorosamente dependente do número de sessões de cinema realizadas em cada ano.
105O programador do CTE descreve um mapa das acções distribuídas metade pela área
da música e depois pela dança e teatro. Observando o gráfico 19.2.1 (Anexo 2.1) -‐ ou seja,
excluindo-‐se o cinema -‐ verifica-‐se que a música corresponde a cerca de 42% da
programação do CTE e que as artes do espectáculo representam cerca de 68%. Neste
contexto, a perspectiva do programador aproxima-‐se da realidade apenas se a programação
for analisada excluindo-‐se a área do cinema. Mas ao analisar-‐se toda a programação verifica-‐
se que as acções de música não correspondem a mais de ¼ do total da actividade do CTE.
Ao observar-‐se as barras correspondentes à área da música (Gráficos 36 e 36.1,
Anexo 2.7), constata-‐se que o número de acções e a percentagem mantém-‐se relativamente
estável, embora com uma tendência crescente até ao ano de 2012, em que representa cerca
de 34% da programação nesse ano, enquanto que em 2005 rondava os 19%. O número de
espectáculos de música acompanha a tendência geral da programação do CTE.
O
programador declara que a música é a área mais apelativa para o público, não apenas no
caso de Estarreja. Se excluído o cinema, a música é a tipologia de maior destaque na
programação pela razão mencionada por Luís Portugal, acrescentando as contribuições das
potencialidades da região.
106Na área da música (Gráficos 40 e 40.1, Anexo 2.11), o sub-‐género pop/rock tem
103
De notar que o edifício do CTE, ao contrário dos outros equipamentos estudados, não contempla qualquer espaço pré-‐destinado a exposições. Acrescente-‐se que há outros espaços municipais pré-‐destinados a esse fim, como é o caso da Casa Municipal da Cultura. Contudo, Isabel Pinto refere que há lugar a exposições no espaço do CTE (Anexo 2).
104 Em 2014 contabilizam-‐se 155 acções em 12 meses e em 2005 contabilizam-‐se 128 acções em menos de 7
meses.
105
A apreciação do gráfico 20 e dos gráficos 31 a 38 permite uma percepção mais pormenorizada do modo como o CTE programou cada uma das áreas entre 2005 e 2014.
106 O festival Estarrejazz e a Big Band Estarrejazz; a d’Orfeu Associação Cultural que contribui para a
especial destaque na programação do CTE, correspondendo a cerca de 35% dos
espectáculos de música e com uma disparidade importante relativamente aos outros
géneros musicais. Contudo, há lugar na programação para variadas formas de exibir a
música, desde a infantil/juvenil -‐ com menor incidência – à música jazz – com uma
expressividade a rondar os 16% da programação musical. Entre a música filarmónica, a
música clássica e erudita, música do mundo e música coral, verifica-‐se uma distribuição
equilibrada. O programador do CTE elucida sobre a consciência de determinados sub-‐
géneros serem programados menos vezes por atraírem menos público. Mas afirma também
que “(...) se calhar é nesse tipo de eventos que nós temos que incidir mais a nossa
programação (…).” (Anexo 6.3), através de uma distribuição das acções de música ao longo
do ano, de modo a que não haja concentração de um sub-‐género em determinado período e
que provoque um contacto com o público somente no ano seguinte. Acrescenta ainda que
há objectivos específicos que se pretendem alcançar com a programação de cada um dos
sub-‐géneros de música, incluindo a apresentação de projectos internacionais que se
apresentem, por exemplo, apenas em Lisboa, Porto e Estarreja.
Quanto à aposta no teatro (gráficos 38 e 38.1, Anexo 2.8) é visível uma valorização
até ao ano de 2009, para depois se denotar um decréscimo do número de acções e da
representatividade até 2014, ano em que os valores voltam a ser menores que em 2006.
No caso do teatro e da dança Luís Portugal esclarece:
“Hoje em dia há, talvez, dificuldade em conseguirmos ter alguns eventos ligados ao
teatro e à dança que gostaríamos de ter. (...) Por um lado, as companhias de dança
que existem não são estanques de composição das mesmas (…). E no teatro acontece
a mesma coisa (...)”, acrescentando que se assiste a uma “parca oferta de qualidade
(...).” (Anexo 6.3).
As questões orçamentais do Teatro também exercem influência, embora não tenha
sido possível esclarecer os critérios que influenciaram o decréscimo da aposta em teatro a
partir de 2009 (Anexo 6.6).
107O número de acções de dança (gráficos 34 e 34.1, Anexo 2.5),
por ser reduzido comparativamente com as restantes áreas do espectáculo apresenta uma
estabilidade praticamente imaculada desde 2005 a 2014. Mas, contrariamente ao que
acontece com a música e o teatro, o número de projectos apresentados no primeiro ano
108é
maior que nos dois anos seguintes, representando quase 5% em 2005 e 1,2% e 2,1% em
2006 e 2007, respectivamente. A partir de 2009 o número de acções não oscila mais que um
107 O programador somente assumiu funções a partir de 2014.
valor absoluto e percentual.
O cinema (Gráficos 32 e 32.1, Anexo 2.3) é a tipologia com maior representação na
programação do CTE, mas revela-‐se uma aposta que não segue uma linha programática
idêntica às outras áreas. A grande percentagem de acções de cinema explica-‐se por três
razões: o modelo de quantificação das acções definido para o presente estudo que
contabiliza as várias sessões, na mesma semana, do mesmo filme; a projecção de cinema
infantil em sessão dupla todos os primeiros domingos de cada mês; e a projecção semanal
de sessões promovidas pelo Cine-‐Clube de Avanca (CCA).
109O número de acções no
intervalo de tempo em estudo é oscilante, embora se denote, sobretudo através dos valores
percentuais, que a aposta no cinema tem vindo a ser expressivamente reduzida, com
especial incidência a partir de 2009.
110A observação dos gráficos 20, 32 e 32.1 (Anexos 2.1 e
2.3) permite concluir que a programação do CTE nos três primeiros anos em estudo -‐ de
2005 a 2007 -‐ assenta, em grande parte, na aposta em sessões de cinema que correspondem
a mais de metade da programação total do Teatro.
111Observando os gráficos 31 e 31.1 (Anexo 2.2) verifica-‐se que as oficinas apresentam
um número reduzido de sessões distintas comparativamente com outras áreas. Nos anos de
2007 e 2008 o CTE dinamizou mais acções desta tipologia, que representam entre 6% e 7%
da programação da instituição, mas em todos os outros anos a tipologia representa apenas
entre 2% e 3% da actividade do CTE. Segundo Isabel Pinto e Luís Portugal há a preocupação
em articular estas iniciativas entre os artistas convidados e os agentes locais, dos quais Luís
Portugal destaca os grupos de teatro jovem e escolas de dança do concelho e distrito. O
programador do CTE ao referir-‐se à programação que promove a participação da
comunidade local apresenta a sua perspectiva.
“
Eu acho que o número de eventos que nós levamos aqui a palco, se calhar os de
intervenção da comunidade local, muitas vezes, há trimestres, em que pode até
ultrapassar os outros eventos.” (Anexo 6.3)
Apesar de ser comum que as oficinas se caracterizem pelo fomento da participação-‐
activa da comunidade não é, contudo, possível apurar com rigor a percentagem das acções
109 Associação sediada na freguesia de Avanca e que promove as sessões de cinema às 5ªs feiras. 110
Há uma ligeira subida dos valores nos anos de 2011 e 2012, embora sem alterar a tendência geral referida.
111 Isabel Pinto informa que o cinema se mantém como uma das prioridades devido ao investimento do
município na tecnologia digital (Anexo 6.2). De referir que os filmes programados pelo CCA incidem essencialmente em cinema de autor, cinema europeu e projectos cuja produção é assegurada pelo cineclube. As sessões promovidas pelo CTE são o “reverso”, com cinema de circuito comercial duas a três semanas após a estreia nacional.
de intervenção comunitária. O número reduzido pode não significar uma ténue aposta neste
género de actividades, pois no caso do CTE muitas destas iniciativas prolongam-‐se no tempo,
como são os casos dos projectos de formação contínua do Grupo de Teatro Juvenil do CTE e
a Big Band Estarrejazz.
112Indubitável é o terceiro ano de actividade do CTE -‐ 2007 -‐ revelar
uma maior aposta nesta tipologia, que segundo Luís Portugal provavelmente se deve à
necessidade de captação, formação e fidelização de públicos, associada ao início da
programação do CTE -‐ atendendo que o Teatro Municipal reabriu em 2005.
O envolvimento da comunidade poderá estar, também, implícito em alguns
espectáculos, mas que não são possíveis de contabilizar no âmbito do presente estudo.
113A
integração dos agentes culturais locais na programação do CTE dá-‐se, sobretudo, através das
actividades da tipologia multidisciplinar; o que não significa que, integralmente, promovam
a intervenção da comunidade a que Luís Portugal se refere. A área multidisciplinar (gráficos
35 e 35.1, Anexo 2.6) começa por ter uma expressão quase nula na programação do CTE -‐
veja-‐se os anos de 2005 e 2006 -‐ tendo, a partir de 2007, crescido, estabilizado e ganho
espaço na programação. De destacar o ano de 2013, em que a área multidisciplinar se revela
como a tipologia mais representativa, correspondendo a quase 30% da programação do CTE
nesse ano, “(...) provavelmente por uma questão de gestão orçamental.” (Anexo 6.6).
Apesar de não ter sido possível detectar qualquer acção de literatura e exposições
com base nos documentos acedidos, Isabel Pinto informa que a programação do CTE integra
ambas as áreas, embora sem regularidade (Anexo 6.2). Luís Portugal complementa e indica
que, esporadicamente, estão patentes exposições no foyer ou no Café-‐concerto, e na área
da literatura foram apresentados alguns espectáculos de promoção da língua portuguesa.
A apresentação de projectos internacionais rege-‐se por critérios semelhantes à
promoção de artistas ou companhias nacionais. No entanto, os factores que influenciam a
presença no CTE são distintos, nomeadamente a disponibilidade e os recursos financeiros,
embora o programador saliente que, por vezes, há projectos de cariz internacional
financeiramente mais acessíveis que determinados projectos nacionais (Anexo 6.3). No que
respeita aos objectivos, Isabel Pinto esclarece que há distinção, pois ao programar-‐se um
projecto internacional pretende-‐se abranger um público mais vasto, para além do contexto
112 Foi contabilizada apenas uma acção por cada ano lectivo, embora as sessões decorressem semanalmente.
Luís Portugal acrescenta que em 2015, no âmbito do LAC, têm duas a três oficinas por trimestre dirigidas aos públicos infantis, jovens e seniores; e ainda duas oficinas de teatro que decorrem também semanalmente: Teatro do Desassossego (para 12-‐18 anos) e Trama (para crianças dos 6 aos 11 anos). (Anexo 6.3)
113 Em <http://www.cineteatroestarreja.com/imprensa.php?id=446> [consultado em 10/12/2015] são
regional, e valorizar o CTE no panorama dos Teatros Municipais em Portugal (Anexo 6.2). No
que respeita a co-‐produções, segundo Isabel Pinto, integraram a estratégia programática do
CTE no intervalo de tempo em estudo, contudo, não é possível apresentar dados no âmbito
do presente trabalho.
114A programação em análise contempla projectos escolhidos no âmbito da rede de
programação da CIRA e que se baseiam nos princípios mencionados anteriormente. Na
perspectiva do CTE a repetição de determinados espectáculos considera-‐se prejudicial a
todos os Teatros envolvidos, porém há determinados projectos cuja apresentação em outros
Teatros da região não interfere minimamente com a programação do CTE, particularmente
os que são promovidos no âmbito do serviço educativo e dirigidos ao público escolar.
Os critérios que definem a escolha das áreas e dos projectos a programar são
orientados, primeiramente, tendo em consideração os vários públicos do CTE. Sobre o
assunto Isabel Pinto afirma que a programação do Teatro assenta na seguinte dualidade:
“(...) por um lado dar aquilo que as pessoas esperam, por outro lado apresentar
aquilo que são abordagens diferentes, dar-‐lhes a conhecer, tornar acessível, outro
tipo de espectáculos que as pessoas não estão à espera.” (Anexo 6.2).
Luís Portugal corrobora, mas acrescenta que a política financeira é, cada vez mais,
fundamental e que por isso têm que programar espectáculos “mediáticos” de modo a que
haja retorno como contrabalanço da promoção de projectos dirigidos, por exemplo, à
comunidade escolar, que se constitui como um investimento do município. O programador
acrescenta a relevância da época lectiva, sobretudo associada aos períodos escolares, que se
define como um critério que influencia a programação em cada trimestre.
De entre os artistas e companhias que integram a programação, alguns apresentam-‐
se por iniciativa própria ou de uma entidade promotora, designando-‐se por cedência de
sala
115ou por acolhimento.
116Ambos os casos são considerados como programação do CTE,
mesmo quando se tratam de propostas de iniciativa do Teatro
117e apesar de o público ser
informado através de uma nota na divulgação. Isabel Pinto acrescenta que, por vezes, há
acolhimentos que são recusados por se considerar que não se enquadram na lógica
programática da instituição.
114 O programador acrescenta que é intenção do CTE retomar a política de co-‐produções, mas alerta para as
dificuldades inerentes aos processos logísticos e financeiros.
115
Por norma quando se disponibiliza o espaço para os agentes locais.
116
Quando o Teatro acolhe determinado grupo ou artista, por norma, mediante o aluguer de espaço.
117 “(...) espectáculos que gostaríamos de ter cá e em termos orçamentais não conseguimos, normalmente a
A análise à programação permite anunciar que a programação do CTE é, como
caracterizada pelo programador, transversal a diversas tipologias, com a intenção de
equilibrar os conteúdos contemporâneos com os clássicos, os conteúdos de cariz emergente
e os populares.
118Nesse sentido, a estratégia programática do CTE intenta, segundo Isabel
Pinto, na realização mensal de “um espectáculo, no mínimo, de teatro, música, dança e um
espectáculo mais no âmbito formativo, portanto no âmbito do LAC.” (Anexo 6.2), dirigido
sobretudo ao público infantil. Para além disso “Tentamos pelo menos uma vez por mês ter
um espectáculo no Café-‐concerto. É essencialmente música, mas pode não ser”,
acrescentando que a programação se complementa com as sessões de cinema, com os
espectáculos de acolhimento e as cedências de sala aos agentes locais (Anexo 6.2).
Uma actuação que abrange diversas áreas e com uma calendarização cuidada, é
como Isabel Pinto caracteriza a programação do CTE e que os dados compilados
demonstram ser uma perspectiva inquestionável. Porém, uma abordagem pormenorizada
das acções apresentadas contraria a lógica de que o cinema complementa a programação de
música, teatro, dança e acções formativas. Na realidade a programação do CTA, no intervalo
de tempo em estudo, assenta sobretudo nas áreas de cinema e música, revelando-‐se o
teatro e a dança como as tipologias que complementam a programação, diversas vezes
através de acolhimentos e cedências de sala, no último caso aos agentes locais.
118 Luís Portugal encara popular como conceito “(...) mais ligado ao tradicional, às nossas origens, inclusive às
coisas que se vão fazendo por aqui, à própria vida e tradições e recordações, o abrir alguns caminhos, para que esse popular se torne realmente tradicional e não popularucho. (...) Por outro lado, quando às vezes falo no popular falo em nomes que estão muito mais presentes na memória das pessoas, que devido aos media nos entra pela casa adentro quase todos os dias (...).” (Anexo 6.3).