4.5.1 Definição de Termos e Variáveis
As definições são de acordo com Pereira (1995), destacando-se os seguintes termos: Idoso – Classifica-se o idoso de acordo com o padrão cronológico. Em nações desenvolvidas, o limite de idade entre o indivíduo adulto é de 65 anos e, para países em desenvolvimento, o limite é de 60 anos.
População residente – Número total de pessoas residentes em determinado espaço demográfico, no ano considerado.
Mortalidade proporcional – Trata-se da distribuição percentual de óbitos na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
Coeficiente ou taxa – Trata-se da freqüência com que um evento ocorre na população. Taxa de mortalidade por causas externas – Número de óbitos por causas externas por 100 mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
Causas externas – Constituem uma categoria estabelecida pela Organização Mundial e Saúde (OMS) para se referir às resultantes das agressões e dos acidentes, traumas e lesões.
Causa básica de morte – Trata-se da doença ou lesão que iniciou a sucessão de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte, ou circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal.
Causas de morte – As causas de morte a serem registradas no atestado médico de morte são todas aquelas doenças, estados mórbidos ou lesões que produziram a morte, ou que contribuíram para ela, e as circunstâncias do acidente ou da violência que produziu essas lesões.
Acidente de trânsito – Trata-se de todo acidente com veículo ocorrido na via pública. Este é considerado como tendo ocorrido na via pública a menos que haja a especificação de outro local, exceto nos casos de acidentes envolvendo somente veículos especiais a motos que, salvo menção em contrário, não são classificados como acidentes de trânsito.
Pedestre – Toda pessoa envolvida em um acidente, mas que, no momento em que ocorreu, não estava no interior ou sobre o veículo a motor, trem em via férrea, bonde, veículo de tração animal ou outro veículo, ou sobre bicicleta ou animal.
Residência – Trata-se do endereço habitual do falecido.
4.5.2 Taxas e outras Medidas Empregadas
Foram calculados coeficientes de mortalidade, considerando-se o evento em estudo, em relação ao número da respectiva população residente, no dado período. Por definição, o coeficiente de mortalidade é o número de óbitos por causas externas (acidentes e violências), por 100 mil habitantes, em determinado espaço geográfico, no ano considerado (códigos V01 a Y98, do Capítulo XX da CID-10). Assim, a metodologia de cálculo utilizada foi:
número de óbitos de residentes por causas externas x 100.000 população total residente
Também foi utilizado o teste de qui-quadrado para comparar a proporção das causas externas de mortalidade em relação às demais causas. O nível de significância
adotado foi de 5% (P<0,05).
Todos os dados foram analisados no programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 17.0.
4.5.3 Variáveis
Foram calculadas as porcentagens segundo ano do óbito, faixa etária, sexo, etnia, estado civil, grupo Código Brasileiro de Ocupação, Regiões administrativas, tipo de causa, Causa Externa e região administrativa de residência e local de ocorrência do óbito.
Ano do Óbito – Todos os óbitos ocorridos entre os anos de 2000 a 2010, com dados contidos no Sistema de Informação de Mortalidade SIM (BRASIL. MS, 2010).
Faixa Etária – Classificados em três grupos de faixa etária: 60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 e mais.
Sexo – Variável relevante, uma vez que a mortalidade de homens e mulheres tem estruturas diferentes, tanto em relação à idade com em relação às causas de óbito.
Etnia – Codificada no SIM em: Branca, preta, amarela, parda, indígena.
Estado civil – Codificada no SIM em: Solteiro, casado, viúvo, separado
judicialmente, união consensual, ignorado.
Regiões Administrativas – O Distrito Federal subdivide-se em 30 Regiões Administrativas (RA). Em sua ordem: Brasília (RA I), Gama (RA II), Taguatinga (RA III), Brazlândia (RA IV), Sobradinho (RA V), Planaltina (RAVI), Paranoá (RA VII), Núcleo Bandeirante (RA VIII), Ceilândia (RA IX), Guará (RA X), Cruzeiro (RA XI), Samambaia (RAXII), Santa Maria (RA XIII), São Sabastião (RA XIV), Recanto das Emas (RA XV), Lago Sul (RA XVI), Riacho Fundo (RA XVII), Lago Norte (RA XVIII), Candangolândia
(RA XIX), Águas Claras (RA XX), Riacho Fundo II (RA XXI), Sudoeste/Octogonal (RA XXII), Varjão (RA XXIII), Park Way (RA XXIV), SCIA (RA XXV), Sobradinho II (RA XXVI), Jardim Botânico (RA XXVII), Itapoã (RAXXVIII), SIA (RAXXIX), Vicente Pires (RA XXX). (DISTRITO FEDERAL. CODEPLAN, 2006).
Escolaridade – Refere-se aos anos de estudo concluídos, conforme divisão do IBGE, divididos em: nenhuma, 1 a 3 anos, 4 a 7 anos, 8 a 11 anos, 12 e mais, ignorado.
Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) – A Classificação Brasileira de Ocupações é o documento oficial do reconhecimento, da nomeação e da codificação dos títulos e conteúdos das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. É ao mesmo tempo uma classificação quantitativa e uma classificação qualitativa. Instituída pela Portaria Ministerial n. 397, de 9 de outubro de 2002, tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e domiciliares.
Segundo a CBO, as ocupações podem ser divididas em 10 grandes grupos- GG (0 a 9), conforme o Quadro 1.
Quadro 1: Distribuição das ocupações brasileiras conforme o código.
CBO 2002 - Grandes Grupos / Títulos
Forças Armadas, Policiais e Bombeiros Militares Membros superiores do poder público, dirigentes de organizações de interesse público e de empresas e gerentes
Profissionais das ciências e das artes Técnicos de nível médio
Trabalhadores de serviços administrativos
Trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados
Trabalhadores agropecuários, florestais, da caça e pesca Trabalhadores da produção de bens e serviços industriais Trabalhadores da produção de bens e serviços industriais
Trabalhadores de manutenção e reparação
Fonte: BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2002.
Assim, os GG 0 e o GG 1 agrupam os empregos que compõem as profissões que estabelecem as regras e as normas de funcionamento para o país, estado e município, organismos governamentais de interesse público e de empresas, além de reunir os empregos da diplomacia.
O GG 2 agrega os empregos que compõem as profissões científicas e das artes de nível superior.
O GG 3 adita os empregos que compõem as profissões técnicas de nível médio.
O GG 4 acrescenta os empregos dos serviços administrativos, exceto os técnicos e o pessoal de nível superior. Trata-se de empregos cujos titulares tratam informações (em papéis ou digitalizadas, numéricas ou em textos).
O GG 5 agrega os empregos que produzem serviços pessoais e à coletividade, bem como aqueles que trabalham na intermediação de vendas de bens e serviços.
O GG 6 agrega os empregos do setor agropecuário.
No GG 7 foram agrupados os trabalhadores de sistemas de produção que tendem a ser discretos e que lidam mais com a forma do produto do que com o seu conteúdo físico- químico. Embora haja tendência para que sistemas discretos se tornem contínuos, existem diferenças marcantes do ponto de vista das competências, entre dar forma em uma peça e controlar as variáveis físico-químicas de um processo.
No GG 8 agruparam-se os trabalhadores de sistemas de produção que são ou tendem a ser contínuos (química, siderurgia, entre outros).
E, finalmente, no GG 9 foram classificados os trabalhadores de manutenção e reparação. Diferentemente da CIUO 88 que reserva este GG aos trabalhadores não- qualificados, categoria abolida na CBO 2002.
Local de Ocorrência do Óbito – Classificado no SIM em: Hospital, outro estabelecimento de saúde, domicílio, via pública, outros e ignorado.
Tipo de Causa – Para comparação das causas de óbitos registrados no SIM, as causas básicas de óbito foram divididas em: Causa Externa e outras causas de mortalidade.
Morte por Causas Externas – Para estatísticas de mortalidade, a CID-10 apresenta os agrupamentos relacionados no Capítulo XX (V01-Y98) e simplificados no Quadro 2, segundo as circunstâncias do evento.
Quadro 2: Lista de Tabulação das Causas Externas Segundo a 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças, conforme OMS, 2007.
Capítulo Agrupamento Código CID-10
Causas externas de morbidade / mortalidade V01 – Y98
Acidentes V01 - X59
- Acidentes de Transporte V01 - V99
- Pedestre traumatizado V01 - V09
- Ciclista ou Motociclista traumatizado V10 - V29
- Ocupante traumatizado V30 - V79
XX - Outros acidentes de transporte V80 - V99
- Outras causas externas de lesões acidentais W00 - X59
- Quedas W00 - W19
- Afogamentos e submerses acidentais W65 - W74 -Exposição á fumaça, ao fogo e às chamas X00 - X09 -Envenenamento acidental por exposição a
substâncias nocivas
X40 - X49
Lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) X60 - X84 Agressões (homicídio) X85 - Y09 Eventos (fatos) cuja a intenção é indeterminada Y10 - Y34 Intervenções legais e operações de guerra Y35 - Y36 Todas as causas externas (complicações de
asssitência médica e cirúrgica; seqüelas de causas externas; fatores suplementares relacionados
W20 - W64 W75 - W99 X10 - X39 X50 - X59 Y40 - Y89
Fonte: CID – 10, 2007. Adaptado.