É a etapa final em que todas as informações são analisadas com o olhar no referencial teórico adotado e pela técnica de análise escolhida. Neste tipo de método, o objetivo não é quantificar, mas buscar significados à vivência de determinado fenômeno. (ZAGONEL et al., 2016).
A análise foi conduzida de modo a seguir a resposta à questão de pesquisa e aos objetivos estabelecidos, juntamente com as proposições teóricas envolvidas (pressupostos, conceitos do MCTED e Elementos do PCC adotados).
E assim foi utilizada a Estratégia Analítica Geral, contando com Proposições Teóricas e, como Técnica Analítica Específica, foi adotada a Combinação de Padrão, uma das cinco técnicas analíticas propostas por Yin (2015), sendo que tal fato se justifica pelo grande número de dados coletados, 77 horas e cinco minutos de cuidado e 360 páginas de diário de campo.
Conforme descrito por Yin (2015), quando isto acontece, os diários de campo devem ser constituídos, posteriormente organizados e classificados em quadros descritivos (YIN, 2015), neste estudo foram organizados em quadro auxílio para análise de diário de campo (APÊNDICE 3).
Por consequência, o objetivo da Estratégia Analítica Geral é agregar os dados a conceitos de interesse para que forneçam uma direção e preparação para a análise de dados, sendo, para tal, importante considerar as proposições teóricas (YIN, 2015), que, por sua vez, neste trabalho, se refletiram nos pressupostos, conceitos e elementos do PCC envolvidos no MCTED e deram origem à questão de pesquisa, revisão de literatura, referencial teórico e novas proposições.
Destarte, a técnica analítica específica adotada foi a Combinação de Padrão, pois esta análise compara um padrão embasado em empirismo com um padrão prognóstico, isto é, compara os dados com um padrão previsto antes da coleta de dados (aplicar o MCTED) com as descobertas advindas do estudo (analisar a contribuição da aplicação do MCTED). (YIN, 2015).
Assim, a questão de pesquisa e os objetivos serviram de guia durante a análise com a intenção de ser uma orientação para descrever a aplicação e a contribuição do MCTED para as crianças com necessidades especiais de saúde e suas famílias.
Após cada encontro com cada família, foi feito o diário de campo, que seguiu o roteiro proposto por Lopes e Massaroli (2008), conforme descrito no item 4.2.4 desta dissertação, técnica para coleta de dados.
Assim, os diários de campo continham data, hora de início e de término da visita, endereço completo, planejamento e atividades desenvolvidas, reconstrução de diálogos e depoimentos dos familiares, comportamentos dos familiares e das crianças após a realização do cuidado, ações e expressões da pesquisadora, memorandos reflexivos, avaliação de cada encontro, descrição de como os elementos do PCC foram utilizados, conforme proposto pelo Apêndice 1- Guia para aplicação dos elementos do Processo Clinical Caritas, e também descrição de como cada pressuposto que envolve o modelo foi utilizado, conforme Apêndice 2- Manifestações dos pressupostos envolvidos no MCTED.
Desta maneira, após a construção dos diários de campo, a análise do apreendido seguiu sete etapas:
Na primeira etapa, foi desenvolvido o instrumento Apêndice 3- Quadro auxílio para análise do diário de campo, instrumento que auxiliou a pesquisadora a organizar as informações desenvolvidas no diário de campo, como, por exemplo: número de encontros, horas de cuidado, descrições da família e da criança, necessidades de cuidado atendidas com base no referencial teórico, tipos de cuidado prestados, pessoas envolvidas no cuidado, conceitos que envolvem o MCTED, Elementos do PCC e pressupostos do MCTED usados, memorandos reflexivos, avaliação do encontro e da fase do MCTED em que estava a relação de cuidado.
Na segunda etapa, foi elaborado o instrumento Apêndice 4 – Análise da aplicação do MCTED por criança e família, que possibilitou a quantificação de cada pressuposto e elementos do PCC utilizados, tipologias de cuidado, necessidades de cuidado atendidas em cada fase do MCTED por CRIANES e sua respectiva família. Além disto, este instrumento permitiu identificar as características de cada um dos conceitos do modelo bem como as principais particularidades da residência e dos seres cuidados.
Na terceira etapa da análise do apreendido, foram elaborados o 5º instrumento desta dissertação e o 3º para auxílio na análise dos diários de campos, o Apêndice 5- Instrumento para análise de pressupostos do MCTED, que proporcionou a quantificação de pressupostos utilizados por fases do modelo.
Na quarta etapa, foi elaborado o 6 º instrumento, o Apêndice 6- Instrumento para análise dos elementos do PCC usados por fases do MCTED, que suscitou a verificação da frequência e distribuição dos elementos do PCC.
Na quinta etapa, foi construído o 7 º instrumento, o Apêndice 7- Instrumento para análise das necessidades de cuidado atendidas durante a aplicação do MCTED, que possibilitou verificar quais necessidades de cuidado foram atendidas e a distribuição de acordo com a fase do modelo.
Na sexta etapa, foi elaborado o 8º instrumento, o Apêndice 8- Instrumento para análise das tipologias de cuidado envolvidas em cada fase do MCTED, em que foram verificados os tipos de cuidado apresentados em cada uma das etapas do modelo.
A sétima etapa foi desenvolvida tendo como referência o Apêndice 4- Análise da aplicação do MCTED por criança e família. Após coletar as informações dos conceitos do modelo, elaborou-se o 9º instrumento, o Apêndice 9- Instrumento para
verificar as características dos conceitos do MCTED, que possibilitou perceber como os conceitos que envolvem o modelo foram utilizados e as principais características de cada um, em cada fase, contato inicial, aproximação, encontro transpessoal e separação.
Desta maneira, a apresentação do apreendido segue o mesmo princípio adotado na análise do vivido, orientada pela necessidade de inserir o leitor no contexto pesquisado.
5 APRESENTAÇÃO DO APREENDIDO
Para responder aos objetivos propostos, neste capítulo será apresentado o que foi apreendido em seis itens. No item 5.1, será apresentada a caracterização dos participantes, nos itens 5.2 a 5.6, serão apresentados o primeiro e o segundo objetivos específicos, que analisaram a aplicação do MCTED e identificaram como os conceitos, pressupostos, Elementos do PCC e fases atendem as necessidades de cuidado das crianças e suas famílias.
5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
O Quadro 5 apresenta a caracterização dos participantes da pesquisa, idade da CRIANES, gênero, classificação CRIANES, Classificação para atendimento no SAD em AD1, AD2, AD3, patologia, cuidador familiares principal e características do domicílio da família.
QUADRO 5- CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
(Continua) CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
FAMÍLIA Idade da CRIANES Gênero CRIANES Classificação CRIANES Classificação AD1/AD2/AD3 Patologia CRIANES Cuidador Familiar principal Principais características da residência M.C.E 1 ano e 6 meses Feminino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Laringomalácia e Broncodisplasi a
Mãe Alvenaria, área
urbana vulnerável L.B.D 1 ano e 9 meses Feminino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Displasia Esquelética Campomélica
Mãe Alvenaria, área
urbana C.S.F 1 ano e 1 mês Masculino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen AD3 Hidrocefalia com derivação ventricular peritoneal e
Mãe Alvenaria, área
urbana.
(Mudança de casa para
to
Neuropsicomot or).
Fenda Palatina melhor atender a
CRIANES) C.R.L 1 ano e 8 meses Masculino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Hidrocefalia não especificada
Mãe Madeira, área
urbana A.K.P 1 ano e 1 mês Masculino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Megalencephal y Capillary
Pai Madeira, área
rural (construção de casa para melhor atender a CRIANES) E.O.V 1 ano e 5 meses Masculino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Hidrocefalia não especificada
Mãe Alvenaria, área
urbana vulnerável H.L.P 2 anos e 1 mês Masculino Mista (Dependência de Tecnologia+ Desenvolvimen to Neuropsicomot or). AD3 Meningite Tuberculosa de Sistema Nervoso Central.
Mãe Mista, área
urbana vulnerável
G.O.A 5 anos Masculino Necessidades
habituais modificadas AD1 Traumatismo Crânio Encefálico e Violência
Mãe Alvenaria, área
urbana
(Conclusão) FONTE: A autora (2017), com base nos registros de diário de campo
Participaram do estudo oito CRIANES e 12 familiares cuidadores. A média de encontros desenvolvidos no domicílio de cada família foi de aproximadamente 10 horas por família, com duração de aproximadamente uma hora por cuidado desenvolvido.
Destas oito CRIANES, duas eram do gênero feminino, seis do masculino, cinco tinham distúrbios neurológicos, sete foram classificadas como CRIANES de
cuidados mistos, isto é, dependência de tecnologia para sobreviver e desenvolvimento neuropsicomotor inadequado para a idade, uma foi classificada como CRIANES de necessidades habituais modificadas.
Dos critérios de classificação para atendimento no SAD, apenas uma foi especificada em AD1, as demais em AD3, assim exigiam mais cuidados dispensados pela equipe. Em relação aos familiares cuidadores, apenas uma criança tinha o pai como cuidador familiar principal.
Das características das residências dos participantes, houve sete domicílios da área urbana e um de área rural. Durante a coleta de dados, uma família teve necessidade de mudar de residência e outra construiu uma casa nova para melhor atender às CRIANES.
No que concerne à estrutura física, cinco casas eram de alvenaria, quatro foram caracterizadas como vulneráveis, uma como de difícil acesso, uma por ser próxima a um rio e duas por pertencerem a regiões com situações de violência. Em todos os domicílios, as CRIANES eram cuidadas no quarto dos respectivos pais, em apenas uma das crianças, os cuidados foram divididos entre sala de estar e quarto.
Na sequência, serão apresentadas as formas como os elementos estruturais e teóricos que fazem parte do MCTED foram utilizados na sua aplicação.