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NECESSIDADES DE CUIDADO ATENDIDAS PELO MCTED

No documento CURITIBA 2017 (páginas 93-96)

Conforme as fases do MCTED iam sendo alcançadas, a cada VD realizada, necessidades de cuidado iam sendo identificadas e atendidas (TABELA 3).

TABELA 3- DISTRIBUIÇÃO DE NECESSIDADES ATENDIDAS EM CADA FASE DO MCTED NECESSIDADES DE CUIDADO ATENDIDAS

Necessidades de

cuidado atendidas Contato Inicial n (%) Aproximação n (%) Encontro Transpessoal n (%) Separação n (%) Total N (%) Necessidade de alimento e líquido * 35 (7,5) 01 (0,2) 00 02 (0,4) 38 (8,1) Necessidade de eliminação* 45 (9,6) 05 (1) 00 01 (0,2) 51 (10,9) Necessidade de ventilação* 108 (23,1) 28 (6) 00 05 (1) 141(30,1) Necessidade de atividade-inatividade* 65 (14) 15 (3,2) 00 01 (0,2) 81(17,4) Necessidade de sexualidade* 00 03 (0,6) 00 00 03 (0,6) Necessidade de realização** 23 (5) 38 (8,1) 08 (1,7) 00 69 (14,8) Necessidade de associação** 23 (5) 18 (3,8) 03 (0,6) 03 (0,6) 47 (10) A necessidade de auto-realização** 00 04 (0,8) 30 (6,4) 03 (0,6) 37 (7,9) Total 299 (64) 112 (24) 41 (8,8) 15 (3,2) 467 (100)

FONTE: A autora (2017), com base em WATSON (1979) e WATSON (2008).

NOTA: * Necessidades de ordem inferior (biofísicas e psicofísicas); **Necessidades de ordem superior (psicossocias e intrainterpessoal).

Durante a aplicação do MCTED, foram atendidas 467 vezes (100%) necessidades de cuidado. A fase do modelo que apresentou o maior número foi a de Contato Inicial, com n=299 (64%). A necessidade nesta etapa que mostrou maior identificação e resposta foi a de ventilação, atribuída como concreta e de ordem inferior (biofísica), foi percebida com notoriedade em todo o emprego do modelo e teve como características: cuidados com traqueostomia, oxigenoterapia, ventilação mecânica, desmame de oxigenoterapia, aspiração de vias aéreas, perfusão tissular,

exercícios respiratórios, gasometria arterial, controle de saturação e coleta de secreção por sistema fechado.

“Necessidade de ventilação: foram feitas a aspiração de vias áreas e a coleta de escarro em sistema fechado. A equipe cogitou a possibilidade de correção cirúrgica na traqueia para reverter quadro de Laringomalacia”. (DIÁRIO DE CAMPO 2- FAMÍLIA M.C.E).

Além disso, é importante esclarecer, como já supracitado, que, durante o emprego do modelo com duas famílias, não aconteceu o Encontro Transpessoal: uma família por impossibilidade de evolução e outra por Separação abrupta (internação hospitalar). Em outras duas famílias, a evolução da relação para o

“Encontro Transpessoal” demorou a acontecer, somente a partir do 8º e 9º encontro, assim permanecendo durante um longo período no Contato Inicial e na Aproximação, fato este que pode representar o grande número de necessidades atendidas apenas nestas duas primeiras fases.

Na etapa Aproximação, a necessidade que exibiu destaque foi a de realização, reconhecida como de ordem superior (psicossocial). Distinguida como integradora, o que vai ao encontro da própria fase, que é representada por diversas formas de comunicação, isto é uma necessidade em que a enfermeira irá procurar dar voz a possíveis dúvidas, auxiliar a pessoa a formular perguntas, entender e compartilhar ativamente experiências, perceber o que significa a informação e orientação e, a partir disto, realizar o seu cuidado bem como a instrumentalização dos envolvidos no domicílio.

No Encontro Transpessoal, a necessidade proeminente foi a de autor-realização, diferenciada como sendo de ordem superior, abstrata, intrainterpessoal, ela eleva a percepção do ser humano e busca a transcendência. Essa necessidade foi expressa com n=30 (6,4%) e identificada por um período de alegria, esperança pela melhora e recuperação da criança, quando ocorreram identificação e consideração das necessidades de crenças dos envolvidos, impacto do cuidado no momento vivido pela criança e família, envolvimento de questões espirituais, satisfação das ações de cuidado, com tranquilização da criança na execução de procedimentos, sentimento de gratidão, carinho e amor pelos envolvidos na relação

“Ela demonstrou também ter se sentido discriminada quando um profissional médico lhe avisou que para o caso da EV, não haveria solução

e que logo iria a óbito, contou a experiência e disse que sabia da gravidade do caso, porém acreditava nos milagres da vida, no poder curativo da fé e da esperança- Acredita que aprendeu muito e muita coisa evoluiu na vida dela depois do nascimento da filha- Ela falou que o marido dela ia muito mais à igreja do que ela agora, algumas vezes ela ficava em casa cuidando da criança mas que o pastor vinha em casa oferecer bênçãos na casa dela para a criança e para a família e mais uma vez eu reforcei as expressões, as crenças e os valores da família”. (DIÁRIO DE CAMPO 8- FAMÍLIA E.O.V).

“Continuávamos os pais, menina e avó na sala conversando sobre os cuidados com a menina, enquanto eu fazia a aspiração, neste procedimento, pela primeira vez, percebo a criança muito tranquila durante a aspiração no meu colo, sorria para mim e até mesmo queria brincar com a sonda da aspiração durante o procedimento, sorríamos uma para a outra, me emocionei ocorreu momento de pausa entre todos os envolvidos ali naquele momento, os pais e a avó sorriram para mim neste momento e falaram que geralmente a menina fica muito tranquila apenas com a mãe na realização de qualquer procedimento”. (DIÁRIO DE CAMPO 6- FAMÍLIA L.B.D).

Na última etapa do modelo, a Separação foi a que obteve o menor índice de necessidades de cuidado atendidas, podendo tal fato ser justificado e reiterado como o fim da relação estabelecida, quando os envolvidos se libertam do vínculo estabelecido, todos estando preparados para continuar suas vidas, pois foram fortalecidos com as etapas anteriores, isto é, as necessidades que deveriam ter sido identificadas e atendidas já transcorreram, lembrando que outras separações também podem acontecer, como já descritas anteriormente neste trabalho.

Concludente, a concepção que se estabelece sobre as necessidades atendidas pelo MCTED são: no início, são necessidades de ordem inferior, as biológicas – biofísicas e psicofísicas (concretas), percebidas pela enfermeira ou até mesmo expressas pelo ser-cuidado. À medida em que advém a evolução da relação, essas necessidades irão caracterizar-se como sendo de ordem superior (abstratas), psicossociais, inter-intrapessoal, efetivadas durante o Encontro Transpessoal. Identificou-se todas como sendo de relevada importância ao adotar o referencial teórico do Cuidado Humano e estão interconectadas.

Quando a Separação acontece, os envolvidos se libertam da relação, porém permanecem fortalecidos, pois o preparo nas fases anteriores aconteceu. Assevero que as necessidades tanto de ordem inferior e superior podem continuar sendo manifestadas pelo ser cuidado ou pela família, que estão agora preparados para os próximos enfrentamentos da vida.

No documento CURITIBA 2017 (páginas 93-96)