• Nenhum resultado encontrado

Análise do Currículo do Curso Normal no Rio de Janeiro

No documento ELAINE CRISTINA RODRIGUES DE SOUZA (páginas 116-121)

3. FORMAÇÃO PARA O ENSINO DO TEATRO NA LICENCIATURA EM

3.2 O Teatro no Curso normal (magistério)

3.2.2 Análise do Currículo do Curso Normal no Rio de Janeiro

Tendo em vista a realidade na qual muitos professores que ingressam na carreira

docente para a Educação Básica no estado do Rio de Janeiro apenas com o curso

profissionalizante, este tópico busca encontrar nos documentos curriculares que

embasam esta instância formativa em que medida a formação para ministrar conteúdos

116

vinculados à linguagem teatral está contemplada. Nesse sentido, destacamos das

Diretrizes para implantação das Matrizes Curriculares para a Educação Básica nas

Unidades Escolares da Rede Pública o seguinte artigo referente à formação das

normalistas:

Art. 34 - Os Laboratórios Pedagógicos serão espaços de pesquisa,

construção e utilização de recursos metodológicos que ajudarão os

estudantes em suas atividades práticas nos estágios curriculares

obrigatórios, permitindo, também, nesses ambientes, vivências de

projetos interdisciplinares. Os Laboratórios Pedagógicos serão

direcionados a favorecer o processo formativo do futuro professor, no

qual a construção de atividades práticas deverá permear o fazer

pedagógico.

§ 1º Os Laboratórios Pedagógicos deverão ser ministrados,

preferencialmente, por professores das disciplinas pedagógicas. Não

havendo disponibilidade, seguem-se os professores da Base Nacional

Comum, de acordo com a formação do docente, conforme

especificação:

I - o Laboratório de Arte Educação deverá ser ministrado,

preferencialmente, por um professor graduado em Arte.

II - o Laboratório Pedagógico de ciências da natureza poderá ser

ministrado por professores graduados em Biologia, Física, Química ou

Matemática.

III - o Laboratório Pedagógico de Práticas Psicomotoras poderá ser

ministrado por um professor graduado em Educação Física.

IV - o Laboratório de Culturas poderá ser ministrado por professores

graduados em História ou Sociologia. (RIO DE

JANEIRO/SEEDUC-RJ, 2015).

Nessa perspectiva, o Currículo Mínimo 2013 do Curso Normal ressalta que os

espaços destinados aos Laboratórios Pedagógicos, segundo a sua proposta, visam a

colaborar com o rompimento da lógica de segregação entre teoria e prática, e devem se

propor a ser: a. Espaços que buscam promover as aproximações entre a fundamentação

teórica e a prática pedagógica; b. Espaços que promovem vivências em projetos

interdisciplinares enquanto parte integrante da área pedagógica; c. Espaços de criação

de oficinas e materiais pedagógicos. (RIO DE JANEIRO/SEEDUC-RJ, 2013, p.3).

Dentre os laboratórios destacamos abaixo a especificidade do Laboratório de

Arte Educação já que concerne diretamente ao nosso objeto de investigação:

f) Laboratório de Arte Educação:

Em virtude da necessidade de construir novas práticas pedagógicas em

relação à Arte Educação, propomos: a área de Artes nos Parâmetros

Curriculares Nacionais situa-se como um tipo de conhecimento que

envolve tanto a experiência de aprender arte por meio de obras

originais, de reproduções e de produções de arte sobre a arte, tais

como textos, vídeos, gravações, entre outros, como aprender o fazer

artístico. Ou seja, entende-se que aprender arte envolve não apenas

uma atividade de produção artística pelos alunos, mas também

compreender o que fazem, porque fazem e o que os outros fazem. Pelo

117

desenvolvimento da percepção estética no contato com o fenômeno

artístico, abre-se a perspectiva de conceber a arte como objeto de

cultura e conhecimento na história humana, inserida em um conjunto

de relações, é importante que o aluno compreenda o sentido da

apreciação, da contextualização e do fazer artístico, ou seja, entenda

que sua experiência de desenhar, cantar, dançar, filmar, videogravar

ou dramatizar não são atividades que visam a distraí-lo da "seriedade"

das outras áreas, mas que são construção legítima de conhecimento

em outras linguagens, sabe-se que ao conhecer, apreciar e fazer arte, o

aluno percorre trajetos de aprendizagem que propiciam conhecimentos

específicos sobre sua relação com o mundo. Além disso, desenvolve

potencialidades tais como percepção, observação, imaginação e

sensibilidade, as quais contribuem para a consciência do seu lugar no

mundo e para compreensão de conteúdos de outras áreas do currículo,

as linguagens artísticas e a produção sócio-histórica, a Proposta

Triangular do Ensino de Artes: contextualização, fruição e produção

artística, conceitos e elementos da expressão gráfica em Artes Visuais,

conceitos e elementos da expressão em Música, conceitos e elementos

da expressão corporal: teatro e dança, arte e recursos tecnológicos,

planejamento, desenvolvimento e prática de projetos interdisciplinares

que articulem as linguagens artísticas (artes visuais, música, teatro e

dança e outras), apreciação e produção de material artístico.

Conforme vimos, a apresentação do Laboratório de Arte Educação apresenta-se

bastante genérico no que diz respeito à especificação de como devem ser desenvolvidos

os conteúdos relacionados ao Teatro. Assim, analisando tanto o que apresenta as

diretrizes quanto o Currículo mínimo, os documentos da SEEDUC-RJ apresentam em

relação ao Teatro no Magistério (Curso Normal) o mesmo direcionamento dado,

geralmente, aos demais cursos médios, é dado ao Curso Normal.

Tanto o Currículo Mínimo de Arte no Ensino Médio, quanto a grade curricular

do Curso Normal, destina as mesmas duas aulas semanais para a disciplina de Arte, sem

especificar qual linguagem artística. O Currículo Mínimo a que tivemos acesso foi a

última versão publicada do documento, de 2013. Obedecendo a resolução da SEEDUC-

RJ referente à distribuição da parte diversificada e da parte profissional. O documento

apresenta adjuntos às orientações curriculares os cadernos pedagógicos.

Nesses cadernos pedagógicos, disponibilizados em blogs ou fontes secundárias

similares, podemos encontrar os cadernos referentes aos laboratórios pedagógicos.

Entretanto, conseguimos ter acesso ao documento referente à Educação Especial e a

alguns outros laboratórios. Ao que parece, a Secretaria Estadual de Educação retirou

todos esses documentos de suas páginas oficiais, algo que também ocorre em outras

redes educacionais desde 2019, devido às demais Secretarias (Municipais) de Educação

118

realizarem a adaptação de suas matrizes, grades ou desenhos curriculares à orientação

dada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Dessa forma, aqueles documentos aos quais tivemos acesso anteriormente foram

analisados, porém os mais atuais não estão disponíveis, devido à revisão das Secretarias

de Educação. Ainda assim, encontramos um documento, também, encomendado pelo

Conselho Estadual de Educação à especialistas das universidades públicas, solicitando

um parecer sobre cada disciplina que estava presente no Currículo Mínimo da Rede

Estadual. Esse documento é muito recente, finalizado em 2019. Acreditamos que seja a

partir dele que o novo currículo da Rede Estadual seja elaborado. Adiantamos, ainda,

que neste dossiê encontram-se as mesmas críticas referentes à BNCC, em relação à

discussão sobre o termo “linguagens”, e o fato de Artes Cênicas, Dança, Música e Artes

Visuais estarem todas designadas como “Arte”, sem serem consideradas como áreas de

conhecimento com suas especificidades. Em outros termos, a crítica dos especialistas ao

Currículo Mínimo de 2013 da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, pelo menos

na área de Arte, é a mesma crítica que os demais arte-educadores realizaram em relação

à BNCC.

No próximo capítulo, abordaremos final nossas inquietações sobre a formação

de professores e sua atuação docente, relacionando as análises que fizemos nesse

percursos e possibilidades da inserção da linguagem teatral nas suas aulas ministradas

no Ensino Fundamental, tendo em vista como ponto de partida a defesa da pertinência e

necessidade do Teatro nessa etapa da formação humana.

119

CAPÍTULO IV

Figura 5 - Print do canal "História para crianças", com a professora Marcia Strazzacappa, que atua na formação de

professores utilizando formas animadas. Disponível em:

https://www.youtube.com/channel/UCkWatrg9NSaOCtkJeloLLKw. Acesso em: 12 dez. 2019.

120

No documento ELAINE CRISTINA RODRIGUES DE SOUZA (páginas 116-121)