3. FORMAÇÃO PARA O ENSINO DO TEATRO NA LICENCIATURA EM
3.2 O Teatro no Curso normal (magistério)
3.2.2 Análise do Currículo do Curso Normal no Rio de Janeiro
Tendo em vista a realidade na qual muitos professores que ingressam na carreira
docente para a Educação Básica no estado do Rio de Janeiro apenas com o curso
profissionalizante, este tópico busca encontrar nos documentos curriculares que
embasam esta instância formativa em que medida a formação para ministrar conteúdos
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vinculados à linguagem teatral está contemplada. Nesse sentido, destacamos das
Diretrizes para implantação das Matrizes Curriculares para a Educação Básica nas
Unidades Escolares da Rede Pública o seguinte artigo referente à formação das
normalistas:
Art. 34 - Os Laboratórios Pedagógicos serão espaços de pesquisa,
construção e utilização de recursos metodológicos que ajudarão os
estudantes em suas atividades práticas nos estágios curriculares
obrigatórios, permitindo, também, nesses ambientes, vivências de
projetos interdisciplinares. Os Laboratórios Pedagógicos serão
direcionados a favorecer o processo formativo do futuro professor, no
qual a construção de atividades práticas deverá permear o fazer
pedagógico.
§ 1º Os Laboratórios Pedagógicos deverão ser ministrados,
preferencialmente, por professores das disciplinas pedagógicas. Não
havendo disponibilidade, seguem-se os professores da Base Nacional
Comum, de acordo com a formação do docente, conforme
especificação:
I - o Laboratório de Arte Educação deverá ser ministrado,
preferencialmente, por um professor graduado em Arte.
II - o Laboratório Pedagógico de ciências da natureza poderá ser
ministrado por professores graduados em Biologia, Física, Química ou
Matemática.
III - o Laboratório Pedagógico de Práticas Psicomotoras poderá ser
ministrado por um professor graduado em Educação Física.
IV - o Laboratório de Culturas poderá ser ministrado por professores
graduados em História ou Sociologia. (RIO DE
JANEIRO/SEEDUC-RJ, 2015).
Nessa perspectiva, o Currículo Mínimo 2013 do Curso Normal ressalta que os
espaços destinados aos Laboratórios Pedagógicos, segundo a sua proposta, visam a
colaborar com o rompimento da lógica de segregação entre teoria e prática, e devem se
propor a ser: a. Espaços que buscam promover as aproximações entre a fundamentação
teórica e a prática pedagógica; b. Espaços que promovem vivências em projetos
interdisciplinares enquanto parte integrante da área pedagógica; c. Espaços de criação
de oficinas e materiais pedagógicos. (RIO DE JANEIRO/SEEDUC-RJ, 2013, p.3).
Dentre os laboratórios destacamos abaixo a especificidade do Laboratório de
Arte Educação já que concerne diretamente ao nosso objeto de investigação:
f) Laboratório de Arte Educação:
Em virtude da necessidade de construir novas práticas pedagógicas em
relação à Arte Educação, propomos: a área de Artes nos Parâmetros
Curriculares Nacionais situa-se como um tipo de conhecimento que
envolve tanto a experiência de aprender arte por meio de obras
originais, de reproduções e de produções de arte sobre a arte, tais
como textos, vídeos, gravações, entre outros, como aprender o fazer
artístico. Ou seja, entende-se que aprender arte envolve não apenas
uma atividade de produção artística pelos alunos, mas também
compreender o que fazem, porque fazem e o que os outros fazem. Pelo
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desenvolvimento da percepção estética no contato com o fenômeno
artístico, abre-se a perspectiva de conceber a arte como objeto de
cultura e conhecimento na história humana, inserida em um conjunto
de relações, é importante que o aluno compreenda o sentido da
apreciação, da contextualização e do fazer artístico, ou seja, entenda
que sua experiência de desenhar, cantar, dançar, filmar, videogravar
ou dramatizar não são atividades que visam a distraí-lo da "seriedade"
das outras áreas, mas que são construção legítima de conhecimento
em outras linguagens, sabe-se que ao conhecer, apreciar e fazer arte, o
aluno percorre trajetos de aprendizagem que propiciam conhecimentos
específicos sobre sua relação com o mundo. Além disso, desenvolve
potencialidades tais como percepção, observação, imaginação e
sensibilidade, as quais contribuem para a consciência do seu lugar no
mundo e para compreensão de conteúdos de outras áreas do currículo,
as linguagens artísticas e a produção sócio-histórica, a Proposta
Triangular do Ensino de Artes: contextualização, fruição e produção
artística, conceitos e elementos da expressão gráfica em Artes Visuais,
conceitos e elementos da expressão em Música, conceitos e elementos
da expressão corporal: teatro e dança, arte e recursos tecnológicos,
planejamento, desenvolvimento e prática de projetos interdisciplinares
que articulem as linguagens artísticas (artes visuais, música, teatro e
dança e outras), apreciação e produção de material artístico.
Conforme vimos, a apresentação do Laboratório de Arte Educação apresenta-se
bastante genérico no que diz respeito à especificação de como devem ser desenvolvidos
os conteúdos relacionados ao Teatro. Assim, analisando tanto o que apresenta as
diretrizes quanto o Currículo mínimo, os documentos da SEEDUC-RJ apresentam em
relação ao Teatro no Magistério (Curso Normal) o mesmo direcionamento dado,
geralmente, aos demais cursos médios, é dado ao Curso Normal.
Tanto o Currículo Mínimo de Arte no Ensino Médio, quanto a grade curricular
do Curso Normal, destina as mesmas duas aulas semanais para a disciplina de Arte, sem
especificar qual linguagem artística. O Currículo Mínimo a que tivemos acesso foi a
última versão publicada do documento, de 2013. Obedecendo a resolução da SEEDUC-
RJ referente à distribuição da parte diversificada e da parte profissional. O documento
apresenta adjuntos às orientações curriculares os cadernos pedagógicos.
Nesses cadernos pedagógicos, disponibilizados em blogs ou fontes secundárias
similares, podemos encontrar os cadernos referentes aos laboratórios pedagógicos.
Entretanto, conseguimos ter acesso ao documento referente à Educação Especial e a
alguns outros laboratórios. Ao que parece, a Secretaria Estadual de Educação retirou
todos esses documentos de suas páginas oficiais, algo que também ocorre em outras
redes educacionais desde 2019, devido às demais Secretarias (Municipais) de Educação
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realizarem a adaptação de suas matrizes, grades ou desenhos curriculares à orientação
dada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Dessa forma, aqueles documentos aos quais tivemos acesso anteriormente foram
analisados, porém os mais atuais não estão disponíveis, devido à revisão das Secretarias
de Educação. Ainda assim, encontramos um documento, também, encomendado pelo
Conselho Estadual de Educação à especialistas das universidades públicas, solicitando
um parecer sobre cada disciplina que estava presente no Currículo Mínimo da Rede
Estadual. Esse documento é muito recente, finalizado em 2019. Acreditamos que seja a
partir dele que o novo currículo da Rede Estadual seja elaborado. Adiantamos, ainda,
que neste dossiê encontram-se as mesmas críticas referentes à BNCC, em relação à
discussão sobre o termo “linguagens”, e o fato de Artes Cênicas, Dança, Música e Artes
Visuais estarem todas designadas como “Arte”, sem serem consideradas como áreas de
conhecimento com suas especificidades. Em outros termos, a crítica dos especialistas ao
Currículo Mínimo de 2013 da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, pelo menos
na área de Arte, é a mesma crítica que os demais arte-educadores realizaram em relação
à BNCC.
No próximo capítulo, abordaremos final nossas inquietações sobre a formação
de professores e sua atuação docente, relacionando as análises que fizemos nesse
percursos e possibilidades da inserção da linguagem teatral nas suas aulas ministradas
no Ensino Fundamental, tendo em vista como ponto de partida a defesa da pertinência e
necessidade do Teatro nessa etapa da formação humana.
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CAPÍTULO IV
Figura 5 - Print do canal "História para crianças", com a professora Marcia Strazzacappa, que atua na formação de
professores utilizando formas animadas. Disponível em:
https://www.youtube.com/channel/UCkWatrg9NSaOCtkJeloLLKw. Acesso em: 12 dez. 2019.
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No documento
ELAINE CRISTINA RODRIGUES DE SOUZA
(páginas 116-121)