Pré-triagem
ANÁLISE DO EFEITO DO TRATAMENTO DOS CONCLUINTES
Os resultados descritos nesta sessão de resultados referem somente a investigação do efeito do tratamento baseado nos dados dos voluntários que concluíram todo o tratamento. Na sessão posterior é descrito os resultados das análises, nas quais, todos os sujeitos de pesquisa inclusos no tratamento (desistentes ou concluintes do estudo) foram considerados.
Análise das variáveis de controle do tratamento
Considerando que os maiores empecilhos para o sucesso de um tratamento para tabagismo são: elevados níveis e sintomas de ansiedade e depressão, e baixa motivação para parar de fumar (Spinella, 2003; Melo et al., 2006; Cougle et al., 2010), estes fatores foram controlados antes e durante a execução do tratamento.
Todas as variáveis referentes às avaliações de ansiedade, depressão e motivação foram testadas e apresentam normalidade e homogeneidade.
Para investigar estes fatores antes do início do estudo foi realizado uma Análise Variância (ANOVA) de 1 via que não demonstrou efeito dos grupos em função das avaliações de ansiedade (F(1,37)=0,06, p=0,81), depressão (F(1,37)=1,80, p=0,19) e motivação
(F(1,37)=0,09, p=0,76). Com este resultado pode-se inferir que antes do início do estudo
clínico os sujeitos de pesquisa não apresentavam diferenças em relação a estes parâmetros. Outro fator importante é que de acordo com as classificações dos questionários psicométricos utilizados, a amostra do estudo enquadrava-se em ansiedade e depressão mínima, e os voluntários estavam motivados para parar de fumar, determinações dos critérios de elegibilidade.
Analisando as possíveis alterações ao longo da condução do tratamento, estes fatores foram investigados através da ANOVA de medidas repetidas. Foram consideradas como variáveis dependentes as medidas repetidas de avaliação psicométricas: níveis de ansiedade, depressão e motivação.
A ANOVA de medidas repetidas referentes às avaliações dos níveis de ansiedade mostrou efeito de tempo (F(1,111)=11,9, p<0,01), porém não foi identificada interação
significativa entre os grupos e tempo (F(3,111)=2,42, p=0,07). Dessa forma, infere-se que
ocorreu redução significativa dos valores avaliativos deste parâmetro ao longo do tratamento, porém, esta alteração esteve presente em ambos os grupos.
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Com o intuito de explorar com maiores detalhes esta redução das medidas de ansiedade entre os dois grupos, realizou-se uma comparação entre a variação total deste parâmetro. Para tal, calculou-se o delta (Δ) dos níveis de ansiedade da seguinte forma:
, e comparou-se estas duas variáveis através do ANOVA de 1 via. Este teste estatístico mostrou que não há efeito da variação total dos níveis de ansiedade (ΔBAI) em
função dos grupos (F(1,37)=4,00, p=0,06). Com este resultado infere-se que as variações nos
níveis de ansiedade ao longo da execução da intervenção clínica entre os dois grupos foram semelhantes (Figura7).
Figura7 – Medidas referentes às avaliações de ansiedade por grupo ao longo do tratamento. Nesta avaliação foram considerados somente os sujeitos de pesquisa que concluíram o tratamento. Verifica-se redução dos valores ao longo do tempo (identificada por um * (p<0,01)), contudo esta ocorre para os dois grupos, e não representa alterações clínicas significativas. Para maiores informações consultar o texto. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Avaliando os sinais e sintomas de depressão, o teste ANOVA de medidas repetidas mostrou efeito significativo de tempo (F(1,111)=9,81, p<0,01), contudo, não apresentou efeito
de interação grupo e tempo (F(3,111)=0,55, p=0,65), com resultados semelhantes aos
identificados para o acompanhamento dos sinais e sintomas de ansiedade. Interpretando estes resultados, infere-se que há redução das medidas de depressão ao longo do tempo (tratamento) e que esta variação ocorre para os dois grupos.
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Seguindo o mesmo raciocínio adotado para as análises dos sinais e sintomas de ansiedade, avaliou-se a variação total dos parâmetros relativos à depressão entre os grupos por meio da comparação dos deltas. A expressão matemática para o cálculo da variação total dos níveis de depressão foi a seguinte: , sendo a comparação dos
valores realizada por meio do teste ANOVA de 1 via. O teste estatístico não mostrou efeito de grupo entre os deltas dos níveis de depressão (F(1,37)=0,67, p=0,42). Baseado na
interpretação deste resultado, tem-se que os dois grupos apresentam variação dos níveis de depressão semelhantes (Figura8).
Figura8 – Medidas referentes às avaliações dos sintomas depressivos por grupo ao longo do tratamento. Nesta avaliação foram considerados somente os sujeitos de pesquisa que concluíram o tratamento. Verifica-se redução dos valores ao longo do tempo (identificada por um * (p<0,01)), contudo esta ocorre para os dois grupos, e não representa alterações clínicas significativas. Para maiores informações consultar o texto. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Para a comparação das mensurações referentes à motivação para parar de fumar dos voluntários foi realizado uma ANOVA de medidas repetidas. O teste mostrou que não há efeito da motivação em função do tempo (F(3,111)=0,07, p=0,97) e dos grupos (F(3,111)=0,34,
p=0,80). Este resultado demonstra que não houve variação da motivação ao longo do tratamento e que os grupos não diferiram entre si (Figura9).
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Figura9 – Avaliação da motivação para parar de fumar por grupo ao longo do tratamento. Nesta avaliação foram considerados somente os sujeitos de pesquisa que concluíram o tratamento. Não foi identificado alterações em função do tempo (p=0,97) e tratamento (0,80). Para maiores informações consultar o texto. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Considerando que ambos os grupos apresentaram variações nos níveis de ansiedade, depressão e motivação semelhantes, e todos estes fatores permaneceram controlados durante o experimento, as análises MANOVA, para efeito do tratamento, foram controladas pela variação total de cada um destes parâmetros (deltas – Δ). O cálculo dos deltas foi realizado da seguinte forma: .
Investigação das avaliações psicométricas do efeito do tratamento
Os dados referentes às avaliações de dependência, avaliados pelo questionário FTND, e de compulsão, avaliados pelo questionário QSU, foram testados e apresentam normalidade e homogeneidade.
Para comparar os níveis de dependência e compulsão anteriores ao início do estudo, foi realizada uma Análise de Variância (ANOVA) de 1 via (para cada uma das variáveis), e os testes demonstraram que não há efeito das medidas do FTND e QSU em função do grupo (F(1,37)=0,61, p=0,44; F(1,37)=0,39, p=0,53, respectivamente). Sendo assim, ambos os grupos
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pontos –Tabela 6) elevada e compulsão (pontuação no teste QSU superior a 99 pontos – Tabela 6) moderadaantes do início da intervenção e não diferiam entre si.
Para as medidas de dependência não foi encontrado efeito de tempo (F(3,99)=0,70,
p=0,55), mesmo a análise sendo controlada para ansiedade (F(3,99)=1,16, p=0,33), depressão
(F(3,99)=0,46, p=0,70) e idade (F(3,99)=1,06, p=0,37). Verificou-se interação das medidas ao
longo do tempo com a motivação (F(3,99)=6,82, p<0,01). O teste identificou efeito da
interação do fator tempo com os grupos (F(3,99)=2,62, p=0,05). O teste post-hoc de
Bonferroni mostrou diferença somente no grupo ômega-3, entre a primeira visita do tratamento e as demais (V1-V2: p=0,04; V1-V3: p<0,01; V1-V4: p<0,01).
Com a finalidade de elucidar as alterações ocorridas nas avaliações referentes aos níveis de dependência de nicotina, as médias dos grupos serão apresentadas na Tabela 8.
Tabela 8 – Avaliações referentes aos níveis de dependência de nicotina por grupo. Os valores estão apresentados em média ± desvio padrão.
Interpretando a redução nas avaliações deste parâmetro no grupo ômega-3, tem-se que ocorreu mudança de dependência elevada (FTND ≥ 6 pontos) para dependência baixa (FTND ≤ 4 pontos), de acordo com a classificação do instrumento utilizado. De maneira geral, ambos os grupos apresentaram diminuição dos níveis de dependência, porém, somente o grupo tratado com ômega-3 apresentou alterações significativamente estatísticas e clínicas.
Controle (Óleo Mineral) (N=18) Ômega-3 (Óleo de peixe) (N=21)
Triagem 6,22 ± 1,93 6,67 ± 1,62
1º mês 5,61 ± 2,06 5,67 ± 1,80
2º mês 5,94 ± 2,10 5,38 ± 2,78
3º mês 5,67 ± 2,00 4,80 ± 2,44
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Figura10 – Avaliação do nível de dependência por grupo ao longo do tratamento. Nesta avaliação foram considerados somente os sujeitos de pesquisa que concluíram o tratamento. Nota-se uma redução significativa da dependência entre os grupos (indentificada por um * (p=0,05)) em função do tratamento. Para maiores informações consultar o texto. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Na análise da compulsão, considerando os valores totais do questionário QSU, verificou- se efeito de tempo nas medidas (F(3,99)=6,67, p<0,01), mesmo controlando o modelo para
ansiedade (F(3,99)=0,28, p=0,83), depressão (F(3,99)=1,53, p=0,20) e motivação (F(3,99)=1,63,
p=0,19). Foi verificado efeito de interação do tempo do tratamento com a variável idade (F(3,99)=2,73, p=0,04). Entretanto, não foi verificado efeito da interação do tratamento com
os grupos (F(3,99)=1,27, p=0,29). Da mesma forma que para as medidas de dependência,
ocorre redução nos níveis de compulsão, porém, para este parâmetro, a redução ocorre em ambos os grupos. Analisando o teste post-hoc de Bonferroni há redução significativa entre as medidas: V1-V2 (p<0,01) e V1-V4 (0,03) no grupo placebo (óleo mineral), e V1-V2 (p<0,01), V1-V3 (p<0,01) e V1-V4 (p<0,01) no grupo ômega-3 (óleo de peixe).
Investigando as medidas do Fator 1 do questionário QSU (frases afirmativas relacionadas com o reforço negativo), verificou-se efeito de tempo nas medidas (F(3,99)=8,14, p<0,01),
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p=0,67) e motivação (F(3,99)=0,92, p=0,44). Da mesma forma que para as análise dos níveis
de compulsão, foi verificado efeito da interação do tempo com a idade (F(3,99)=4,03, p<0,01),
contudo não foi identificado efeito do tratamento em função dos grupos (F(3,99)=1,25,
p=0,30). Interpretando os resultados tem-se que ocorreu redução deste parâmetro (Figura10), porém em ambos os grupos. De acordo com o teste post hoc de Bonferroni tem- se redução significativa entre as medidas: V1-V2 (p=0,01) no grupo placebo, e V1-V2 (p<0,01), V1-V3 (p<0,01) e V1-V4 (p<0,01) no grupo ômega-3.
Analisando os resultados do Fator 2 do questionário QSU (frases negativas relacionadas com o reforço positivo), não foi identificado efeito de tempo (F(3,99)=1,64, p=0,18), mesmo
controlando a análise pelos níveis de ansiedade (F(3,99)=2,04, p=0,11), motivação (F(3,99)=1,84,
p=0,14) e idade (F(3,99)=0,30, p=0,82), bem como efeito do tratamento em função dos grupos
(F(3,99)=0,74, p=0,53). De maneira diferente para que as demais análises referentes à
compulsão, identificou-se efeito da interação do tempo nas medidas em função dos níveis de depressão (F(3,99)=4,14, p<0,01). Ao longo do tratamento ocorreu redução nos valores
avaliados pelo Fator 2 do questionário QSU, (como pode ser observado na Figura11), contudo, esta diminuição não foi significativa ao longo do tratamento e ocorreu de forma semelhante entre os dois grupos.
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Figura11 – Avaliação do nível de compulsão de nicotina por grupo ao longo do tratamento. A- Avaliação do nível total de compulsão (somatória total do valor do QSU) por grupo. Identifica-se efeito de tempo em função do tratamento (identificada por um * (p<0,01)), presente em ambos os grupos, como pode ser comprovado pelo teste post-hoc de Bonferroni, contudo não foi verificado efeito da interação entre os grupos (p>0,05). B – Avaliação do Fator 1 do questionário QSU por grupo. Nota-se efeito de tempo nas medidas em ambos os grupos (identificada por um * (p<0,01)), porém, esta diferença não ocorreu entre os grupos em função do tratamento (p>0,05). C – Avaliação do Fator 2 do questionário QSU por grupo. Para este fator do QSU não foi identificado efeito de tempo, bem como diferença entre os grupos em função do tratamento. Para maiores informações consulte o texto. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Estudo dos indicadores de consumo
O consumo dos tabagistas foi acompanhado ao longo do tratamento pela combinação de 3 diferentes indicadores: por meio do auto-relato (através do diário de cigarros), pela
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quantificação da concentração de CO no ar exalado, e quantificação dos níveis de cotinina sérica.
Todos os dados referentes às avaliações de consumo foram testados e apresentam normalidade e homogeneidade.
Interpretando os resultados da análise estatística com os dados de auto-relato de consumo não foi verificado efeito de tempo (F(2,62)=1,97, p=0,15), mesmo quando o modelo
empregado foi controlado para os níveis de ansiedade (F(2,62)=1,10, p=0,34), depressão
(F(2,62)=0,81, p=0,45) e motivação (F(2,62)=2,23, p=0,12), bem como efeito do tratamento em
função dos grupos (F(2,62)=0,11, p=0,89). Os dois grupos apresentaram pequena variação
neste parâmetro avaliativo, sendo identificada uma pequena redução na média de cigarros consumidos após o término do primeiro mês de tratamento, contudo, o grupo tratado com ômega-3 apresentou um diminuto aumento neste indicador no intervalo do segundo para o terceiro mês de tratamento (Figura12).
Figura12 – Avaliação do consumo por meio do auto-relato (diário de cigarros) por grupo ao longo do tratamento. Não foi identificada diferença entre as medidas ao longo do tempo bem como entre os grupos em função do tratamento. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
A avaliação do status do consumo através da dosagem de CO no ar exalado não demonstrou efeito de tempo (F(2,84)=0,14, p=0,93), mesmo quando controlado pelo
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p=0,76) e terceiro mês de tratamento (F(2,84)=0,24, p=0,87), e níveis de ansiedade
(F(2,84)=0,36, p=0,26), depressão (F(2,84)=0,81, p=0,49) e motivação (F(2,84)=0,58, p=0,63);
inclusive para efeito do tratamento em função dos grupos (F(2,84)=0,90, p=0,44). A análise
das medidas de porcentagem de COHb também não demonstrou efeito de tempo (F(2,84)=0,24, p=0,87), mesmo após controle do modelo pelo consumo baseado no auto-
relato do primeiro (F(2,84)=2,46, p=0,07), segundo (F(2,84)=0,30, p=0,82) e terceiro (F(2,84)=0,49,
p=0,69) mês de tratamento, níveis de ansiedade (F(2,84)=0,95, p=0,42), depressão
(F(2,84)=0,89, p=0,45), motivação (F(2,84)=0,53, p=0,66); e do tratamento em função dos
grupos (F(2,84)=0,30, p=0,82).
Analisando as medidas de CO e porcentagem de COHb ao longo do tratamento é possível verificar um aumento dos valores mensurados no grupo controle, após o término do primeiro mês de tratamento, atingindo um valor constante até o término do estudo. Já o grupo tratado com ômega-3 apresentou uma diminuição discreta em ambos os indicadores, porém constante ao longo da intervenção.
Figura13 – Avaliação do consumo através da monoxímetria por grupo ao longo do tratamento.A – Avaliação das concentrações de CO no ar exalado por grupo. Não foi identificada diferença ao longo do tempo e entre os grupos em função do tratamento. B – Avaliação da porcentagem de COHb no sangue, avaliado pelo monoxímetro, por grupo. Da mesma forma que para as dosagens de CO no ar exalado, não foi identificado diferença ao longo do tratamento e entre os grupos em função da intervenção. A barra branca representa os sujeitos de pesquisa do grupo controle (N=18) e a barra preta, os voluntários do grupo tratado com ômega-3 (21).
Por fim, o último indicador de consumo empregado na avaliação do tratamento foram as dosagens de cotinina sérica. A análise não mostrou efeito de tempo (F(1,24)=1,17, p=0,29),
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mesmo quando o modelo considerou a concentração de CO no ar exalado das visitas 1 (F(1,24)=0,52, p=0,48), 2 (F(1,24)=0,05, p=0,82), 3 (F(1,24)=2,32, p=0,14) e 4 (F(1,24)=0,02, p=0,88)
do tratamento, e o consumo baseado no auto-relato do primeiro (F(1,24)=0,16, p=0,69),
segundo (F(1,24)=0,02, p=0,90) e terceiro (F(1,24)=0,07, p=0,78) mês; e do tratamento em
função dos grupos (F(1,24)=2,28, p=0,14).
Comparando os resultados das dosagens de cotinina sérica no início do tratamento nota-se que o grupo tratado com ômega-3, apesar da alocação randômica, possuía concentrações superiores ao do grupo controle, entretanto, esta diferença de concentração não era significativa estatisticamente (ANOVA 1 via: F(1,35)=2,42, p=0,13). Após o término da
intervenção, o grupo controle não apresentou variações de concentração deste marcador, contudo, o grupo tratado com ômega-3 apresentou concentrações reduzidas, quando comparadas com os resultados do início do estudo, porém, similares aos valores pós- tratamento do grupo controle (Figura14).
Figura14 – Concentrações de cotinina sérica antes e após o estudo por grupo. Não foi encontrado diferença entre os grupos quando comparou-se as concentrações de cotinina sérica basais (antes do estudo). Não há diferença entre os níveis de cotinina ao longo do tempo, bem como entre os grupos em função da intervenção. Nota-se que apesar da ausência de diferença estatística entre os grupos, o tratado com ômega-3, possuía concentrações basais superiores que o grupo controle (sem diferença estatística), e ao término do estudo apresentou uma variação de concentração superior ao grupo controle.
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Análise da incorporação dos ácidos graxos da série ômega-3
Como os PUFAs são compostos essenciais, isto é, somente são obtidos através da alimentação (Spector, 1999; Bourne, 2005), torna-se importante analisar a quantidade destes compostos ingeridos por meio dos alimentos, uma vez que os ácidos graxos da série ômega-3 estão em enfoque no estudo.
Todos os dados referentes às concentrações dos ácidos graxos poliinsaturados representantes da série ômega-3, ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), e as referentes à ingestão de PUFAs pela dieta foram testadas e apresentam normalidade e homogeneidade.
A quantificação de PUFAs ingeridos foi analisada por meio da interpretação do Recordatório Alimentar, porém, para tal é necessário o preenchimento adequado do questionário. Dos voluntários participantes do tratamento somente uma parcela realizou este procedimento de maneira adequada, sendo assim, esta análise foi realizada com os dados de 20 voluntários, sendo 10 do grupo controle e 10 do grupo ômega-3.
O controle da ingestão alimentar de PUFAS foi analisado por meio de uma Análise de Variância (ANOVA) de medidas repetidas, sendo as variáveis dependentes a quantidade destes compostos ingeridos ao longo do tratamento. O teste estatístico mostrou que há efeito de grupo (F(1,15)=6,28, p=0,02), porém, não há efeito de tempo nas medidas
(F(2,30)=0,16, p=0,85), bem como interação do tempo em função dos grupos (F(2,30)=0,34,
p=0,72). Para uma melhor investigação do resultado acima descrito, realizou-se uma comparação para cada um dos intervalos do estudo, por meio de uma ANOVA de 1 via. Estes testes demonstraram que os grupos ingerem quantidades de PUFAs semelhantes no primeiro (F(1,20)=3,68, p=0,07) e segundo (F(1,19)=0,90, p=0,36) mês do tratamento,
entretanto, no terceiro mês o grupo controle ingere uma quantidade menor do que o tratado com ômega-3 (F(1,17)=7,30, p=0,01).
A análise dos níveis dos representantes da série ômega-3 mostrou que para as concentrações de EPA não há efeito de tempo (F(1,4)<0,01, p=0,99), mesmo quando o
modelo foi controlado para a quantidade de PUFAs ingerido pela dieta do primeiro (F(1,4)<0,01, p=0,97), segundo (F(1,4)<0,01, p=0,99) e terceiro (F(1,4)=0,01, p=0,92) mês, e
interação entre o tratamento em função dos grupos (F(1,4)=0,25, p=0,64). Para as
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p=0,40), mesmo quando o modelo foi controlado pela quantidade de PUFAs ingeridos no primeiro (F(1,5)=0,67, p=0,45), segundo (F(1,5)=0,60, p=0,47) e terceiro (F(1,5)=0,80, p=0,41)
mês, bem como efeito do tratamento em função dos grupos (F(1,5)=1,38, p=0,29).
Interpretando as médias dos resultados tem-se que o grupo controle permaneceu com concentrações de EPA e de DHA praticamente inalteradas durante o tratamento, contudo, o grupo tratado com ômega-3 apresentou discreto aumento das concentrações de EPA, e um aumento de aproximadamente duas vezes na concentração de DHA (Figura15).
Figura15 – Avaliação das concentrações dos PUFAs da série ômega-3 antes e após o tratamento por grupo. A – Avaliação dos níveis de EPA antes e após o estudo por grupo. Não foi encontrado diferenças prévias de concentrações de EPA entre os grupos. Não foi identificada diferença significativa dos valores ao longo do tempo, bem como entre os grupos, contudo nota-se que o grupo tratado com ômega-3 apresentou concentrações pós- tratamento superiores que o grupo controle. B – Avaliação dos níveis de DHA antes e após o estudo por grupo. Não foi encontrado diferenças prévias de concentrações de DHA entre os grupos. Não foi identificada diferença significativa dos valores ao longo do tempo, bem como entre os grupos, contudo nota-se que o grupo tratado com ômega-3 apresentou concentrações pós-tratamento superiores que o grupo controle.
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