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4.7 Procedimentos para análise das informações

5.2.3 Corpus Família: A escola e o processo de escolarização

5.3.1.1 Análise do questionário processado pelo Alceste

Após as informações transcritas, montamos um corpus textual para tratamento no Alceste. O programa gerou o relatório com aproveitamento de 70,93% das informações com 183 UCEs. Para a estruturação do dendrograma o qui quadrado considerado foi de 3,84. A figura 1219 mostra a divisão das classes, em que a primeira participação dá origem às classes 1 e 2 que estão agrupadas e representam 16,39% do corpus, ligada a esse grupo está a segunda divisão que gera a classe 3 com 8,20% das informações e vinculada a ela, a classe 4 que é a mais representativa do corpus com 75,41%. Para nomear os sujeitos, utilizamos a terminologia Educ_.

Figura 12: Dendrograma do Corpus Educadores Sociais Cl. 1 ( 17uce) |---+ 13 |---+ Cl. 2 ( 13uce) |---+ | 15 |---+ Cl. 3 ( 15uce) |---+ | 19 |+ Cl. 4 ( 138uce) |---+ Fonte: Relatório Alceste, 2013.

A classe 1, "Finalidade da instituição", possui 17 UCEs e representa 9,29% das informações. Recebeu essa denominação devido a seu conteúdo que expressa o âmbito da instituição e a função dos educadores. A base para construção dessa classe está nos educadores com escolaridade no ensino superior, aqueles que têm especialização, e outro elemento estruturante é a religião católica. As ações limitam- se a ‘pode’, ‘trata’ e ‘busca’, que dão sentido à existência de ‘respeito’, ‘direitos’, ‘adolescentes’, ‘garantia’, ‘instituição’, ‘necessário’, ‘desenvolvimento’, ‘social’, ‘convivência’, ‘essencial’, ‘lúdicas’, ‘lei’, ‘meio’, ‘transformação’, entre outros. A prevalência dos substantivos evidencia a ênfase que os educadores direcionam ao trabalho que desenvolvem, e também a atribuição que dão à construção moral dos educandos.

A transformação social por meio de atividades lúdicas e atividades socioeducativas. Bom, meu trabalho é a respeito do complemento educacional, que busca trabalhar com temas que por meio de um diagnóstico das necessidades, escolhemos, por exemplo, higiene é um tema fundamental e necessário, é assim. (Educ_8)

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No entanto, os sujeitos hesitam em afirmar a importância da garantia de direitos para as crianças e adolescentes:

Respeito a si mesmo, isso não é trabalhado, amor próprio, pois só com o respeito em si pode se respeitar o próximo. O eca é muito bom para os direitos e preservação da qualidade de vida dos jovens, porém é falho quando se trata dos deveres. Na prática não funciona bem, eu acho. (Educ_15)

Isso demonstra que o profissional ainda não compreende a dimensão das conquistas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), principalmente relacionado ao combate à violência e abandono infantil. Uma das possíveis causas para o desencontro das informações talvez se deva à repercussão midiática que mostra apenas informações desencontradas e muitas vezes distorcidas (HERMAN; CHOMSKY, 2003), ficando explícito uma RS voltada aos aspectos normativos (ABRIC, 2001) do ECA e do conselho tutelar. Apresenta também, o esforço para a construção da reciprocidade e respeito mútuo (PIAGET, 1994).

Já a classe 2 agrega 7,10% das informações com 13 UCEs e retrata o ideal e sonho que os educadores têm para seus educandos. Os verbos ‘tenho’, ‘falar’, ‘posso’, ‘promover’ e ‘melhoram’ auxiliam nas expectativas quanto ao ‘conselho tutelar’, ‘vida’, ‘digna’, ‘oportunidades’, ‘social’, ‘contatos’, ‘conhecimento’, ‘escolha’ e ‘papel’. Os sujeitos potencializam as expectativas nos educandos quando esses apresentam um perfil aberto às oportunidades, como segue abaixo:

Se levarem a sério todas as oportunidades que a vida lhes proporciona, podem reverter um estigma social pré definido pela sociedade. (Educ_3) No entanto, quando as informações referem-se aos benefícios sociais recebidos pelas famílias:

Ele auxilia a família, mas não promove socialmente pois no meu ponto de vista, digno é aquele que interage na sociedade, trabalho, saúde, lazer. Os benefícios oferecidos pelo governo, não dão este direito legal de cidadão. (Educ_5)

A opinião sobre benefícios sociais e seus beneficiários denota a prevalência dos aspectos normativos da RS (ABRIC, 2005), sendo que as informações são apresentadas de modo conturbado, há ainda a necessidade de explorar com esses sujeitos a fonte de informação para formarem sua opinião. Em relação ao conselho tutelar, os sujeitos parecem não possuir uma opinião formada porque desconhecem

como se dá o trabalho desse órgão, mas a experiência com as pessoas que já tiveram contato com o trabalho desenvolvido contribui nessa formação:

Não tenho mínima ideia do trabalho desenvolvido pelo conselho tutelar, não vejo quase nada, é mais no papel do que no concreto. Para alguns, bons profissionais e pais de família, mas tem também alguns que são duvidosos com relação as responsabilidade para consigo e para com a sociedade, vida fácil sem sacrifícios. (Educ_13)

Além disso, os educadores parecem associar aos educandos mais inquietos a vida mais difícil, com mais obstáculos. Nesse sentido, parece prevalecer, por meio do sonho para o futuro desses educandos, certo receio daquilo que causa pânico no tempo presente (MARTINS, 2008).

A classe 3, “Perfil dos educandos”, possui 8,20% das informações do corpus e detém 15 UCEs, dessas as ações ‘necessitam’, ‘procuram’, ‘estudar’, ‘promove’ e ‘serem’ traduzem o conhecimento que os sujeitos têm dos educandos, por meio dos substantivos ‘adolescentes’, ‘orientação’, ‘atenção’, ‘caminho’, ‘apoio’, ‘situação’, ‘vulnerabilidade’, ‘moral’, entre outros que acompanhados dos adjetivos ‘errado’ e ‘boa’ revelam que a função da instituição, sabendo o perfil dos educandos, é tentar trabalhar no sentido de promover não somente o educando como também sua família.

A educação trabalhada em conjunto projeto-família são de extrema importância para o futuro de nossos educandos. São crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade social, que particularmente necessitam de apoio efetivos. (Educ_4)

Que apenas necessitam de uma orientação familiar e afetiva. Pude observar que tanto as crianças quanto os adolescentes procuram chamar a minha atenção, e quando conseguida sempre disputam entre eles poder ganhar abraços. (Educ_2)

‘Respeito’ é o valor mais ressaltado pelos educadores, que o descrevem como fundamental para a convivência social, destacando a característica de reciprocidade nas trocas sociais (PIAGET, 1973a; 1994). Relacionam a esse a afetividade como um fator de promoção para o educando.

A classe 4, “Papel dos pais”, é a mais expressiva do corpus com 75,41% das informações, e com 138 UCEs. Essa classe representa o posicionamento dos educadores diante dos pais dos educandos. Revelando que o adjetivo ‘falta’ ligado ao substantivo ‘valores’, demarca que a função dos pais está intrinsecamente relacionada à construção da moralidade da criança e do adolescente.

A maioria dos pais são trabalhadores, há muitas mães chefes de família, alguns reproduzem com os filhos as experiências que vivenciaram, muitos pais são preocupados com seus filhos, outros incumbem a nós o papel de educar. (Educ_30)

Muitas vezes aumenta a pobreza, mães que tem mais filhos para receber uma pequena quantia a mais, esquecendo-se da educação de tais. Em alguns casos a parte, dá uma grande ajuda no orçamento familiar. (Educ_23)

Mas escola é apenas algo a mais, apenas reforçar a educação, os princípios devem partir de casa. Cada criança tem sua característica, mas a princípio a carência afetiva é bem ressaltada entre a maioria. (Educ_24) Estão presentes também nessas falas as informações referentes à imagem que os educadores têm em relação aos pais dos educandos. Vale ressaltar que muitas vezes essa imagem é obtida por meio da relação que se estabelece com a criança e o adolescente (SERPE; ROSSO, 2012), e não unicamente do conhecimento real dos pais. Além disso, agregam a opinião de que os benefícios sociais podem potencializar os problemas com o desenvolvimento moral das crianças e adolescentes. E ainda associam aos lares chefiados pelas mulheres a potencialidade para as adversidades sociais e econômicas (MINUJIN, 1999; SCHIMANSKI, SCHEFFER; SCHONS, 2011).

Nessa classe, também se encontram as informações que se referem a uma comparação entre a função do professor na escola e do educador na instituição:

Acredito que o trabalho desenvolvido na escola seja mais difícil, pois no projeto em relação a domínio de turma e quantidade de alunos é bem menor. Quanto aos projetos e planejamentos nas escolas, são mais exigentes. (Educ_4)

Fica explícito que o educador associa a dificuldade da realização do trabalho pedagógico na escola ao número de alunos em turma (ROSSO, CAMARGO, 2011). Nas instituições, esse número é bem menor e o trabalho é diferenciado, dessa forma, os educandos não se "chateiam" tanto como na escola, e isso proporciona um entrosamento mais agradável entre ambos.

5.3.1.2 Análise de conteúdo: Representações sobre os problemas e visão de