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Dada a pesquisa realizada nos sítios mostrada na seção 4.5.2, a presente seção se propõe a detalhar, como foco de pesquisa, o sítio do TRF4. Como ressaltado, esta análise é feita baseada nas informações e serviços prestados pelo Judiciário, que em muitos aspectos são diferenciados dos do Poder Executivo Federal (PEF), portanto, alguns dos itens de verificação são interpretados para os casos do Judiciário, ou o que o autor supõe ser mais pertinente, porém, resta claro que o objeto é a transparência ativa na internet preconizada na LAI.

Como a pesquisa foi realizada em outros 8 sítios do Judiciário, além do TRF4 - TRFs 1, 2, 3 e 5, CJF, CNJ, STJ e STF, visando complementar o entendimento da aderência à LAI pelos órgãos do Judiciário e ampliar a visão do pesquisador do próprio sítio do TRF4, propiciando uma fonte de informações que embasam e qualificam a análise e auxiliam na proposição de recomendações e sugestões ao TRF4 e Judiciário, colocou-se, quando oportuno, junto desta análise do sitio do TRF4 algumas soluções implementadas ou situações percebidas nestes outros sítios, que, quando necessário, são explicitadas em notas de rodapé desta seção.

Aqui analisamos as informações coletadas no sítio do TRF4, observados, portanto, os pontos extraídos do quadro constante do Apêndice B. 1. Na página inicial do TRF4, existe um ícone para acesso à informação (linha 1 do quadro do Apêndice B), com a inscrição “Acesso à Informação”, diferenciado do de todos os outros 8 órgãos pesquisados que têm um ícone. Desde já talvez uma boa prática fosse utilizar o mesmo ícone proposto na seção BI do guia para a elaboração da seção de acesso à informação do Poder Executivo Federal (BRASIL, 2013), identificando a seção mais facilmente. O ícone do TRF4, embora nominado “Acesso à Informação”, aponta para a seção de Transparência Pública do sítio, conforme determinação da resolução nº 102/2009 do CNJ36, não existindo uma seção específica para a LAI. Cabe

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Art. 1º, § 1º A página inicial do sítio de cada órgão na rede mundial de computadores conterá o ícone "Transparência", como caminho para acesso às informações referidas nesta Resolução.

informar ainda que no referido guia do PEF, há determinação explícita para substituir o termo “Transparência Pública” por “Acesso à Informação”. Ainda nesta seção do sitio do TRF4, as únicas referências à LAI são um link para o texto da LAI no sítio do Palácio do Planalto (BRASIL, 2011a) e o link para o formulário eletrônico da Ouvidoria do TRF4, que tem a opção de pedido de “Acesso à informação pública”, entre outros. Na aba contatos do sitio do TRF4, existem duas opções, “Ouvidoria” e “Acesso à informação pública”, porém, o mesmo formulário é utilizado tanto para informações gerais como para contato referente à LAI. A única diferença é que na solicitação de acesso à informação, o campo “Tipo” já vem preenchido como “Acesso à Informação Pública”. O formulário solicita ainda confirmação via a ferramenta CAPTCHA. Ainda, o guia do PEF (seção 4.3.3), que embora não seja de uso obrigatório para o Poder Judiciário, mas pode ser considerado como uma boa prática para facilitar e ampliar o acesso às informações públicas, no item D.1.G, não indica a utilização de CAPTCHA, pois o mesmo dificulta o acesso. Mesmo existindo uma determinação do CNJ quanto à existência de um ícone “Transparência, alguns dos sítios pesquisados incluíram uma aba de acesso à informação, como o caso do TRF2, que se adequou parcialmente ao Decreto 7724 e, em parte, ao guia do PEF. O STJ e o STF também demonstraram estar atentos à LAI.

A figura 3 mostra o ícone “Acesso à Informação, no excerto da página inicial do sítio do TRF4, destacado pela seta em vermelho. Existe ainda o formulário eletrônico “Acesso à Informação Pública” ao se clicar na aba Contatos, igualmente destacada pela seta em vermelho.

A página “Transparência Pública”, mostrada na figura 4 a seguir, remete para a divulgação das informações do TRF4 e das Seções Judiciárias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, demandadas pelas resoluções do CNJ, além de hiperlink para o texto da LAI no sítio do Palácio do Planalto e para o formulário eletrônico de solicitação de acesso à informação pública, que abre ao se clicar em “Para mais informações clique aqui”, todos destacados pela seta em vermelho.

A figura 5 mostra os hiperlink para as informações de transparência pública do TRF4. Como se pode verificar nesta figura, o foco ainda está no

atendimento das resoluções do CNJ, as quais, via de regra, são anteriores à promulgação da LAI.

Figura 3: Página inicial do TRF4.

Fonte: Sítio web do TRF4. Disponível em: <http://www2.trf4.jus.br/trf4/>. Acesso em: 25 fev. 2014.

Fonte: Sítio web do TRF4. Disponível em:

<http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=pagina_visualizar&id_pagina=630>. Acesso em 25 fev. 2014.

Fonte: Sítio web do TRF4. Disponível em:

<http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=pagina_visualizar&id_pagina=631>. Acesso em 25 mar. 2014.

2. O sítio do TRF4 não traz informações sobre a existência de um SIC físico para o acesso a informações de forma presencial, conforme verificado na linha 2 do quadro constante do Apêndice B.

3. Embora não seja freqüente a necessidade de reuniões e consultas públicas (linhas 4 e 5 do quadro do Apêndice B), o TRF4 traz informações e possibilita a interação com o seu público alvo, como na conciliação de ações judiciais, na sustentação oral remota das ações judiciais, solicitação de videoconferências, na pauta de julgamentos e nas licitações e divulgação de datas das correições e inspeções nas Varas Federais.

4. Link de ajuda (linha 6 do quadro do Apêndice B): Embora o sítio tenha preocupação com a prestação de informações e serviços e atenda as exigências do CNJ, não foram encontradas maiores informações sobre a LAI.

5. O contato com a Ouvidoria, órgão responsável pelos pedidos de acesso à informação é feito por formulário eletrônico, acessado através dos ícones Ouvidoria e Acesso à informação, ainda disponível também em contatos. O contato telefônico está disponível na aba Contatos e não é disponibilizado contato por e-mail (linhas 7 e 11 do quadro do Apêndice B). Não há informação no sítio sobre medidas referentes a reclamações ou sugestões (linha 8 do quadro do Apêndice B).

6. Existe ferramenta de busca de conteúdo geral (linha 9 do quadro do Apêndice B), porém não é orientada à LAI.

7. O download das informações é possível, porém não em formatos que possam ser facilmente utilizados, cruzados e inseridos em sistemas aplicativos. Algumas das informações não estão disponíveis no sítio do TRF4, somente estão no Portal Transparência do Poder Judiciário, mantido pelo CNJ, que todavia permite exportar para o formato XLS da planilha Microsoft Excel (linha 10 do quadro do Apêndice B), que embora muito utilizado, é um formato proprietário e não aberto (linha 33 do quadro do Apêndice B), contrariando a instrução da LAI e, não acessível por máquinas (linha 32 do quadro do Apêndice B), de igual forma não seguindo a orientação legal.

8. As informações, geralmente, têm data e são atualizadas periodicamente (linha 12 do quadro do Apêndice B).

9. As informações institucionais estão presentes, (linhas 13, 14 e 15 do quadro do Apêndice B), assim como as fontes de recursos (linha 16 do quadro do Apêndice B), as despesas (linha 17 do quadro do Apêndice B) e metas, indicadores, resultados (linha 18 do quadro do Apêndice B) e repasses e transferências financeiras (linha 29 do quadro do Apêndice 2), como determina a LRF, editada em 2000 e a resolução nº 102 de 2009 do CNJ.

10. As informações sobre programas e ações estão disponíveis, conforme determina o CNJ (resolução nº 102), porém somente é indicada a autoridade máxima do órgão e o diretor financeiro, que é o responsável pelas informações (linhas 19 e 20 do quadro do Apêndice B).

11. As metas e indicadores (linha 21 do quadro do Apêndice B) são estabelecidos pelo CJF e CNJ e estão dispostas no sítio.

12. Não são publicadas as listas de informações classificadas e desclassificadas (linhas 22 e 23 do quadro do Apêndice B). O TRF4 tem como

informações sigilosas aquelas estabelecidas em lei e que resguardam as ações judiciais, quando em andamento, e dados pessoais que possam ferir a intimidade pessoal. Embora não existam as listas comandadas pela LAI no sítio, o descumprimento pode ser considerado dentro de parâmetros aceitáveis, porém não é informado o motivo da não publicação.

13. A determinação quanto à publicação dos relatórios de pedidos de acesso e de recursos não é atendida no sítio (linhas 24 e 25 do quadro do Apêndice B).

14. A exigência de um número de telefone gratuito (linha 27 do quadro do Apêndice 2) não está clara na LAI, não está regulamentado no decreto nº 7724 do PEF e nem consta do Guia. De qualquer forma, não consta do sítio do TRF4 um número telefônico para ligações gratuitas37.

15. Por determinação da resolução nº 83 do CNJ, os tribunais e conselhos devem publicar uma lista com os veículos oficiais e, a resolução nº 102 determina que a aquisição de patrimônio e construção de prédios devem ser igualmente publicadas. O TRF4 cumpre a decisão (linha 28 do quadro do Apêndice B)38.

16. A LAI determina que os órgãos publiquem inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas, inclusive de exercícios anteriores (linha 30 do quadro do Apêndice B), referindo-se aos órgãos de controle externo. Pode-se ampliar o entendimento para o Controle Interno também, assim como para a Corregedoria, que fiscaliza o trabalho judicial. O trabalho da Corregedoria geralmente é publicado nos sítios, que é o caso do TRF4, porém a fiscalização dos atos da administração do TRF4, tanto pelo órgão de controle interno como pelo TCU não estão publicados no sítio.

17. A LAI se preocupa com a acessibilidade (linha 33 do quadro do Apêndice B) do acesso às informações por pessoas com dificuldades físicas ou mesmo limitações tecnológicas. O sítio do TRF4 apenas disponibiliza a função de aumento ou diminuição do tamanho do caractere, dentre as várias possibilidades de auxílio existentes, tais como, fundo em alto contraste, texto sem formatação, sem imagens.

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O único órgão do conjunto pesquisado a se manifestar quanto a isto foi o TRF2, que colocou a intenção de disponibilizar uma linha gratuita no seu planejamento estratégico, porém ainda não a implementou. 38

18. A questão que se quer saber é se existe um sistema disponível no sítio para registro e acompanhamento dos pedidos de acesso (linha 34 do quadro do Apêndice B). Não foi encontrada no sítio do TRF4 nenhuma informação que pudesse satisfazer esta questão. Excepcionalmente, por se tratar do órgão foco da pesquisa, entrou-se em contato via o formulário eletrônico disponível no sito do TRF4 e foi retornada, por e-mail, a informação que “a partir do preenchimento do formulário no sítio /.../, selecionando-se o tipo: “acesso à informação pública”, é gerado um número de processo no Sistema Eletrônico de Informações - SEI, o qual é enviado automaticamente para o requerente, possibilitando, assim, um acompanhamento externo da sua demanda”39. De qualquer forma, esta informação não está proativamente disponível no sítio.

19. Regulamentação interna para atendimento à LAI (linha 35 do quadro do Apêndice B). Procura-se saber neste item se o órgão regulamentou internamente a LAI. Foi recebida a informação, no mesmo e-mail reportado acima que “Em 21/05/2012, a Presidência deste Tribunal publicou a Resolução nº 49/2012, disciplinando o atendimento às solicitações de acesso à informação, com base na Lei nº 12.527/2011, dirigidas à Justiça Federal da 4ª Região. Na linha de orientação do CNJ (Ofício-Circular nº 221/2012), ficou estabelecido que as demandas atinentes a esse assunto ficariam a cargo das Ouvidorias do Tribunal e das Seções Judiciárias, cabendo aos respectivos Ouvidores a análise dos pedidos”. Igualmente, esta informação não está disponível no sítio do TRF4. De forma geral, a LAI ainda carece de regulamentação no Poder Judiciário. O Poder Executivo Federal regulamentou a LAI através do decreto nº 7724 de 2012, 6 meses após a promulgação da LAI. Apesar deste decreto não ser mandatório para o Poder Judiciário, ele é citado como referência pelo TRF1, TRF2, TRF3 e CJF.

20. Na linha 36 do quadro constante no Apêndice B, procura-se saber se o sítio do órgão pesquisado facilita o acesso às informações, conforme preconizado na LAI. No entendimento deste pesquisador isto não ocorre no sitio do TRF4, pois fica caracterizado a preocupação em atender os ditames

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Contato recebido por e-mail, no dia 02/09/2013, 16:57h, em resposta à solicitação através do formulário eletrônico “ouvidoria/fale com a Ouvidoria”, no dia 01/09/2013, 21:30h, na qual foi perguntado: “É gerado um número de protocolo para a solicitação de informação? É possível acompanhar a solicitação pela internet?”. A resposta se deu menos de 6 horas comerciais depois de solicitado.

das resoluções do CNJ, que cumprem o disposto nas leis complementares nº 101/2000, e nº 131/2009. A única resolução do CNJ que trata da LAI é a de nº 151 de 2012, que trata da divulgação nominal dos salários do Poder Judiciário40.

21. Trata-se aqui da organização da aba para a seção de Acesso à informação constante da seção C do Guia do PEF (linha 37 do quadro do Apêndice B). Mesmo não sendo obrigatória para o Poder Judiciário, é uma boa prática que a seção de Acesso à informação tenha um leiaute padronizado, porém não se pôde observar no sitio do TRF4 tal aba, ou disposição organizada para atendimento à LAI.

22. Padronização e uniformidade do conteúdo referente à LAI (linha 38 do quadro do Apêndice B) não foram percebidas no sitio do TRF4.

Observou-se no sítio do TRF4 pouca atenção ao cumprimento da LAI. Também, entende-se, que as evidências mostram que a preocupação percebida neste sitio está no cumprimento dos atos mandatórios do CNJ, que observam a LRF e a lei da transparência, mas carecem de um aprofundamento das determinações da LAI.

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Cabe observar que a maioria dos órgãos pesquisados também a cumprem os ditames do CNJ, com pouca atenção à LAI. Exceções aos sítios do TR2, STJ e STF.

5 PROPOSIÇÃO DE NORMAS, PADRÕES E POLÍTICA PARA A TRANSPARÊNCIA ATIVA NO SÍTIO WEB DO TRF4 E JUDICIÁRIO

Uma boa prática para a transparência ativa na internet, partindo-se análise detalhada realizada no sítio do TRF4 (seção 4.6), seria o TRF4 atender às questões formuladas e verificadas no seu sítio web. Tais questões estão amparadas pela pesquisa que se realizou nos sítios de todos os TRFs, CJF, CNJ, STJ e STF (seção 4.5.2), que ajudaram a propor melhorias ou ajustes ao TRF4.

Como já se explicitou, as questões ou itens de verificação foram elaborados a partir do esforço desta pesquisa de analisar a LAI, identificando os itens que devem estar proativamente dispostos nos sítios, que por sua vez foram validados com o auxílio de trabalhos como o da Artigo 19 (2013a), do Guia do Poder Executivo Federal (BRASIL, 2013), do decreto nº 7724, da análise dos sítios dos TRFs (HOCH; RIGUI; SILVA, 2012) e das resoluções do CNJ, principalmente a 102 e a 151.

A pesquisa ultrapassa os limites das recomendações ao TRF4, visto o caráter geral implícito no conjunto de melhorias a serem implementadas. As recomendações abrangem os outros órgãos pesquisados e julga-se válida a extensão das recomendações a estes órgãos.

Recomendações ao CNJ, órgão de controle e normatização da ação administrativa dos tribunais, são igualmente necessárias, visto que o próprio cumprimento da LAI pelo TRF4, e outros órgãos pesquisados, pode ser limitado pela atuação e, sobretudo, pela omissão do CNJ.