O teste, chamado “Teste sua Tolerância ao Stress de Cada Dia”, é de autoria de Ana Maria Rossi (2000). A aplicação do mesmo com as praticantes do Yoga teve como intuito investigar o nível de estresse das mulheres, relacionando com os resultados encontrados na entrevista.
Dessa maneira, a seguir, as perguntas e respostas de cada questão do teste estão representadas no quadro 2, para uma melhor compreensão, e em sequência, há uma análise daquelas questões que mais chamaram a minha atenção, comparando com alguns resultados encontrados nas entrevistas.
Quadro 2: Resultados encontrados com o teste
Questionamentos Raramente (%) Às vezes (%) Frequentemente (%) 1- Ficar tenso quando espera numa fila. 70% 30% -
2- Ficar impaciente quando pega um engarrafamento. 90% - 10%
3- Quando se sente pressionado, explode. 60% 40% -
4- Perde o controle quando as coisas não vão como espera. 70% 30% -
5- Fica ranzinza com frequência. 70% 30% -
6- Tende a se fixar em pensamentos negativos. 90% 10% -
7- Tem o sono agitado ou superficial. 60% 30% 10%
8- Sente os músculos tensos ou doloridos. 80% 10% 10%
9- Come demais ou perde o apetite quando fica estressado. 50% 20% 30%
10- Sente dificuldade para se concentrar. 60% 30% 10% Fonte: a autora (2020).
Ao investigar se as participantes ficam tensas quando esperam numa fila, sete delas relatam que raramente, frisando que não é algo que elas gostam, mas que conseguem tolerar. Já as demais, ou seja, as outras três mulheres, falaram que isso acontece às vezes, dependendo das situações do seu dia a dia.
Na sequência, foram questionadas em relação a paciência delas quando pegam um engarrafamento. Mesmo que em nossa cidade não ocorram engarrafamentos, por ser uma cidade pequena, 90% explica que sabem esperar com paciência quando passam por essas situações em viagens, por exemplo. Além disso, uma das entrevistadas relata que quando isso ocorre com ela em cidades maiores, ela procura se distrair com o movimento do lado de fora do carro, observando a natureza. Porém, Maria, a entrevistada mais velha, deixou bem claro que não gosta disso, então, sua alternativa foi “frequentemente”.
Em seguida, na expressão “quando se sente pressionada, explode”, seis das entrevistadas marcaram a opção “raramente”, destacando que o Yoga as ajudou nessas situações. Nesse contexto, Manuela enfatiza que procura recuar caso acontece essas situações. Já Joana, expressa que às vezes se sente estressada, com mania de ficar irritada e explodir, mas que com a prática do Yoga, está aprendendo a controlar seus impulsos. Sendo assim, pude perceber uma relação com o que essa entrevistada trouxe nos questionamentos de estudo qualitativo anteriormente, quando a mesma relata que precisa do yoga para conseguir se manter estável, sendo uma maneira de se ajudar a se tornar alguém melhor.
Em relação a frequência com que perdem o controle quando as coisas não vão como esperam, sete mulheres responderam com “raramente”, e dessas, 5 (cinco) destacam que perder o controle, um dia fazia parte da vida delas, mas que hoje sabem lidar melhor com as situações. Já outras três, marcaram a opção “às vezes”. Nessa continuação, é importante relembrarmos o que Marinero (2020) afirma, ao enfatizar que os asanas, possuem o objetivo de auxiliar na melhora de todo nosso sistema orgânico, e contribui para o melhor funcionamento do sistema nervoso, podendo auxiliar nesse processo da perda de controle durante as situações do cotidiano.
Através dos relatos dessas mulheres que destacaram que hoje não perdem o controle como já acontecia, pude perceber mais uma vez os benefícios dos asanas. Pois, estes, auxiliam no controle de todo o nosso corpo, juntamente com a respiração correta durante o exercício e que, como consequência, está auxiliando o praticante a se tornar um ser mais calmo, compreensivo, pois está havendo uma melhora no funcionamento do seu corpo, tanto em questões físicas como também mentais. Já ao investigar a questão em relação a interferência que o Yoga possui, ao falarmos de se fixar em pensamentos negativos, apenas Cássia marcou a opção “às vezes”, destacando a questão de que se preocupa demais com tudo, mas que o Yoga já a ajudou muito em pensar diferente, ou seja, positivo.
Analisando de que maneira ocorre o descanso das praticantes, Maria remete que toma medicamentos para dormir, mas que hoje, pode marcar a opção “às vezes”, pois sua situação
vem melhorando. Sophia, foi a única que respondeu “frequentemente”, frisando que isso anda ocorrendo muito, porém, com as práticas que realiza, tanto no Yoga como no Treinamento Funcional, consegue descansar melhor. Desse modo, Barros et al. (2014), complementam dizendo que o Yoga contribui para aqueles que possuem alguma subordinação a algum hábito diário que o torne dependente, como os medicamentos citados acima, por exemplo, ajudando- os a se libertar desses vícios.
No que se refere à tensão muscular ou a músculos doloridos, destaco o que Marta cita, pois, ao marcar a alternativa “às vezes”, frisa que muitas vezes teve crises de labirintite, e que isso a deixa tensa. Mas, hoje, já está muito melhor. Já Maria, optando pela alternativa “frequentemente”, destaca que se sente muito acima do peso e por isso também está com dores nas pernas e braços.
Em relação ao último questionamento, que esteve voltado a concentração, enfatizo a entrevistada Cínthia, que possui a profissão de bancária, onde a mesma remete que isso é uma das suas maiores dificuldades e que ocorre frequentemente, mas deixou claro que, com a prática, está sabendo lidar melhor com as situações, porém, ainda perde o foco. Com o objetivo de auxiliar essas mulheres que sentem a dificuldade de se concentrar, Valle (2020) indica a prática do membro Dharana, do Yoga, o qual possui atenção voltada a concentração. O autor supracitado relata que uma opção que irá auxiliar o sujeito a se concentrar, é manter seu olhar em um ponto fixo, procurando não dar atenção a barulhos externos e se concentrar na sua respiração (ibidem). Dessa maneira, compreende-se que quando o praticante de Yoga conseguir se concentrar, consequentemente, ele terá o início da meditação.
Nesse cenário, analisando os resultados encontrados com o teste e comparando com a entrevista, as respostas se coincidem, mas, destaco a participante Joana, pois ficou nítido que o estresse que a mesma relata que explode ao ser pressionada, possui relação com o que ela disse na entrevista, quando frisa que precisa dessa terapia do Yoga para conseguir se controlar. Além disso, ressalto a entrevistada Maria, na qual fica evidenciado que pelo fato dela ter menos tempo de prática, muitas repostas dela estão voltadas a um estresse mais frequente, sem muito controle da sua paciência, e pelo uso de medicamento para poder dormir, além dela mesma reconhecer que estava sedentária demais, e muitos problemas que hoje ela sente são em decorrência disso. Nessa circunstância, nove das mulheres atingiu a pontuação entre 11 a 20 pontos e apenas Maria, passou dos 20 pontos (gráfico 1). Consequentemente, esse resultado é coerente ao compararmos as respostas da entrevista e do teste dela. Mas, é satisfatório ver a força de vontade dela para mudar os seus hábitos e querer melhorar sempre.
Gráfico 1: Pontuação do Teste
Fonte: a autora (2020).
Em suma, com as respostas obtidas pelas entrevistadas, percebi que grande parte das mulheres já melhorou suas atitudes e pensamentos após as aulas de Yoga. Assim, relacionando essas respostas com os resultados do teste, fica claro que aquelas que praticam a mais tempo, consequentemente, estão conseguindo lidar melhor com as situações do dia a dia que geram estresse.
Como já nos explicou Mizuno et al. (2018), durante a prática do yoga diversos fatores estão envolvidos, e na minha concepção, a concentração é algo que auxilia na melhor absorção dos benefícios, pois no momento em que o sujeito se concentra, ele conseguirá focar no momento presente, praticando melhor os pranayamas e, consequentemente, os asanas de maneira mais fluída, e assim, irá se energizar muito mais fácil. Portanto, é gratificante observar os resultados obtidos, pois as comparações fizeram com que eu entendesse melhor a grande interferência que o Yoga possui na vida dos seus praticantes. E, mais uma vez, pude perceber que essa prática está voltada a proporcionar benefícios, como poder controlar o nosso corpo, seja na parte física, em decorrência dos asanas, ou mental, através de um melhor autocontrole, diminuindo assim os níveis de estresse e ansiedade.
Além disso, é de extrema importância percebermos que cada indivíduo possui sua subjetividade, individualidade, e quem poderá ajudá-lo a melhorar o seu bem-estar, é ele mesmo através das suas atitudes, e com certeza, as práticas, como o Yoga, que contribuem positivamente para almejar uma melhor qualidade de vida. Por fim, é preciso mostrar as várias partes que o compõem, enfatizando seus benefícios, para que as pessoas possam conhecer detalhadamente essa prática corporal, e inseri-la também em seu cotidiano.
0%
90% 10%
RESULTADO DO TESTE
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo possibilitou identificar os benefícios apontados por sujeitos praticantes de Yoga que justifiquem sua permanência em decorrência da sua adesão a tal prática corporal. Após essa pesquisa, tive um retorno gratificante, pois pude sanar minha inquietação referente a prática do Yoga e sua interferência na vida dos praticantes.
Em suma, além de conhecer os benefícios e o que leva os sujeitos a praticarem e a manterem-se nessa prática, o propósito deste estudo foi conhecer os exercícios realizados no Yoga, associando sua importância para uma melhor qualidade de vida. E ainda, buscar analisar a alteração do nível de estresse e ansiedade dos praticantes, desde o início de sua prática.
Evidentemente, de acordo com a subjetividade de cada sujeito, as mulheres praticantes obtêm diversos benefícios com o Yoga, pois os relatos se coincidem ao citarem que se sentem mais tranquilas e relaxadas, além de estarem sentindo resultados satisfatórios tanto na parte física, como também emocional e espiritual. Mas também, frisam que após a prática, conseguem respirar de maneira adequada, aperfeiçoando suas capacidades físicas e sabendo lidar melhor com as situações diárias, resolvendo tudo com mais calma e leveza.
Neste aspecto, é importante enfatizar com esses relatos que a prática de yoga beneficia o corpo do indivíduo de modo integral, auxiliando-o na busca de melhores atitudes e sensações, através dos resultados positivos que o corpo recebe com a prática. Sendo assim, o que levou as praticantes ao Yoga foi a busca pela melhora da parte física do seu corpo, como também, o auxílio para o tratamento de enxaquecas, além de idealizar uma melhor noite de sono, assim como, controlar a sensibilidade e ansiedade.
Já o que está levando a aderência a essa prática, são os benefícios que estão sentindo, onde posso enfatizar uma melhor autonomia, autocontrole e a evolução que as mulheres sentem a cada aula, o que as motiva a continuar praticando. Pela mesma razão, estão conseguindo lidar melhor com sua sensibilidade, ou seja, com a perda de controle que tinham em algumas situações do cotidiano. Do mesmo modo, consequentemente, estão obtendo um melhor domínio de si mesmo, dos seus pensamentos e ações.
Com o objetivo de conhecer os exercícios que são realizados no Yoga e a forma correta de executá-los, ou seja, tudo o que compõem a sua prática, me deparei com diversos resultados positivos. Mas, destaco os asanas e os pranayamas, pois desde o início desta pesquisa, foram os dois membros que mais me chamaram atenção pela forma com que eram realizados e os desafios a serem enfrentados, e por isso, eu quis conhecer detalhadamente cada um. E, observando as respostas obtidas pelas praticantes, muitos benefícios citados pelas mulheres são
decorrentes desses dois exercícios, pois através da união dos mesmos, as praticantes estarão se energizando, aperfeiçoando sua capacidade respiratória e melhorando aspectos físicos e mentais. Destarte, são esses benefícios, que motiva as mulheres a continuarem praticando.
Ao investigar o perfil das mulheres, seu modo de vida, e analisando se as mesmas realizam outras atividades físicas ou exercícios físicos além do Yoga, pude concluir que a maioria pratica outra modalidade também, e apenas duas entrevistadas, realizam somente o Yoga. Assim como, outras duas mulheres possuem patologias que interferem na prática, em decorrência de desmaios e problemas posturais.
Como pude analisar, oito das mulheres participantes da pesquisa acreditam que, na medida do possível, estão em equilíbrio com o corpo e a mente, e que a prática do Yoga as auxiliou muito nessa melhora. Porém, as outras duas, frisam que continuam praticando, pois precisam melhorar e tornar evidente esse equilíbrio. Logo, praticamente todas as entrevistadas não se sentem mais estressadas como eram antes de começar a praticar, mas destacam que em situações que as afligem muito, às vezes ocorre o desgaste com o estresse.
Em relação ao teste aplicado, percebi que as praticantes estão menos ansiosas, preocupadas e nervosas, sabendo lidar com mais cautela e discernimento suas atitudes e pensamentos, apesar de estarem querendo evoluir cada dia mais. É possível destacar que o yoga está obtendo cada vez mais retorno satisfatório no auxílio do controle de ansiedade. Nesse ensejo, aquelas mulheres que já praticam a mais tempo, os benefícios obtidos ficaram mais evidentes, e aquelas que começaram a pouco tempo, mesmo percebendo pequenas alterações, seguem firmes em busca da evolução.
Por fim, constata-se que o que levam as pessoas a praticarem o Yoga é a melhora do seu corpo, seja na parte física como também emocional e espiritual. E, além disso, o que as faz continuarem praticando são os benefícios que estão refletindo em uma melhor qualidade de vida. E nessas ideias, pude concluir, através da análise dos dados, que os resultados da entrevista e do teste estão em consonância.
Acredito que essa pesquisa contribui sensivelmente para as próprias praticantes, pois no decorrer das entrevistas pude analisar o quanto elas se davam por conta de como estavam se sentindo melhor após terem iniciado a prática do Yoga. E ainda, a convivência que tive com elas foi de grande valia, pois consegui conhecer a individualidade e subjetividade de cada uma, o que contribuiu para uma melhor reflexão sobre esse tema.
Ao realizar o presente estudo, fiquei vislumbrada pois consegui obter os resultados esperados em relação aos meus objetivos. Porém, acredito que a pandemia da Covid-19
atrapalhou a coleta dos dados, pois não consegui realizar todo o processo pessoalmente. É possível que isso tenha limitado o diálogo com as mulheres pesquisadas.
Para finalizar, enquanto futura Profissional de Educação Física, penso que devemos proporcionar às pessoas atividades físicas, práticas corporais e exercícios físicos, explicando os diversos benefícios que os mesmos irão usufruir ao praticarem. Nesse universo, o curso de Educação Física, que engloba as práticas corporais, me fez despertar o gosto pelas práticas integrativas e complementares, em decorrência dos seus objetivos, pois as mesmas, sob um método terapêutico, buscam prevenir doenças, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida. E foi através desses estudos voltados a essas práticas que conheci o Yoga, o qual me deixou curiosa em conhecê-lo detalhadamente, e conseguir os resultados tão esperados com esta pesquisa. Além disso, acredito que vivenciá-las de forma mais aprofundada na graduação, seria de grande valia.
Assim como, essa pesquisa acrescenta para nossa área, pois trabalhando o corpo e a mente através do Yoga, e comparando o estudo teórico com a prática, podemos auxiliar o ser humano a se tornar alguém melhor. Outrossim, a prática busca contemplar todos os aspectos dos seres humanos, de maneira íntegra, contribuindo para o bem-estar. Nessa perspectiva, este estudo torna-se de relevância para a sociedade, bem como poderá contribuir para futuras pesquisas. Após aprofundar meus estudos sobre o Yoga, obtive interesse em pesquisar como as pessoas que possuem doenças oncológicas, reagiriam a prática de Yoga. Sendo assim, surge um novo desafio com gosto de descoberta, a ser investigado futuramente.
A fim de promover saúde, é de suma importância que o Yoga seja valorizado e mostrado, através dos seus benefícios, a grande interferência que o mesmo possui na vida dos seus praticantes. Do mesmo modo, aprendendo detalhadamente sobre sua prática, seus benefícios e técnicas, consegui aprofundar meus conhecimentos sobre o Yoga, e isso, me cativou a trabalhar com ele futuramente. Ainda, durante a pesquisa, me inscrevi na turma para praticar juntamente com essas mulheres, e como estou fazendo um curso sobre a prática, já percebi que os benefícios estão surgindo e me auxiliando em questões relacionadas a ansiedade e estresse.
Nesse aspecto, nós profissionais de Educação Física devemos incentivar a prática do Yoga através das nossas ações, trabalhando com suas técnicas, para promover saúde. Consequentemente, será mais uma opção de oportunizarmos a população vivências que podem contribuir para sua saúde física, mental e espiritual.
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