O texto “O Salgado de Castro Marim” foi o ponto de partida de todo o trabalho. Foi a partir dele, e da sua tradução, que foi construída a memória de tradução, assim como a comparação, a nível do vocabulário, entre a actividade salícola de Castro Marim e a de Aveiro, mediante a construção de dois glossários.
Aqui, será feita uma análise detalhada do texto, tendo em conta os seus aspectos mais relevantes, nomeadamente a sua estrutura, o tipo de vocabulário utilizado, e dar- se-ão informações gerais a seu respeito.
Datado de Setembro de 2006, foi escrito em francês por Geneviève Delbos, no âmbito de um projecto desenvolvido pela mesma. O “Salgado de Castro Marim” é um texto de carácter informativo e descritivo, que passa em revista, ao pormenor, toda a actividade de exploração de sal desenvolvida em Castro Marim e Vila Real de Santo António.
Encontra-se estruturado em diferentes partes, cada uma das quais abordando um aspecto diferente: desde informações sobre a área onde se encontram as salinas, passando pela descrição detalhada das mesmas, até todo o tipo de dados relativos à actividade realizada no Sotavento Algarvio.
O texto pode ser dividido em três secções principais. A primeira diz respeito ao Rio Guadiana e ao Salgado de Castro Marim e nela são dadas informações, em diferentes subsecções, sobre: o rio que banha a cidade – são, pois, feitas referências ao rio, em geral, ao seu estuário e à sua franja costeira; sobre a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António; sobre o salgado em si, nomeadamente no que diz respeito à sua evolução e aos seus usos actuais, ou seja, à actividade salícola e, por exemplo, ao abrigo de várias espécies de fauna e flora.
Na segunda secção, é analisada e descrita a organização da chamada “ferramenta produtiva”, ou seja, a disposição dos tanques na unidade produtiva (viveiros e salina), a disposição dos dispositivos hidráulicos (tudo o que diz respeito à circulação de água) e a organização do circuito.
Por último, na terceira secção, são descritos os trabalhos realizados no salgado. Em termos gerais, são analisados os trabalhos efectuados entre o Outono e a Primavera seguinte, altura em que o salgado se encontra, digamos, inactivo, os trabalhos de
Rui Guimarães | 33486
O Sal de Aveiro – Memória de Tradução 64
restauração e preparação das marinhas (reparação e colocação em condições de trabalho dos viveiros e salinas) e os trabalhos realizados durante o período de produção de sal.
Deste modo, ficámos a conhecer melhor tudo o que se passa na região de Castro Marim, nomeadamente no que diz respeito à exploração de sal. As informações aqui veiculadas permitem o conhecimento do espaço da Reserva Natural e de tudo o que é feito em termos da produção de sal.
No que diz respeito à sua função, pode-se concluir que se trata de um texto que tem como principal objectivo informar e descrever. O seu papel essencial é transmitir conhecimentos sobre a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António e sobre o que lá existe, os trabalhos e as actividades desenvolvidos no local. É, portanto, um texto que pode ser considerado acessível a toda e qualquer pessoa.
De um ponto de vista mais restrito, pode-se considerar que o seu público-alvo engloba todos os interessados pela actividade salícola, mais especificamente a que é levada a cabo nesta região do Sotavento Algarvio, assim como os visitantes da Reserva Natural. De facto, o texto pode, inclusive, servir de atractivo e incentivo à visita do Salgado de Castro Marim, dado que expõe, de uma forma simples e perfeitamente perceptível, tudo o que está relacionado com o mesmo. Trata-se de um excelente cartão- de-visita.
Em termos de linguagem, o mais importante a salientar diz respeito aos termos técnicos que foram utilizados no texto. Tratam-se dos já referidos vocábulos muito próprios do campo lexical relacionado com o “sal”, os quais, apesar de retratarem a mesma actividade, variam bastante consoante zonas. Relativamente ao vocabulário mais específico, será feita uma análise mais profunda na secção que segue este relatório. Para já, importa dizer que, todo este trabalho em torno do vocabulário técnico, foi, provavelmente, a principal preocupação ao longo de todo o trabalho.
Contudo, existem outros aspectos que importa referir. Em termos genéricos, a linguagem utilizada é bastante acessível e compreensível – outra coisa não seria de esperar, tendo em conta aquilo que já foi dito em relação à função do texto: se este pretende dar a conhecer a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António ao público, a linguagem utilizada deve abranger um vasto leque de pessoas. Durante o processo de tradução, e no que diz respeito à linguagem, os principais aspectos a considerar foram as construções frásicas, o registo e o estilo utilizados pela autora. Foi necessário ter em consideração que, quando se traduz um texto de uma língua para outra, existem sempre diferenças linguísticas que não podem
ser esquecidas. Um exemplo disso mesmo é o facto de determinadas construções frásicas utilizadas em Francês não poderem ser literalmente transpostas para o Português. Assim, torna-se necessário proceder às devidas alterações.
Como já foi referido, um dos grandes objectivos do trabalho foi estabelecer uma comparação, ainda que a nível do vocabulário técnico, entre Castro Marim/Vila Real de Santo António e Aveiro. O próprio texto já começa por comparar alguns aspectos entre as duas regiões: as comparações não são muitas, mas permitem diferenciar o que existe e o que é feito no Sotavento Algarvio e em Aveiro.
Passo a citar alguns exemplos disso mesmo, assim como a respectiva tradução:
• “O ordenamento da ferramenta produtiva tradicional do salgado de Castro Marim é notavelmente simples, comparativamente com Aveiro e Figueira da Foz.”
• “De acrescentar, por fim, que as salinas não têm problemas de infiltração de água doce através dos muros ou do solo e ignoram-se, consequentemente, os dispositivos de drenagem utilizados no salgado de Aveiro ou no da Figueira da Foz.”
• “Perto de §10 vezes superior à de Aveiro (3 dias de salinação).”
• “Mas as condições de produção (situação climatérica, comprimento das fases de salinação, disposição dos conjuntos produtivos, volumes de água com os quais se trabalha) que prevalecem neste local não exigem a precisão de gestão nem a atenção que reclamam o salgado de Aveiro e as salinas da costa atlântica francesa.”
Como é possível verificar, a comparação entre as regiões começa no próprio texto. Assim, o meu trabalho pode ser visto como um seguimento do que foi feito por Geneviève Delbos, centrando-se, contudo, nos termos técnicos relacionados com a actividade de exploração de sal.
Assim sendo, depois de apresentado o texto, importa, agora, expor o trabalho que foi feito ao nível da tradução, nomeadamente as dificuldades encontradas, o que foi pensado para as ultrapassar, as soluções adoptadas e a justificação das mesmas.