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5.1 Resultados do estudo analítico pela autora (etapa 1)

5.1.1 Análise dos aspectos semânticos, de uso e técnicos

A análise dos aspectos semânticos e de uso concentrou-se nas especificações de cada

imagem referindo-se ao que esta denota, à especialidade médica a que se aplica e a quais

circunstâncias se destina.

As informações obtidas nas fontes da amostra, no que se refere a especificações

técnicas das imagens, variaram em sua completude: algumas ofereciam informações

completas sobre a utilização da imagem, enquanto outras apenas alguns dados. Sendo

assim, nem todas as especificações puderam ser preenchidas nos protocolos de análise e,

nesses casos, foram descritas como não informado (n=2). A partir do que se pôde apurar, as

imagens da amostra destinam-se a áreas diversas da medicina, sendo estas:

otorrinolaringologia (n=1), cardiologia (n=1), neurologia (n=1), urologia (n=1), nefrologia

(n=1), angiologia (n=1), ginecologia e obstetrícia (n=2), ortopedia e traumatologia (n=5) e

gastroenterologia (n=7). Essas duas últimas foram as especialidades mais incidentes. O

número de incidência de cada uma (segunda coluna). Também relaciona as imagens da

amostra às especialidades às quais pertencem (terceira coluna).

Quadro 5. 1: Resultados das incidências da amostra em especialidades médicas Fonte: a autora

Em relação a circunstâncias de uso das imagens de RA analisadas, verificou-se os

seguintes procedimentos: biópsia/ retirada de tumor (n=6); cirurgias e procedimentos

endoscópicos (n=3); cirurgias ortopédicas (n=3); ablação (n=2); cirurgias vasculares (n=2);

vertebroplastia (n=1); retirada da próstata (n=1) e visualização de exame ultrassonográfico

(n=1), conforme ilustrado no Quadro 5. 2. Três imagens da amostra não tiveram suas

funções claramente informadas por suas fontes, portanto, sua função foi marcada como não

informada (n=3). Verifica-se, portanto, que a maioria dos procedimentos pontuados ocorrem

em camadas mais profundas do corpo humano. Com isso, pode-se dizer que os dados

coletados corroboram com Azuma (1997), quando este afirma que a principal contribuição

da RA em procedimentos médicos é a melhora na visualização, proporcionando a

localização de partes antes não vistas durante os procedimentos invasivos, bem como a

eficiente orientação na manipulação dos instrumentos cirúrgicos e examinadores.

Quadro 5. 2: Resultado da análise das circunstâncias de uso Fonte: a autora

sistemas empregados proporcionam visualização direta, por meio de projeção sobre o

ambiente real (n=1) ou através de optical see-through HMD (n=5)e video see-through HMD

(n=7). Também verificou-se imagens com sistema de visão indireta, isto é, por meio de

monitor não alinhado ao cenário misturado (n=6). Nesse caso, o plano de ação (paciente)

não coincide com o plano de visualização (monitor). Algumas das fontes pesquisadas não

citavam o dispositivo de visualização utilizado, totalizando, então, três imagens (n=3) sem

essa informação. O Quadro 5. 3: Resultado da análise do modo de visualização ilustra estes

resultados. A primeira coluna apresenta os modos de visualização relacionados aos

dispositivos utilizados (segunda coluna). A terceira e a quarta colunas informam,

respectivamente, o número de imagens em cada categoria e as imagens propriamente ditas.

Quadro 5. 3: Resultado da análise do modo de visualização Fonte: a autora

A partir dos resultados expostos no Quadro 5. 3, pode-se dizer que na amostra

analisada, o número de imagens pertencentes a sistemas de visualização direta por video

see-through HMD (n=7) e por optical see-through HMD equilibra-se com o número de

de RA ainda estão vinculadas a dispositivos acoplados ao corpo do médico, o que pode

influenciar no comportamento do usuário, uma vez que o uso do HMD pode provocar

certo desconforto(BIMBER e RASKAR, 2005b).A visualização por monitor não alinhado é

um sistema mais simples e não requer dispositivo especial de visualização, porém, faz com

que o plano de visão do médico não coincida com seu plano de ação. Dessa maneira,

acredita-se que maior será a contribuição da RA para a medicina, se os sistemas de

visualização forem desenvolvidos com vistas à facilitação da atuação do médico.

Em relação ao momento e técnica de obtenção das imagens em RA representadas na

amostra, observou-se que, além dos sistemas que constroem modelos tridimensionais

digitais a partir de imagens obtidas previamente, há sistemas que combinam os primeiros

com imagens captadas em tempo real. Entre as técnicas de obtenção prévia de imagens,

houve incidência de tomografia computadorizada (n=12) e de ressonância magnética (n=1).

Nos casos de captação de imagens em tempo real, foi citada a utilização de raios

infravermelhos (n=1) e de transdutor ultrassonográfico (n=4). As informações sobre as

técnicas de obtenção de imagens estão organizadas no Quadro 5. 4, distribuídas em quatro

colunas. A primeira indica o momento de obtenção da imagem (obtenção prévia ou

momento real) e relaciona-se com a segunda, que compreende as técnicas de obtenção da

imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética, raios infravermelhos e

transdutor ultrassonográfico). A terceira e a quarta colunas referem-se diretamente à

segunda, indicando, respectivamente, o número de incidências e as imagens relacionadas a

cada técnica. Algumas fontes subtraem todas ou algumas informações sobre as técnicas de

obtenção da imagem, por isso, incluiu-se no quadro a categoria não informado (n=7).

Observando-se o Quadro 5. 4, pode-se afirmar que a técnica de tomografia

computadorizada é a mais utilizada na obtenção de imagens para construção dos modelos

digitais tridimensionais. Sobre as combinações de imagens digitais com captação em tempo

real, verificou-se que, quando é utilizado o transdutor ultrassonográfico, as imagens são

utilizadas, em grande parte, em procedimentos minimamente invasivos, como biópsia,

retirada de tumor e ablação.

Quadro 5. 4: Resultado da análise de obtenção da imagem

Fonte: a autora

As imagens destacadas na Figura 5. 2, aparecem repetidamente no Quadro 5. 4,

porque combinam imagens obtidas previamente com imagens captadas em tempo real.

Dessa maneira, a somatória do número de incidências ultrapassa o total da amostra.

Figura 5. 2: Imagens obtidas previamente combinadas a imagens captadas em tempo real Fonte: ver Apêndice A

De forma geral, na análise dos aspectos de uso e técnicos da amostra, encontrou-se

grande diversidade entre as imagens, principalmente no que tange à especialidade médica

(n=9) , à circunstância de uso a qual estão relacionadas (n=8) e aos dispositivos de

visualização (n=4). Isto pode indicar que a determinação de tais aspectos nos sistemas de

RA relacionam-se aos tipos de procedimentos e especialidades a que se destinam as

imagens. Ou ainda, essa diversidade pode apontar o estágio experimental da utilização

dessa tecnologia, em que técnicas e dispositivos diferentes são utilizados de modo a

determinar quais deles atendem mais eficientemente às necessidades médicas. A seguir,

serão apresentados e discutidos os resultados da análise dos aspectos sintáticos.