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Análise dos dados

No documento Curitiba 2006 (páginas 84-87)

A análise dos dados é uma fase da pesquisa que está diretamente relacionada às outras fases que a precedem, pois pode se mostrar incerta, insuficiente e incoerente com os objetivos da pesquisa, o que exige uma retomada ou redefinição de objetivos, hipóteses, fundamentação teórica e até mesmo, da própria coleta de dados (MINAYO et al., 1999). Assim, a fase da análise dos dados é um momento fundamental que exige concentração, retomada de objetivos, propósitos, compreensão e fidelidade por parte do pesquisador.

A respeito da análise e interpretação dos dados, Rudio (2003) relata que após obter os dados, o pesquisador terá um amontoado de respostas diante de seus olhos, e estas necessitam de ordenação e organização para, posteriormente, serem analisadas e interpretadas.

Minayo et al. (1999, p.68) escrevem que a análise e a interpretação: “[...]

estão contidas no mesmo movimento: o de olhar atentamente para os dados da pesquisa”. Para a autora, essa etapa tem por finalidade compreender os dados, responder as questões formuladas e ampliar o conhecimento acerca do tema.

A partir da transcrição dos dados, a qual obtive por meio da cópia das falas dos sujeitos emergidas da entrevista individual e da sessão de grupo focal, optei pela realização da Análise de Conteúdo (AC) proposta por Bardin (2000). Justifico a escolha pela valorização do significado, do conteúdo das mensagens de acordo com o objetivo proposto pela pesquisa.

A AC é um método empírico dependente da “fala” e de sua interpretação, um conjunto de técnicas que utiliza procedimentos sistemáticos para descrever conteúdos advindos de mensagens, por meio da inferência. Na AC, o interesse encontra-se no que a descrição dos conteúdos pode ensinar, ela busca “[...]

conhecer aquilo que está por trás das palavras sobre as quais se debruça [...] busca de outras realidades através das mensagens” (BARDIN, 2000, p.44).

A AC exige que sejam contempladas, seqüencialmente, as fases de pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados e inferência e interpretação.

A primeira fase, de pré-análise, consiste em um período de intuições, sistematização de idéias, formulação de hipóteses e objetivos. É uma fase intuitiva e aberta a idéias com o objetivo de operacionalizar e organizar idéias iniciais. A

constituição do corpus, consiste na reunião do conjunto de documentos a serem analisados, no caso, a coleta de dados. Na seqüência, é preparado o material coletado, ou seja, a transcrição escrita das falas literais verbalizadas pelos sujeitos em forma de texto para, então, fazer uma leitura flutuante, na qual a intenção do pesquisador deverá ser conhecer o texto, invadir-se pelo conteúdo, é a primeira leitura. O próximo passo é escolher as unidades de registro para serem recortadas do texto. A preparação do material acontece na reunião, transcrição e edição dos textos completos.

Nessa fase, realizei a preparação do material a partir dos dados surgidos das entrevistas semi-estruturadas e do grupo focal, ambos gravados e transcritos literalmente, digitados e identificados separadamente. Para a entrevista utilizei a identificação E (entrevista), sendo que cada participante recebeu um número como identificação, de 1 a 15, de acordo com a ordem cronológica em que as entrevistas ocorreram, exemplo: E1, E2, E3.

Em relação aos participantes do grupo focal, identifiquei-os como E – enfermeira (o), seguido da sigla GF sobrescrita GF , de grupo focal, e de um número, que correspondeu à seqüência de apresentação, de expressão da fala dos participantes no início da discussão no grupo. Portanto, a enfermeira que participou do grupo focal e foi a primeira a falar foi representada pela sigla EGF1. Tal simbologia foi utilizada para resguardar o anonimato dos participantes e referenciar as falas apresentadas na discussão dos dados que seguem. Dessa forma, as falas dos integrantes foram identificadas nas categorias e citadas nas discussões dos dados como E1, E2 para entrevistas e GF1, GF2 para o grupo focal.

Na segunda fase, de organização ou exploração dos dados, ocorreram as operações de codificação, ou seja, o agrupamento de elementos ou unidades de registros comuns. As unidades de registro são rubricadas no texto e, depois, recortadas em operações de codificação, ou seja, como se os recortes fossem agrupados em gavetas, enumerados ou identificados.

Para a codificação, escolhi a unidade de registro por recorte de “temas”, que compuseram minha unidade de significação, para as quais busquei descobrir os núcleos de sentido, ou seja, frases ou conjunto de frases de tamanho variável que significassem algo para o objeto do estudo, a partir do recorte do texto completo.

Bardin (2000) explica que o tema consiste em uma regra de recorte usada para estudar opiniões, atitudes, valores, que analisa, os significados, o que tais elementos

querem dizer ao pesquisador. Para o autor, análise temática recorta o conjunto de entrevistas por meio de categorias a respeito dos conteúdos e, para tanto, considera-se a freqüência dos temas extraídos, na intenção de descobrir os núcleos de sentido.

Tendo como critério o objetivo da pesquisa, busquei fazer leituras e me familiarizar com os conteúdos dos textos, o que possibilitou o recorte das unidades temáticas. Desse modo, os recortes dos conteúdos das mensagens foram selecionados e agrupados de acordo com cada categoria específica. A terceira fase, de tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação, possibilitam a condensação dos dados brutos e relevam informações para analise. Os dados são lapidados e representam o conteúdo das mensagens.

Tratar o material é codificá-lo e transformá-lo; os dados brutos são agregados, enumerados e representam a expressão do conteúdo das mensagens. Os dados são classificados em categorias, que são rubricas que reúnem um grupo de elementos (unidades de registro) sob um título comum a todos. O agrupamento acontece no que há de comum entre as unidades de registro grifadas, rubricadas e retiradas da mensagem (texto completo).

Nesse estudo, os recortes das mensagens foram agrupados em categoriais e foram analisados embasados nas literaturas acerca do tema. Para a definição das categorias, alguns critérios foram considerados: homogeneidade, exaustividade, exclusividade dos elementos, objetividade e pertinência. A pertinência corresponde à adaptação dos elementos recortados ao conteúdo e objetivo da pesquisa e, por isso, acredito ser necessário destacar que, durante todas as fases da análise dos dados, essas questões foram tomadas e relembradas constantemente.

Dessa forma, a AC consiste, basicamente em analisar as falas coletadas dos sujeitos, extraindo delas os núcleos de sentido ou unidades de significação e seus núcleos de sentido, das quais compõem-se as categorias, quantas forem necessárias para expressar o todo dos conteúdos.

Para a organização dos dados, segundo a técnica de AC, a análise temática foi desenvolvida, em um primeiro momento, pelo texto da transcrição integral dos dados coletados, nos quais identifiquei e grifei as unidades de registro (tema). Num segundo momento, construí as categorias, a partir do agrupamento de elementos comuns encontrados nos temas ou unidades de registro. A partir deste

agrupamento, surgiram categorias genéricas ou temas centrais que buscaram representar o todo das falas dos sujeitos.

Um terceiro momento foi necessário, no qual as categorias genéricas ou temas centrais foram reagrupadas em uma única categoria final, que representou o tema final de cada questão abordada na coleta de dados. Por conseguinte, os dados possibilitaram o encontro de cinco categorias, que serão apresentadas e discutidas nas páginas a seguir.

No documento Curitiba 2006 (páginas 84-87)

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