6. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
6.1. Análise e Discussão dos Resultados Quantitativos
Esse tópico visa uma análise geral sobre o perfil e a experiência emigratória e profissional do imigrante de retorno das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, agregando principais aspectos comuns às duas áreas de estudo e estabelecendo um comparativo nos pontos observados. Informações consideradas típicas do perfil de emigrante internacional foram englobadas para o número absoluto de entrevistas aplicadas nas duas microrregiões. Já as distinções mais perceptíveis como histórico de emigração, cidades de maior afluência migratória nos Estados Unidos e experiência profissional antes de emigrar e após o retorno, são feitas separadamente em cada área de estudo da Microrregião Teófilo Otoni e Microrregião Poços de Caldas.
Dos 324 entrevistados nas duas microrregiões, 61,8% são homens e 38,2% mulheres, como mostra a tabela 29. Importante salientar que 144 entrevistados são da Microrregião Teófilo Otoni e 180 entrevistados são da Microrregião Poços de Caldas.
TABELA 29
Entrevistados das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, segundo o sexo, 2009
Sexo Freqüência Percentual (%) Masculino 211 65,1
Feminino 113 34,9
Total 324 100
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Quanto à faixa etária, na tabela 30, confere-se que a maioria dos imigrantes de retorno, ou seja, 39,5% encontravam-se entre 30 a 39 anos de idade, 24,7% entre 40 a 49 anos e 22,2% entre 20 a 29 anos.
TABELA 30
Idade do entrevistado das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, 2009
Frequência Percentual 20-29 72 22,2 30-39 128 39,5 40-49 80 24,7 50-59 29 8,9 60 ou mais 13 4 Em branco 2 0,6 Total 324 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Em relação ao estado civil atual, ou seja, no momento da pesquisa, dos 99,7% do total de 324 que responderam, 52,2% declararam casados, 32,4% solteiros, 7,7% separados/divorciados, 6,8% vivem em união consensual e 0,9% viúvo. Instados a responderem sobre o estado civil, quando fizeram a viagem, 48,5% declararam que eram solteiros, enquanto 42% casados, 4,9% separados ou divorciados e 3,7% em união consensual e 0,9% viúvos. Logo, a proporção de solteiros era maior no período que emigraram, o que indica que uma parcela casou ou teve união consensual, durante a estadia no exterior ou após o retorno.
Cabe acrescentar, que a variação entre homens solteiros é maior do que mulheres solteiras, como se verifica no gráfico abaixo, referente ao estado civil no momento da pesquisa. Apenas 21,4% das mulheres são solteiras, enquanto 58,9% são casadas e 9,8% vivem em união consensual (Gráfico 15).
Gráfico 15: Distribuição dos Entrevistados por Estado Civil Atual e por Sexo nas Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, 2009
Realmente, durante a pesquisa in loco, houve muito relatos das mulheres casadas que emigravam logo depois da partida dos maridos ao exterior. Várias já contavam com emprego e moradia no local de destino. Com relação aos homens, a probabilidade entre solteiros e casados é mais distribuída, sendo que 48,8 % são casados e 1,1% em união consensual, enquanto 38,4% são solteiros. A maioria dos entrevistados das microrregiões em estudo, ou seja, 67,9 % dos imigrantes retornados relataram ter filhos, 31,2% não têm filhos e não houve resposta em 0,9% dos questionários.
Quanto à escolaridade, como mostra o gráfico 16, mais da metade dos entrevistados tem 11 anos ou mais de estudo, visto que 42,6% possuem ensino médio ou técnico completo, 7,7% possuem ensino superior incompleto e 10,8% concluíram o ensino superior. Trata-se de um grupo privilegiado das duas regiões, haja vista que no capítulo 4, foi apontado que a maioria da população residente nos quatro municípios estudados possuía menos de 8 anos de estudo no ano 2000.
Gráfico 16: Escolaridade dos Imigrantes de Retorno das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
No que diz respeito à experiência emigratória, observa-se também distinções, já que 43,9% dos entrevistados da Microrregião Poços de Caldas declararam que moraram sempre na mesma cidade, tendo a emigração internacional como a primeira experiência migratória e na Microrregião Teófilo Otoni, esse percentual é de somente 27,1%. Outros 70,1% em Teófilo Otoni já emigraram, mesmo dentro do Brasil e 2,9% não responderam. Contudo, independente da experiência emigratória,
tanto os retornados da microrregião Poços de Caldas e Teófilo Otoni declararam motivos semelhantes para saírem do Brasil, enumerando mais de um motivo, havendo possibilidade para respostas múltiplas. Destaca-se que juntar dinheiro foi o objetivo citado por 53,4% de todos os entrevistados da pesquisa quantitativa (Gráfico 17).
Gráfico 17: Motivos dos entrevistados das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas para saírem do Brasil, 2009
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
De todos os imigrantes de retorno que responderam a pesquisa, 59,6% emigraram sozinhos, enquanto 40,1% emigraram acompanhados. A grande maioria, 88,6% tinha contato no exterior, sendo que 52,5% tinham contato no exterior com familiares, 28,1% dos entrevistados tinham como contato, os amigos, 1,9% com empresas e 6,2% mencionaram outros contatos, como explicita o gráfico 18, a seguir.
As principais ajudas oferecidas pelo contato no exterior foram a moradia e o trabalho, citadas, respectivamente, por 67% e 49,7% dos entrevistados.
Gráfico 18: Distribuição Percentual dos Entrevistados, segundo tipo de contato no exterior, das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
As microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas se diferem em suas principais redes sociais no exterior. O principal país dos migrantes internacionais na microrregião de Teófilo Otoni é os Estados Unidos, onde 60,4% dos entrevistados residiram e o segundo país é Portugal com 29,9%, enquanto 4,2% emigraram para Reino Unido, 2,8% para Espanha.
Em Poços de Caldas, há uma grande predominância dos Estados Unidos para 81,1% dos entrevistados e 5% foram à Portugal, 3,3% emigraram para Itália, 1,7% para Nova Zelândia, 1,7% Angola, 1,1% para Reino Unido e 1,1% Austrália.
Em relação às cidades de destino no levantamento da Microrregião Teófilo Otoni, nos Estados Unidos, verifica-se a presença da maioria delas no estado de Massachusetts, principalmente, os municípios Peabody, 18,8%, Salem, 6,3%, Boston, 3,5%, Newburyport, 2,8% (Mapa 8). Vale salientar que Peabody foi o município mais citado entre os entrevistados de Poté.
Mapa 8: Distribuição Espacial dos Migrantes Internacionais da Microrregião Teófilo Otoni nos Estados Unidos
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da pesquisa de campo (2009)
Em Portugal, onde prevalecem os emigrantes da cidade Teófilo Otoni, os principais municípios mencionados foram Cascais com 10,4% do total dos entrevistados da microrregião Teófilo Otoni e Lisboa, com 5,6%, conforme se verifica no mapa 9.
Mapa 9: Distribuição Espacial dos Migrantes Internacionais da Microrregião Teófilo Otoni nos municípios de Portugal
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da pesquisa de campo (2009)
Na Microrregião Poços de Caldas, foram mencionadas 53 cidades no exterior. Nos Estados Unidos, o principal estado com ocorrência dos emigrantes da área de estudo é Nova York, cujas cidades mais citadas foram: 25,6% do total dos entrevistados da região para Port Chester, 16,1% para Mount Vernon, 7,2% para Newark, 5,6% para Nova York, 5% à White Plains, 4,4% à Rye Brook – NY e 2,8% para New Rochelle (Mapa 10). Interessante relatar que Mount Vernon, junto com Jundiaí e Caldas da Rainha, é uma das cidades-irmãs do município Poços de Caldas, por possuir uma colônia expressiva de poços caldenses. Dentre os entrevistados do município Botelhos, Port Chester é a principal cidade de destino.
Mapa 10: Distribuição Espacial dos Migrantes Internacionais da Microrregião Poços de Caldas nos Estados Unidos
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da pesquisa de campo (2009)
Enquanto 24,1% não estavam trabalhando, quando saíram, 75,9% dos retornados das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas tinham emprego, antes de sair do Brasil, sendo que 29,9% recebiam menos de 2 salários-mínimos, enquanto o mesmo percentual, ou seja, 29,9% recebiam de 2 a 4 salários-mínimos, 6,8% de 4 a 6 salários-mínimos, 4,9% mais de 6 salários-mínimos e 4,3% não responderam ou não lembram.
Em relação à situação de ocupação, antes de emigrarem, constata-se uma parcela significativa de retornados nas duas áreas de estudo, que mesmo ocupados no setor formal de trabalho, decidiram sair do país. De todos os imigrantes de retorno, 28,4% trabalhavam com carteira assinada, 21% eram autônomos, 10,5% sem carteira assinada, 9% servidores públicos, 6,5% proprietários e 24,1% não trabalhavam. Ao longo do presente trabalho, será feito um comparativo da situação de ocupação dos retornados, antes e depois da emigração.
Quanto ao setor de trabalho, antes de emigrarem, a maioria dos entrevistados nas duas áreas de estudo declarou que estavam no setor de comércio e serviços. Todavia, a Microrregião Poços de Caldas apresenta uma melhor distribuição dos entrevistados em setores como construção civil e em seguida, agricultura e indústria do que na Microrregião Teófilo Otoni como pode conferir no gráfico 19.
Gráfico 19: Distribuição Percentual dos Retornados por Setor das áreas de estudo
das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, antes de emigrarem Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Em relação às atividades específicas de ocupação antes de emigrar, predomina-se nas duas áreas de estudo, a ocupação como empregado no comércio e em seguida, ocupação ligada ao setor de serviços (Tabela 31).
Ressalta-se que as atividades são variadas como vendedor, garçom, atendente na área comercial e recepcionista, frentista, professor, manutenção, técnico no setor de serviços, pedreiro e servente de pedreiro no setor de construção civil.
TABELA 31
Atividades de Ocupação, antes de Emigrar
Microrregião Teófilo Otoni
Microrregião Poços de Caldas
Percentual Percentual Ocupação ligada à agricultura e a
extração mineral. 2,1 5,0
Ocupação no setor de serviços
(empregado, estagiário, autônomo) 19,5 21,7 Ocupação no comércio como
empregado. 27,8 20,5
Ocupações de nível superior e ensino 5,6 2,8 Ocupações ligadas à construção civil 2,1 11,1 Pequeno proprietário no setor
comércio, serviços e construção civil. 11,8 10,0
Outros 4,2 7,2
Total 100,0 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
No que remete aos setores de atividades no exterior, a maioria dos imigrantes retornados de ambas microrregiões trabalhou 47,9% no setor de serviços e em 37,3% trabalharam com setor de construção civil (Gráfico 20).
Gráfico 20: Distribuição Percentual por Setores de Ocupação no Exterior nas Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009.
A grande maioria das mulheres, em 79,6%, trabalhava no setor de serviços, enquanto mais da metade dos homens, em 57,3%, trabalhava no setor de construção civil. As atividades específicas, enumeradas na tabela 39, aponta que 29,9% dos retornados trabalhavam na área de construção civil como pedreiro, carpinteiro, pintor, executadas pela mão-de-obra masculina.
onde as mulheres exercem funções como doméstica, diarista e babá e os homens, funções como jardinagem. Ocupação no comércio é a da terceira atividade mais citada pelos imigrantes de retorno (tabela 32), sendo citadas atividades como atendente, garçom, cozinheiro, vendedor em lanchonete, restaurante e padarias, entre outros. A jornada de trabalho para 48,8% era por mais de 54 horas semanais, o que evidencia o empenho dos entrevistados de juntarem dinheiro
TABELA 32
Atividade de Ocupação no Exterior
Frequência Percentual (%)
Em branco 1 0,3
Ocupações manuais de maior
qualificação na construção civil 97 29,9 Ocupação ligada ao setor de serviços 96 29,6 Ocupação no comércio como
empregado 65 20,1
Ocupações manuais de menor qualificação na construção civil
(ajudante de pedreiro) 28 8,6
Ocupações na indústria 15 4,6
Ocupação no comércio ( supervisão e
gerencia) 12 3,7
Pequeno proprietário (comércio,
construção civil e serviços 4 1,2
Ocupações de nível superior, nível
médio e outros 3 0,9
Não responde 1 0,3
Não se aplica 2 0,6
Total 324 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
As remessas foram enviadas, mensalmente, ao Brasil por 87% dos entrevistados, principalmente, através dos bancos. Quanto ao valor das remessas, dentro dos que enviavam, 19,4% mandavam em até 500 dólares por mês, 21% enviavam entre 500 a 1.000 dólares por mês, 21,6% entre 1.000 a 2.000 dólares por mês e 13%, enviavam acima de 2000 dólares por mês e 12% não sabem ou não declararam o valor da remessa.
A maioria dos entrevistados, em 49,7%, enviava as remessas para ajudar os familiares, o que indica determinada dependência das pessoas que ficam no Brasil com o dinheiro vindo do exterior. A compra de um imóvel é a segunda forma de aplicação das remessas, visto que 42% enviavam o dinheiro para esse fim. Os resultados sobre o destino das remessas enviadas pelos imigrantes internacionais das microrregiões são semelhantes aos resultados encontrados na pesquisa de
Martes e Soares (2006), sobre envio de remessas no Brasil. Relembrando o que foi relatado no capítulo 2, o estudo dos autores também indicou que primeiramente, as remessas são enviadas para ajuda aos familiares e a compra de imóvel é o segundo destino do envio das remessas.
Perguntados se conseguiram acumular capital, mais da metade dos entrevistados, em 57,7% declararam que conseguiram esse objetivo. Verifica-se a importância das remessas e do referido objetivo nas Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, Vale lembrar que a pesquisa quantitativa entrevistou imigrantes retornados que chegaram ao Brasil antes e pouco depois do início da crise de 2008. Logo, o envio de remessas e o sucesso em acumular capital, nos últimos anos, encontram-se em proporções bem menores, uma vez que a crise afetou, financeiramente os emigrantes com o desemprego, redução de jornada de trabalho, desvalorização do dólar e aumento da inflação. No tópico a seguir, essas questões serão discutidas, considerando a crise internacional e seus impactos em Poté, da Microrregião Teófilo Otoni e Botelhos, da Microrregião Poços de Caldas.
Quanto ao retorno no Brasil, cujo período varia de 2000 até 2009, a maior incidência verificada entre os imigrantes de retorno é a partir de 2004, tanto na Microrregião Teófilo Otoni como na Microrregião Poços de Caldas. Na pesquisa feita em 2009, identificou-se que desde 2008, os municípios em estudo têm recebido um retorno massivo dos brasileiros que estavam no exterior. Na pesquisa qualitativa executada em 2011, foi informado que continua intensa a volta dos migrantes internacionais nas regiões.
Os motivos de retorno, apontados no primeiro levantamento, para 54,3% dos imigrantes estão relacionados à família, sobretudo saudades, ou mesmo, doença de algum parente próximo no Brasil. Outros 10,5% dos entrevistados voltaram ao Brasil, porque alcançaram o que buscavam no exterior.
Outros 9,3% citaram a crise de 2008 que dificultou as condições de emprego, principalmente quanto à redução de jornada de trabalho e encarecimento do custo de vida nos Estados Unidos. Para 7,1% dos entrevistados, questões ligadas à saúde como depressão ou doenças e acidentes entre integrantes da família no exterior foram motivos para retornarem ao Brasil. Ressalta-se que 18,5% retornaram ao Brasil por motivos diversos como deportação ou medo de serem deportados, concluir faculdade ou pretensão de fazer um curso superior no Brasil, licença de trabalho vencendo, dificuldade de adaptação no exterior, visto com prazo
determinado, novas perspectivas e outros fatores.
Com relação à situação de ocupação de todos entrevistados, após o retorno do Brasil, o gráfico 21 mostra que houve um aumento significativo de proprietários e autônomos e uma redução de empregados com carteira assinada e servidor público, o que indica a transição da situação de ocupação dos imigrantes de retorno.
Gráfico 21: Distribuição Percentual da Situação de Ocupação no Trabalho dos Entrevistados das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas,
antes de emigrar e no ano 2009, após o retorno
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da pesquisa de campo (2009)
A tabela 33, a seguir, que trata do total de 344 entrevistados, mostra que a maior parte dos proprietários, eram servidores públicos, antes de emigrar. Aliás, o número de servidores, passou de 29 para 13, visto que 7 voltaram como autônomos 18 como proprietários, 3 ficaram sem trabalho e apenas 1 continuou servidor público. Aliás, prevaleceram também os proprietários, que se tornaram servidores públicos. Dentro de 68 autônomos, antes da emigração, 39 voltaram na mesma situação de ocupação, 12 tornaram-se proprietários e 11 não estavam trabalhando. Quanto aos 92 empregados sem carteira assinada, antes de emigrar, 12 ingressaram no mercado de trabalho como autônomos, 9 mantiveram a situação de empregados sem carteira assinada e 6 tornaram-se proprietários. Grande parte das pessoas que estava sem trabalho, antes de emigrar, continuou sem trabalho após o retorno (Tabela 33).
TABELA 33
Comparativo da Situação de Ocupação antes de emigrar e em 2009, após o retorno
Situação de Ocupação em 2009, após o retorno (freqüência) Situação da ocupação, antes de sair do Brasil E m b ra n c o C a rt e ir a A s s in a d a A u tô n o m o S e m c a rt e ir a a s s in a d a P ro p ri e tá ri o S e rv id o r P ú b lic o S e m t ra b a lh o T o ta l Em branco 0 0 0 0 0 1 1 2 Carteira assinada 0 38 14 7 13 1 19 92 Autônomo 0 3 39 3 12 0 11 68
Sem carteira assinada 0 1 12 9 6 0 6 34
Servidor público 0 0 7 0 18 1 3 29
Proprietário 0 4 0 3 2 10 2 21
Sem trabalho 1 16 16 10 9 0 26 78
Total 1 62 88 32 60 13 68 324
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Observa-se que a maioria que se encontra no setor informal, como autônomos e carteira assinada mantiveram-se na mesma condição. Portanto, a inserção de trabalho dos que trabalhavam no setor informal para o setor formal e daqueles que não estavam trabalhando é mais dificultada, uma vez que há uma preferência para os que têm experiência comprovada na carteira assinada. Apesar do número de dados quantitativos não ser suficientes para analisar a inserção do trabalho em Poté, município de menor taxa de emprego formal, como foi relatado no capítulo anterior, durante a pesquisa qualitativa in loco, foi informado a pouca oferta de trabalho na cidade com carteira assinada.
Em relação ao setor de trabalho, onde as duas microrregiões apresentam distinções, confere-se que na Microrregião Teófilo Otoni, o percentual dos entrevistados que se concentraram no comércio e serviços aumentou de 34% para 49,3% (Gráfico 22). Na Microrregião Poços de Caldas, o setor de comércio, que também apresentou o maior número de migrantes internacionais da pesquisa quantitativa, aumentando de 28,9% para 23,3%, como mostra os gráfico 22.
Gráfico 22: Distribuição Percentual dos Retornados por Setor das áreas de estudo das Microrregiões Teófilo Otoni e Poços de Caldas, em 2009, após o retorno
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Ao comparar as duas microrregiões, a Microrregião Teófilo Otoni atenuou sua concentração de ocupados no setor de comércio, já que teve acréscimo não só nesse setor, mas no setor público e construção civil. Na Microrregião Poços de Caldas, a inserção dos entrevistados no mercado de trabalho aumentou apenas no setor comercial. Entretanto, o referido mapa 13, a seguir, ainda evidencia uma melhor distribuição dos entrevistados ocupados por setores em relação à Microrregião Teófilo Otoni.
Mapa 13: Distribuição dos Imigrantes Internacionais de Retorno por Setor de Atividade, antes de emigrar e no ano 2009, após o retorno na área de estudo da Microrregião Teófilo Otoni e
Microrregião Poços de Caldas
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados da pesquisa de campo (2009)
Sobre as principais atividades enumeradas, na tabela 34, há uma concentração dos entrevistados da Microrregião Teófilo Otoni no setor de comércio como empregado, e na área de serviços, sobretudo, autônomos, conforme dados da pesquisa quantitativa.
Na Microrregião Poços de Caldas, predomina os que declararam atuarem como proprietários no setor terciário.
O percentual de proprietários no setor terciário, na Microrregião Poços de Caldas, foi muito expressivo entre os retornados que responderam a pesquisa, visto que aumentou de 10% para 20,6%.
TABELA 34
Atividades de Ocupação, após o Retorno
Microrregião Teófilo Otoni Microrregião Poços de Caldas
Percentual Percentual
Em branco 0 1,1
Pequeno proprietário (comércio,
construção civil e serviços 14,6 20,6
Ocupação no comércio como
empregado. 32 21,1
Ocupações manuais de qualificação
na construção civil 2,1 8,3
Ocupação ligada à prestação de serviços (empregado, estagiário, autônomo)
18,8 15,0
Ocupação ligada à agricultura e a
extração mineral 2,8 2,8
Ocupações de nível superior e ensino 4,2 5,1
Ocupações na indústria 0,7 1,1
Ocupações manuais de menor
qualificação na construção civil 0 0,6
Outros 7,6 1,1
Não se aplica 18,1 23,3
Total 100,0 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2009
Enfim, a pesquisa quantitativa apresentou um quadro geral dos imigrantes de retorno nas microrregiões em estudo, constatando um aumento de proprietários no setor terciário e por outro lado, observa-se que muitos atuam em atividades dentro do setor que já trabalhavam, antes de emigrar. Esse tópico serviu de suporte para a próxima discussão do presente trabalho, que busca avaliar a importância e a experiência dos imigrantes de retorno em Poté e Botelhos, bem como analisar como os municípios estão recebendo essa população diante da crise internacional.