O Estágio Supervisionado I e II, realizado no CRAS Zilda Arns, localizado no Conjunto João Alves, no município de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, efetuado pelos estagiários Anieliza Santos Nascimento, Cleiton de Jesus Santos e Maria do Carmo Paiva da Silva, sob a supervisão da assistente social Tatiana Barreto de Gois, executado durante o período da tarde, totalizando 400 horas, é o processo de formação acadêmica em que o aluno tem a apropriação de por em prática a teoria adquiriria em sala de aula. O Cras Zilda Arns atende a população dos conjuntos João Alves, Fernando Color, Maria do Carmo, Taiçoca de Fora e Areal Mangabeira e Sede do município.
Durante o Estágio I, os estudantes de Serviço Social passaram por um processo de análise e observação. Esta etapa é muito importante para os estagiários. Com esta fase os discentes puderam observar o reconhecimento do espaço físico do equipamento, conhecer a equipe de profissionais que compõe o Cras e explorar as áreas de abrangência do Cras Zilda Arns, fazendo uma análise crítica da realidade e as vulnerabilidades sociais em que essas áreas se encontram. Além da identificação do território, os estagiários passaram a conhecer o perfil do usuário, durante os atendimentos, visitas domiciliares e reuniões efetuadas durante o horário de trabalho da assistente social.
O público-alvo dos atendimentos realizados são as gestantes, sem condições de obter a garantia de um enxoval para o seu bebê, pessoas que se encontram em situação de risco social, ambiental e desabamento de suas casas e os idosos e famílias acompanhadas pelos serviços do Programa de Atenção Integral as Famílias (PAIF) e pelo Serviço de Convivência e fortalecimento de Vínculos (SCFV). O atendimento é feito de formal individual, em que o assistente social faz o acolhimento do usuário, por meio da escuta qualificada, preenchendo a ficha da família, onde contém os dados do usuário e de quem compõe a sua família, acatando a sua solicitação e necessidade e fazendo os devidos encaminhamentos para outros órgãos responsáveis ou profissionais diante das demandas dos usuários. Também são realizadas visitas domiciliares nas áreas de abrangência do Cras Zilda Arns, para conhecer a realidade social em que se encontra o usuário e detectar através do olhar crítico do assistente social, outras necessidades sociais.
Após as visitas, é realizado o estudo de caso, diante da análise da realidade observada durante as falas dos usuários e as visitas domiciliares, através do estudo de caso, é produzido o relatório social, onde constata a realidade presenciada pelo assistente social durante os atendimentos e as visitas domiciliares, e o parecer técnico do profissional, onde é exposto a
sua visão crítica da realidade apresentada, diante do seu conhecimento teórico metodológico e ético político, adquirido durante a formação acadêmica.
O relatório social é embasado nas leis da Assistência Social que garante os direitos dos cidadãos como a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e a Lei Municipal de Nossa Senhora do Socorro, que rege o município na garantia dos benefícios eventuais para as famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social.
Para ser beneficiário dos benefícios eventuais ofertados pelo município de Nossa Senhora do Socorro e aos programas sociais do Governo Federal, o usuário precisa estar cadastrado no Cadastro Único (CADÚNICO), que constata as famílias de baixa renda.
O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único) é um instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, permitindo que o governo conheça melhor a realidade socioeconômica dessa população. Nele são registradas informações como: características da residência, identificação de cada pessoa, escolaridade, situação de trabalho e renda, entre outras. (www.mds.gov.br)
Os benefícios eventuais ofertados pelo município são benéficos temporários, que tem a intenção de proporcionar ao usuário um amparo, perante a situação de vulnerabilidade social em que se deparam. Com base na Lei 8.742 de 07 de Dezembro de 1993 – LOAS - no Artigo 22, que dispõe:
Art. 22. Entendem-se por benefícios eventuais as provisões suplementares e provisórias que integram organicamente as garantias do Suas e são prestadas aos cidadãos e às famílias em virtude de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de calamidade pública. (Lei 8.742 de 07 de Dezembro de 1993 – LOAS)
No município de Nossa Senhora do Socorro são oferecidos benefícios eventuais, como auxílio moradia, kit enxoval, cesta básica e auxílio funeral, baseados na lei municipal e na resolução nº 212 do Conselho Nacional de Assistência Social de 19 de outubro de 2016, que garante o direito ao auxílio natalidade:
Art. 4º O benefício eventual, na forma de auxílio-natalidade, constitui-se em uma prestação temporária, não contributiva da assistência social, em pecúnia ou em bens de consumo, para reduzir vulnerabilidade provocada por nascimento de membro da família. (CNAS, 2016, p.2)
O auxílio natalidade é destinado para mulheres gestantes que não têm condições socioeconômicas de arcar com custos de um kit enxoval para o seu bebê.
Sendo assim, é possível perceber que durante a atuação técnico-operacional da assistente social do Cras Zilda Arns, estando de acordo com as normas previstas no Código de Ética Profissional do(a) Assistente Social da Lei 8.662/93, onde dispõe que:
Art. 3º São deveres do/a assistente social:
a- desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor;
b- utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da Profissão;
c- abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes;
d- participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. (Código de Ética Profissional do Assistente Social/CFESS, 1993, p.27).
Portanto, como previsto no Código de Ética Profissional do(a) Assistente Social, é evidente a participação da assistente social do Cras Zilda Arns, nas atividades profissionais desempenhadas no local de trabalho, de forma que o usuário possa sair da instituição com a garantia do seu direito, respeitando sempre as decisões dos usuários e suas crenças, sem fazer qualquer tipo de discriminação. É possível perceber também, o trabalho em equipe com outros profissionais, sempre respeitando a opinião dos outros profissionais e mantendo sua postura ética, de acordo com o Código de Ética Profissional, onde diz:
Art. 10 São deveres do/a assistente social:
a- ser solidário/a com outros/as profissionais, sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que contrariem os postulados éticos contidos neste Código; b- repassar ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho;
c- mobilizar sua autoridade funcional, ao ocupar uma chefia, para a liberação de carga horária de subordinado/a, para fim de estudos e pesquisas que visem o aprimoramento profissional, bem como de representação ou delegação de entidade de organização da categoria e outras, dando igual oportunidade a todos/as;
d- incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar; e- respeitar as normas e princípios éticos das outras profissões;
f- ao realizar crítica pública a colega e outros/ as profissionais, fazê-lo sempre de maneira objetiva, construtiva e comprovável, assumindo sua inteira responsabilidade. (Código de Ética Profissional do Assistente Social/CFESS, 1993, p.33).
Durante o Estágio Supervisionado II, os estagiários passam a executar algumas atividades desempenhadas pelo assistente social no Cras Zilda Arns, sendo acompanhados pela supervisora de campo Tatiana Barreto de Góis. Os estagiários realizam atendimentos individuais, preenchimentos de instrumentais, como ficha da família; fazendo encaminhamentos para outros equipamentos como os Cras, ao Centro de Referência Especializados da Assistência Social (Creas) e a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), para outros órgãos de outras secretarias como o Instituto de Identificação, para a retirada de carteiras de identidades e aos Cartórios para a garantia da segunda via da certidão
de nascimento. Também foram realizadas as visitas domiciliares, onde os estagiários poderiam fazer intervenções aos usuários, elaborando e discutindo os estudos de casos, de acordo com a base teórica metodológica e ético político, através dos conhecimentos adquiridos em sala de aula e produção de relatórios sociais para concessão dos benefícios eventuais para os usuários atendidos pelo Cras.
Outras atividades desenvolvidas pela assistente social do Cras Zilda Arns e acompanhadas pelos estagiários são os acompanhamentos aos grupos com as famílias do PAIF, com reuniões uma vez por mês e de idosos das regiões de abrangência do Cras, através de reuniões feitas uma vez por semana, com a finalidade de proporcionar aos idosos a garantia dos seus direitos e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, pelo SCFV, sendo esse público-alvo do Projeto de Intervenção executado durante o estágio II.
Portanto o Estágio Supervisionado I e II é um período de extrema importância para o estudante, pois é por meio do estágio que o aluno começa a entender a sua função enquanto profissional, tendo a oportunidade de colocar em prática todo o conhecimento sobre a profissão de Serviço Social, com base nas dimensões teórico metodológico, adquirido na fundamentação da profissão, na dimensão ético política em que o estagiário consegue analisar, perante a postura profissional da sua supervisora de campo, de acordo com os princípios éticos da profissão e a dimensão técnico operacional, que faz o estagiário ver na pratica o que foi apresentado na academia.