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ANÁLISE EXPERIMENTAL

No documento CURITIBA 2016 (páginas 105-112)

CAPÍTULO II: DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E CORRELAÇÕES COM A ÁREA

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 ANÁLISE EXPERIMENTAL

Como um dos objetivos do inventário é garantir que a variância da média de uma determinada variável amostrada atinja um limite de erro pré-estabelecido, a experimentação, utilizando um delineamento quadrado latino serve como uma ferramenta estatística útil, pois permite inferir sobre o comportamento das variáveis testadas. Nesse sentido, a avaliação de linhas e colunas dentro da análise da variância (ANOVA) indica se essas são estatisticamente semelhantes ou não.

Considerando o valor de “F” calculado para uma probabilidade de confiança de 99% (𝐹𝑡𝑎𝑏(9;72)= 2,66), foram verificadas as diferenças estatísticas para a variável N nas linhas da unidade amostral IV, nos períodos P0 e P1 e também para os tratamentos no período P1. Também foram encontradas diferenças entre os tratamentos da unidade amostral X, no período P0 (TABELA 2.2).

TABELA 2.2: RESULTADOS DAS ANÁLISES DE VARIÂNCIA PARA A VARIÁVEL N

Fonte de variação Unidade amostral I

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral II

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral III

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral IV

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral V

P0 P1

Conclusão

Fonte de variação Unidade amostral VI

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral VII

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral VIII

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral IX

P0 P1

Fonte de variação Unidade amostral X

P0 P1

Em que: ns não significante; ** significante a 99 % de confiança

Entende-se que nas duas unidades amostrais que apresentaram diferenças estatísticas (IV e X), a diferença do número de indivíduos entre as subunidades propiciou o aumento da variância, resultando na rejeição da hipótese de nulidade.

Entretanto, o resultado da análise de variância das demais unidades amostrais não indicou rejeição da hipótese de nulidade. Logo, as unidades amostrais IV e X indicaram ser uma exceção, essencialmente a unidade amostral IV, por apresentar em ambos os períodos avaliados rejeição de H0.

As diferenças de N podem ser atribuídas a muitos fatores, entre eles, a disponibilidade de recursos ambientais, que favorecem a formação de gradientes de densidade (WHITTAKER, 1972). No entanto, infere-se que além desses gradientes, outros acontecimentos relacionados com eventos intrínsecos das florestas como, por exemplo, fatores climáticos e formação de clareiras ocorreram. Nesse sentido, Arihafa e Mack (2013), avaliando florestas tropicais na Nova Guiné, descreveram que a queda de árvores formam clareiras com tamanhos médios de 312 m². Logo, o tombamento de um pequeno número de árvores de grande porte, por si só, pode justificar as diferenças de densidade nas subunidades amostrais em questão.

Deve-se considerar também que a unidade amostral IV apresenta gradiente de sítio associado à umidade, com afloramento de água em alguns pontos. A baixa incidência pluviométrica, como a ocorrida durante o período avaliado, pode ter favorecido a mortalidade dos indivíduos. Isso ocorreu principalmente nos gêneros fortemente dependentes da disponibilidade de água, como o Sebastiania (CARVALHO,2003), com redução da densidade em locais úmidos, o que também justifica as diferenças identificadas na análise de variância e das médias.

Embora tenham sido observadas diferenças estatísticas nos tratamentos da unidade amostral X no período P0, assim como nos tratamentos da unidade amostral IV no período P1, ocorreram diferenças entre médias somente entre Linhas da unidade amostral IV em ambos os períodos, conforme apresentado na TABELA 2.3. Entende-se com isso, que embora os valores das variâncias tenham sido suficientemente altos para ultrapassar o valor crítico de “F”, as médias não foram suficientemente diferentes a ponto de ultrapassarem a diferença mínima significativa (DMS), logo não diferindo estatisticamente na maioria das situações.

TABELA 2.3: TESTE DE MÉDIAS REFERENTE À VARIÁVEL N APLICADO PARA A FONTE DE VARIAÇÃO LINHAS (PERÍODO P1) NA UNIDADE AMOSTRAL IV

Linhas P0 Médias Linhas P1 Médias

L 9 a* L 9 a

L10 a b L10 a b

L 8 a b L 8 a b c

L 6 a b L 7 a b c d

L 7 b L 3 a d

L 4 b L 1 a d

L 5 b L 4 a d

L 1 b L 6 d

L 3 b L 2 d

L 2 b L 5 d

*Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 99% de probabilidade

Com relação às Linhas, duas médias foram declaradas diferentes em P0, e quatro em P1. A diferença entre médias pode ser resultante da mortalidade ocorrida entre o período avaliado, uma vez que no período P0 haviam 830 indivíduos amostrados e em P1 apenas 752. Assume-se que essa mortalidade não ocorreu de forma regular na área da unidade amostral, o que provocou aumento da variância dessa variável devido ao gradiente identificado no sítio.

Considerando que o planejamento do manejo deve ser fundamentado nas análises estruturais, essencialmente na densidade, na distribuição espacial e na estrutura balanceada da floresta remanescente, viabilizando assim a sustentabilidade do processo (SCHNEIDER, 2009), uma distribuição espacial heterogênea dos indivíduos, além de influenciar o planejamento do manejo florestal, deve ser considerada na amostragem de dados, pois demanda maior área amostral para se atingir representatividade apropriada.

Essa heterogeneidade associada à vegetação pode assumir diferentes tipos de distribuições que, segundo Dajóz (1972), podem ser classificadas em: regular, aleatória e agregada. No entanto, o comportamento da unidade amostral IV indicou ser uma exceção frente às demais, que indicaram comportamento de maior homogeneidade.

Com relação às análises de variância da área basal, observou-se uma maior homogeneidade entre tratamentos dentro das colunas e linhas e entre os tratamentos, não tendo sido observadas diferenças estatísticas para as diferentes fontes de variação nos períodos P0 e P1 (TABELA 2.4).

TABELA 2.4: RESULTADOS DAS ANÁLISES DE VARIÂNCIA PARA A VARIÁVEL G Unidade amostral I

Conclusão

Em que: ns não significativo.

A análise de área basal mostrou grande homogeneidade entre as subunidades.

Logo, por meio da análise experimental conjunta do número de indivíduos e de área basal, embora ambas as variáveis indiquem semelhanças estatísticas, o número de indivíduos revelou maior variabilidade estatística que a variável área basal. Essa homogeneidade pode ser atribuída a resiliência da floresta, resultante das forças catabólicas e anabólicas que favorecem um estado de equilíbrio (ODUM, 1988), entendido aqui como semelhança estatística.

Corroborando com a ideia de resiliência da floresta, associadas às observações da FIGURA 2.1, pode-se fazer uma analogia com a teoria de Möller (1954), a qual explica que, exceto nos casos extremos de oscilação da densidade

populacional, o incremento em volume não é afetado pelos diferentes níveis de densidade. Considerando a estreita relação entre volume e área basal, em síntese, para uma maior densidade, o incremento divide-se em maior número de árvores e para menor densidade, o incremento se concentra em um número menor de árvores, logo tendendo para um mesmo valor. Mesmo que essa teoria tenha originalmente sido desenvolvida para povoamentos florestais, pode ser aqui validada, justificando a homogeneidade de área basal nas unidades amostrais apesar da oscilação do número de indivíduos.

No documento CURITIBA 2016 (páginas 105-112)