• Nenhum resultado encontrado

Análise do setor têxtil e de confecção com base na ECD e TCT

A cadeia produtiva do setor é extensa e formada por indústrias bem distintas, cujo número de empresas aumenta na medida em que cresce o grau de industrialização. No início da cadeia (formado pelas matérias primas Fibras e Filamentos – entre elas as Fibras sintéticas, artificiais e naturais), há apenas 19 unidades produtivas no país com aproximadamente 6 mil empregados (dados de 2015). Já no segundo segmento (Têxtil), existem quase 3.000 empresas. No de Confecção, há cerca de 29.200 empresas, que emprega 1,3 milhão de trabalhadores; ele é formado por Vestuário, Linha Lar, Técnicos (meias e acessórios, outros), sendo o subsegmento do Vestuário responsável por 89% das unidades produtivas e 79% da produção em valores (IEMI, Brasil Têxtil 2016).

Quando a pauta é sobre a distribuição geográfica; na região sudeste, concentra-se a maior parte da produção do setor, com 47% de participação. Isso é justificado pela

concentração do mercado consumidor nesta região e por ser sede dos principais centros de distribuição de atacado e varejo do país. O Sul vem em segundo lugar com 28%, seguido do Nordeste com 18% (IEMI).

Ao considerar os Estados, São Paulo tem a maior concentração de produtos confeccionados, com 28,4% do total do país. Em seguida, Santa Catarina responde por 17,4%

e Minas Gerais por 11,1%. Mais da metade da produção e mão de obra empregada está concentrada nesses três Estados.

Há uma movimentação discreta das regiões quando se compara 2011 com 2015, período em que o Sudeste perdeu 1,4% de participação para as regiões do Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país.

A maioria das empresas concentra-se na região Sudeste do país. As empresas tendem a operarem mais próximas dos seus maiores mercados, consequentemente viabilizarem melhores condições de logística. Apesar disso, muitas delas, as de grande e médio portes, nestas regiões, estão transferindo suas dependências para o nordeste, em razão de incentivos fiscais e do baixo custo de mão de obra.

Destacam-se neste quesito:

Região Sudeste: maior produtora nacional, com quase 50% do total produzido no Brasil, sendo que essa produção é dividida em três polos principais.

I. POLO DE AMERICANA (SP): compreende os municípios de Americana, Nova próprios, onde vendem seus produtos para sacoleiras e pequenos varejistas;

III. MONTE SIÃO (MG): concentra cerca de 2 mil empresas que produzem malha retilínea (tricô) nos 4 municípios do polo.

Região Sul: especializada em confecções de malha e em artigos de cama, mesa e banho;

No Vale do Itajaí destacam-se as cidades de Blumenau, Joinville, Brusque e Jaraguá do Sul como o segundo maior polo têxtil da América Latina, sendo muito competitivo no mercado internacional, exportando aproximadamente 20% da produção local da linha lar.

Região Nordeste: tem forte atuação na fabricação de artigos de malha e índigo, sendo

Fortaleza o destaque ao fabricar produtos bastante diversificados, como roupa íntima, moda praia, infantil, feminina e masculina.

Região Centro-Oeste: concentra a produção de jeans e moda praia.

Essa apresentação regional pode ser verificada no Gráfico 8.

Gráfico 8 - Distribuição regional da produção (%)

Fonte: Brasil Têxtil 2016 – elaboração própria.

O segmento de confecção no Brasil é formado principalmente por micro e pequenas empresas, estrutura que corresponde a mais de 95% do total de 29.200 unidades produtivas.

Muitas delas são informais e apresentam uma média bem baixa de funcionários (inferior a quarenta pessoas por unidade produtiva). Entre as 10 maiores do segmento, em termos de vendas líquidas, apenas a DeMillus, que aparece na oitava posição, tem controle estrangeiro.

Todas as outras são empresas formadas por controle acionário brasileiro, de acordo com o relatório Brasil Têxtil 2016, conforme pode ser conferido na Tabela 6.

Tabela 6 - Maiores empresas do setor

O segmento de confecções emprega cerca de 1,3 milhão de trabalhadores. Isso representa aproximadamente 15% do total da indústria de transformação que é responsável por 8,6 milhões de empregados. A mão de obra é formada principalmente por mulheres, as quais representam 75% do total. As pequenas confecções que geralmente são informais atuam com mão de obra terceirizada, sendo o serviço repassado para costureiras que o fazem em casa. De acordo com o relatório setorial do Bradesco (2017), estimativas do mercado apontam que a informalidade do setor gira em torno de 50%.

A baixa escolaridade é predominante na mão de obra empregada, embora houve evolução na comparação entre 2007 e 2012, quando os trabalhadores com Ensino Médio completo passaram de 34% para 44% em cinco anos. Entre os que têm somente o Ensino Fundamental, o percentual é de 37%, e apenas 6% tem nível superior no segmento (MTE 2012). Esses dados podem ser constatados no Gráfico 9.

Gráfico 9 - Distribuição dos trabalhos por nível de escolaridade

Fonte: MTE/2012

As unidades produtivas, que somam cerca de 29.200 do segmento, são predominantemente micro e pequenas empresas, representando 96% do total. É interessante notar na Tabela 7 o comparativo de 2011 a 2015, quando houve crescimento mesmo que pequeno, apenas das microempresas. Observa-se aí uma diminuição no número de todas as empresas que compõem os demais portes. Embora as microempresas participem com 71,7%

do total das unidades produtivas, elas produzem apenas 14,3% do volume. Já as grandes, que totalizam somente 83 plantas, são responsáveis por 34% da produção, sendo a maior parcela do total. Verifica-se que as pequenas empresas são as que mais empregam, absorvendo 39,9%

da mão de obra.

Tabela 7 - Comparativo da distribuição por porte

Fonte: Brasil Têxtil 2016 – elaboração própria

O setor caracteriza-se pelo modelo de oligopólio diferenciado na fiação e tecelagem por haver poucas empresas dominantes (cerca de 80 grandes). Na confecção o modelo é de concorrência monopolística por conta do significativo número de empresas concorrentes (cerca de 29.000) sendo elas tomadoras de preço. Como a entrada é considerada livre, o resultado é lucro econômico nulo, já que a ocorrência de lucros positivos atrai novas empresas até que este se iguale a zero novamente. As empresas vendem produtos diferenciados, que vão de Prêt-à-porter no caso do Vestuário a fabricação de itens confeccionados a partir de matéria prima barata e baixo valor agregado, mas podem oferecer também substitutos próximos.

Há facilidade de entrada e saída do mercado como um todo, porém há barreiras entre as grandes marcas, por exemplo o Prêt-à-porter que exige um grau de especialização maior da unidade produtiva, investimentos em design e tecnologia, além dos custos da matéria prima serem mais elevados, relativo a outras linhas. Contudo, conforme exposto, a maioria das empresas são micro e pequenas, o que torna o investimento baixo, a mão de obra barata e é comum verificar unidades produtivas familiar, além da atuação na informalidade, tanto pela sonegação fiscal como pela venda dos produtos de forma clandestina.

Porte 2011 2015 Partic %

Micro

Nº de fábricas 20.912 20.962 71,7%

Pessoal ocupado 336.544 331.007 26,5%

Produção 1.000 peças 1.484.521 1.272.111 14,3%

Pequenas

Nº de fábricas 7.724 7.346 25,1%

Pessoal ocupado 531.885 499.659 39,9%

Produção 1.000 peças 2.149.207 1.825.983 20,6%

Médias

Nº de fábricas 876 831 2,8%

Pessoal ocupado 280.208 261.261 20,9%

Produção 1.000 peças 2.839.335 2.764.828 31,1%

Grandes

Nº de fábricas 87 83 0,3%

Pessoal ocupado 167.627 159.200 12,7%

Produção 1.000 peças 3.165.853 3.015.673 34,0%

Total

Nº de fábricas 29.599 29.222 100,0%

Pessoal ocupado 1.316.264 1.251.127 100,0%

Produção 1.000 peças 9.638.916 8.878.593 100,0%

A concentração de empresas do segmento confecção é bastante acentuada. As quatro maiores organizações são responsáveis por 78,5% das vendas líquidas dos produtos acabados entre as sete maiores do setor. Conforme se verifica na Tabela 8.

Tabela 8 - Concentração das empresas em 2014

Posição Empresa Segmento Participação %

1 Hering Vestuário 23%

2 Vicunha Tecelagem/Fios 16%

3 Riachuelo Vestuário 15%

4 Coteminas Fios/Tecelagem/Linha Lar 14%

5 Lupo Vestuário 8%

6 Santanense Fios/Tecelagem/Linha Lar 5%

7 Capricórnio Tecelagem 6%

8 Dohler Linha Lar 6%

9 DeMillus Vestuário 5%

10 Dudalina Vestuário 2%

Fonte: LAFIS: Têxtil e Confecção 2016.

Por se tratar de um setor de concorrência acirrada mundialmente, constantes inovações de design e tecnologia são observadas na cadeia. Os investimentos em P&D são de extrema importância para o segmento de confecção. Novos hábitos de consumo tendem à individualização e à personalização, um exemplo de novas tecnologias de produção, nesse sentido, é a impressão 3D. Baseada no sistema de eletrofiação, a produção ocorre por deposição de fibras sobre um molde. Micro e nanofibras de poliéster mescladas com algodão são guiadas em um campo elétrico e sofrem deposição eletrostática no molde personalizado recortado em diferentes tipos de material rígido. O processo – controlado a partir de um painel Arduino-Leonardo – possui similaridades com o de uma impressora 3D, pois carrega-se o material – fios coloridos –, insere-se o design no desktop e a produção ocorre autonomamente, mas ele não adota os princípios característicos dessa manufatura.

Outro exemplo é a gama de produtos biotecnológicos que aumenta todos os anos, explorando os diversos campos da tecnologia. No setor de confecção, biotecidos, biofibras e biorroupas são áreas de intensa experimentação, tanto artesanal quanto científica. De acordo com a National Science Foundation, a biotecnologia congrega: biomateriais, biomimética, bioinspiração e bioativação, materiais sintéticos para aplicação em contato com sistemas biológicos e processos pelos quais a natureza produz materiais biológicos. Esse é um ramo multidisciplinar que engloba desde a escala nanométrica até corpos mais massivos.

O preço não se deve apenas ao custo do produto, mas a muitos fatores externos, como demanda do mercado, empresas atuantes, disponibilidade do produto, procura desse produto, poder de monopólio. Determinar o preço depende bastante do destaque e diferenciação da empresa, além da negociação entre vendedor e comprador. Os indicadores de preços, como o IPA-OG Artigos de vestuário, que reflete o comportamento dos preços no atacado, acumularam alta de 5,0% em 2015. Por sua vez, o IPCA da categoria Vestuários, que indica os preços no varejo, variou 3,6% no acumulado até dezembro. A relação entre esses dois indicadores revela que o varejo de produtos confeccionados tem conseguido repassar o aumento de preço do atacado para o consumidor, mantendo a margem de lucro das redes varejistas, segundo o relatório setorial da LAFIS de 2016.

Os custos de produção se modificam conforme o elo da cadeia. No caso de confecção, a maior parcela dos custos de produção está relacionada aos gastos de mão de obra. Em média, 30% dos custos de produção das confecções são gerados pela mão de obra, mas podem chegar a 60% em alguns segmentos - como o de moda íntima feminina. Além da mão de obra, outros componentes importantes dos custos são matéria prima, impostos e energia elétrica;

esta última sendo uma das mais caras do mundo. Devido ao setor se caracterizar pela informalidade e baixa complexidade, a maior parte das unidades produtivas apresenta baixa escala de produção, encarecendo os produtos. A dificuldade de repassar os custos para o preço tem levado várias empresas a abandonarem a produção devido à impossibilidade de manter lucro nos negócios. A tabela 9 apresenta a evolução do preço médio em Reais por quilo dos produtos de cada subsegmento.

Tabela 9 - Evolução do Preço médio da produção nacional (R$/kg)

Segmentos 2011 2012 2013 2014 2015 terço do valor do produto em impostos. Isso prejudica a indústria que tem de trabalhar com margens muito reduzidas devido aos custos de produção, a fim de viabilizar a venda do

produto para o consumidor. A Tabela 10 apresenta os dados para comparação do custo de produção de alguns produtos feitos no Brasil e em alguns países asiáticos.

Tabela 10 – Comparação dos custos de produção em dólares/dúzia - 2015 Descrição Brasil China Bangladesh Vietnam India

Camiseta Básica $7,39 $6,00 $4,00 $4,00 $4,00

Camiseta Polo $12,85 $12,00 $10,00 $10,00 $12,00

Calça 5 bolsos $24.98 $18,00 $15,00 $15,00 $18,00

Camisa $23,86 $15,00 $12,00 $12,00 $18,00

Fonte: LAFIS: Têxtil e Confecção 2016.

Considerando toda a cadeia, o setor produziu cerca de 131 bilhões de Reais em 2015.

O segmento de Confecção é responsável sozinho por 5,7% da produção da indústria de transformação. Portanto, uma representatividade importante para a economia do país. Além disso, a indústria tem o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo, produz aproximadamente 5,5 bilhões de peças de vestuário anualmente. O Brasil é referência mundial em design de moda praia, jeanswear e homewear, tendo crescido também nos segmentos de fitness e lingerie.

Apesar da representatividade do setor para a economia, a produção em toneladas vem apresentando queda. Em 2015, houve redução de 7,6% na produção de artigos confeccionados na comparação com o ano anterior. Todos os segmentos do setor tiveram recuo devido à crise brasileira e aos constantes desafios da concorrência internacional.

A Tabela 11 apresenta a produção em toneladas por cada segmento.

Tabela 11 - Produção por segmento em volume (toneladas)

Segmentos 2011 2012 2013 2014 2015

Confecções 1.871.147 1.829.824 1.853.568 1.854.448 1.713.274 Vestuário 1.231.164 1.189.279 1.199.827 1.199.893 1.112.975

Meias e acessórios 25,960 26,498 26,136 25,475 24,319

Linha Lar 335,269 340,544 350,818 356,221 325,188

Outros 278,754 273,503 276,787 272,859 250,792

Fonte: LAFIS: Têxtil e Confecção 2016

Quanto aos postos de trabalho, toda a cadeia têxtil somou 1,5 milhão de trabalhadores em 2015, sendo o 2º maior gerador do primeiro emprego e o 2º maior empregador da indústria de transformação, perdendo apenas para alimentos e bebidas. Desse total, o segmento de confecção foi responsável por empregar 1,2 milhão de pessoas em 2015, sendo 75% de mão

de obra feminina. É interessante observar que, apesar de empregar muito mais que o segmento têxtil, a média de pessoal ocupado por unidade produtiva é muito mais baixa em confecção devido às estruturas serem bem menores nesse segmento da cadeia, além da informalidade.

Outro ponto é a redução de pessoal ao longo dos últimos 5 anos com queda de 4,7% nos confeccionados, o que significa uma redução menor que o têxtil que fechou 2015 com baixa de 10,4% nos empregos.

A Tabela 12 e o Gráfico 10 mostram como estava a ocupação do pessoal por segmento e unidade produtiva do setor.

Tabela 12 - Pessoal ocupado por segmento

Segmentos 2011 2012 2013 2014 2015

Vestuário 1.130.114 1.116.667 1.130.325 1.114.328 1.077.751

Meias e acessórios 43,908 44,012 43,227 41,912 39,082

Linha Lar 92,35 94,678 92,768 93,51 90,083

Outros 49,893 50,201 51,054 49,894 47,211

Confecções 1.316.264 1.305.558 1.317.374 1.299.644 1.254.127 Fonte: IEMI/Abrafas.

Gráfico 10 - Número médio de empregados por unidade produtiva

Fonte: LAFIS: Têxtil e Confecção 2016 – elaboração própria.

O setor é fortemente deficitário no comércio exterior, principalmente por conta da concorrência asiática. Os produtos confeccionados apresentam peso bem maior na composição do déficit comparado ao têxtil. Enquanto esse último participa com 38%, o segmento de confecção tem quase o dobro do déficit, 62%, de acordo com dados da Secex.

Com a recente desvalorização da moeda nacional, a importação tornou-se mais custosa, houve redução do déficit entre 2014 e 2015, porém ao comprar com os dados de 2011, as importações cresceram aproximadamente 25%, enquanto as exportações sofreram queda de quase 60%. O Gráfico 11 apresenta o saldo da balança comercial a fim de ilustrar o exposto.

143

Gráfico 11 - Saldo da Balança Comercial

Fonte: IEMI/Secex – elaboração própria

A competição internacional tem se acirrado na última década, afetando fortemente a atividade fabril. A emergência dos novos atores, principalmente os asiáticos, colocou em cheque o desenvolvimento industrial dos mercados nacionais em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Assim, a propriedade intelectual tem papel central, especialmente no tocante a tecnologias (patentes), design (desenho industrial) e marcas. Para enfrentar esses desafios, a indústria de confecção está em constante inovação. Dentre as inovações, destacam-se a customização em massa, a qualidade certificada do produto, as vendas pela internet, a gestão profissionalizada e o rápido tempo de resposta ao mercado.

As patentes são uma forma de proteção que impacta mais fortemente o setor têxtil.

Interessante notar que, embora os países asiáticos sejam os maiores concorrentes do setor têxtil brasileiro, entre os países de origem das patentes depositadas no Brasil nesse setor, apenas a Coreia do Sul aparece, situando-se em 9º lugar, bem atrás dos Estados Unidos e do Brasil, em primeiro e segundo lugares, respectivamente. Conforme pode ser verificado no Gráfico 12, que apresenta a participação do depósito de patentes por produtos.

Gráfico 12 - Depósitos de patentes de invenção classificadas como setor têxtil segundo a classificação internacional de patentes – IPC (2000-2012)

Fonte: Aecon/INPI/Unicamp

Vale notar que as três primeiras classificações são responsáveis por 72% dos depósitos de patentes no período e remetem à indústria têxtil. Somente na quarta posição aparece uma classe típica da relacionada às confecções (vestuário). É na indústria têxtil que se concentra a demanda por tecnologia de maior teor ou intensidade inovadora – característica das patentes de invenção – quando se considera o conjunto têxtil e confecções.

Após as analises, percebe-se que uma complementação importante ao modelo ECD é a contribuição que o modelo TCT oferece, uma vez que não há como negar que a estrutura depende das condições de demanda e oferta (tanto para insumos e tecnologia quanto para os consumidores). A conduta depende da estrutura e o desempenho depende da conduta. Há, portanto, uma interligação da ECD à TCT, uma vez que os custos de transação, envolvidos nesse setor, ajudam a explicar algumas questões.

A primeira é sobre o tamanho das empresas, uma vez que o mercado é composto majoritariamente de micro e pequenas empresas. Contudo, as grandes empresas, utilizam-se da verticalização – estratégia para reduzir os custos – para serem mais competitivas.

A segunda diz sobre a mão de obra empregada no setor, que é de baixa complexidade e escolaridade, afetando a produtividade e a competitividade, mas reduzindo custos de operação.

Por fim, a terceira questão relevante – não que as demais não o sejam – é a complexidade do sistema tributário, exposto no próximo capítulo, que afeta a conduta o desempenho e a estrutura, além de gerar custos de transação. Quanto maior for a firma, mais

complexas são as regras tributárias – no papel das obrigações acessórias – que a empresa precisará cumprir, ou seja, além da carga tributária, há custos envolvidos no processo, como a contratação de mão de obra e o custo em horas para se cumprir a legislação. Logo, isso desestimula as empresas a crescerem, afetando o desempenho e deixando a estrutura aquém do que poderia ser. Além disso, a conduta dos pequenos players está vinculada a esta questão, na tentativa de redução de custos administrativos não inerentes ao negócio, não investem no crescimento de suas empresas. Logo, a capacidade de investimento fica suprimida pelo custo de cumprimento das obrigações fiscais.

2 A COMPLEXIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL E SEU pela primeira vez no Brasil o Sistema Tributário Nacional (STN).

Segundo Fabretti (2009, p. 12), o STN, “ao invés de tributar o consumo de forma direta [...], resolveu tributar a produção e a circulação, ou seja, na origem”.

Dessa maneira, a legislação tributária evoluiu de uma forma a adquirir robusta complexidade – tanto jurisdicional e legislativa quanto operacional – além de levar a uma carga tributária de proporções idênticas a países de grande desenvolvimento e com participação grande do Estado, como a Noruega e a Dinamarca.

O desenvolvimento do funcionamento do mecanismo tributário brasileiro é árduo e suas explicações – além dos debates provocados – são longas, devido à quantidade de artigos que compõem o CTN e a quantidade de regras auxiliares, constantes dos dispositivos que servem para permear a matéria.

Além disso, há uma questão na matéria tributária que diz respeito à forma como os tributos são apurados, isso afeta sua carga mais do que sua complexidade. Trata-se da questão de serem cumulativos ou não cumulativos. De toda forma, há muito o que se abordar, contudo, o foco neste trabalho é a complexidade do sistema.

Vale ressaltar que dentre as peculiaridades a serem exploradas, estão as questões do pacto federativo, dos regimes fiscais, as obrigações principais e obrigações acessórias e, brevemente, a questão da carga tributária.

O entendimento das regras gerais do CTN e dos seus mecanismos permite avaliar os impactos da complexidade tributária sobre a indústria têxtil e de confecção no que diz respeito a operacionalização, custos e eficiência produtiva, gerando esclarecimento sobre o eventual trade-off entre atividades administrativas fiscais e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.