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Impacto na produtividade e desempenho financeiro

As empresas sempre anseiam por destaque em relação aos concorrentes perante seus clientes, a fim de melhorarem o desempenho. Isso significa que a geração de valor para o acionista passa obrigatoriamente pelas estratégias empresariais adotadas, sendo assim, os custos, a produtividade e a tecnologia são três fatores fundamentais para que se concretize o objetivo do acionista.

A competição em mercados muito pulverizados é complicada, característica do setor de têxtil e de confecção. Conforme se pode analisar a partir dos dados apresentados nas Figuras 12 e 13.

Figura 12 – Produtividade no segmento têxtil

Fonte: ABIT: Produtividade na indústria em 2016.

A figura 12 aponta para a queda da produtividade do pessoal em atividade no segmento têxtil e no período avaliado, a produtividade do pessoal não ligado à produção caiu mais do que a produtividade do pessoal ligado à produção. Com uma carga maior de obrigações tributárias acessórias, segundo o economista-chefe da ABIT, Mestre Haroldo Silva, o andamento do trabalho administrativo é significativamente menor. Logo, a produtividade cai e necessita-se de mais pessoas especializadas para interpretar e cumprir a legislação.

A Figura 13 indica que, no segmento de confecção, ocorreu a mesma situação de queda de produtividade total, contudo essa é uma queda maior do pessoal não ligado à produção. Ainda segundo as palavras do economista da ABIT, é possível prever que se não houver um movimento rápido de desoneração do setor e da simplificação da legislação, esses índices certamente estarão piores a cada nova regra que o governo implementar para controlar as atividades fiscais das indústrias.

Figura 13 – Produtividade no segmento de confecção

Fonte: ABIT: Produtividade na indústria em 2016.

As Figuras 14 e 15 mostram o resumo da produtividade e do pessoal ocupado no setor têxtil e de confecção. A produtividade no segmento têxtil é muito baixa, apesar de positiva, e no setor de confecção ela é negativa. Quando se analisa o desempenho dos engenheiros – cuja importância será tratada no próximo tópico – ante os advogados e contadores, fica evidente a perda consideravelmente preocupante da relevância das suas funções, sendo que no segmento têxtil, a produtividade é negativa.

Esses não são dados totalmente conclusivos, mas indicam que problemas administrativos são causados nas empresas, coincidentemente, nos períodos após a normatização de novas obrigações, como cita Alberti (2016) em sua dissertação sobre o impacto da implementação do SPED, apontando que, ao invés de simplificar as obrigações e reduzir seus custos, complicou as obrigações e aumentou-os ainda mais, com acréscimo de

mão de obra não produtiva especializada, investimento em sistemas de informações e maior gasto de tempo no cumprimento das obrigações.

As evidências apontam para a queda de desempenho financeiro do setor, uma vez que há maior preocupação em cumprir a legislação ao invés de buscar alternativas para a melhoria da competitividade.

Figura 14 – Resumo da produtividade e ocupação no segmento têxtil

Fonte: ABIT: Produtividade na indústria em 2016.

Figura 15 – Resumo da produtividade e ocupação no segmento de confecção

Fonte: ABIT: Produtividade na indústria em 2016.

O setor têxtil como um todo vem perdendo desempenho ao longo dos últimos anos, impactado principalmente por dois grandes fatores: um macro e outro microeconômico. O primeiro fator é macroeconômico, em que a economia nacional tem sofrido duramente com a crise que, desde meados de 2014, está gerando aumento da inflação, do desemprego, dos juros, agravado por uma crise política – incluindo questões éticas e morais – que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff e agora atinge o presidente Michel Temer. O segundo fator é microeconômico, engloba questões tributárias, produtivas, mercadológicas e financeiras.

A abordagem a respeito da lucratividade conduz à interpretação de que o pequeno crescimento do setor têxtil, o segmento de confecção, por ser o maior da cadeia, segue a mesma tendência do setor como um todo, o primeiro fato que evidencia isto são as vendas no varejo do setor, apresentadas no Gráfico 13.

Gráfico 13 – Evolução das vendas do setor

Fonte: Macrodados Online – Elaboração própria.

As vendas no varejo refletem a redução de consumo dos consumidores, esse impacto ocorrerá na produção do setor, nas margens (lucro) e nos índices de rentabilidade. Desta forma, a ociosidade no setor aumentou, já que a utilização da capacidade produtiva vem caindo, principalmente desde 2014, em que o setor de confecção (vestuário) atinge um dos menores níveis da série estudada, conforme o Gráfico 14, abaixo.

Gráfico 14 – Ociosidade do setor

Fonte: Macrodados Online – Elaboração própria

Não é possível especificar as margens de lucro por segmento. Ainda assim, no setor têxtil, a confecção expressa a maior margem, a qual é seguida pela tendência geral. Partindo dessa premissa, o estudo sobre as margens das empresas evidencia que o desempenho financeiro está cada vez mais comprometido, atingindo até marcas negativas – margem líquida e operacional, pela primeira vez, em 2014, desde o terceiro trimestre de 2008.

A margem bruta refere-se ao lucro composto pelas receitas, descontados os custos diretos de produção (matéria prima, mão de obra direta, energia elétrica e manutenção de maquinas). Esta margem tem caído – apesar do pico em 2013 – com uma tendência suave.

Isso reflete uma queda nas receitas maior que a queda nos custos. Um dos motivos para essa ocorrência é que a escolha do consumidor – por isso as vendas no varejo – é imediata, mas a escolha das empresas não, ou seja, no curto prazo, o consumidor pode escolher por não consumir, mas as empresas têm custos fixos (fatores de produção fixo no curto prazo), que não podem simplesmente deixar de tê-los.

A margem operacional refere-se às despesas gerais (vendas, administração, gastos financeiros e depreciação) que a empresa precisa pagar, ou seja, é o custo da estrutura. Quem paga essa conta é o lucro bruto (margem bruta), que precisa ser suficiente para que as empresas mantenham sua liquidez. Essa margem vem caindo, a explicação pra isso é a queda na margem bruta e o aumento dos preços, que incidem na estrutura (impacto da inflação crescente do período após 2014).

A margem líquida refere-se ao lucro que o empresário aufere ao final do exercício, esse resultado depende exclusivamente das margens operacionais. Se elas estão caindo, as margens líquidas seguirão a mesma tendência. O que acontece é que a queda da margem bruta é suave se comparada à queda das margens operacionais e líquidas. Conforme análise já apresentada, percebe-se que a inflação impacta bastante nesse cenário. Assim, pode-se concluir que o setor está financeiramente muito comprometido, de modo a gerar resultados negativos (prejuízos), como indicado no Gráfico 15.

Gráfico 15 – Evolução das margens do setor

Fonte: Macrodados Online – Elaboração própria.

O impacto nos indicadores de rentabilidade demonstra definitivamente que o segmento de confecção (premissa adotada) não tem retornos atrativos. O índice de Retorno sobre ativos (ROA) tem tido uma variação considerável, mas com tendência de queda a partir do primeiro trimestre de 2014, com alta no quarto trimestre de 2014 (vendas de final de ano) e posteriormente forte tendência de queda, ou seja, a rentabilidade não justifica maiores investimentos em ativos, principalmente em formação bruta de capital fixo.

O índice de Retorno sobre patrimônio líquido (ROE) tem um comportamento parecido com o indicador ROA a partir do quarto trimestre de 2012, ou seja, a forte tendência de queda que ocorre com o ROA é idêntica com o ROE. Isso prova que o patrimônio dos empresários do setor está se dissolvendo, já que o capital ali aplicado não retorna resultados positivos.

A análise das margens e dos indicadores de rentabilidade mostram que o segmento sofre em função de um desempenho financeiro muito ruim, dado que, dessa maneira, o

empresário não tem incentivo a investir. O Gráfico 16, a seguir, demonstra a rentabilidade do setor de 2010 a 2016.

Gráfico 16 – Rentabilidade do setor

Fonte: Macrodados Online – Elaboração própria.

Há elementos indicadores de que a hipótese de que a complexidade tributária afeta o desempenho das empresas do setor avaliado, já que o pessoal não produtivo é mais solicitado do que o pessoal produtivo, a produtividade média cai e os resultados financeiros são ruins. É necessário, então, entender o trade-off nas empresas e seu custo para a economia.

3.3 Trade-off entre investimento em P&D e gastos com cumprimento de legislação