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Capítulo IV Desenvolvimentos do Projeto

5. Análise em espectrometria óptica.

4.2 Materiais e métodos

4.2.5 Análises em Espectrometria Óptica

A noção de cor é um tanto ou quanto individual, envolvendo impressões, sensações e experiências de cada pessoa, responsável pelo aspecto do conforto psicológico e determinante na decisão de compra do produto. A colorimetria é um método analítico baseado na medida da intensidade da cor, e que foi utilizado neste ensaio para observar o grau de irregularidade dos tecidos artesanais, quando comparados ao industrial, assim como as alterações sofridas após lavagem para determinar a melhor forma de conservação do produto.

A metodologia usada é a que a seguir descreve:

1. Foram selecionadas amostras dos compósitos de TFD, TFE e TLF;

2. Cortaram-se três provetes grandes (área de um decímetro) e provetes pequenos de 3x4 cm;

3. No aparelho de espectrometria óptica foram observadas cinco áreas de cada amostra original com feixes de aberturas grandes e pequenas, com o objetivo de comparar prováveis oscilações nas cores;

4. Posteriormente, com a finalidade de verificar se ocorrem alterações de cor, quando da operação de lavagem, foram observadas no aparelho todos os provetes submetidos aos ensaios anteriores de lavagem manual e em máquina Linitest e contendo:

a. Água de rede;

b. Água de rede e sabão neutro; c. Água de rede e sabão comum.

O processo foi realizado de acordo com o sistema CIEALAB medidas espectrômetro feitas com iluminante D65 (que corresponde à visão do ser humano) e com o observador colorimétrico suplementar (10°). O aparelho está vinculado a um computador, o qual disponibiliza todos os valores espectrais e coordenadas de cores, norteando a construção dos gráficos e análise dos dados.

4.3 Malhas Selecionadas

O processo de seleção das malhas partiu do princípio estipulado pela empresa Ecológico Laminados S.A., cuja exigência era uma malha leve, entre 0,100 g/m² a 150g/m², com elasticidade baixa e em uma única direção, para possível compatibilidade com o sistema operacional da máquina.

O processo seletivo das malhas foi realizado na empresa LMA Têxteis de Guimarães, Portugal, onde inicialmente foram selecionadas duas malhas de teia, cujas especificidades são apresentadas na tabela 2.

A opção pela escolha de uma fibra de poliéster é com o objetivo de verificar o comportamento do polímero natural quando aplicado em uma base sintética.

Selecionaram-se duas malhas de teia, com elasticidade em uma única direção, tendo uma delas algumas funcionalidades e a outra uma malha simples que se utilizada para forros de vestuário.

Tabela 2- Malhas selecionados na primeira etapa experimental. Fonte: Autor

Código Composição Estrutura Massa/unidade

superfìcie (g/m²)

Especificações

5001 100% PES Warp Knit 0,115

Membrana repelente a água Impermeável/ respirável

3532 100% PES Warp Knit 0,150 g/m² Facilidade no tratamento

As malhas foram enviadas para o Brasil, sendo 10 metros para a Ecológica Laminados S.A. para que os primeiros ensaios fossem realizados nos laboratórios da empresa, com finalidade de verificar a viabilidade do processo. Quatro metros foram enviados para a COOPFLORA na Amazônia, sendo recebida por seringueiros que não tinham dado quaisquer indicações acerca do tipo de malha a utilizar.

Dos tecidos enviados para a Amazônia, recebeu-se um parecer positivo quanto à polimerização e boa aceitação da resina.

Figura 39 - Testes de compatibilidade entre o têxtil e o látex. Fonte: Autor

Quanto ao parecer da empresa Ecológica Laminados S.A., informaram que os tecidos não tiveram compatibilidade com a resina. Hipoteticamente, as prováveis razões estavam ligadas à estrutura têxtil, ou a algum acabamento de superfície do fio, ou do acamento da malha. Seguidamente o responsável pela empresa sugere ensaios com o látex líquido a fim de escolher malhas com baixa possibilidade de migração do leite.

Assim inicia-se uma nova seleção de malhas na empresa têxtil LMA (figura 39) de acordo com o que a seguir se descreve:

1. Foram selecionadas 70 amostras de malhas circulares e de teia de diferentes estruturas entre elas, Jersey, Rib e Interlock, seguindo o critério de menor elasticidade e preferivelmente unidirecional.

2. Cada amostra de malha recebeu cinco gotas de látex liquido, já contendo agentes antioxidantes de baixa viscosidade a fim de verificar a compatibilidade com o material. Foram selecionadas malhas cujo látex não migrou rapidamente para camada inferior, ocorrendo um lento espalhamento do mesmo.

3. Assim, selecionaram-se 13 malhas, nos quais o látex se espalhou mais lentamente sobre o têxtil, com os resultados da tabela 3.

Tabela 3 Característica das malha ensaiadas. Fonte: Autor

Código Tecido Composição Massa/unidade superfície (+ ou- 5) Cor Estrutura

8186 100%WO 0,220 Azul Claro Knit Interlock

8309 100% PES 0,85 Branco Knit Interlock

8162 100%PA** 0,245 Branco Knit Interlock

8009 100%PES 0,288 Branco Knit Interlock

8044 100%PES 0,170 Azul Claro Knit Interlock

8157 100%PES 0,155 Branco Knit Interlock

7235 * 100% PES 0,200 Marinho Knit Jersey

7181 100%PES 0,220 Branco Knit Jersey

7240 92%CV2%EA 0,155 Verde Knit Jersey

7122 68% PES 34% PP 0,185 Preto/cinza Knit Jersey

5090 100%PES 0,195 Branco Warp Knit

3522* 100%PES 0,87 Amarelo Warp Knit

5101 100%PES 0,80 Bege Warp Knit

*Dry Finishing- Acabamento químico que confere à fibra elevada capacidade de absorver aumidade e transportá-la para o exterior. Permite uma secagem rápida mantendo o corpo confortável.

**Trevisa Bioactive.

Em uma segunda fase da investigação, referente ao processo de vulcanização, todo o trabalho foi realizado no Brasil. O processo artesanal desenvolveu-se na Amazônia, na reserva de Aquariquara, vale do Anarí, em Rondônia, no qual houve acompanhamento de todo o processo, desde a coleta do látex até a pós-vulcanização.

O processo industrial realiza-se no estado de São Paulo na empresa Ecológica Laminados S.A., onde os tecidos acima selecionados foram unidos com costura formando um rolo contínuo próprio para o processo industrial. O material foi levado pessoalmente à empresa que, entretanto justificando segredos industriais, não permitiu o acompanhamento dos ensaios.