7 ANEXOS
7.3 ANEXO C AGRAVO DE INSTRUMENTO N 4012978-05.2017.8.24.0000, DE
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Agravo de Instrumento n. 4012978-05.2017.8.24.0000 Relator: Desembargador Joel Figueira Júnior
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE C/C RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL E EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA VERBA ALIMENTAR E DO DECRETO DE PRISÃO PROFERIDO EM AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS ATÉ RESULTADO DO EXAME DE DNA. TUTELA INDEFERIDA. IRRESIGNAÇÃO DO AUTOR. RESULTADO DO EXAME QUE, MUITO EMBORA POSSA AFASTAR O VÍNCULO BIOLÓGICO, NÃO DERRUI, DE PLENO DIREITO, O VÍNCULO SÓCIO- AFETIVO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
A inexistência de vínculo biológico não exonera o Agravante, de pleno direito, da obrigação alimentar, que prevalecerá caso seja evidenciada a paternidade socioafetiva.
Destarte, a suspensão da exigibilidade da verba alimentar e, consequentemente do decreto de prisão em caso de inadimplemento, neste momento processual, não é de ser declarada, mantendo-se incólume, portanto, a decisão agravada.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento n. 4012978-05.2017.8.24.0000, da comarca de Balneário Camboriú Vara da Família, Órfãos e Sucessões em que é Agravante M. R. G. da L. e Agravado R. K. A. da L.
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conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Custas legais.
O julgamento, realizado no dia 15 de fevereiro de 2018, foi presidido pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Joel Dias Figueira Júnior e dele participaram os Excelentíssimos Senhores Desembargadores Rodolfo C. R. S. Tridapalli e Rosane Portella Wolff.
Funcionou como representante do Ministério Público o Excelentíssimo Senhor Procurador de Justiça Plínio César Moreira e lavrou parecer o Excelentíssimo Senhor Procurador de Justiça Vânio Martins de Farias.
Florianópolis, 15 de fevereiro de 2018.
Joel Dias Figueira Júnior RELATOR
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RELATÓRIO
M.R.G.L interpôs agravo de instrumento contra a decisão que, nos autos da ação de ação denegatória de paternidade c/c retificação de registro civil
e exoneração de alimentos n. 0304665-35.2017.8.24.0005, proposta em desfavor
de R.K.A.L (17 anos), assistido por sua genitora A.K.A.L, indeferiu os pedidos de realização imediata de exame de DNA e de suspensão da obrigação alimentar, a que se obrigou o agravante em ação de alimentos, até o resultado do exame aludido.
Alegou, em síntese, que: a) não é o pai biológico do Agravado, fato que será comprovado no decorrer da instrução e conduzirá à inexigibilidade dos alimentos vencidos e vincendos objetos de ação de execução; b) está na iminência de ser preso, em face de decreto de prisão na ação de execução de alimentos; c) está desempregado e não possui condições de arcar com o valor objeto da ação de execução de alimentos.
Requereu, pois, a concessão de efeito suspensivo, e, ao final, o conhecimento e provimento do agravo (fls. 1-9).
Nesta instância, ao apreciar o pedido de efeito suspensivo, o Des. Vilson Fontana determinou suspensão da ordem de prisão exarada no processo n. 0305531-48.2014.8.24.0005 (ação de execução de alimentos) (fls. 29-30).
Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 36).
O Ministério Público, em parecer da lavra do Procurador de Justiça Vânio Martins de Farias, opinou pelo desprovimento do recurso.
Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso (fls. 42-45) . É o relatório.
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VOTO
O Agravante objetiva a suspensão do dever de prestar alimentos (verba objeto de ação de execução de n. 0600954-51.2014.8.24.0005), alegando não ser o pai biológico do Agravado, fato que tomou conhecimento após acordo judicial realizado nos autos da ação de divórcio c/c alimentos, cujo teor estabeleceu o pagamento de pensão no valor de 60% do salário mínimo.
Aduz que pretende provar, através de exame de DNA, não ser o pai biológico do Agravado, resultado que conduzirá à inexigibilidade da verba alimentar e, portanto, autorizada está a concessão de tutela antecipada para suspender, desde já, a determinação judicial para que deposite o valor executado, sob pena de prisão.
Feitas estas considerações e em razão de ter analisado minuciosamente os fatos e provas carreadas aos autos, é que o parecer exarado pelo Procurador de Justiça, Vânio Martins de Faria merece ser adotado como razão de decidir, in verbis:
Na hipótese dos autos, o insurgente registrou espontaneamente o agravado, como se seu filho fosse, o que somente pode ser derruído se comprovada a existência de erro ou falsidade do registro, conforme dispõe o artigo 1.604 do Código Civil: Ninguém pode vindicar estado contrário ao que
resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro.
Acontece que, em sede de contestação (fls. 171-179 autos de origem), o recorrido relatou que M. R. G. da L. sempre soube que não era seu pai biológico, mas, de livre vontade, optou por registrar a criança, com quem estabeleceu vínculo afetivo de pai durante mais de 9 (nove) anos, conforme ficou evidenciado nas fotos do agravante com o menino (fl. 174 autos de origem).
Destarte, ainda que o resultado do exame de DNA seja negativo, a ausência de vínculo biológico não exonera automaticamente o agravante da obrigação alimentar, que prevalecerá caso seja evidenciada a paternidade socioafetiva.
Corroborando este entendimento, colhe-se da jurisprudência deste Egrégio Tribunal de Justiça:
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AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO, IMPROPRIAMENTE DENOMINADA NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. Enquanto não julgada procedente a ação, permanece hígida a relação parental entre os litigantes e, com isto, a obrigação de sustento do agravante para com o agravado. Assim, o resultado negativo de exame de DNA não tem o condão, por si só, de afastar a obrigação alimentar do pai registral. No caso, o agravado, em contestação, referiu que conhece o ora agravante como pai e que ele sempre foi um pai zeloso, lhe dando muito amor e carinho, de forma a poder caracterizar, em tese, caso confirmada a alegação, em paternidade socioafetiva. Ademais, mesmo que confirmada a inexistência de vínculo genético, imperioso demonstrar que o reconhecimento decorreu de ERRO, e não de ato voluntário, consoante jurisprudência iterativa deste Tribunal e da Corte Superior. E esse ônus probatório é de quem alega (o autor). NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº 70073176224, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em 17/08/2017).
Diante deste quadro, considerando-se que existe controvérsia quanto à ciência do insurgente acerca da paternidade do agravado, não havendo nos autos provas inequívocas de que foi induzido em erro ou de que o registro tenha sido falsificado, fatos que somente poderão ser esclarecidos durante a devida instrução processual, tenho que a manutenção do interlocutório vergastado é medida de rigor.
Em abono deste convencimento, retira-se da jurisprudência:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE ALIMENTOS. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
DESIGNADA E DO ANDAMENTO DO FEITO. DECISÃO DE
INDEFERIMENTO. DÚVIDA ACERCA DA PATERNIDADE DA
ALIMENTANDA. AJUIZAMENTO DE AÇÃO NEGATÓRIA DE
PATERNIDADE QUE SE ENCONTRA PENDENTE DE REALIZAÇÃO DO EXAME DE DNA. INSURGÊNCIA DO REQUERIDO. PARCIAL PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO JÁ REALIZADA. SUSPENSÃO DA DEMANDA DE ALIMENTOS. RECONHECIMENTO ESPONTÂNEO DA PATERNIDADE QUANDO DO NASCIMENTO DA INFANTE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS QUE DEMONSTREM O ERRO OU FALSIDADE EXIGIDOS PELO ARTIGO 1.604 DO CÓDIGO CIVIL PARA A DESCONSTITUIÇÃO DO REGISTRO. INEXISTÊNCIA DE MOTIVOS QUE JUSTIFIQUEM A SUSPENSÃO PLEITEADA. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. 2014.042728-5, de São José, rel. Des. Rosane Portella Wolff, Quinta Câmara de Direito Civil, j. 26-03-2015).
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA E ainda:
PROCESSUAL CIVIL - OFERTA DE ALIMENTOS - FIXAÇÃO EM
QUANTIA SUPERIOR - MERO PARÂMETRO - DECISÃO ULTRA PETITA - INOCORRÊNCIA "Nas ações de oferta de alimentos, o valor da pensão alimentícia pode ser arbitrada em quantia superior à ofertada sem que isso implique em sentença ultra petita. A fixação da verba alimentar deve observar a regra preconizada no art. 1.694, § 1º, do Código Civil" (AC n. 2007.019385-6, Des. Fernando Carioni). DIREITO DE FAMÍLIA PATERNIDADE BIOLÓGICA CONTESTADA - DEMANDA NEGATÓRIA EM CURSO - INDÍCIOS DE FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA - DEVER ALIMENTAR MANTIDO Enquanto ainda em curso a ação negatória de paternidade movida pelo genitor, permanece hígido o encargo alimentar em favor da prole contestada, em especial quando se vislumbram indícios de paternidade socioafetiva [& ] (TJSC, Agravo de Instrumento n. 4010943- 09.2016.8.24.0000, de São José, rel. Des. Luiz Cézar Medeiros, Quinta Câmara de Direito Civil, j. 06-02-2017).
Em face do exposto, manifesto-me pelo conhecimento, e, no mérito, pelo improvimento do recurso interposto, mantendo-se na íntegra a decisão de fls. 104-105 autos de origem.
Por todo o acima exposto, nega-se provimento ao recurso, mantendo-se incólume a decisão agravada.