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Animais peçonhentos: abelhas, vespas e formigas

No documento Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (páginas 117-125)

objetivos

Entender a biologia e comportamento das abelhas, vespas e

formigas;

Descrever a importância do método de prevenção de acidentes

com abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros e sintomas;

Reconhecer as espécies mais importantes na saúde pública no Brasil.

18.1 Biologia e comportamento das abelhas,

vespas e formigas

As abelhas, as vespas e as formigas são os únicos insetos pertencentes

à ordem Hymenoptera que têm ferrões verdadeiros, e a subordem Aculeata,

com acúleo ou ferrão. Dentro dessa ordem, há três famílias de insetos

peço-nhentos: na Apidae, temos abelhas e mamangavas, na Vespidae, temos o

ma-rimbondo, a vespa amarela e o vespão, e na Formicidae temos as formigas.

Podemos dizer que as abelhas, os marimbondos e as formigas,

como os demais insetos, apresentam o corpo dividido em cabeça, tórax e

abdome. Portanto, há diferença entre os marimbondos e as abelhas, pois os

marimbondos têm o abdome mais afilado entre o tórax e o abdome, conhe

-cida como cintura, que é uma estrutura relativamente alongada, chamada

pedicelo. Já as abelhas têm pelos ramificados ou plumosos, especialmente

na região da cabeça e tórax. O ferrão da subordem Aculeata é dividido em

duas partes: a primeira é formada por uma estrutura muscular e quitinosa,

responsável pela introdução do ferrão e do veneno, e a segunda parte por

uma glândula que secreta e guarda o veneno. Essa glândula de veneno do

Aculeata apresenta muitas altercações, e, é formada por dois filamentos

excretores, um depósito de veneno e um canal que une o depósito ao ferrão.

Falando um pouco mais sobre as espécies da subordem Aculeata,

lembramos que, segundo o ato de empregar o aparelho de ferrar, as espécies

dividem-se em dois grupos: o primeiro grupo pertence às espécies que, ao

ferroar, perdem o ferrão, conhecidas como espécies que apresentam

auto-tomia ou autoamputação; o segundo grupo são as espécies que não

apresen-tam autotomia, isto é, são as espécies que não perdem o ferrão. As espécies

que possuem autotomia, em geral, injetam maior quantidade de veneno e

morrem depois da ferroada pela perda do aparelho de ferroar e parte das

estruturas do abdome, exemplo: as abelhas. Já nas espécies sem autotomia,

o aparelho de ferroar pode ser usado por várias vezes.

Figura 71: Abelha liberando seu ferrão.

Fonte: Disponível em:

<http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ocontexto.com/wp-

content/uploads/2011/10/bee-stinger-724392-1.jpg&imgrefurl=http://www.ocontexto.com/como-

tratar-picada-de-abelha/&usg=__5q7pX5dX4UMYPTTAUYpN7IJ_DqM=&h=268&w=400&sz=19&hl=pt-BR&start=7&zoom=1&tbnid=QdKTeZ9auDD0wM:&tbnh=83&tbnw=124&ei=ZVHBTrP8ErCt0A

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6tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011.

As abelhas são conhecidas por produzirem o mel e viverem em

co-lônias, nas quais se encontra uma rainha fértil, os zangões, que são machos

férteis, e milhares de operárias fêmeas que são inférteis. No entanto, há

bastantes espécies de abelhas que não são produtoras de mel e vivem como

animais solitários. Elas habitam em todos os continentes, com exceção do

Antártico, e são indivíduos importantes de diversos ecossistemas que

de-sempenham a função insetos polinizadores. O mel produzido nas colmeias

é empregado na alimentação da própria colônia e dos seres humanos. É

im-portante informar que somente as abelhas operárias são responsáveis pela

defesa da colônia, ou seja, elas que picam, e ao picarem perdem parte do

aparato inoculador, morrendo, em seguida. Este aparato tem músculos

pró-prios que permanecem injetando a peçonha mesmo depois da separação do

restante do corpo. Porém, as mamangavas ou mamangabas, que são abelhas

das subfamílias Bombinae e Euglossinae, não perdem o ferrão, podendo

fer-roar diversas vezes. As abelhas da subfamília Meliponinae, conhecidas como

abelhas sem ferrão, embora tenham este aparato, não ocasionam acidentes

por picadas, contudo, podem produzir mel tóxico.

As formigas são insetos que têm em sua estrutura social as

guer-reiras e operárias, que são incapazes de reprodução e, as rainhas e machos

alados, responsáveis pelo nascimento de novas colônias. Certas espécies têm

aguilhão abdominal ligado a glândulas de veneno. Em geral, elas atacam

quando são molestadas e o acidente envolvendo múltiplas picadas é raro.

18.2 Métodos de prevenção de acidentes com

abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros

e sintomas

Precisamos ressaltar a importância de se prevenir contra as picadas

dos insetos peçonhentos, conhecendo os seus hábitos e habitats. São

colônias de abelhas e vespas localizadas em locais públicos ou residências;

lembrando que deve ser realizada por profissionais devidamente treinados

e equipados; as pessoas devem evitar aproximar-se de colmeias de abelhas

africanizadas Apis mellifera, que são mais agressivas, sem estarem com

ves-tuário e equipamento apropriados como macacão, máscara, luvas, botas,

fumigador, etc.; evitar a aproximação dos ninhos dos marimbondos quando

eles estiverem em intensa atividade, que pode ocorrer entre 10 e 12 horas;

evitar correr e caminhar na rota de vôo percorrida pelas vespas e abelhas;

evitar aproximar o rosto de determinados ninhos de vespas, pois algumas

espécies esguicham o veneno no rosto do operador, podendo provocar sérias

reações nos olhos; evitar a aproximação dos locais onde as vespas estejam:

hortaliças e outras plantações colhendo nas flores o néctar ou procurando

por lagartas e outros insetos para alimentar sua prole; evitar a aproximação

dos locais onde os marimbondos estejam, por exemplo, em troncos, galhos e

folhas para coletarem fibras de celulose para construir ninhos; não se aproxi

-mar dos lugares onde as abelhas e -marimbondos estejam bebendo água em

dias quentes ou outras fontes de proteína animal e carboidratos, tais como

frutas caídas, caldo de cana-de-açúcar de carrinhos de garapeiros, pedaços

de carne e lixo doméstico.

Figura 72: Casa de marimbondos.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://timblindim.files.

wordpress.com/2008/04/marimbondo_01x.jpg&imgrefurl=http://timblindim.wordpress.

com/2008/04/&usg=__XdKtiV0S0ycXPZIjg8oCVXLqlkc=&h=768&w=1024&sz=309&hl=pt-BR&start

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3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011.

Falando um pouco mais sobre o assunto, destacamos algumas

me-didas preventivas contra os insetos peçonhentos, tais como: evitar fazer

ba-rulhos, usar perfumes fortes ou desodorantes, cores escuras, principalmente

pretas e azul-marinho e juntamente com o suor do corpo, pois isso

desen-cadeia o comportamento agressivo e consequentemente o ataque de vespas

e abelhas. As abelhas liberam hormônio que é um sistema de comunicação

muito eficiente entre as abelhas de uma mesma comunidade, existindo 4 ti

-pos diferentes de hormônios, cada um transmitindo uma orientação distinta.

Esses hormônios são volatilizados no ar em menos de dois segundos depois

da picada da abelha operária, e continuam até 20 segundos para atrair

ra-pidamente outras operárias com sinal que devem atacar a vítima. Esse é o

motivo pelo qual grande parte das ocorrências de ataques acontece com

grandes números de picadas concentradas em pequenas regiões do corpo e,

outra área do corpo, com poucas ou nenhuma picada. Essas picadas podem

ocorrer imediatamente em poucos minutos. Ao contrário das vespas, que

podem picar em áreas indefinidas; as abelhas, quando picam, morrem, pois

seu aparelho excretor e reprodutor sai arrancado pelas ligações que tem com

o ferrão e bolsa de veneno. É interessante destacar que, quando uma abelha

pica a pessoa, seu ferrão fica pendurado e deve ser retirado por causa do

cheiro que pode atrair outras abelhas para picar.

Observaremos agora sobre a prevenção contra as abelhas. Em certa

época do ano ocorre redução de néctar das flores e as abelhas costumam

invadir padarias, lojas e residências à procura de alimentos que possam

subs-tituir o néctar. Nesse caso, as pessoas não precisam ficar com receio; a

prática mais simples é cobrir os alimentos, e nunca utilizar inseticida. Se o

problema continuar, é bom verificar se há colmeia instalada por perto. Ao

localizar uma colmeia, não se aproxime dela e nem jogue querosene, álcool

ou inseticida, porque esses produtos não terão efeitos satisfatórios sobre

as abelhas que estão na colméia, e as abelhas, ao saírem de lá, ficam mais

agressivas e, com isso, podem provocar maior risco de acidentes. A melhor

opção é chamar um profissional que saiba lidar com esse problema, princi

-palmente pessoa relacionada com o centro de zoonoses do município, que

são os únicos habilitados a remover colmeias.

Figura 73: Enxame de abelha.

Fonte: Disponível em:

<http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.com/-7v-wndl0MEo/TfrIbNr1xMI/AAAAAAAACrw/SHqj6lhnz2U/s1600/abelhas%2B01.jpg&imgrefurl=http://

www.caraubas24horas.com.br/2011/06/enxame-da-abelhas-continua-preocupando.html&usg=__

GU4WT9RVEGQwqGNYtMEKurWadfg=&h=300&w=400&sz=32&hl=pt-BR&start=12&zoom=1&tbnid=Tx

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nxame%2Bde%2Babelha%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.

Quando a pessoa habilitada estiver removendo a colmeia, animais

e pessoas devem ser retirados de imediato do local,. Depois da retirada da

colmeia, se for possível, deve-se retirar as ceras e própoles restantes para

impedir nova instalação da colmeia.

Os primeiros socorros em caso de picada de abelha e marimbondos

são: em caso de acidente, provocado por múltiplas picadas de abelhas ou

vespas, encaminhar a vítima e alguns dos insetos que provocaram o acidente

rapidamente ao hospital. Pois, em indivíduos hipersensíveis, uma única

pica-da pode desencadear reação anafilática e óbito. A remoção dos ferrões pode

ser realizada com raspagem, utilizando lâminas; deve-se evitar retirar os

ferrões com pinças, pois as pinças podem proporcionar a compressão dos

de-pósitos de veneno, o que resultaria na inoculação do veneno ainda existente

no ferrão. Utilizar compressa fria com gelo reduz o efeito local.

18.3 As espécies mais importantes na saúde

pública no Brasil

As espécies de abelhas, em geral, não estão envolvidas em

aci-dentes. Os acidentes que mais ocorrem estão relacionados com as espécies

da família Apidae, principalmente as abelhas africanizadas, que são as mais

agressivas e, também, as mamangavas, que são grandes, robustas, com o

corpo coberto de cerdas, que atacam a pessoa se forem molestadas. As

mamangavas não perdem o ferrão quando ferroam a vítima. A abelha

euro-peia chamada de Apis mellifera e abelha africana chamada de Apis mellifera

adamsoni, no Brasil, cruzaram e produziram as abelhas africanizadas. Essas

espécies são extremamente agressivas e são responsáveis pela maior parte

dos acidentes envolvendo abelhas que ocorrem em todo território brasileiro.

Possuem faixas marrons que se alternam com amarelas no abdome. Quando

são molestadas, ficam furiosas; em geral, atacam em massa, perseguindo o

inimigo por mais de 700 metros.

Figura 74: Mamangavas na flor de ipê amarelo.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://ecoparquesperry.com.

br/wordpress/wp-content/uploads/2009/11/DSC00108-Small-460x345.jpg&imgrefurl=http://www.

ecoparquesperry.com.br/sperry/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D123

:o-ipe-amarelo-e-sua-estrategia-de-reproducao%26catid%3D16:noticias%26Itemid%3D10&usg=__b89Oh

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mangavas%26start%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.

As vespas ou maribondos pertencem à família Vespidae, têm ferrão

e peçonha que proporciona edema e forte dor local. As suas picadas

múl-tiplas podem ser responsáveis por edema generalizado e grave dificuldade

respiratória. No gênero Polybia tem o marimbondo-chumbinho, que faz o

ninho fechado com uma única abertura, cuja ferroada proporciona dor

mui-ta intensa. No Brasil, existem mui-também a espécie Synoeca cyanea chamado

de marimbondo-tatu e Pepsis fabricius conhecido como marimbondo-cavalo,

cujas picadas proporcionam muita dor com sintoma de edema e eritema

lo-cais, sudorese, calafrios e taquicardia.

Figura 75: Synoeca cyanea chamado de marimbondo-tatu.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.dmpragas.

com.br/uploads/NoticiasArtigos%255Cmarimbondo.jpg&imgrefurl=http://www.dmpragas.

com.br/Noticias.asp%3FNoticiaArtigoID%3D30&usg=__wVJMBBqPIMf-YbxenM_Q_

BpsYaQ=&h=190&w=154&sz=7&hl=pt-BR&start=7&zoom=1&tbnid=H0jnxTUP3p8SHM:&tbnh=103&tbn

w=83&ei=tE3BToC7KeTq0gGz49mxBA&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2BSynoeca%2Bcyanea%2B

marimbondo%2Btatu%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.

As formigas pertencem a uma subfamília Ponerinae e família

For-micidae – a que inclui a espécie Paraponera clavata – e possuem nomes

populares como formiga cabo-verde, tocandira e vinte-e-quatro-horas. Essa

espécie atinge até 3 cm de comprimento e ocasionar uma picada

extrema-mente dolorosa com sintoma de edema e eritema locais, sudorese, calafrios

e taquicardia. Já as formigas de correição pertencem ao gênero Eciton, são

carnívoras, locomovem-se em grande número e proporcionam picadas pouco

dolorosas. As formigas lava-pés do gênero Solenopsis atacam em grande

nú-mero e se tornam agressivas se o formigueiro é invadido. Deve-se destacar

que uma só formiga lava-pés tem uma capacidade de ferroar, no mesmo

local, de dez a doze vezes, porque fixa sua mandíbula na pele da vítima. Sua

picada é muito dolorosa. São localizadas no Brasil a Solenopsis invicta

(for-miga lava-pés vermelha) e a Solenopsis richteri (formiga lava-pés negra), que

causam o quadro clássico do acidente. O formigueiro dessas espécies de

for-migas tem inúmeras aberturas e fica localizado em jardins, hortas, quintais

etc. Sua picada é dolorida, provoca bolhas, alergias e até choque anafilático.

Sua cor varia do amarelo claro ao marrom até o preto brilhante; é de difícil

As formigas Ephuta temperalis, conhecidas como formigas

chiadei-ras, pertencem à família Mutillidae, são coberta por cerdas coloridas, curtas

e finas. Esta espécie, em geral, tem uma coloração negra com manchas ver

-melhas ou amarelas, formando algum desenho. Os machos são alados e as

fêmeas são ápteras e sua ferroada causa forte dor local.

Resumo

Nesta aula, você aprendeu:

• Biologia e comportamento das abelhas, das vespas e das

formi-gas;

• Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e f

or-migas, primeiros socorros e sintomas;

• As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil.

Atividades de aprendizagem

1. Comente a diferença que há entre abelha e vespas.

2. Ao picar uma pessoa, quais insetos liberam o ferrão: as abelhas ou as

ves-pas? Faça um breve comentário sobre isso.

3. O que deve ser feito quando ocorre acidente com abelhas ou vespas?

Ex-plique.

No documento Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (páginas 117-125)