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Métodos de prevenção, controle e sintomas

No documento Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (páginas 96-103)

Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas

15.2 Métodos de prevenção, controle e sintomas

Ainda não há produtos químicos comprovados para combater as

aranhas. Portanto, o mais interessante é prevenir contra os acidentes, o

que deve ser feito por meio de costumes e, também, em seu habitat. Veja

a seguir coisas simples que as pessoas podem fazer para ajudar na solução

dos problemas com as aranhas: - manter limpos jardins, terrenos baldios,

quintais, forros de telhados, não acumulando entulho como telhas,

madei-ras, tijolos e lixo doméstico. É muito importante cortar a grama dos jardins

e recolher as folhas caídas com frequência; vedar soleiras de portas com

saquinhos de areia ou friso de borracha, colocar telas nas janelas, vedar

chão com tela ou válvula apropriada; depositar o lixo em sacos plásticos e

mantê-los fechados para impedir o aparecimento de moscas e baratas e

ou-tros insetos que são os alimentos preferidos das aranhas. As aranhas gostam

de habitar em calçados, roupas, toalhas e roupas de cama; antes de usá-las,

essas devem ser examinadas; andar sempre calçado e usar luvas de raspa de

couro ao trabalhar com material de construção, lenha, e ao fazer a limpeza

de seu quintal, e, ainda, manter caixas de gordura bem vedadas para não

atrair baratas, que são alimento para esse aracnídeo.

Precisamos deixar claro que o uso periódico de inseticidas não é

so-lução para se evitar aranhas, pois, além de custo elevado, a aplicação desses

produtos tem pouco efeito sobre as aranhas e pode provocar intoxicações

em animais domésticos e nas pessoas. Uma boa solução é retirar o material

acumulado onde as aranhas possam se esconder, o que evitaria reinfestação.

Se, por acaso, precisar de aplicação de inseticida, deve ser aplicada a calda

do produto diretamente nos esconderijos e abrigos localizados nas pequenas

frestas, rachaduras, reentrâncias, gretas e nichos existentes nas superfícies,

por meio de pulverizadores manuais, visando principalmente o extermínio

das baratas e aranhas. Além das que foram citadas anteriormente, as ações

educativas orientadas nas áreas de risco constituem a melhor das medidas

de prevenção de acidente contra as aranhas. É importante esclarecer que

as aranhas só atacam quando forem atacadas, elas não são agressivas. As

aranhas apresentam uma peculiaridade: possuem hábitos domésticos, muitas

vezes fazendo seus ninhos dentro de nossas habitações; talvez por isso os

acidentes com esse aracnídeos sejam mais comuns, comparados com os que

ocorrem com escorpiões.

Existe uma pequena porcentagem de aranhas venenosa para os

se-res humanos, o que significa que elas podem injetar perigosas peçonhas. É

importante perceber que os efeitos do veneno desse aracnídeo se diferem,

segundo espécie, idade e sexo da aranha e também da idade e da saúde

da pessoa que foi picada. Nos venenos, há neurotoxinas que podem afetar

o sistema nervoso, causando alguns sintomas como dificuldade de respirar,

tonturas, embaçamento da visão, náusea e músculos rígidos, etc. O veneno

pode, ainda, necrosar o tecido em volta da mordida. A pessoa que for picada

deve procurar o médico, pois, assim, o dano será menor. Embora seja raro,

uma picada de aranha sem o devido tratamento pode matar, principalmente

as crianças. Há relatos em países onde as aranhas perigosas como a

viúva-ne-gra e a reclusa marrom teriam matado, mas o perigo é menor para adultos

saudáveis. Essas aranhas ficam reclusas por natureza e só agridem quando se

sentem ameaçadas.

Figura 56: Tecido necrosado em volta da mordida da aranha.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+mordida+da+aranha&bt

nG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gbv=2&gs_sm=s&gs_upl=3266l23219l0l24953l40l40l0l18l18

l2l797l6438l4-1.8.2l11l0&oq=foto+de+mordida+da+aranha&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_

group&sa=X>. Acesso em: 29/10/2011.

Em caso de acidentes com aranhas venenosas, os primeiros

socor-ros são essenciais, principalmente, para as crianças menores de 7 anos. É

im-portante capturar o animal que causou o acidente e levar junto com a pessoa

picada para se fazer o diagnóstico e o tratamento correto. Um ponto muito

importante é que nunca deve aprisionar as aranhas em saco de plásticos,

pois as fugas e acidentes são inevitáveis. Procure capturar esse aracnídeo em

frascos de vidro e nunca pegar diretamente com as mãos. Os acidentes que

envolvem as aranhas geram dor intensa, a prática de espremer ou sugar o

local da picada é quase sem efeito. Os resultados são satisfatórios, na

maio-ria dos casos de picadas de aranha, com uso de tratamento sintomático, à

base de anestésicos e analgésicos. O procedimento mais eficiente e indicado

é levar a vítima à Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) mais próxima.

Os primeiros socorros para uma vítima picada por uma aranha é

semelhante aos do escorpião. (Ver no item 14.3 Sintomas, tratamento e

pri-meiros socorros.)

15.3 As espécies mais importantes na saúde

pública

As espécies mais perigosas, no Brasil, são as aranhas que costumam

causar acidentes com envenenamento nos seres humanos, principalmente,

as espécies que pertencem aos gêneros Loxosceles, Phoneutria e

Latrodec-tus. Abaixo, estão as principais espécies de aranha brasileiras.

A viúva-negra ou aranha-do-linho tem o nome científico de

La-trodectus mactans, é uma espécie pouco agressiva, pica somente quando é

comprimida ao corpo, por exemplo, ao se calçar um sapato ou usar roupas,

bonés, etc., porém, a sua picada é muitas vezes fatal. Vivem em grupo e em

teias que constroem sob vegetação rasteira, em arbustos, jardins, barrancos,

residências, etc., em lugares escuros e frescos. Têm cor preta, com manchas

vermelhas no abdômen e às vezes nas pernas, o que caracteriza esta

espé-cie. Essa espécie é pequena, a fêmea apresenta de 2,5 a 3 cm e o macho é

de 3 a 4 vezes menor. O nome deriva do fato de a fêmea comumente se

ali-mentar do macho após o acasalamento. As viúvas-negras podem tecer teias.

Os sintomas da picada da viúva-negra aparecem num período de 40

e 60 minutos depois da picada, a vítima apresenta como característica dor

local intensa, dor no abdômen, dores musculares, perda de calor, sudorese,

que é eliminação excessiva de suor nas glândulas, angústia, excitação,

con-fusão mental, rigidez do abdômen, e em casos graves ocorrem choques. É

importante levar a vítima para fazer tratamento com soroterapia.

Figura 57: Viúva-negra e sua ooteca.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://calphotos.berkeley.edu/

imgs/512x768/0000_0000/1200/0110.jpeg&imgrefurl=http://calphotos.berkeley.edu/cgi/img_quer

y%3Fenlarge%3D0000%2B0000%2B1200%2B0110&usg=__NaBVxZtuHpQjmxUlopfGc2wpxJA=&h=567

&w=645&sz=99&hl=pt-BR&start=123&zoom=1&tbnid=958SlUO8iLovDM:&tbnh=120&tbnw=137&ei=6

v24ToeHIMa3tgf_w8DLBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BLatrodectus%2Bmactans%26start%3

D105%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 30/10/2011.

Phoneutria nigriventer, chamada de aranha armadeira, tem uma

coloração marrom, com pares de anchas ao longo da parte dorsal do

abdô-men; possuem oito olhos e têm o tamanho aproximado de 6 cm de

compri-mento, podendo atingir até 12 cm, incluindo as pernas. Vivem em bananeiras,

sob troncos caídos, bem como, próximo e dentro das moradias. Phoneutria

nigriventer não fazem teia e assumem posição de defesa quando se sentem

ameaçadas. Os acidentes ocorrem quando são transportadas junto com as

bananas para o exterior e, também, quando colocamos a mão em ambientes

escuros, ou dentro de caixas, calçamos os sapatos, caixas, papéis, etc. A

ara-nha pica ao sentir o movimento à sua frente, o que para ela é uma ameaça.

Essa espécie vive aproximadamente dois anos e se acasala no

inver-no, sua ooteca é branca e tem um formato parecido com prato. É na ooteca

que a mãe fica por cima cuidando dos ovos. O desenvolvimento se dá entre

20 e 25 dias, a postura tem aproximadamente 700 ovos. Após o nascimento,

os filhotes tecem seu próprio fio, o que leva desenvolver um lençol horizon

-tal, e, a cada noite, eles tecem um novo lençol, até que esse alcance meio

metro do chão. Esses fios servem para capturar a presa. Os filhotes dessa

espécie podem ter como a sua primeira refeição a prática do canibalismo e

ficar longe de predadores até que alcancem uma vida independente.

A aranha armadeira tem hábitos crepusculares e noturnos,

alimen-tam-se de insetos, em geral, não constroem teias e caminham em vários

lugares a fim de buscar alimento. A picada provoca dor intensa por toda a

região, as quais prosseguem durantes algumas horas. Sintomas mais

caracte-rísticos são tontura, queda de pressão, vômitos, sudorese, prostração,

disp-néia, aumento das secreções glandulares e espasmos. Esta espécie é típica

dos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de

Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Figura 58: Aranha armadeira.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Phoneutria+nigriventer&hl=

pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=4v-4Tr2lGMq5tgeGkdmeBw&start=21&sa=N>. Acesso em: 31/10/2011.

As aranhas marrons têm o nome científico de Loxosceles spp., são

espécies venenosas, pois sua picada proporciona necroses na vítima. São

membros da família Sicaridae. Elas têm uma cor típica de marrom. Algumas

espécies apresentam o desenho de uma estrela no cefalotórax. As espécies

marrons tecem as teias de formas irregulares, seu hábito é fazer a

peregri-nação noturna e possui alta atividade no verão. Durante o dia, continuam

escondidas sob cascas de árvores e folhas secas das plantas, atrás de móveis,

em sótãos, porões e garagens, no ambiente doméstico. As aranhas marrons

possuem 6 olhos em três pares, são pequenas, com aproximadamente 1,5cm

de tamanho. Não são agressivas, picam somente quando são comprimidas ao

corpo, como por exemplo, quando vestimos uma calça, um sapato, um boné,

etc. É uma espécie que vive entre os seres humanos, por isso, é considerada

-na mais os acidentes -nas pessoas. Esta espécie está infestando certas

cida-des da Região Sul, por isso tem sido feito um trabalho de controle da aranha.

A aranha marrom faz uma teia que se parece com fios de algodão,

em formato de lençol e sem uma forma definida, onde afunilam para um bu

-raco nas raízes, folhas caídas, barranco, montes de telhas, tijolos, etc.,

habi-tam em ambientes escuros e úmidos. Esta espécie alimenta-se de pequenos

insetos como grilos e baratas que penetram na região de seu abrigo e ficam

presos em sua teia para depois servirem de alimentos. Produzem uma ooteca

arredondada, de coloração branca, que contém de 60 a 200 ovos, com

gesta-ção de aproximadamente 23 dias. Duram cerca de um ano e meio. É

interes-sante notar que o veneno da aranha marrom não gera muito efeito quando

aplicado em camundongos, ratos, coelhos, e outros animais de laboratório.

Entretanto, para as pessoas, seu efeito é muito intenso, podendo levar à

morte uma criança ou um adulto debilitado. Sua toxina tem ação necrosante,

provocando ações lesivas como proteolítica, hemolítica e coagulante.

Figura 59: Aranha marrom.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&btnG=Pesquisa+

Google&gbv=2&oq=foto+Loxosceles+&aq=f&aqi=&gs_upl=2594l7438l0l8844l6l6l0l0l0l1l531l1891l3-1.2.1l4l0&oi=image_result_group&sa=X&q=foto%20Loxosceles&tbm=isch>. Acesso em: 01/11/2011.

Lycosa erythrognatha tem nome comum de aranha-de-grama,

aranha-de-jardim, aranha-lobo e tarântula. Pertence à família Lycosidae

e possui cor marrom-clara, por vezes acinzentada, e ventre negro, com pelos

vermelhos perto dos ferrões e uma mancha escura em forma de flecha sobre

o corpo. As quelíceras com pelos alaranjados ou avermelhados, e, ainda, no

dorso do abdome tem um desenho negro no formato de seta. Atinge até 5 cm

de comprimento, incluindo as pernas. Vivem em gramados e casas. É uma

espécie encontrada com frequência em todo território do Brasil.

Apesar de ocasionarem acidentes com frequência, o veneno de

Lycosa erythrognathaé pouco tóxico para o ser humano, não é considerado

perigoso para o homem, não precisando de tratamento com soro. O veneno

dessa espécie proporciona uma dor intensa e transitória no local da picada,

com sensação de queima, e pode provocar reações alérgicas. No entanto,

a mordida não causa problemas mais graves. O tratamento geralmente não

é necessário, eventualmente a dor poderá ser controlada com analgésicos

orais. É interessante destacar que esta espécie é ativa tanto durante a noite

como também durante o dia. Alimenta-se principalmente de insetos e outras

aranhas. Quanto à reprodução, é ovípara e rápida, podendo penetrar em

habitações humanas, tentando fugir quando molestadas.

Figura 60: Aranha-de-grama e sua ooteca.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+Lycosa+erythrognatha&hl=pt-BR

&gbv=2&tbm=isch&ei=zAO5TpPOAtHngQf0svC1CA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011.

Aranhas caranguejeiras ou tarântulas pertencem à família

Therapho-sidae. Esse aracnídeo é temido, devido ao seu tamanho e aparência e,

geral-mente, atingem 10 cm de corpo e 30 cm de envergadura e, ainda se caracteriza

por ter patas longas e com duas garras na ponta, e o corpo é revestido de pelos.

Todavia, no Brasil, não são catalogadas espécies responsáveis por

envenenamen-to no ser humano. Mas, as picadas provocam somente dor de curta duração e de

pequena intensidade. Aranhas caranguejeiras vivem, geralmente, em locais

iso-lados das pessoas, como galerias subterrâneas, buracos em barrancos,

cupinzei-ros, árvores e etc. O ferrão em posição vertical diminui o efeito do mecanismo

de picada. Portanto, essas aranhas raramente provocam acidentes,

principal-mente as aranhas de espécies de grande porte e peludas. É importante lembrar

que, além da inoculação de veneno, que não tem toxinas nocivas ao homem, as

aranhas caranguejeiras têm outro mecanismo de defesa, que inclui, com mais

frequência, o uso de espalhar nuvem de pelos com ação irritante em direção ao

inimigo. Esses pelos podem ocasionar alergias com manifestações cutâneas ou

problemas nas vias respiratórias altas. As aranhas caranguejeiras são agressivas

e possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas. O tratamento

não precisa de soro. As tarântulas habitam as regiões temperadas e tropicais das

Américas, África, Oriente Médio e Ásia.

A caranguejeira da Amazônia pode alcançar a até 26 cm, sendo,

neste caso,, a maior aranha do mundo. Elas possuem pelos compridos nas

pernas e no abdômen. Esse aracnídeo utiliza as teias apenas para colocar

seus ovos, não para caçar suas vítimas. Apesar de ele ser muito temido, os

acidentes com esse aracnídeo são raros e sem gravidade, no entanto, essa

aranha tem pelos soltos e os utilizam quando são ameaçadas. Estes pelos

podem proporcionar coceira, irritações e lesões. Não se produz o soro contra

Figura 61: Aranhas caranguejeiras.

Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Aranhas+caranguejeiras&hl=

pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=_gS5ToKnE8vPgAej2vjmCA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011.

Resumo

Nesta aula, você aprendeu:

• Biologia e comportamento das aranhas;

• Métodos de prevenção, controle e sintomas;

• As espécies mais importantes na saúde pública.

Atividades de aprendizagem

1. Há uma pequena porcentagem de aranhas venenosas para os seres

hu-manos, o que significa que elas podem injetar em suas vítimas perigosas

peçonhas. Quais são as características peculiares das aranhas que fazem os

efeitos do veneno modificar?

2. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre aranhas no site

http://pt.scribd.com/doc/52779427/23/As-aranhas-de-importancia-medica.

Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a

atenção no item vigilância em saúde?

No documento Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (páginas 96-103)