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EXTERNA DO BRASIL

ANTECEDENTES HISTÓRICOS

Desde os tempos imemoriais aparecem registros da presença da atividade de Inteligência – então caracterizada como reconhecimento, espionagem e informação – como aspecto inerente ao desenvolvimento da humanidade. A própria Bíblia apresenta exemplos no relacionamento en-tre várias etnias em formação, raças em evolução e povos em dominação.

As grandes conquistas foram palmilhadas por episódios fortalecidos pela presença dessa importante atividade tornando-a inerente à consolidação de um Estado em formação.

Assim, as conquistas romanas e a expansão grega no Mundo Antigo, bem como o espraiamento das hordas mongóis, do Império Otomano e do crescimento do domínio russo na Eurásia, foram respal-dadas em reconhecimento prévio, e sua sustentação por longos períodos foi garantida pelo aprimoramento do aparato de informações. Aliás, o primeiro serviço de inteligência de que se tem notícia no mundo con-temporâneo, foi criado por Ivan, o Terrível, para consolidar seu domínio sobre os boiardos, senhores feudais russos da época. A Era Napoleônica na Europa, bem como o domínio colonizador inglês no mundo, ocorreram em grande parte através do aperfeiçoamento dos sistemas de captação de dados, controle e antecipação das iniciativas dessas frentes. É o sistema inglês o paradigma mais tradicional para os estudiosos dessa importante área do conhecimento humano.

Cumpre salientar que tanto para consolidar sua atuação no campo interno como para qualquer política de expansão internacional, todos os Estados sempre tiveram, na área de Inteligência, uma preocupação primordial com a Inteligência externa.

No continente americano, ou assim chamado Novo Mundo, além da peculiaridade das conquistas dos europeus no início da colonização, na medida em que as sociedades foram se aperfeiçoando e a concepção de

governo e Estado tomando forma, a assessoria de informações, segurança e defesa foi crescendo em importância. Segundo alguns historiadores, a própria libertação e secessão norte-americana tiveram influência marcante da, então incipiente, atividade de Inteligência. Ademais, o governo dos EUA, após a Segunda Guerra Mundial, quando, apesar das vitórias, foi, em muitas oportunidades, surpreendido por ausência de informação ou pela falta de análise e interpretação correta dos dados obtidos, criou uma comunidade (sistema) centralizada de Inteligência, com ramificações nas áreas sensíveis da estrutura do Estado. Esse estamento vem apoiando o desenvolvimento do país tanto na seara interna como no âmbito inter-nacional, apesar de sofrer grande reestruturação pós 11 de setembro de 2001 com a criação do Homeland Security.

Na América do Sul, a origem e o desenvolvimento das principais estruturas de Inteligência sofreram forte influência da doutrina norte-americana. Sob o apanágio da contenção do Movimento Comunista Internacional, essas organizações foram fortemente marcadas e, em al-guns casos, funcionaram como sucursais do sistema norte-americano em prol dos seus interesses estratégicos, com reflexos nos campos político e econômico. Tal situação não deixava de ser uma espécie de sistema internacional. Nos fins dos anos sessenta e década de 70, em especial, assistiu-se à escalada de movimentos subversivos de inspiração marxista, fato que contribuiu para a derrocada das ainda incipientes democracias sul-americanas e a conseqüente instalação de regimes militares fortes, chegando em muitos casos nos extremos ditatoriais.

Cumpre ressaltar que o alinhamento quase automático desses governos com a doutrina norte-americana – uma vez que a cúpula militar em grande parte havia realizado cursos nos EUA - aliado ao interesse estratégico do então governo de Washington acarretou a criação de diver-sas doutrinas de segurança nacional, as quais exigiam a criação de uma organização de informações para dar-lhes sustentação. Em conseqüência,

assistiu-se ao surgimento de diversos Serviços de Informações em países latino-americanos, com atuação preponderante no campo interno, com a finalidade precípua de combate à subversão.

O Brasil não ficou à parte desse processo, incorrendo no mesmo caso com o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), que, apesar de ter atribuições na produção de informações externas de contra-espio-nagem, pautou sua atuação, desde o surgimento em 1964, principalmente, na produção de informações do campo interno. No entanto, demonstra-va maior autonomia do que os demais serviços e, onde também foram empreendidas iniciativas de grande visão no campo externo, após a consolidação inicial do movimento.

Como curiosidade é interessante observar que a concentração dessas três atividades em uma única estrutura, com preponderância para o controle interno, até algumas décadas atrás, era típica de regimes totalitários, como no caso o Comitê de Segurança do Estado (KGB), da então União Soviética e de seus congêneres do Pacto de Varsóvia, no Leste Europeu. Essa estrutura, oriunda daquela primeira organização citada anteriormente, caracterizava sobremaneira o caráter sistêmico e também expansionista para o exterior de suas atividades, uma vez que, era o chamado braço armado para a exportação da ideologia pelo mundo, um dos ditames fundamentais do regime soviético.

O desmoronamento do Império Soviético e o conseqüente desa-parecimento do inimigo comum do Ocidente, acarretando o fim da Era da Guerra Fria e de uma ordem internacional bipolar, promoveu uma completa reformulação das políticas de defesa em todo o mundo, com reflexos significativos na atuação dos serviços de inteligência. A socie-dade, por sua vez, também passou a questionar, a participar de definições quanto à validade e aos novos objetivos para nortear a atuação desse importante segmento de governo.

No início deste século, com o episódio do atentado às torres

gê-meas, em Nova York, nova guinada ocorreu na atividade de Inteligência em todo o mundo, com ênfase na necessidade de reestruturação e forma-ção de sistemas com amplo intercâmbio entre os Estados-Naforma-ção para se contrapor à nova ameaça no cenário internacional: o terrorismo.

Assim, o mundo assistiu, ao longo dos tempos, à criação de vários organismos ligados à atividade hoje conhecida como Inteligência, os quais mesmo que voltados precipuamente para a área interna, terminavam por atuar na externa, na maioria das vezes em caráter sistêmico, até para a sua própria sobrevivência.

PRImÓRDIOS DA ATIVIDADE NO BRASIL

Há controvérsias quanto à criação efetiva do primeiro estamento de Inteligência no Brasil. Alguns citam 1927, com o estabelecimento do Conse-lho de Defesa Nacional (CDN), no Governo Washington Luis. O órgão teria sido criado pelo receio do crescimento do Movimento Comunista Interna-cional, e após o Levante de 1922, do movimento em São Paulo, em 1924, e a Coluna Prestes em 1925/27. A crítica incide sobre o papel desempenhado pelo CDN, de pouca participação na deposição do Presidente Washington Luis, bem como no episódio Júlio Prestes e eleição de Getúlio Vargas. No entanto, a maioria dos analistas destaca o papel preponderante durante o Estado Novo, como sustentáculo da chamada ditadura de então, mas sem ainda uma caracterização real de assessoria de Inteligência.

A maioria dos experts, no entanto, estipulam 1946, com o Serviço Federal de Informações e Contra-Informações (SFICI) e a data de 06 de setembro, como marco inicial da Inteligência no País. É bom lembrar a situação de pós-guerra vivida pelo mundo na época, e o início da bipolari-dade que caracterizou boa parte do século passado, conforme já citado na introdução.

Em 1955, após o suicídio de Vargas e a frutificação do pensamento liberal, notadamente nas escolas militares Escola Superior de Guerra (ESG), Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), etc, começam a surgir as idéias preliminares de uma doutrina de informa-ções, que teve seu ápice com a criação do SNI, após o movimento de 64. No entanto, alguns acontecimentos fizeram com que a ênfase dada pela Inteligência - inicialmente maior para o campo interno, e após sua consolidação conforme já citado - tivesse seu foco diversificado.

No Governo Costa e Silva, a iniciativa de participação na produ-ção de artefatos atômicos para fins pacíficos, por exemplo, bem como as mudanças de ênfase na política externa, direcionando-a para a Europa e África, foram posturas importantes na auto-afirmação do país no cená-rio internacional, sempre acompanhadas pela ainda incipiente área de Inteligência externa.

Foi no Governo Geisel, a grande guinada ascensional da senóide para a área externa e, por conseguinte, na atividade de Inteligência. A postura moderna, mais independente, tanto ao denunciar o acordo com os EUA como nas múltiplas iniciativas ao redor do mundo, ensejou maior participação e apoio por parte do estamento de Inteligência.

Assim, o envolvimento no conflito de Angola, visando cobrir os embates entre o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) versus a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) e abrindo caminho para a participação de empresas nacionais na tentativa de construção do país, teve grande participação de membros da Inteligência.

O mesmo ocorreu em Moçambique no caso da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

As negociações comerciais com o Iraque, desde 1978/79, onde foi instalado um posto de Inteligência, abriram boas perspectivas para a indústria de armamento brasileira, entre outras. A venda de armas para a Líbia e as negociações com o Egito também caracterizaram essa fase

de importantes dividendos e autonomia no campo externo.

O Governo Figueiredo deu continuidade e aperfeiçoou esse in-tento. Assessorado pelo General Medeiros (Octávio Aguiar de Medeiros) de notável visão e iniciativa, a área externa da Inteligência começou a plantar os alicerces para sua atuação no mundo contemporâneo. Foram aprofundados estudos e participação in loco em atividades da área da então Cortina de Ferro e da Europa em geral. A criação do posto em Ge-nebra serviu como centralizador dessas iniciativas. Foram incrementadas as ligações com países que apresentavam similaridades: África do Sul, México, Coréia do Sul e outros asiáticos.

Nas vizinhanças sul-americanas procurou-se consolidar o rela-cionamento e criar anteparo para o surgimento preocupante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A abertura de posto de Inteligência no Peru – onde havia uma crescente presença soviética no fornecimento de armamento e equipamento militar – como também no Suriname, ponto estratégico de crescente importância no continente, principalmente após as intervenções dos EUA no Panamá, Granada e outras situações semelhantes de instabilidade na América central, (como Nicarágua e El Salvador), também foram importantes para a afirmação da Inteligência brasileira no exterior.

Como ponto crítico nesta fase, ou seja, uma adversidade ou relação negativa no tocante aos insucessos, pode-se alinhavar a surpresa com a eclosão da Guerra da Malvinas, em 1982, fato que acelerou a criação do posto na Argentina, que depois passaria a ser muito importante nas iniciativas para o surgimento do Mercosul em 1985.

Em contrapartida, pode ser citado como vitória, ou exemplo de sucesso do serviço de Inteligência da época, o acompanhamento e as análises prospectivas das possíveis decorrências da situação no Leste Europeu. Tanto nas atividades na área, principalmente em apoio à em-baixada brasileira em Moscou, como principalmente no fornecimento de

dados, isentos e frutos de acompanhamento de várias fontes (informantes, entrevistas, contatos e operações com dissidentes, via-satélite, e in loco etc.) para a tomada de decisões governamentais, esse foi um setor que se fortaleceu e passou a ser ponto de excelência da Inteligência brasileira.

A situação no Médio Oriente no final da década de 80, a situa-ção do Kuaite no início de 90 e a conseqüente operasitua-ção Tempestade no Deserto, em 91, com os desdobramentos para o novo enfoque para a In-teligência, conforme será comentado mais à frente, provaram a validade da participação da área de Inteligência para melhor acompanhamento das evoluções e decorrências.

EVOLUçãO RECENTE DA INTELIGÊNCIA NO BRASIL

O processo de redemocratização do Brasil e o surgimento de nova Constituição, onde os direitos e garantias individuais ganharam força, fizeram com que práticas usualmente empregadas na primeira fase do SNI fossem reenquadradas, ou em alguns casos, coibidas. Tais práticas estiveram mais ligadas ao campo interno e a transformação ocorreu, tanto pelas mudanças no quadro político institucional interno e externo como, também, pela falta de respaldo na legislação em vigor. Aliás, em particular, causou espécie durante essa transformação quando agentes do então serviço foram instados a acompanhar os efeitos de um dos planos econômicos do governo, “contando boi no pasto” literalmente, para coibir a alta de preços na entressafra, num total desvirtuamento da atividade-fim.

No início do Governo Collor, a criação do Departamento de Inte-ligência (DI), atrelado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), não impediu, no entanto, que setores importantes da sociedade, em especial a imprensa, continuassem a ver o novo órgão como um instrumento de

repressão política ou mesmo de uma entidade ligada à perseguição dos cidadãos e de quase nenhuma utilidade para o País. Cumpre ressaltar que a ênfase das críticas repousava nas atuações do órgão no campo interno extrapolando suas atribuições institucionais, não sendo abordada a atuação externa por natural falta de conhecimento.

O ato de criação do Departamento de Inteligência, em 1990, foi um ato tão ou mais drástico que a criação do SNI, em 1964. O serviço foi criado por projeto de lei e, a despeito do clima favorável gerado pelo fervor “revolucionário” da época, não se deu senão após intenso debate no Congresso Nacional. A criação do Departamento de Inteligência, em contrapartida, responsável pelas atividades de Inteligência, deu-se por Medida Provisória (nº 150, de 15 de março de 1990). A medida não explicitou o entendimento de “inteligência”, apesar de ser um conceito absolutamente novo no léxico brasileiro, utilizado em substituição a

“informações”, e uma corruptela da expressão inglesa “intelligence activities” que nas democracias liberais diz respeito a ações de espiona-gem contra interesses estrangeiros e pressupõe a existência de delicado mecanismo de supervisão e controle, além de caracterizar a existência de redes ou sistemas. Assim, a julgar pela evolução da situação, o Congresso aprovou algo que sequer sabia o que significava efetivamente.

Tratava-se de fugir da conotação negativa e mesmo pejorativa que o vocábulo “informação” acabou por catalisar como síntese das re-ações no período dos governos militares. O estratagema funcionou, pois o Serviço de Informações deixou de freqüentar as páginas dos jornais, e, aparentemente, também houve efeitos internos e a nova organização passou a oferecer um perfil mais palatável às estruturas democratizantes do País. Não se tratava apenas de mais um neologismo em moda, mas da utilização de um termo de largo emprego, inclusive internacional, e exclusivo para a atividade de Inteligência com caráter sistêmico.

O problema residia menos em onde colocar a estrutura de

Inteli-gência e mais em saber “o que colocar”, ou seja, em definir a atividade de Inteligência sob padrões que assegurassem sua legalidade, legitimidade e racionalidade a serviço do Estado brasileiro.

Na prática, a atividade cingiu-se à atuação interna, como caracte-riza a ênfase dada ao acompanhamento de assuntos internos conjunturais, indevidamente acoplados com maior prioridade à organização.

Assim, a criação da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), no que tange à área de Inteligência, deveria ser observada vis-à-vis à extinção do SNI e da Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional (Saden). A SAE deveria incorporar as tarefas das duas organizações ex-tintas e conforme um tópico de campanha do então candidato a Presidente que viria a ser deposto, caracterizar a desmilitarização da Presidência da República.

A SAE, no entanto, embora tenha efetivado com alarde e sem critério profissional esse último ponto, não fez corretamente a transição de “informações”, como dito acima, para “inteligência”, como também, deixou de assumir algumas responsabilidades importantes decorrentes das atribuições herdadas da extinta Saden. De acordo com a Lei 8.183, de 11/04/91, cabia à SAE executar as atividades permanentes necessá-rias ao exercício da competência constitucional do Conselho de Defesa Nacional, ou seja, desempenhar o papel anteriormente afeto à Saden.

Pouco foi feito para cumprir essa determinação legal. Como decorrên-cia, não havia um Conceito Estratégico de Defesa efetivo e nem uma política de defesa como exige o mundo moderno, para fazer face a todas as gigantescas modificações recentes nos perfis de conflito e interesses das relações internacionais.

Embora, aparentemente, a intenção inicial dos reformadores tenha sido a de transformar o DI precipuamente em um órgão de Inte-ligência externa - a exemplo de seus congêneres nos principais países desenvolvidos como França, Inglaterra, Alemanha, EUA etc – a

con-juntura à época, principalmente no que tange à inexperiência e falta de escrúpulos dos dirigentes indicados e assessorados por profissionais da área, também sem a devida experiência ou capacitação, forçou a que se mantivessem deturpações nas atribuições com o direcionamento mais voltado para atividades internas, limitando, assim, ainda mais, o já de-bilitado organismo.

É desta época um dos mais calamitosos erros ou omissões da atividade de Inteligência, quando, embora tivessem todos os dados favoráveis em seu poder, os dirigentes deixaram de levar à frente um importante plano de captação de cérebros oriundos da ex-União Sovié-tica, por razões mesquinhas pessoais aliadas à falta de coragem e visão.

Vários países, muitos do assim chamado Primeiro Mundo, realizaram semelhantes iniciativas, através de seus órgãos de Inteligência, auferindo consideráveis dividendos.

Esse plano elaborado pelo setor de acompanhamento do Leste Europeu (já citado anteriormente e apoiado no reconhecimento dessa área inclusive pelos congêneres dos países mais desenvolvidos) traria experts para os mais variados campos de atividade a custos irrisórios (cerca de U$ 50 por mês per capita), fato que daria notável impulso, principalmente às Universidades e Centros de Pesquisa do País.

Fatos dessa ordem, assim como a pulverização da área de en-sino de idiomas e dialetos (que atendia a mais de 32 línguas de todo o mundo), e a devolução de inúmeros especialistas aos órgãos de origem, sem nenhuma consideração pela contribuição prestada ou trabalho de recompletamento dos quadros, bem como a revogação da instalação de posto na Costa Rica, entre outros, representaram um abalo catastrófico na atividade, principalmente na sua vertente externa, caracterizando a Era Collor como um crime “lesa pátria” atinente à área.

Essa situação ainda persistiu, apesar de algumas tentativas de mudança no governo Itamar Franco, quando a área precisou se

reestru-turar depois do debácle sofrido, sendo realizações da época a criação da área de Inteligência de sinais, bem como a admissão de novos servidores selecionados por concurso público.

O Governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), desde a campanha eleitoral, foi enfático em promover seu objetivo de inserir o Brasil no contexto das nações desenvolvidas do assim chamado Primei-ro Mundo, através da prioridade dada a cinco pontos capitais, entre os quais estavam as preocupações com a segurança e a defesa. A busca da modernidade obrigatoriamente deveria passar pelo aperfeiçoamento do segmento da Inteligência tornando-o um instrumento de fortalecimento do Estado e não um mero executor em apenso para cada governo.

As iniciativas foram promovidas pela Subsecretaria de Inteligên-cia, que recebeu a missão de criação da Abin, hoje Agência Brasileira de Inteligência, após período inicial dos mais importantes, sob supervi-são direta do General Fernando Cardoso - ex-chefe da Casa Militar no Governo Itamar e assessor direto do Presidente FHC - um dos próceres da Abin, militar de alto prestígio e experiência (instalou a adidância na China), que praticamente abdicou de sua carreira por não se vergar às imposições palacianas da época. Não foi conivente com as limitações impostas no espectro de atuação da área de Inteligência nem com os su-cessivos adiamentos para a efetivação da agência com plano de carreira definido.

Os primeiros dois anos do primeiro governo FHC foram muito intensos na área externa do setor. Foram estabelecidos contatos com todos os países sul-americanos, bem como, buscou-se fortalecer o sistema com países da África, em busca de maior segurança no Atlântico Sul. Novas perspectivas para a área foram perscrutadas na Ásia e no Médio Oriente, além da consolidação dos contatos na Europa e América do Norte.

A iniciativa de estabelecer parcerias com países anteriormente considerados inimigos, como Rússia, Ucrânia, etc, trouxe grandes

bene-fícios para a atividade até os dias atuais, dando-lhe maior capilaridade, autonomia, penetração e complementaridade nos trabalhos de assessoria governamental. Importantes decisões e negociações entre governos foram subsidiadas a partir deste relevante vínculo e em áreas onde os contatos formais, diplomáticos etc, na maioria das vezes, não podem agir. O

bene-fícios para a atividade até os dias atuais, dando-lhe maior capilaridade, autonomia, penetração e complementaridade nos trabalhos de assessoria governamental. Importantes decisões e negociações entre governos foram subsidiadas a partir deste relevante vínculo e em áreas onde os contatos formais, diplomáticos etc, na maioria das vezes, não podem agir. O

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